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segunda-feira, 7 de junho de 2010

Max Römer o Alemão que Pintou a Madeira






Max Wilhelm Römer nasceu em Hamburgo na Alemanha em 22 de Novembro de 1878

Max viveu no Funchal ao longo de 38 anos (1922-1960) e foi o artista estrangeiro que mais pintou a paisagem e o quotidiano madeirenses, deixando uma vasta obra dispersa em colecções particulares e nos museus e edifícios da Região.


«(...)Na Madeira, em paisagem, não há o feio. Há o bonito, há o belo e o grandioso. A paisagem é sempre diferente em cada trecho. Não há a monotonia. Pela costa recortada e acidentada, toda ela altos promontórios e pequenas praias, pelas vertentes, cheias de cultura, em que o verde varia até o verosímil, pelas montanhas, pelas povoações tão fortemente cheias de pitoresco, nós os artistas, encontramos em excesso os quadros que desejamos fixar. Em um pequeno passeio, surgem ante os nossos olhos, motivos para numerosas telas (...)»


Entrevista a Max Römer, Diário de Notícias, Funchal, 21 de Janeiro de 1932

















sábado, 5 de junho de 2010

Mercado Quinhentista 2010 (Machico)

Feira cresce em qualidade
Programa começa hoje pelas 16h30 com o regresso da expedição ao Norte de África



Machico propõe viagem ao passado | DNOTICIAS.PT
(clicar para ver o video)


O desembarque dos 'Mancebos' e 'Homens Bons' vindos da expedição de Safim, hoje, às 16h30, no cais de São Roque, seguido do desfile pelas ruas de Machico até ao Forte de Nossa Senhora do Amparo, marcam o segundo dia do 'Mercado Quinhentista 2010'. Trata-se de uma iniciativa da Câmara Municipal de Machico, em parceria com a Escola Básica e Secundário dessa cidade, que arrancou, ontem, com pompa e circunstância.

"Estamos a criar um cartaz sóciocultural de qualidade e com grande potencialidade turística", começou por declarar Emanuel Gomes, presidente da Câmara Municipal de Machico. E acrescentou: "Também estamos empenhados em fazer crescer esta actividade no universo das actividades lúdicas e culturais que se realizam na Região".

Questionado sobre se o orçamento da iniciativa terá sido reduzido em consequência da crise, o autarca foi objectivo: "O orçamento não sofreu qualquer redução, apesar de a Semana Gastronómica sofrer uma pequena redução, porque este ano traremos um artista de fora [Mariza, conforme já noticiou o DIÁRIO]". E concretizou: "Mas, no caso do 'Mercado Quinhentista', pelo contrário, porque como se trata de uma actividade em fase de crescimento, precisa de ser estimulado, aliás a edição deste ano é ligeiramente superior à do ano passado".

O orçamento da iniciativa é inferior a 100 mil euros, "com apoios da Direcção Regional dos Assuntos Culturais, que paga a deslocação do grupo 'Vivarte [responsável pela dramatização], da Direcção Regional do Turismo, para além da escola, entre outras entidades".

André Freitas, 13 anos, é aluno do 7º Ano da Escola Básica e Secundária de Machico, e ontem integrou o desfile que marcou o início da actividade que termina amanhã. "É o segundo ano em que participo nesta actividade que permite conhecer como se faziam as coisas antigamente".
O jovem destacou ainda a "importância da vertente cultural do 'Mercado Quinhentista' junto dos jovens".
Terminado o desfile o Capitão da Guarda (Mário Costa), dirigiu-se aos presentes proclamando a abertura do 'Mercado Quinhentista', cumprindo a ordem do Rei D. Manuel I.

Seguiu-se animação com danças, teatro, saltimbancos e actuações dos alunos da Escola de Machico.
Já hoje, para além do desembarque e do desfile, o programa inclui o relato a Tristão Teixeira (Governador), animação, torneio de armas, uma missa em Latim (Igreja Matriz), Ceia Quinhentista, seguida de uma Festa Mourisca com cuspidores de fogo, dança do ventre, gaitas de foles e saltimbancos até à meia-noite. O 'Mercado Quinhentista', termina amanhã com várias acções, destacando-se o 'Auto dos Bufarinheiros', Torneio de Armas e um assalto dos piratas ao Forte de Nossa Senhora do Amparo.



DN Madeira



















PGRAM

sexta-feira, 28 de maio de 2010

Museu de História Natural vai mexer consigo



















Moderno, didáctico e interactivo. Assim será o futuro Museu de História Natural do Funchal. Um espaço de saber dotado de tecnologia multimédia, qual "nave" do conhecimento necessário ao homem do futuro, norteado pelo desenvolvimento sustentável. Mas também espaço "sagrado" onde o visitante assume compromissos: o de participar numa lógica de "naturalista do futuro", de ser cidadão responsável e embaixador da diversidade biológica, reconhecendo-a como fornecedora de bens e serviços fundamentais para o equilíbrio do planeta e estabilidade da própria espécie humana.

