Está nas mãos da população fazer render investimento público


Alberto João Jardim deslocou-se, ontem, à Eira da Achada, na Ribeira da Janela, onde inaugurou o melhoramento urbanístico ali efectuado. Ficaram os elogios ao trabalho desenvolvido no local pela Câmara e pelo Governo, mas o momento foi aproveitado pelo governante para recordar as dificuldades sentidas pelo Executivo para fazer chegar o desenvolvimento áquele local.
«Lembro-me, quando cheguei ao Governo, que não chegava estrada à Igreja. Havia um jipe que trazia as pessoas. E eu lembro-me que na altura disse que a primeira prioridade em relação à Ribeira da Janela era fazer chegar a estrada ao centro da freguesia. A certa altura, mandei os técnicos me desenhar e planear a estrada. Quando de repente me chega um desses técnicos e diz assim: “não se pode chegar lá acima”. E o que é que estava a suceder? O projecto da estrada estava a acabar num abismo. Eu disse: “isto é de loucos. Nunca vi isto, uma estrada que acaba num abismo”. E então chamei uma pessoa que, na altura, era considerada um dos nossos melhores engenheiros, o Ribeiro Pereira. Disse-lhe então: “largue tudo o que está a fazer, mas a estrada não pode acabar num abismo”. E então o engenheiro pegou no assunto – de facto, era uma obra complicada – e chegou cá acima à Igreja. O resto foi-se fazendo. E desse resto tenho muito prazer em estar aqui a ver como isto ficou tão bonito», disse o presidente.
Ainda assim, Jardim confessou ter tido algumas reservas em relação à obra que ontem foi inaugurada. Reservas essas que se dissiparam assim que pisou os dois miradouros ali construídos. «Só o panorama que, daqui, a Ribeira da Janela beneficia e todos os que venham cá, sobretudo o enquadramento que é permitir que as pessoas estejam sentadas e assistam a um espectáculo em que o cenário de fundo é toda esta deslumbrante costa norte, é o melhor possível. Nem a ópera de Paris tem um cenário destes para qualquer espectáculo que se queira aqui fazer», elogiou.
Porém, Jardim alerta que depois de mais este investimento público, é preciso não parar, tendo incentivado a população a investir em novos projectos. «Hoje, a Ribeira da Janela está no mapa e é uma importante via a ser percorrida por quem visita a Madeira. Agora, há que aproveitar, sob o ponto de vista da iniciativa privada», salientou.
O presidente considerou ainda a Ribeira da Janela um caso único. «A gente entra lá em baixo ao pé da ribeira, que é já um panorama sensacional, e vem-se por aqui fora e saímos no Paúl, observando todos os escalões diferentes da panorâmica madeirense. De maneira que agora está nas mãos da população fazer render estes investimentos públicos», disse.
«O Douro já se parece com a Ribeira da Janela»
Gabriel Farinha teve nesta inauguração o seu último acto público, enquanto presidente da Câmara do Porto Moniz. «Quis o destino que a primeira obra que prometi foi nos Lamaceiros, terra do meu pai. Cumprimos. Quis também o destino que, neste último mandato, o meu último acto público fosse na terra da minha mãe. Mais uma promessa que cumprimos», salientou o autarca, que relevou o facto de o seu Executivo e o Governo Regional ter cumprido tudo o que prometeu para o local.
«Só com esta ligação é que, de facto, nós podemos alcançar os nossos objectivos estratégicos. Este é o culminar do objectivo estratégico mais lato que foi o de dotar todo o concelho com arranjos urbanísticos em todas as localidades, nomeadamente, Achadas da Cruz, Santa, Lamaceiros, vila, Seixal e Ribeira da Janela», afirmou.
Gabriel Farinha agradeceu ao presidente do Governo Regional o «empenho e dedicação» que pôs na execução desta obra, assim como do presidente da Junta de Freguesia local em tudo o que interessava ali realizar. «Ter um presidente do Governo como vossa excelência, ter um presidente de Junta como o Ricardo e ter um povo maravilhoso como a Ribeira da Janela é fácil fazer obra», disse.
Esta obra é composta por dois miradouros, um deles com vista sobre a foz da ribeira, onde se pode contemplar os vinhedos. «O Douro já se parece com a Ribeira da Janela e não o contrário», brincou Gabriel Farinha, que também salientou o o arranjo urbanístico entre a povoação, nomeadamente, estacionamentos e beneficiações pedonais.
«Esta é uma obra de interesse local e regional. Ainda de manhã cá passei e estavam uns dez turistas parados a tirarem fotografias. Coisa que antigamente não acontecia. Passavam aqui e não paravam, dado que era uma curva com pouco acesso a esta bonita vista sobre a costa norte e a foz da Ribeira da Janela», concluiu.
A obra
O arranjo urbanístico da Eira da Achada, na Freguesia da Ribeira da Janela, foi uma iniciativa da Câmara Municipal do Porto Moniz. Contemplou a criação de um miradouro, estacionamentos automóveis e novas casas de banho públicas de apoio. Foram melhorados os circuitos para passeios pedonais desde o sítio do Covão ao centro da Eira da Achada. Foram colocadas redes de água potável, de águas pluviais e de iluminação e telecomunicações, bem como, repavimentado o troço de Estrada intervencionada. O investimento público da Câmara Municipal de Porto Moniz ascendeu a 1.136.000 de euros.
Jornal da Madeira



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