domingo, 4 de abril de 2010

Apicultura promove Madeira

Suíços partem satisfeitos da Região depois de uma semana de visita




O grupo de apicultores suíços, que esteve de visita à Região entre os dias 21 e 28 de Abril, partiu satisfeito com aquilo que viu. Na Madeira, estes criadores de abelha tiveram oportunidade de se inteirar sobre o estado do sector apícola tendo visitado alguns espaços alusivos. A beleza da ilha, a forma de receber e de ser das pessoas assim como a gastronomia foram outros dos factores que destacaram. A iniciativa foi possível, graças ao empenho do apicultor madeirense, Carlos Pestana e contou com o apoio da Câmara do Porto Moniz, Centro Ciência Viva, Engenho da Calheta e demais responsáveis.


“Sabia que os países do sul da Europa, os países latinos são de pessoas amáveis e gentis, com coração aberto mas como aqui nunca tínhamos visto”, afirmou René Zumsteg, apicultor suíço, ao JORNAL da MADEIRA, horas antes de partir para o seu país de origem.
René Zumsteg é um dos representantes da Associação de Apicultores de Basilea, que esteve na Madeira entre os dias 21 e 28 de Abril, juntamente com outros criadores de abelhas suíços.
Tudo começou em Fevereiro de 2009, aquando uma deslocação à Madeira durante a qual este apicultor suíço há mais de 30 anos mostrou interesse em organizar uma visita para trazer outros apicultores. Carlos Pestana acedeu ao desafio e a “expedição” tornou-se uma realidade.

Reportagem da visita editada em revista suíça

René Zumsteg salientou a forma incansável como o anfitrião madeirense organizou cada dia tendo reiterado que “é um apicultor com muito talento e que sabe tratar as abelhas muito bem”. Na Suiça, René Zumsteg vai procurar pôr no papel o que viu e sentiu durante a visita à Região. Irá falar, sobretudo, do sector apícola mas também da floresta Laurissilva e da forma como a comitiva foi recebida.
A reportagem vai ser editada numa revista mensal da especialidade, onde este apicultor tem direito a quatro páginas para falar sobre o sector desde as suas actividades, além de ensinar os demais a lidarem com as abelhas.
Está convicto de que, após sair a publicação vai receber telefonemas, e-mails e cartas de outros apicultores a perguntar como foi possível terem ido à Madeira.
O presidente da Associação de Apicultores de Basilea, Hans Stockli estava igualmente satisfeito com o que viu na RAM. Considerou que, tal como o mel produzido na Suiça, o mel da Madeira também “é muito aromático, muito especial e muito único” tendo em conta que as abelhas circulam nas diferentes flores dos jardins e dos parques.
Carlos Pestana mostrou-se, também, satisfeito com a forma como decorreu esta visita porque “os objectivos a que me propus foram totalmente alcançados, pois esta visita foi devidamente coordenada de forma a que fosse o mais completa possível”, explicou.
O programa da visita dos apicultores suíços à Região teve duas vertentes. A primeira foi dar a conhecer o concelho do Porto Moniz onde o grupo teve oportunidade de conhecer o Aquário, numa visita proporcionada pelo Conselho de Administração daquele espaço, para observar as espécies piscícolas da Madeira. Já no Centro de Ciência Viva, a directora Liliana Sousa mostrou a Floresta Laurissilva.
Este grupo foi convidado a espreitar o mais antigo engenho de cana de açúcar em funcionamento, o Engenho da Calheta, a convite do seu sócio gerente, que deu a provar o já muito conhecido bolo de mel acompanhado com a poncha.
Nesse dia, o almoço decorreu no restaurante dos Prazeres denominado “O Parque”, muito conhecido pelo seu prato original: o bacalhau na brasa. O petisco foi preparado pelo proprietário, conhecido no seu meio como “Zeca”, sendo este o único detentor desta receita de bacalhau.

Da vertente turística
ao sector apícola


A segunda vertente da visita dos apicultores suíços reportou-se à apicultura. Neste sentido, no Centro de Ciência Viva, com a colaboração de Liliana Sousa foi feita uma abordagem à forma de maneio apícola na Região, a que se seguiu uma prova de mel, constituída por 20 variedades de várias localidades da ilha, com diversas tonalidades e sabores.
Carlos Pestana garantiu que “os convidados ficaram surpreendidos com a diversidade e qualidade dos méis, não faltando a presença da tradicional poncha na sua receita original”. Os méis foram doados ao Lar de Idosos do Porto Moniz.
Na Ponta do Sol, mais propriamente na Malhadinha, o grupo foi convidado a visitar uma exploração de agricultura de produção modo biológico, onde também se faz a prática de apicultura de maneio bio, no entanto, não certificado.
Para o último dia de visita estava prevista uma caminhada pelo Galhano, espaço onde se situa o Apiário Biológico da Madeira, mas a mesma não se realizou por ser um percurso muito longo e atendendo a que “o Apiário já conheceu melhores dias”, apontou.
O percurso alternativo pela Laurissilva foi o do Fanal, local escolhido para o almoço. Como não poderia deixar de ser, foi espetada em pau de louro como manda a tradição da gastronomia madeirense, acompanhada por um bom vinho da Região. A especialidade foi muito apreciada.