Vários profissionais conceberam o projecto que dá funcionalidade ao edifício que acolhe actualmente o Museu Municipal. Mudaram-lhe a lógica expositiva em nome do conhecimento, a fonte de descoberta da biodiversidade, que tem sido feita por actores notáveis. A viagem ao futuro será um regresso ao passado. Um olhar que contempla o próprio museu ao longo dos tempos, contando pequenas histórias alusivas a equipamentos, taxidermia, espécimes, eventos, expedições científicas e visitantes ilustres. Um olhar sobre o património acumulado e colecções científicas como fonte de informação para o conhecimento e a gestão.

Os visitantes percorrerão oito momentos de excelência (ver destaque). É hora da redescoberta.

O concurso público internacional de concepção para a elaboração do projecto de remodelação do Museu Municipal mobilizou mais de duas de dezenas de interessados. O atelier madeirense MSB levou a melhor sobre a concorrência, muita dela de vulto. Cabe-lhe agora desenvolver o projecto de execução mais aprofundado para que a Câmara ponha em marcha a empreitada de remodelação.

Os vencedores exibem o primeiro lugar com orgulho. Concorreram por múltiplas razões, bem mais importantes do que o negócio. "Não foi apenas o prestígio que nos fez aceitar o desafio de participar num concurso internacional. Foi também a admiração por um dos mais belos edifícios do século XVIII que a cidade do Funchal guarda em si, e que nos toca de uma forma muito especial. O nosso atelier sede está mesmo localizado no lado oposto da rua ao magnífico edifício que, outrora, foi a casa nobre dos Carvalhais, e onde presentemente funciona o Museu Municipal do Funchal. Sendo o mais visitado museu da Madeira e um dos mais apreciados na Região, foi para nós um agradável desafio criar uma solução museológica que coloca o Museu a par dos melhores, independentemente da sua dimensão".

Miguel Mallaguerra, Susana Jesus e Bruno Martins assumem "o sentido da responsabilidade de transmitir o conhecimento adquirido e o gosto por poder beneficiar claramente um espaço onde o nosso entendimento fosse de encontro aos objectivos dos promotores". "Estávamos convictos que tínhamos a obrigação de criar um projecto museológico inovador, suportado por um edifício carregado de história", frisam.

Os arquitectos estão convictos que há vários aspectos decisivos na vitória. "Em primeiro lugar demos a maior importância ao que estava descrito nos termos de referência. Um concurso é feito de várias componentes de concepção e as que respeitam aos aspectos processuais de apresentação também são importantes e por isso lhes demos bastante atenção. O entendimento absoluto dos critérios de selecção, do programa e do espaço a intervir foi fundamental mas, acima de tudo, o que ditou o conceito museológico que apresentámos, foi a compreensão de todos os parâmetros e elementos que se conseguiram extrair dos documentos, a par com o entendimento de tudo aquilo que é a fundamental riqueza do actual museu, e que é obra de dedicados estudiosos, cientistas e artistas, ao longo de muitos anos".

Foi com base neste conhecimento que criaram um percurso museológico. Está sustentado por "intenções científicas, didácticas e plásticas, que em muito foram ao encontro das principais intenções que os promotores pretendiam ver contempladas, a avaliar pelos altos valores de ponderação que conseguimos em todos os critérios de avaliação". A par destes aspectos, destacam a importância da interdisciplinaridade na concepção do projecto ganhador. "Formámos uma equipa de excelentes profissionais. Em curto espaço de tempo reunimos 24 projectistas e 6 consultores que sustentaram de forma brilhante o nosso projecto. A criatividade e o conhecimento trabalharam sempre em conjunto", referem.

Parcerias decisivas

As grandes obras deixam marcas. Em quem as utiliza e delas tira proveito. Mas também em quem as projecta com recurso a grupos de trabalho interdisciplinares. Uma opção que faz a diferença.

Percurso com conteúdo


História do Palácio e da Família Carvalhal Pequena exibição de painéis com informação sobre a história do Palácio de São Pedro e sobre os condes de Carvalhal. Textos, imagens de gravuras alusivas e outras recolhas etnográficas vão dar a conhecer a importância deste edifício, confrontando-o com realidades urbanísticas da cidade, a vida social funchalense ao seu tempo e das instituições que tão distinto edifício albergou em mais de dois séculos de história.

Origem e evolução geológica da Madeira Enquadra o visitante com a informação de base sobre a natureza geológica do arquipélago, desde a origem, atlântica e vulcânica, associada à tectónica de placas, à posição geográfica passando pelo relevo geomorfologia, mineralogia e paleontologia, contextualizando afinal o "palco", cenário e tempo geológico onde acontece, desde a formação do arquipélago, a História Natural do mesmo.

Simulador geológico No contexto da origem e evolução geológica do arquipélago será proporcionada ao visitante uma experiência em ambiente de simulação mecânica, visual, sonora e aromática, para que possa estar e sentir a vulcanologia associada à formação do arquipélago.

A vida nas ilhas Nesta sala pretende-se ilustrar os principais processos relacionados com a colonização biológica do arquipélago, aproveitando para incluir aspectos ligados aos processos de dispersão e colonização das diferentes formas de vida - autónoma ou dependente de veículos naturais, bem como a sua relação com a origem biogeográfica e a importância que o acaso possui neste processos de colonização e na sucessão ecológica.

