
«É um erro plantar árvores em declives. Todas as leis ciêntíficas do Mundo dizem que um terreno com uma inclinação superior a 16 por cento não podem ser arborizadas», a opinião é do padre Manuel de Nóbrega, naturalista madeirense e que foi orador numa conferência que decorreu ontem na sala de sessões da Escola Secundária Francisco Franco.
Momentos antes de falar para os estudantes daquele estabelecimento de ensino, o padre prestou declarações à comunicação social, tendo falado sobre as fronteiras da biodiversidade. A propósito, realçou que há um trabalho feito pela Academia de Ciências de Paris que diz que só há uma solução para os declives: «ou faz-se um arrelvamento e então, na medida em que este segurar o terreno, pode-se plantar árvores. Na medida em que o terreno não tiver consistência, é preciso fazer poios. Só quando existir consistência dos solos, pode-se arborizar».
No entender daquele especialista, «a vida que existe no mar não é igual à que existe na terra. Entre estes, há uma fronteira. Na terra, também há várias fronteiras desde o litoral até ao alto da montanha». Exemplificando a sua opinião, o orador lembrou que a bananeira e a cana-de-açucar têm uma área de cultivo que podem ir até aos 400 metros de altura. Dessa área para cima, surgem outras espécies.
«Se eu quiser trocar a área da banana ou da cana-de-açucar para plantar no Pico do Arieiro, não vou conseguir nada», explica o padre Manuel de Nóbrega, o qual refere que «a isto chamo fronteiras».
«É preciso preservar o endémico», admitiu Manuel de Nóbrega, para logo acrescentar que deve-se evitar aquilo que não é próprio de cada zona. A ocasião foi aproveitada para aquele orador esclarecer um erro que é muito comum dizer-se. «Uma coisa é plantar e outra coisa é reflorestar. Plantar, põe-se seja lá o que for. Reflorestar é pegar naquilo que é da ilha e tornar a dar-lhe vida», defendeu aquele responsável. Reflorestar não tem a ver com a plantação, por exemplo, «de plantas exóticas que nada têm a ver com a flora da Madeira».
«Não há reflorestação da Madeira mas sim florestação», alertou o orador. Tanto a Madeira como o Porto Santo não têm reflorestação mas sim florestação. «Arborizou-se com plantas que não eram dali», defende o padre Manuel de Nóbrega.
Como técnico do Jardim Botânico da Madeira, criou o hetrbário de plantas criptogâmicas, incrementou as colecções do herbário e do museu e desenvolveu estudos no âmbito da botânica. Em 1998, foi condecorado com a Ordem de Mérido do Presidente da República.
Jornal da Madeira
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