René Zumsteg deixa convite pessoal a Carlos Pestana
“Estamos prontos a recebê-los”


René Zumsteg espera que, num futuro próximo, Carlos Pestana e, quem sabe, outros apicultores madeirenses, possam se deslocar à Suiça, a fim de observarem o estado do sector apícola naquele país. “Nós estamos prontos para recebê-los, de coração aberto”, sublinhou.
Sendo um dos representantes da comitiva da Associação de Apicultores de Basilea (www.vdrb.ch) que esteve na Região, vai falar desta possibilidade de receber um grupo de apicultores madeirenses, no artigo que vai escrever para a revista da especialidade acerca desta deslocação.
O convite foi endereçado pessoalmente a Carlos Pestana. O apicultor madeirense sentiu-se lisonjeado com o convite e com a apreciação que fizeram ao seu trabalho: “O meu trabalho foi reconhecido e elogiado pelos visitantes, trabalho esse nunca reconhecido na Região”, exclamou.
Ficou em aberto a realização de futuras visitas com outros grupos, para tomarem nota da apicultura madeirense e do meio envolvente, a Floresta Laurissilva.


Suiça é um dos países com mais abelhas por Km2
Dedicação ao sector apícola


Basilea tem 190 mil habitantes, cerca de 740 colmeias e uma associação apícola com 110 sócios. De acordo com René Zumsteg, a Suiça é um dos países com mais abelhas por quilómetro quadrado, contudo, tem havido muitas perdas.
A produção destina-se, apenas, ao mercado interno. Os negócios são privados e pequenos. O mel é utilizado para a confecção de alguns doces, de resto é para consumo caseiro. René Zumsteg sublinha que os suíços primam pela “qualidade dos produtos naturais” sendo que “as pessoas estão muito sensibilizadas para as questões da natureza”.
Uma das ideias de René Zumsteg é criar uma rede de apicultores a nível europeu. A Suiça é um país pequeno do centro da Europa que faz fronteira com a Alemanha, França, Itália e Aústria, com quem estabelece contactos e onde existem revistas da especialidade.
Para além da troca de informação, são promovidas visitas entre associações regionais. A Associação de Apicultores de Basilea já se deslocou a Inglaterra, passando pela Aústria e França. A informação circula através de um jornal onde os apicultores dão conta dos intercâmbios realizados, aos quais se podem juntar criadores de abelhas de outras regiões.


Problemas comuns às duas regiões

Carlos Pestana, anfitrião da comitiva suiça à Região considera que o intercâmbio foi “muito proveitoso, embora os maneios sejam diferentes, os suiços fazem apicultura durante 3 meses e nós a fazemos durante os 12 meses”. Na visita ao colmeal, o apicultor madeirense achou curioso que os suiços “não usaram qualquer tipo de protecção no maneio (ver fotos), foi simplesmente impressionante” tendo reiterado que “ainda estamos na Idade da Média sobre os conhecimentos apícolas”. Em ambas as regiões, os problemas neste sector são os mesmos: as pragas e as doenças das abelhas e a falta de apoio. Na Suiça, em cada Inverno morrem muitas abelhas, o que muito preocupa os apicultores que chamam a atenção para a importância das mesmas para o mel e para a polinização. René Zumsteg sublinhou, também, a importância do apicultor, neste ciclo porque atendendo às doenças, a abelha já não consegue sobreviver sozinha. Estão a ser feitos esforços para encontrar uma solução mas não tem sido fácil. O responsável assegura que os jovens têm-se mostrado interessados. Na capital, Berne, existe um Centro Científico Agrícola sob a tutela do Governo, dotado desde algum tempo, de um sector dedicado às abelhas. “Com tantos problemas e abelhas perdidas, o Governo sabe que tem que fazer algo”.



Jornal da Madeira

1 comentário:

  1. Sabemos que o frio é assassino das abelhas. Aqui no Brasil tiveram a ideia de cruzar a "europa" com a "africana". A princípio eram terriíveis. O Brasil chegou a importar mel. Mas conseguiram domesticá-las e a produção é enorme sobretudo nos estados nordestinos onde predomina o calor. Até a uva dá duas produções anuais.

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