quinta-feira, 8 de outubro de 2009

INaguração das Novas Instalações da Escola Profissional Atlântico (Funchal)

Jardim na inauguração das novas instalações da Escola Profissional Atlântico
Será indispensável ter profissionais qualificados







«A Madeira precisa destes cursos profissionais como de pão para a boca». A afirmação é do presidente do Governo Regional da Madeira, Alberto João Jardim, durante a inauguração da nova extensão da Escola Profissional Atlântico (EPA), no Edifício 2000.
Num discurso marcado por alguns momentos de boa-disposição e ironia, o líder do Executivo madeirense explicou aos administradores da escola e também aos professores e alunos que até ao final do seu mandato, em 2011, estarão concluídas as principais infra-estruturas na Região Autónoma da Madeira.
Depois disso, as obras vão cingir-se à requalificação, reconstrução e recuperação do que foi edificado anteriormente. Uma vez realizadas as principais infra-estruturas públicas e atraídas as empresas, Jardim diz que «é importante ter pessoal qualificado». «A Madeira vai precisar daqui para a frente, e cada vez mais, deste tipo de pessoal que é formado numa escola deste teor». «São pessoas que, pela sua formação, vão ser absolutamente indispensáveis», garantiu o responsável.
Dando o exemplo da EPA, o presidente do Governo Regional disse que a formação profissional não se resume à qualificação, mas também ao desenvolvimento pessoal que «esta escola conseguiu ter». «Dentro desta escola, as pessoas respiram princípios e valores e ao mesmo tempo estão a ter o seu ensino técnico», frisou Jardim, agradecendo aos responsáveis da escola, em particular a João Pedro Entrudo, administrador da Escola Profissional Atlântico - Madeira Negócios e Serviços.

Muita gente teve a ilusão do ensino superior

Considerando que aquela escola profissional é «fundamental» para a Região, o líder do Executivo recordou que, desde 1980, «fartou-se de alertar os sucessivos governos, fosse qual fosse a sua origem partidária, de que Portugal tinha caído numa demagogia e até numa certa desonestidade para com a sua juventude».
Foi criada uma lacuna na economia portuguesa, onde as pessoas, necessárias para os vários sectores da economia, foram desaparecendo, devido às ilusões criadas sobre o ensino universitário tradicional. «A verdade é que se chegou a uma situação de desemprego universitário de pessoas que não têm empregabilidade nem no público, nem no privado e que agora vai ser agravado por essa demagogia de Bolonha».
Para evitar esta situação e dada a necessidade de pessoal qualificado nas mais diversas áreas da economia, Jardim prometeu continuar com os apoios para a Escola Profissional Atlântico. Dirigindo-se ao secretário regional de Educação, Francisco Fernandes, advertiu que «não se mexe em nada». «Há que apoiar o ensino privado que nos custa mais barato por aluno que o ensino público».

Jardim: «Não faz mal, porque é uma pessoa amiga»

Num discurso em que Jardim estava visivelmente bem-disposto, a certa altura foi interrompido pelo intercomunicador do comissário da Polícia de Segurança Pública, Roberto Fernandes, situação que deu origem a um momento de riso, dados os últimos acontecimentos. À situação, Jardim respondeu com um :«não faz mal, porque é uma pessoa amiga!».
Já no final do discurso houve uma outra ironia. Perguntando ao administrador da escola se iria abrir um curso de cinema, Jardim brincou que viu uma personagem da série Allo, Allo!, o agente Herr Flick, num dos cartazes eleitorais para as autárquicas, referindo-se ao candidato socialista.

«Planeamento não é ciência esotérica»


Durante a cerimónia de inauguração do novo espaço da EPA, no Edifício 200, o presidente da Câmara Municipal do Funchal, Miguel Albuquerque, felicitou a direcção da escola por optar abrir a escola na parte centro-este da cidade. «Esta escola, nesta zona, não resulta de um acaso, mas de um planeamento feito para esta zona», que começou com o Funchal Centrum, que foi muito contestado, «por uns tipos mau agoiro», lembrou, cuja estratégia começa agora a dar frutos.
«Por isso, dá-me vontade de rir, quando ouço determinados pataracas a falar de planeamento, que não é uma ciência esotérica. O planeamento está vocacionado para as pessoas e para as comunidades e é isso que nós temos de fazer».
Na oportunidade, agradeceu o facto de a direcção da escola ter cumprido a promessa de abrir a escola antes do final do seu mandato, cujas obras de remodelação do espaço, onde antes era um catering, duraram apenas quatro meses.

Mais de sete mil formados no CELF e EPA

A ideia de enquadrar a nova extensão da EPA num local em franco desenvolvimento foi também defendida pelo administrador João Pedro Entrudo. «Uma escola vocacionada para estas áreas deve ter uma localização perto das zonas onde existam serviços que sirvam a população e não há dúvida que, actualmente, é nesta zona que está a centralidade do Funchal».
Relativamente à escola, o responsável adiantou que a EPA e o CELF já foram responsáveis pela formação integral de mais de sete mil jovens e adultos. «Estes números impressionam pela sua quantidade», dada a realidade da Madeira. No seu entender, estes são números que reflectem o resultado final do trabalho feito naquela escola profissional, mas o Governo Regional, através da Secretaria Regional de Educação, «é um dos responsáveis pelo sucesso, porque confiam em nós desde a primeira hora».
Sendo a única escola profissional do país a não receber fundos comunitários, a EPA tem, neste momento, 650 alunos, cujos cursos têm uma média de empregabilidade que ronda os 80 por cento.

A obra

Foi ontem inaugurada a ampliação/extensão da Escola Profissional Atlântico, no Edifício 2000. As novas instalações são destinadas aos cursos das áreas dos serviços, gestão, administração, serviço social, informática, protecção e segurança, entre outros. As instalações da Rua Bela São Tiago irão destinar-se aos cursos de hotelaria e restauração.
No Edifício 2000, terá ainda espaço para o Centro Novas Oportunidades onde 400 adultos poderão inscrever-se e 130 formandos nos Cursos de Educação e Formação.
A remodelação do espaço, tratou-se de um investimento privado, que contou com apoios do Governo Regional que ascendeu a 1.064.200 euros.






Jornal da Madeira

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