O ambiente terrestre Dá a imagem do resultado da colonização biótica (ao nível terrestre) e da sua evolução em termos da composição de unidades ecológicas - habitats, ecossistemas e espécies, típicas da Madeira. O ambiente marinho Sala dedicada ao ambiente marinho numa proposta que conduz o visitante, ao longo do percurso, a uma visita que se inicia no litoral e percorre os diferentes tipos de "habitats" marinhos, desde a zona supra-litoral até às profundidades abissais.

A conservação da natureza e biodiversidade A temática geral desta sala é a de dar a conhecer o estado de conservação das espécies e ecossistemas que compõem a biodiversidade da Região.

O naturalista do futuro O visitante é colocado num contexto em que se compromete, por via das boas práticas ambientais em não contribuir para a perda de biodiversidade e, caso o pretenda, habilita-se a participar directamente em projectos de conservação a realizar ou em curso na Madeira, inscrevendo-se desde logo no mesmo e dando conta das acções que pode e pretende realizar.

O papel dos Museus de História Natural Em complemento quem visitar o espaço também a conhecer e reconhecer o papel dos Museus de História Natural no conhecimento da diversidade biológica ao longo dos tempos, as actividades desenvolvidas por estas instituições e os projectos mais relevantes em curso no Museu.

Tecnologias interactivas

Fogscreen Trata-se de um ecrã de nevoeiro onde personagens históricas convidam a entrar no Museu. O FogScreen, tecnologia patenteada e única no Mundo, é uma projecção interactiva que os visitantes podem atravessar, sendo uma espécie de holograma mas com a dimensão de se poder colocar a mão e atravessá-lo.

Maquete da Madeira Permite descobrir o enquadramento geotectónico da Madeira através de simples botões e da ilustração dos conceitos chave: para cada botão, existe uma configuração luminosa e texto que acende e explica historicamente a geotecnia do arquipélago.

kiosk Explica a separação das placas tectónicas e da dorsal da costa média Atlântica.

Fundos marinhos em 3D Uma forma mágica de visualizar o fundo do oceano em 3D. Consiste num piso interactivo, sob a forma de uma projecção contendo vários hot-spots: zonas do piso que, consoante a localização dos pés do visitante, despoletam animações relativas a um determinado aspecto do fundo oceânico madeirense, ilustrado em 3D.

Levada digital Sequência de vários ecrãs, com imagem de água a correr, em diferentes tipos de levada, a que se junta som adequado.

Ecrãs multi-toque Uma forma colaborativa e cativante que colocará todos os visitantes a interagir em simultâneo, independentemente da sua idade ou nacionalidade. Permitirá a manipulação de conteúdos relativos à variação da vegetação endémica em função da altitude a que se encontram.

Mesas multi-toque Neste módulo, os visitantes podem colaborativamente aprender mais sobre a biodiversidade e a conservação da natureza.

Arquitectura exige qualidade

O atelier MSB-ARQUITECTURA E PLANEAMENTO foi criado em 2004 pelos arquitectos Miguel Malaguerra, Susana Jesus e Bruno Martins. Em 2007 expandiram a sua actividade até aos Açores, e ainda este ano irão estar representados também em Lisboa.

Os arquitectos MSB produzem projectos e estudos nas áreas de arquitectura, urbanismo, design de interiores e planeamento. Ao longo dos últimos 6 anos, o atelier desenvolveu trabalhos nos sectores da Habitação, Indústria Hoteleira, Equipamentos e Urbanismo.

Quais são os vossos grandes propósitos? A obra produzida mostra um entendimento das características únicas da nossa orografia, promovendo e tirando sempre partido da topografia na criação de objectos arquitectónicos únicos, num registo contemporâneo. Este é o nosso propósito.

Quais as obras com a vossa assinatura? Das nossas obras podemos salientar o SPA "Casa Velha do Palheiro", por se tratar de uma obra numa vertente contemporânea, integrada numa envolvência tradicional; a Adega "Vilhos Barbeito", por ter uma componente funcional muito marcante mas, suportada por um projecto com preocupações estéticas; a Casa Reis Nunes, pela singularidade do lugar e pela forma como este objecto se funde na montanha; o Hotel Ponta do Pargo Resort, em que um programa extenso resulta numa volumetria reduzida, acompanhando a falésia; o Plano de Pormenor "Vilagiorgi", como exemplo de Planeamento Urbano, e o Hotel Belmonte, um projecto em Angola que significa a expansão do atelier para fora de Portugal.

Como analisam a arquitectura que se faz actualmente na Madeira? A Madeira sempre teve boas e más intervenções arquitectónicas ao longo da sua história. Podemos enumerar vários exemplos de arquitectura de excelência assinadas, por exemplo, pelos arquitectos Chorão Ramalho (a Assembleia Regional, o hotel Quinta do Sol e o edifício da Segurança Social) e Oscar Niemeyer (o conjunto do hotel Casino Park ). Esta é uma situação que ainda subsiste.

A realidade orográfica que temos é muito peculiar e tem um elevado grau de influência na concepção dos projectos de arquitectura. Os requisitos que agora se colocam à elaboração de um projecto tendem a ignorar aquela realidade. Mas se é certo que a evolução tecnológica permite moldar as construções de encontro às necessidades, esbarra-se nos impedimentos legais que, por serem demasiado genéricos, ignoram as especificidades físicas do local. O conjunto destas condicionantes mostram incompatibilidades que limitam as soluções arquitectónicas e na maioria dos casos não respondem de forma adequada ao equilíbrio das construções com o terreno. É flagrante, e para os profissionais da arquitectura, que no dia a dia lidam com esta questão, trata-se de um aspecto de relevante importância.

