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domingo, 13 de junho de 2010

Estátua da Senhora de Fátima fica situada junto à Igreja do Imaculado

Estátua marca visita da imagem peregrina









Largas centenas de pessoas associaram-se, ontem à tarde, à cerimónia de bênção da estátua da imagem da Senhora de Fátima, situada junto à igreja do Imaculado Coração de Maria.

Um estátua que, como salientou na ocasião o bispo do Funchal, que presidiu à cerimónia, representa um "marco histórico" que perpetua a visita da imagem peregrina à Madeira.

"Um sinal de reconhecimento da hora presente e de memória para o futuro", sublinhou D. António Carrilho no decorrer do acto solene.
Um momento vivido com muita emoção pelos fiéis presentes, não só paroquianos do Imaculado Coração de Maria, mas também católicos oriundos de outras freguesias do Funchal. De resto, a grande afluência de pessoas obrigou, inclusivamente, à interrupção do trânsito automóvel nas ruas situadas nas imediações, enquanto decorreu a cerimónia.

O prelado funchalense, que antes celebrou uma missa na igreja local, lembrou que a data de ontem assume um significado especial para os católicos madeirenses, daí ter sido a escolhida para a realização deste cerimónia. Por um lado, porque fez precisamente oito meses que a imagem peregrina chegou à Região, por outro porque a Igreja celebra neste dia a festa do Imaculado Coração de Maria. Sem esquecer que é também a 12 de Junho que a Diocese do Funchal comemora o 496.º aniversário da sua criação.

A estátua, concebida em mármore branco, está situada no jardim anexo ao adro da igreja do Imaculado Coração de Maria. O acto de descerramento foi efectuado por um grupo de crianças da paróquia que recebeu recentemente a primeira comunhão.



DN Madeira

segunda-feira, 7 de junho de 2010

Os madeirenses que construíram uma Igreja no Curaçao

57 anos depois história está a ser compilada




Em 1953, um grupo de portugueses originários da Ilha da Madeira, que tinham sido recrutados para trabalhar numa refinaria no Curaçao, construíram a Igreja de Nossa Senhora de Fátima, no bairro de Suffisant, cuja história está a ser compilada.
No entanto, 57 anos depois, muitos desses portugueses regressaram à Madeira, alguns faleceram, sendo as novas gerações pouco apegados ao culto religioso, segundo o padre daquela paróquia, Morison La Porte.
"Esta igreja foi fundada pelos portugueses que trabalhavam na refinaria Isla e este era o bairro dos que lá trabalhavam. Aqui viviam portugueses, ingleses, outras pessoas de diferentes culturas e venezuelanos também", começa por explicar o sacerdote à agência Lusa.
Por outro lado, sublinha que "os portugueses, onde vão, levam a sua fé e a sua fé era em Nossa Senhora de Fátima e por isso construíram aqui a Igreja de Fátima".
"Não há nada por escrito, a história passa verbalmente, agora estamos a passar algumas coisas para o papel para conhecer um pouco da história da Igreja, mas sei que os portugueses pediram também ajuda à refinaria, trouxeram rochas, cimento, de tudo um pouco, fazendo o máximo (das obras) depois do horário normal de trabalho", diz.
Morison La Porte lamenta que em contraste com o passado, para as novas gerações a ida à Igreja não é uma prioridade.
"Antes (os portugueses) eram muito activos, muito dedicados à Igreja, os mais velhos vinham e estavam aqui, mas muitos já morreram ou voltaram à Madeira e os jovens não são tão activos como os parentes de antes", refere.
A situação levou o padre a definir estratégias para atrair os jovens, principalmente nas duas festas mais importantes da paróquia, a primeira e a última aparição de Nossa Senhora de Fátima, a 13 de Maio e de Outubro, respectivamente.
Natural do bairro onde foi construída a Igreja, o padre Morison La Porte, faz questão de sublinhar que já foi "a diferentes santuários, mas o que mais o marcou foi o de Fátima.
Em Curaçao vivem aproximadamente 3000 portugueses, cuja presença fez surgir ruas com o nome de Madeira, Funchal ou Fátima.


DN Madeira

sábado, 5 de junho de 2010

Arraiais madeirenses com tradição e convívio

As festas populares madeirenses continuam a manter muitos motivos de interesse




Com o aproximar do tempo de Verão surge a maioria dos arraiais madeirenses. São dois dias de festa nos quais se reúne sempre um considerável número de pessoas, umas para participar com mais devoção nas celebrações religiosas, outras para assistir à animação musical e saborear os petiscos tradicionais, figurando em lugar de destaque a espetada acompanhada pelo "bom vinho seco da Região", o bolo do caco ou as "farturas" que nos últimos anos foram sendo introduzidas no menú da gastronomia dos arraiais.



