segunda-feira, 24 de agosto de 2009

Maritimo 1-0 Leixões










Data: 24-08-2009




Foi uma estreia vitoriosa em casa, nos Barreiros para o futuro, como um enorme placard colocado à porta principal do estádio pronunciava. Com muito público, agora concentrado nas bancadas ainda de pé num estádio em obras, a apoiar, o Marítimo, que, todavia, demorou toda a primeira parte a encontrar-se e a corresponder a esse apoio.

De facto, Carlos Carvalhal, um tanto surpreendentemente, apostou na mesma equipa que empatou na Luz, quiçá, com alguns receios dum Leixões bem organizado a defender, e com quem perdera (única derrota na pré-temporada) em Matosinhos. Sem profundidade nas alas (Miguelito e Manú não encontravam de forma de alargar o jogo da equipa) e com laterais (especialmente Briguel) muito amarrados, o Marítimo não tinha armas para desequilibrar o jogo a seu favor, um jogo que decorria de forma equilibrada, mas também de forma pastosa e com escassos motivos de interesse. Isto é, faltava dinâmica à estratégia que resultara na Luz mas que se mostrava claramente insuficiente para ultrapassar este Leixões.

Entradas de Marcinho e P. Jorge

O quadro perspectivava-se. O técnico maritimista, ao intervalo, troca Briguel por Paulo Jorge e Manu por Marcinho, e trocou, igualmente, o marasmo da etapa inicial pela velocidade e pela criatividade. Os dois novos interpretes trouxeram à equipa a dinâmica antes inexistente, mesmo ante um Leixões agora a defender com todas as unidades atrás da linha da bola. As transições ofensivas faziam-se com maior rapidez e fluidez, num 4x3x3 por vezes transformado em 4x2x4, e Marcinho por duas vezes levou o cheiro do golo à baliza de Diego, agora com um trabalho que nunca conhecera na primeira parte. E, como corolário lógico dum maior ascendente, o golo chegou, mesmo que através de um lance infeliz de Hugo Morais que, ao tentar interceptar um cruzamento de Paulo Jorge, na sequência de um canto da esquerda, traiu o seu próprio guarda-redes. O Marítimo, em vantagem, partiu então para uma ponta final de bom nível, com jogadas vistosas e três ou quatro claras situações de golo não concretizadas e que dariam uma expressão mais condizente ao resultado. Mesmo com uma ténue e tímida reacção do Leixões nos últimos minutos.

Filme do jogo

MAIS


45 -Carvalhal aposta nas entradas de Paulo Jorge e Marcinho. O jogo pedia mesmo estas entradas.

61- Marcinho, em jogada individual, dava o pronuncio para o golo que haveria de chegar pouco depois.

68 - Paulo Jorge, muito dinâmico, foi ao lado esquerdo marcar o canto que valeria o auto golo do Leixões.

74 - Um transfigurado Miguelito atira um pontapé dp meio da rua que merecia outra sorte.

25 - Entrada de Djalma no fim. Carvalhal dava um sinal de não querer defender a vantagem.

MENOS


1 - A aposta inicial de Carvalhal que se mostrou desajustada para as necessidades do jogo.

87 - Uma perda de bola de Marcinho deu origem a uma das poucas situações do Leixões.

46 - Reclamou-se mão na área do Leixões e pareceu que, de facto, Benitez cometeu essa infracção.

90 - Djalma perde uma soberana ocasião para marcar e dar a tranquilidade ao Marítimo. Carvalhal exalta justiça da vitória

Carlos Carvalhal apareceu na sala de imprensa com alguma satisfação estampada na cara, começando logo por não concordar quando lhe foi perguntado se o jogo tinha valido pela última meia hora. "O jogo tem 90 minutos e, às vezes, é importante ser inteligente na forma como se o aborda", diz para justificar, de alguma maneira, a aposta no onze inicial. "Recordo que a equipa entrou muito forte nos primeiros minutos, com uma velocidade e uma intensidade muito boa, pois a intenção era conseguir fazer logo um golo, revivendo o que Marítimo fazia nos seus melhores anos", sustenta.

De resto, o treinador do Marítimo considera o Leixões uma equipa organizada e que conseguiu suster o ímpeto da sua equipa. Depois revela que tinha uma outra estratégia para colocar em campo. "Não vou dizer que se tratava de plano B, mas tínhamos uma ideia pré-determinada consequente ao que íamos fazer na primeira parte. Entraram o Marcinho e o Paulo Jorge, e entrou mais velocidade no jogo", enfatiza.

Carlos Carvalhal considera que o Leixões terá então pago o esforço que fez na primeira parte para suster o Marítimo. "Porque o Leixões também não está habituado ao clima que se fazia sentir hoje (ontem), teve muitas dificuldades na segunda parte, pois apareceu um Marítimo muito bem, insistentemente à procura do golo, marcando naquele lance como poderia ter sido num outro. Depois do nosso golo, tivemos quatro ou cinco claras oportunidades para marcar e o Peçanha durante todo o jogo foi chamado a intervir com relativa facilidade em uma ou duas situações", escalpeliza.