O que importa fazer? Adequar a legislação para que se possam adoçar as construções ao terreno, tirando todo o partido da Natureza em vez de a desfigurar com volumes excessivos ou condicionando as possibilidades de investimento. É uma questão de Planeamento com repercussões alargadas a nível da Economia, e um desafio para os próximos anos.

Os anos que passaram (o fim do século XX), foram marcados por um grande crescendo de construção, muitas vezes pautado por um espírito menos sério e culturalmente questionável que relegou o legado cultural e histórico. Também aqui, e por muitos anos, subsistiu uma legislação que atribuiu competências a profissionais não qualificados para o desempenho de projectos e que resultou numa espécie de cegueira em relação às questões fundamentais do território construído, dos padrões do belo e do equilibrado arquitectónico. Simplicidade, sobriedade e coerência foram adjectivos muitas vezes esquecidos no espírito que estava patente na criação de uma obra arquitectónica.

Mas essa triste realidade mudou? Face ao actual momento económico, regista-se um decrescer de construção, e num contraponto de mudança há agora a consciência de que a arquitectura terá de ser feita em qualidade. Agora mais do que nunca, os técnicos terão de ser inventivos na forma como projectam, tendo em conta aspectos económicos, de sustentabilidade, sem nunca esquecer que estamos a deixar uma marca no território, numa ilha que vive da beleza da sua paisagem, que as novas intervenções deverão ter em conta.




DN Madeira


Fotos:

domingo, 16 de maio de 2010

“Raízes de um Povo” pretende ser Elucidário audiovisual madeirense

Projecto pioneiro de Eduardo Costa Produções apresentado até ao final do ano





“Raízes de um Povo” é um projecto pioneiro na Madeira que, para Eduardo Costa, deverá perdurar na história. O produtor está a realizar uma série de documentários sobre as tradições madeirenses, num suporte em que, no seu entendimento, as raízes madeirenses ficarão registadas por muitos e muitos anos.
O primeiro documentário deverá ser apresentado até ao final do ano, como anunciou à “Olhar”. Eduardo Costa entende que este tipo de projecto será uma mais-valia para a Região, que deve também ser aproveitado, por exemplo, ao nível da Educação. Isso porque, cada vez mais, os meios audio-visuais são reconhecidos como uma ferramenta de ensino. Os documentários “Raízes de um Povo” poderão ser usados precisamente para mostrar aos alunos a história dos madeirenses. Pelo menos, essa é a vontade de Eduardo Costa.
O responsável pela empresa explicou que o projecto inclui um documentário por cada um dos onze concelhos madeirenses, para além de um outro referente às tradições de Natal e um último que Eduardo Costa admite que ainda não está definido o seu conteúdo. Isso porque, estão já recolhidas 90 horas de imagens em alta definição, com muito material. «Temos, por exemplo, todo o ciclo do trigo e todo o ciclo do linho», o forrar das casas de colmo, os moinhos de água, que por si só, dão registos autónomos. «Há uma série de actividades que são muito trabalhosas», referiu. «No fundo, o que eu pretendo, com este projecto, é fazer uma espécie de Elucidário Audio-visual Madeirense», resumiu.
O produtor salientou que “Raízes de um Povo” está a ser preparado há dois anos, em que a sua equipa tem filmado festas típicas madeirenses, ofícios, actividades de folclore, cantares populares ou de labuta, ou outras, nomeadamente. Ontem, por exemplo, estariam a gravar a Festa da Nossa Senhora da Ascensão, na Ponta do Sol. A empresa “Eduardo Costa Produções Audiovisuais” conta com a ajuda de populares e de grupos de folclore que alertam para a ocorrência de determinados eventos que se realizam nos concelhos. «Dependemos muito da boa vontade deles», reconheceu.