Nos meses de Verão, a Madeira enche-se de alegria com os arraiais que se efectuam em todas as paróquias. São dois dias de festa nos quais se reúne sempre um considerável número de pessoas, umas para participar com mais devoção nas celebrações religiosas, outras para assistir à animação musical e saborear os petiscos tradicionais, figurando em lugar de destaque a espetada acompanhada pelo "bom vinho seco da Região", o bolo do caco ou as "farturas" que nos últimos anos foram sendo introduzidas no menú da gastronomia dos arraiais.
A canja ou as sopas também fazem parte dalguns arraiais da nossa terra. Muitas das genuínas tradições já se diluiram no tempo, mas é curisoso notar que algumas mantêm-se.
Fogo, banda filarmónica e decorações são os principais ingredientes das nossas festas ao que se juntam os conjuntos musicais e os "artistas" improvisados em especial os especialistas no despique.
É nas freguesias de Nossa Senhora do Monte e da Ponta Delgada que se realizam os dois maiores arraiais da Madeira, não havendo consenso qual deles é o que regista maior participação de pessoas. O certo é que nestas duas festas se mantêm vivas algumas das nossas tradições, mantidas pelos mais antigos, mas com seguidores entre os escalões mais novos.
Os arraiais dos tempos actuais já não são o único motivo de interesse nas freguesias, como se verificava antigamente, mas também não se regista uma diminuição de interesse dos organizadores paroquais em concretiza-los. Como na actualidade cada vez são mais raros os festeiros, vindos das terras de emigração, cabe às comunidades paroquias, através das Confrarias ou das comissões de festas, organizar o arraial, pois não é nada benéfico que a paróquia fique sem animação. Mesmo nas paróquias de menor dimensão populacional, como as de São Paulo (na Ribeira Brava) ou na dos Romeiros (no Monte) as festas são sempre feitas com muita animação. E já no próximo domnigo estas duas paróquais vão realizar festas populares, em São Paulo em louvor do Santíssimo Sacramento (às 15 horas) e nos Romeiros em honra da padroeira: Nossa Senhora Rainha do Mundo, às 16 horas.
Diversas festas vão ser celebradas no próximo domingo. Na capela do monumento a Santa Teresinha, na paróquia dos Canhas, às 19 horas, inicia-se a festa de Nossa Senhora do Sorriso, sendo seguida de procissão.
A festa do Santíssimo Sacramento na paróquia do Carmo (Câmara de Lobos) realiza-se no próximo domingo.Também nesse domingo será celebrada idêntica solenidade na igreja de Santa Maria Maior.
A paróquia do Loreto, situada na freguesia do Arco da Calheta, assinala no próximo domingo a festa do Espírito Santo com início às 16 horas.
Um dos atractivos desta festa são as charolas que vão estar expostas no adro paroquial. Este ano aquelas charolas, contendo diversos produtos agrícolas serão vendidas individualmente.
Em todas estas localidades haverá a habitual animação dos arraiais madeirenses.
Entretanto na igreja de Santo António iniciam-se hoje as novenas de preparação para a festa daquele santo, sendo celebradas até ao dia 12 de Junho sempre às 20 horas.
A festa será celebrada no domingo 13 de Junho, dia litúrgico de Santo António, às 17 horas.
Durante este tempo festivo no adro da igreja de Santo António haverá muita animação com actuações de diversos grupos. Um dos momentos altos desta programação será a realização das marchas de Santo António no sábado, 12 de Junho, a partir das 21 horas. Estas festas têm o apoio da Junta de Freguesia de Santo António.


Religiosidade popular
Festas põem em destaque crenças e ritos


As festas tradicionais madeirenses, duram apenas quarenta e oito horas (com a véspera e o dia), mas, para que isso aconteça há todo um trabalho engenhoso e arte na criação das flores ou dos tapetes para a procissão em particular a do Santíssimo Sacramento ou Domingo do Senhor.
Os enfeites, de alegra-campo e loureiro, contrastam com o garrido das flores e o vermelho da Cruz da Ordem de Cristo que flutua nas bandeiras. O progresso trouxe mais luz e o feérico da cor, fazendo-os prolongar pela noite fora. A luz eléctrica, a partir da década de quarenta, veio revolucionar o arraial.
No arraial, para além da oferta de um variado conjunto de barracas de comes e bebes, onde pontua a espetada, temos a feira para venda dos produtos da terra ou de fora. Este é um momento de encontro, devoção e partilha da riqueza arrancada à terra. Em tempos idos o arraial era um momento único em que todos se encontravam irmanados pela devoção ao santo padroeiro.
Muitas pessoas que, em férias, dão um útil apoio aos festeiros, sobretudo contribuindo com meios materiais, talvez não hajam recebido da Igreja mais do que o Baptismo ou, no caso de gente casada, além do Baptismo, o Matrimónio. A festa será a única catequese para essa gente e como tal é um importante motivo de encontro fraternal”.
As festas populares, manifestações colectivas, as crenças e ritos de devoção particular são as grandes marcas da religiosidade popular no nosso país.
Quando falamos de religiosidade, de facto, referimo-nos a um conjunto de práticas simbólicas de raiz popular (no sentido em que se distinguem das produções religiosas das dos "intelectuais" e das instituições que regulam o campo religioso) e se referem a significados que transcendem a própria comunidade mas a identificam enquanto tal. Trata-se, pois, de fenómenos culturais integrados no quadro de significações que as comunidades produziram na sua interacção secular.