Quando confrontado com a pecha da finalização, Carvalhal apenas diz o que "o importante hoje (ontem) era ganhar. Também é importante para saber o que se passa nos jogos para saber corresponder às exigências".

Paulo Jorge satisfeito


Paulo Jorge manifestou a satisfação pelo reconhecimento que teve pela importância que teve na entrada no jogo. "Estou aqui para ajudar, e jogo sempre que o treinador assim o entenda". De resto, lançou a opinião que a exibição do Marítimo na primeira parte não foi boa. "Melhoramos bastante e justificamos a vitória", avança, para concluir. "Sabemos que as equipas nos Barreiros se fecham muito e há que dar mérito ao Leixões".

José mota queixa-se do calor

José Mota apontou, no final da partida, dois fortes adversários para justificar a derrota: "o Marítimo e o calor". O treinador do Leixões, se sabia o que encontrar do Marítimo, já sobre o calor diz "ser um adversário que provoca danos irreparáveis ao longo dos minutos". Sobre o jogo, considera ter decorrido, na primeira parte, numa toada de equilíbrio. "Talvez até houve algum ascendente do Leixões, a partir dos primeiros 15 minutos, em que tivemos mais posse de bola", realça.

Mas, para a segunda parte, José Mota reconhece que "com as alterações introduzidas as coisas mudaram, pois sabemos que o Marcinho é um jogador forte no um para um, que carrega o jogo e o Marítimo teve ai o seu melhor período".

Depois: "Sabíamos dessa forma de actuar do Marítimo, mas o golo nasce de um lance infeliz e neste jogo a equipa que errasse perderia o jogo".

Desperdiçar 45 minutos...
Apreciacao da equipa


Poder-se-á dizer que o Marítimo desperdiçou toda uma primeira parte, em presença de uma estratégia despida de dinâmica e criatividade. Vá lá que Carlos Carvalhal rectificou ao intervalo, colocando as pedras que se impunham, caminhando para uma segunda parte que, se ainda longe do ideal, esteve mais perto do desejado. E jogadores com Pitbull têm que caber nesta equipa.

Apreciacao individual


Peçanha (6) Depois da noite memorável na Luz, ontem bastou ao guarda-redes do Marítimo o máximo de atenção.

Briguel (4) Ao contrário da Luz, o jogo não estava de feição para o 'capitão' maritimista, muito agarrado ao lugar de defesa direito. A saída impunha-se.

João Guilherme (5) Alguma atrapalhação inicial, com intervenções pouco seguras, para acabar em plano aceitável.

Fernando Cardozo (6) Na primeira parte também oscilou aqui e ali, mas acabou o jogo de forma imperial e matando todas as tentativas do ataque do Leixões.

Alonso (5) Ainda longe do jogador que se notabilizou no Nacional no plano ofensivo. Esteve ineficaz nos cruzamentos e na execução dos cantos Olberdam (5) Entrega total, mas muita falta de discernimento, sobretudo no passe, na hora das transições.

João Luiz (6) Uma formiga a trabalhar no meio campo e a empurrar a equipa para a frente. Mas falta o toque de classe que Bruno colocava na equipa Miguelito (7) Depois de uma primeira parte inconsequente, transfigurou-se na segunda parta para 45 minutos de bom nível, Esteve perto do golo.

Manú (5) Jogou a penas a primeira parte e sem grandes motivos para brilhar.

Baba (6) Emparedado entre os centrais contrários, deu sempre muita luta e procurou outras zonas do ataque para se movimentar. Não marcou mas também não teve as oportunidades para tal.

Elias Kanu (5) Nunca virou a cara à luta, lutando até à exaustão e teve um golo nos pés no final.

Paulo Jorge (6) Estreou-se na Liga, na presente temporada, jogando a segunda parte e foi um dos responsáveis pela melhoria de rendimento da equipa, transmitindo-lhe outra velocidade. Foi ele quem marcou o pontapé de canto que deu origem ao golo do Marítimo.

Djalma (2) - Entrou nos minutos finais e ainda a tempo de desperdiçar uma soberana ocasião para o 2-0 e tranquilizar a equipa.

O melhor em campo
Marcinho (7)
Vinha de uma lesão e ficou sentado no banco na primeira parte. A sua entrada jutificava-se e foi importante para dar outra dinâmica e uma maior velocidade nas transições ofensivas. Com Marcinho o Marítimo conquistou os desequilíbrios nunca antes conseguidos.

O gaz só deu para metade


O Leixões, durante toda a primeira parte, mesmo sem criar supremacia, equilibrou a partida, num jogo que decorria a uma velocidade baixa. Na segunda parte, mesmo colocando muita gente atrás da linha da bola, sentiu a velocidade que o Marítimo trouxe para a segunda parte e acabou por sofrer um golo, em lance de infelicidade de um seu jogador, mas fruto da pressão que vinha sentindo.

Bruno China, que está de saída, foi o patrão do Leixões (muita falta lhe fará). O guarda-redes Diego acusou alguma insegurança, mas acabou com um punhado de boas defesas.


DN Madeira

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