Tentar levar documentário ao Festival de Cannes

Sobre a calendarização dos documentários, Eduardo Costa explicou que o primeiro, explicativo do projecto global e que terá a duração de cerca de 25 minutos, será apresentado até ao final deste ano. Os posteriores serão agendados de acordo com a disponibilidade e a conclusão de cada tema. «É um projecto que se arrasta pelos anos», esclareceu.
De momento, a iniciativa da empresa madeirense está a ser divulgada através de um “trailler” no Youtube e através de cartazes, como o que ilustra o artigo. O primeiro documentário “Raízes de um Povo” - e posteriormente os restantes – será distribuído na Região Autónoma da Madeira. «Posteriormente, terá uma grande saída para os países com comunidades madeirenses e não só. Há pessoas que se interessam por bons documentários e verão neste trabalho um projecto interessante».
Como já tinha salientado, esta recolha poderá ser de grande valor para as escolas. «Poderá ser um instrumento muito válido. Eu lembro-me que, na minha altura de formação, determinados assuntos eram difíceis de explicar porque não existia o suporte audio-visual. Hoje em dia, explicar um determinado assunto, com um pequeno vídeo, é o melhor que pode haver. É isso que pretendemos: que as pessoas tenham a sensibilidade de compreender o quão importante é a imagem e o som para reter informação», comentou ainda.
Em perspectiva, está ainda a candidatura do documentário ao Festival de Cannes, na categoria documental, divulgou ainda Eduardo Costa.
No que se refere a outros trabalhos desenvolvidos pela sua empresa, recorde-se que “Eduardo Costa Produções Audiovisuais” assinou o documentário “Naturalistas de Vulto da Madeira”, lançado em DVD. Entre outros compromissos, sua equipa, de nove elementos, está a trabalhar num promocional da Madeira em 12 idiomas e a preparar o envio de imagens sobre o temporal de 20 de Fevereiro e os seus efeitos na Região, para serem incluídas em trabalhos que estão a ser desenvolvidos por uma televisão inglesa que está a preparar um documentário sobre mau tempo no globo, e ainda imagens para um canal norte-americano. Está também a produzir uma série de documentários para a RTP/Madeira.
O filme “As Memórias que Nunca se Apagam”, projecto partilhado com o actor madeirense Dinarte Freitas, foi outro dos projectos ambiciosos em que Eduardo Costa deu o seu nome. A este respeito, é de lembrar que a película marca a História da Madeira, por ter sido feito de raíz na Região, por madeirenses, com um CD original editado e ainda por ter sido o último filme com a participação do actor madeirense Virgílio Teixeira, que já se afastou da representação.

«Temos uma equipa motivada»

Sobre a sua equipa, Eduardo Costa sublinhou a dedicação dos seus elementos, alguns dos quais, que tiveram formação com o próprio responsável. «Tenho uma equipa motivada, interessada e que gosta desta área. Penso que os elementos que não gostam da actividade acabam por se afastar naturalmente, porque é uma área que exige alguma pressão, onde não há horas nem feriados. É uma profissão que exige algum sacrifício pessoal e profissional», salientou.
A actividade no audiovisual exige ainda um investimento muito elevado em termos de instrumentos, que carecem de actualização constante dada a evolução tecnológica dos materiais. «Não há, actualmente, na Madeira, nenhuma empresa com as máquinas de filmar como as que temos. Estamos já a trabalhar com câmaras de alta definição», apontou, para além de referir a qualidade dos tripés, da grua e dos materiais de recolhas de som para cinema, nomeadamente. «Estamos muito bem fornecidos a este nível».
Eduardo Costa sublinhou que os investimentos que faz na empresa ao nível dos materiais «são sempre fruto do trabalho que vamos fazendo. Não temos qualquer tipo de ajudas comunitárias. Trabalhamos, temos os nossos projectos, vendemos, e com esse dinheiro, investimos», explicou.



Jornal da Madeira

quinta-feira, 13 de maio de 2010

terça-feira, 4 de maio de 2010

Engenheiro Rui Vieira Fundador do Jardim Botânico da Madeira








Rui Manuel da Silva Vieira nasceu em 29 de Março de 1926, na freguesia de São Martinho, concelho do Funchal. Em 1951, licenciou-se em Engenharia Agronómica no Instituto Superior de Agronomia, em Lisboa, tendo entrado depois para os Serviços Agrícolas da Junta Geral do Distrito Autónomo do Funchal (DAF). Ali realizou importantes trabalhos de investigação nas áreas da sanidade vegetal (com ênfase para a Mosca da Fruta), horticultura, fruticultura, floricultura e viticultura. Foi Director desde a criação em 1954 da Escola Prática Elementar de Agricultura, que funcionou no Palácio dos Zinos, no Lugar de Baixo, freguesia e concelho da Ponta do Sol. Conheço alguns Técnicos Profissionais que se formaram lá e que foram alunos do Engenheiro Rui Vieira, havendo muitos deles que trabalham na Direcção Regional de Agricultura e Desenvolvimento Rural. Em 1960, fundou o Jardim Botânico da Madeira (que agora tem o seu nome) e foi o seu primeiro director. De 1965 a 1969, foi deputado à Assembleia Nacional e entre Fevereiro de 1971 e Setembro de 1974, Presidente da Junta Geral do DAF. Em 1976, foi vogal da Junta Regional e de Planeamento da Madeira, com o pelouro da Agricultura, Indústria e Pescas. Aquando da formação do Governo Regional, foi Director de Serviços para a área da Agricultura. Foi eurodeputado em 1995 e 1996, como independente pelo CDS/PP. Faleceu em 29 de Agosto de 2009. Esta biografia foi obtida através de artigos de Catanho Fernandes deste Diário e Tolentino de Nóbrega do Público. Desde cedo, o Engenheiro Agrónomo Rui Vieira publicou inúmeros artigos científicos em revistas da especialidade e na imprensa escrita da Região, bem como vários livros, dos quais destaco, "A Mosca da Fruta na Ilha da Madeira" de 1952, uma edição do Grémio dos Exportadores de Frutas e Produtos Hortícolas da Ilha da Madeira. Esta obra foi baseada no seu Relatório Final de Curso, que obteve a notável classificação de 19 valores. Nas "Palavras prévias" escritas pelo Professor Baeta Neves, este afirma que “(...) E embora o trabalho do Engenheiro Rui Vieira não tivesse sido o primeiro com tal orientação, o que é certo é que foi o melhor entre todos até então executados em Portugal. Do autor direi que foi, como aluno, um dos mais distintos do seu curso, revelando cedo o seu grande interesse pelos assuntos que escolheu como especialidade; hoje, como engenheiro agrónomo entomologista, é entre os novos um dos que têm mostrado maior entusiasmo e saber”. Em Dezembro de 2002, a Câmara Municipal do Funchal editou "Flora da Madeira – Plantas Vasculares Naturalizadas no Arquipélago da Madeira", o seu derradeiro livro. Numa tarde em finais de Agosto de 2007, acompanhado pelo meu Amigo e Colega Ricardo Costa, tive a oportunidade de conversar com o Engenheiro Rui Vieira sobre Agricultura madeirense, na varanda do bar do magnífico "Choupana Hills Resort and Spa". Da meia dúzia de vezes que falei com ele, aquele encontro, por ter sido o último, é inesquecível, pois mais uma vez demonstrou que era um conhecedor da realidade agrícola regional. Foi uma lição de sapiência para mim. Até sempre, Senhor Engenheiro Rui Vieira!

DN Madeira

quinta-feira, 8 de abril de 2010

CART 2732 celebra 40 anos do embarque para guerra na Guiné-Bissau


(Funchal > Dia 13 de Abril de 1970 > A CART 2732 desfila perante as autoridades civis e militares antes de embarcar com destino à Guiné)



Data: 08-04-2010

Os soldados, oficiais e sargentos da companhia de artilharia 2732 celebra este sábado, com um jantar no Sun City, os 40 anos do embarque para a guerra na Guiné. O encontro vai reunir no Funchal os antigos camaradas de armas madeirenses, mas também alguns antigos combatentes do Continente, a começar pelo comandante da companhia.

Esta companhia - composta por soldados madeirenses e oficiais, sargentos e especialistas do Continente - embarcou no 'Molhe da Pontinha' para o mais complicado dos cenários da Guerra Colonial a 13 de Abril de 1970. Em combate, na Guiné-Bissau, ficaram quatro dos camaradas que, este sábado, serão certamente lembrados.

Ao jantar - para o qual estão convidados todos os que integraram esta companhia de artilharia e respectivas mulheres - será tempo de recordar a camaradagem, a partilha dos maus momentos, os anos na Guiné e a inocência com que embarcaram, convencidos de que iam defender Portugal em África.

Os organizadores (José Vieira e António Vieira) esperam reunir o maior número de antigos soldados, pois quantos mais melhor, melhor se cumprirá o lema que, nos anos da guerra, usaram na Guiné: "Nan acha que por armas lhe resista". Para mais pormenores, os interessados deverão contactar os telemóveis: 962474625 ou 962965540.





DN Madeira

http://cart2732.blogspot.com/

segunda-feira, 5 de abril de 2010

Reforço da Autonomia com mais poder legislativo

Miguel Mendonça defende em dia de comemoração da Revolta da Madeira








«A Revolta da Madeira é uma referência histórica que deve ser lembrada e celebrada, porque foi um dos muitos gritos de revolta que houve ao longo dos anos». A ideia foi ontem defendida pelo presidente da Assembleia Legislativa da Madeira (ALM), Miguel Mendonça, que ontem presidiu às comemorações da Revolta da Madeira, que decorreram na Rotunda do Largo Charles Conde de Lambert, no Funchal.
A cerimónia contou com a guarda de honra dos Bombeiros Municipais do Funchal e com a presença do secretário regional dos Recursos Humanos, Brazão de Castro, do secretário dos Assuntos Sociais, Jardim Ramos e ainda o secretário da Educação e Cultura, Francisco Fernandes, entre outras entidades. A Câmara Municipal do Funchal esteve representada pelo vereador Pedro Calado.
Após a deposição de três ramos de flores ao monumento que recorda a Revolta da Madeira de 4 de Abril de 1931, o presidente da ALM disse à comunicação social que «o significado que se deve colher desta cerimónia, é o de honrar a memória da História da Madeira». Além disso, no seu entender, o desafio da Revolta da Madeira «pode ser tomado como referência a um incentivo a lutarmos sempre por uma vida melhor».
Recordando que, pelo facto de a Madeira ser uma ilha, o seu povo sempre viveu condicionado. Passados tantos anos, ainda existem condicionalismos, adianta Miguel Mendonça. Mas «agora falamos nos condicionalismos que decorrem de um poder legislativo que tem amarras e bloqueios». É essa «incompetência legislativa» que «entronca com o desejo de uma revisão constitucional a fim de fazer cessar esses bloqueios», defendeu. No entanto, isso só depende de um acordo entre os partidos «e eu não sei se os astros estão conjugados para a revisão constitucional». «Os autonomistas querem, mas há quem se incomode em falar em Autonomia plena». Miguel Mendonça reforça que «se pode falar em Autonomia plena desde que haja balizas que é a unidade do Estado, até lá sem pôr em causa essa unidade há que dar largos passos no sentido do reforço da Autonomia e espero que a revisão constitucional nos traga isso».
De salientar que a“Revolta da Madeira” foi um movimento composto por forças militares que se manifestaram contra o regime ditatorial que durou cerca de um mês e destituiu as autoridades militares e civis da ilha. O movimento de protesto gerou revoltas semelhantes nos Açores e na Guiné, e só foi debelado com a intervenção de forças do continente.


Jornal da Madeira

domingo, 4 de abril de 2010

Santos da casa







São nove santos, salvos no início do século XX dos escombros do Convento de São Bernardino, que todos os anos deixam as casas das famílias que lhe dão guarida para participar na Procissão das Cinzas, em Santa Cecília

A Procissão das Cinzas, que se realiza na quarta-feira seguinte ao Carnaval e que marca o início do período da Quaresma, é seguramente o momento religioso mais importante para grande parte dos paroquianos de Santa Cecília, em Câmara de Lobos. É nesse dia que as nove imagens dos santos, resgatadas no início do século XX das ruínas do Convento de São Bernardino, deixam as casas das famílias que lhes deram abrigo e voltam a sair à rua para cumprir uma tradição secular que é caso único na Madeira.

A memória colectiva local diz que as imagens foram recolhidas pelas famílias entre 1916 e 1917, na sequência do abandono do convento por parte dos franciscanos e da degradação gradual que o edifício foi, posteriormente, apresentando. Um incêndio que, entretanto, terá deflagrado no vetusto convento precipitou a decisão dos paroquianos em retirarem as imagens dos santos e guardá-las nas suas casas. O padre Francisco Caldeira, pároco de Santa Cecília, lembra que esta procissão "iminentemente penitencial, de apelo à conversão, à renovação e à transformação de vida" e que vai de encontro à própria espiritualidade franciscana, já se realizava durante o século XIX no Funchal, então com saída do Convento de São Francisco (na zona onde hoje existe a Madeira Wine e o Jardim Municipal) e percorrendo várias ruas da cidade.

Foi no final do século XIX, já depois de ter passado pela Igreja do Colégio, que os santos foram transferidos para o Convento de São Bernardino, o derradeiro edifício dos franciscanos que ainda se mantinha de pé na Madeira. Terá sido por esse altura que a Procissão das Cinzas se transferiu também para Câmara de Lobos, saindo do referido convento e, durante os primeiros anos, cumprindo um percurso que a levava até ao centro da vila câmara-lobense. De resto, no próprio DIÁRIO de Notícias de 27 de Fevereiro de 1900 é noticiada a realização desta procissão.

De acordo com o padre Francisco Caldeira, depois de uns longos anos de interregno motivado pelo período efervescente que se seguiu à implantação da República, a procissão voltou a sair à rua por alturas de 1925, já com os santos à guarda dos paroquianos.

O pároco reconhece que, mesmo nos dias de hoje, esta é uma tradição que as pessoas de Santa Cecília e também de outros sítios do concelho, "vivem com grande intensidade". De tal forma que, recorda, uma sua proposta de alterar a data de realização da procissão para o domingo seguinte à Quarta-feira de Cinzas, por forma a permitir a vinda de mais forasteiros, foi liminarmente rejeitada pelos fiéis. "As pessoas fazem questão de manter a tradição naquele dia, também por uma questão de memória pelos antepassados e por isso organizam a sua vida para poderem estar presentes na procissão", expressa, acrescentando que este marco religioso, em tempo de preparação para a Páscoa, é também encarado com um espaço privilegiado para "reflexão, meditação e formação".

O padre Francisco Caldeira realça "o grande apreço e carinho que as famílias têm pelos seus santos", preservando-os com "uma grande dedicação e cuidado", como se se tratasse de "uma relíquia dos seus antepassados". Há, de resto, o caso de um santo que mudou de uma família para outra, já que a geração terminava ali e os últimos descendentes do patriarca que havia recolhido a imagem faziam questão de assegurar a transmissão da herança ainda em vida.

Preservar de uma herança Na casa dos descendentes de José Figueira da Silva, conhecido pelo Glória, no sítio da Saraiva, há "um grande orgulho" em possuir as imagens de São Francisco de Assis e de Jesus Cristo, que têm a particularidade de saíram abraçados na procissão. "É já uma herança de família, dá-nos uma grande alegria ter os santos em casa", refere Filomena Silva, dando conta "da grande fé e devoção" que a família mantém pelos seus santos. O filho fez mesmo questão de construir um armário embutido na parede de um dos quartos, onde estão cuidadosamente guardadas as duas imagens.

Depois, há todo ambiente de festa que antecede a preparação da procissão, nomeadamente com a compra das flores que vão embelezar o andor e todo o trabalho de preparação, que envolve várias gerações, dos avós aos mais pequenos. Nesta família, tal como na grande maioria das outras, procura-se que sejam os membros da família a transportarem o andor com os santos. No entanto, até por uma questão das estaturas das pessoas, muitas vezes é necessário recorrer a amigos e vizinhos.

Santa atravessa gerações Há 15 anos que a imagem de Santa Isabel de Portugal está na casa de Élvio e Fátima Quintal. Que fazem questão de mantê-la permanentemente na sala de estar. "Antes era guardada numa caixa, mas achámos que assim tinha outra dignidade", explica Fátima. A santa está na família Quintal desde que foi resgatada do convento por António Figueira Quintal, já lá vão algumas gerações: esteve à guarda das tias avós de Élvio, depois do seu pai e agora está em sua casa.

Ao longo destes anos, o restauro resumiu-se à substituição do fato, há dois anos, e à limpeza de algumas pequenas peças. Porque a imagem não tem necessitado de grandes trabalhos de restauro. De resto, umas das particularidade da Santa Isabel de Portugal, tal como de alguns outros santos, é que assentam em armações de madeira - um método muito utilizado antigamente na concepção de imagens religiosas.

A quarta-feira de cinzas já está padronizada como sendo um dia de reunião familiar. "Apesar de muitos trabalharem nesse dia, os que podem vêm sempre cá a casa ou vão à igreja", explica Fátima Quintal, acrescentando que no final da procissão, quando é tempo de desmontar o andor, os familiares fazem questão de levar algumas das rosas para casa. Uma forma de partilha de fé e ao mesmo tempo de homenagem aos antepassados que estiveram na base desta tradição.

São Benedito que foi Santo António As irmãs Fátima e Isabel Dinis, herdeiras da família Pita, nem querem ouvir falar da hipótese de, futuramente, os santos poderem retornar ao convento. Há cerca de 60 anos que São Benedito - o santo negro de ascendência etíope, mas nascido na Sicília - está na família, embora anteriormente tenha passado por uma outra habitação na zona da Boa Hora, à guarda de uma senhora. "Os santos já fazem parte das famílias", assinala Isabel Dinis. A irmã vai mais longe e sentencia: "Os mais novos já sabem que quando nós morrermos o santa é para ficar na família!" Curiosamente, no início São Benedito era conhecido entre os câmara-lobenses como Santo António de Noto. De resto, Fátima Dinis ainda não está totalmente convencida da mudança da designação do santo, feita com base em investigações históricas. "A minha irmã que está na Venezuela diz que o São Benedito tem um Menino Jesus nas mãos", refere.

Independentemente disso, o que fica mesmo registado é "a grande fé e a devoção que temos ao santo", regista Isabel Dinis. E é a ele que recorrem nos momentos de aflição.

Projecto de recuperação do convento









O Convento de São Bernardino apresenta-se, actualmente, bastante degradado, mas existe já um projecto, da autoria do arquitecto Victor Mestre, com vista à sua restauração. Só que, por enquanto, tem tardado a avançar.

O próprio padre Francisco Caldeira tem dado alguns passos no sentido de que se proceda à recuperação daquele importante património histórico, tendo inclusivamente já mantido uma reunião com o conhecido padre Victor Melícias, prior geral dos Franciscanos.



"O padre Victor Melícias tem assumido a peito o projecto de recuperação deste convento", adianta o pároco de Santa Cecília, lembrando que este é um dos poucos vestígios que ainda se mantêm de pé da passagem da Ordem dos Franciscanos pela Região. "O que resta dos franciscanos na Madeira é o Convento de Santa Clara e isto aqui", reforça, acrescentando que, entretanto, se perderam os edifícios da congregação que existiam em Santa Cruz, na Calheta e no Funchal.

Os santos

São Francisco de Assis (italiano, século XII) -
O santo amigo dos pobres e da natureza, chamava todos os seres vivos por irmãos. Grande amigo de Jesus pobre e humilde. Construiu pela primeira vez um presépio. Padroeiro dos ecologistas e das sociedades protectoras dos animais. Há duas imagens deste santo. Dia: 4 de Outubro.

Santa Margarida de Cortona (italiana, século XIII) - Depois de uma vida dissoluta e sem ideais, nem compromissos, tornou-se uma grande amiga de Jesus e dos irmãos, com uma vida austera, disciplinada e comprometida com a causa do Evangelho. Dia: 17 de Maio.

São Roque (francês, século XIV) - O grande apóstolo e amigo dos leprosos. Tornou-se enfermeiro e depois médico para gratuitamente curar doentes. Grande profeta da solidariedade para com os desprezados, amigos dos leprosos e de todos os doentes. Defensor das pessoas com peste e contaminações. Dia: 16 de Agosto.

Santa Rosa Viterbo (italiana, século XIII) - Pertenceu à ordem terceira franciscana e depois fez-se religiosa. Uma grande missionária e evnagelizadora das crianças e adolescentes. Dia: 4 de Setembro.

São Benedito (de ascendência etíope, século XVI) - Seus pais eram de ascendência etíope, mas nasceu na Sicília. Foi um homem de grande bondade, espírito de serviço e de entreajuda, simples e afável. Muito venerado na comunidade negra no Brasil. Dia: 5 de Outubro.

Santo Ivo (francês, século XII) - Homem da justiça e do direito. Defensor das causas judiciais dos mais necessitados. Padroeiro dos juristas. Dia: 19 de Maio.

Santa Isabel de Portugal (portuguesa, século XIII) - Esposa de D. Dinis. Uma mulher com um grande coração para com os mais pobres, os doentes e os miseráveis. Apóstola da caridade e da partilha. Dia: 4 de Julho.

São Salvador - O Santo Salvador é Jesus Cristo, o Salvador. Dia: todos.

Nota: dados fornecidos pela paróquia de Santa Cecília.


DN Madeira