Santo António, São João e São Pedro
Santos populares dão cor e alegria ao mês de Junho


O mês de Junho está cheio de festas: a 13 é Santo António, a 24 São João e a 29 São Pedro. A denominação de santos "populares" é tradicional e exacta: os Santos de Junho são os mais festejados em Portugal.
As festas de Santo António e São João são, segundo os estudiosos, "festejos da existência". Independentemente dos conteúdos especificamente cristãos que lhe estão associados, as festas dos santos populares são o pretexto para evocar e exaltar a vida que o sol, no solstício, traz consigo. Esta é efectivamente a conotação primeira da celebração, aquela que, de resto, tem mais ressonâncias antropológicas. Basta recordar que, pelo S. João, se faz em muitas localidades uma fogueira que inicalmente tinha como objectivo impedir o sol de esmorecer no seu esplendor.
Operação cósmica semelhante tinha sido levada a cabo por ocasião do solstício de inverno em que se celebrava o "natalis solis invicti ", transformada posteriormente na celebração do nascimento de Cristo, com a única diferença de que, então, se tentava aviventar o sol
O culto a Santo António, estimulado pela fama de inúmeros milagres, tem sido ao longo dos séculos objecto de grande devoção popular por todo o mundo. É um dos santos de maior devoção de todos os povos e, sem dúvida, o primeiro português com projecção universal. De Lisboa ou de Pádua, é para o mundo católico o santo "milagreiro", "casamenteiro", do "responso" e do Menino Jesus.
As festas populares de Santo António, São João e São Pedro, estão, pois, enquadradas por um vasto mundo de referências que as relacionam com significados que, pouco tendo de cristão, são certamente tradicionais.


221 arraiais de Junho a Outubro
Um Verão repleto de festas em toda a Região


Até ao último domingo de Outubro vão realizar-se na Madeira e Porto Santo 221 arraiais, todos eles com animação exterior.
Ontem foi celebrada a Festa do Corpo de Deus, que dá início às festas em louvor do Santíssimo Sacramento que vão realizar-se em todas as paróquias da Madeira, até ao final do mês de Setembro. Uma das características destas festas são os tapetes de flores, autênticas obras de arte fruto da criatividade do nosso povo. Estas festas são celebradas, na maioria das localidades, no domingo seguinte à festa do orago.
No mês de Junho o destaque vai para Santo António (dia 13), padroeiro de três paróquias; São João (dia 24), padroeiro de quatro paróquias e São Pedro (dia 29), orago de duas paróquias. Em Julho realçam-se as festas do Espírito Santo no Campanário e no Arco da Calheta.
Agosto regista o maior número de festas, a maioria em louvor de Nossa Senhora, com as mais diversas invocações.
Em Setembro, o Bom Jesus na Ponta Delgada é o atractivo principal e em Outubro é assinalada a festa de Nossa Senhora do Rosário.


É no tempo de Verão que se celebra a maioria dos arraiais madeirenses. Com características próprias, alguns deles, mantem tradições muito antigas, tanto a nível de ornamentação, como de animação ou de gastronomia. Junho e Agosto são, na Madeira e Porto Santo, os meses que registam maior número de festas populares




Jornal da Madeira

domingo, 18 de abril de 2010

Flores da Madeira no altar de Bento XVI


Ideia partiu de Sérgio Gouveia, mentor do projecto 'Madeira Lx'

Data: 18-04-2010








No dia 11 de Maio, por altura da missa do papa Bento XVI no Terreiro do Paço, em Lisboa, a Região estará representada com um tradicional tapete de flores madeirenses que cobrirá o percurso entre o papa-móvel e o altar. O próprio altar também será enfeitado com flores regionais. Esta ideia será materializada por Sílvio Gouveia, mentor do projecto 'Madeira Lx', que visa promover a Região em território nacional através da apresentação das riquezas culturais, gastronómicas e turísticas, com o intuito de angariar fundos para a reconstrução da ilha.

Sílvio Gouveia, um madeirense a residir na capital portuguesa há 15 anos, pretende, com esta iniciativa, voltar a levar ao mundo a imagem da ilha renovada e uma mensagem positiva de renascimento, após o temporal de 20 de Fevereiro. O projecto foi concebido dada a elevada concentração de madeirenses em Lisboa.

O início da visita papal coincide com a inauguração do evento promocional 'Madeira Lx', que terá lugar no Palácio Braancamp de 12 a 16 de Maio. O 'Madeira Lx' arranca, no dia 12, com um jantar gourmet no restaurante 'Eleven', com a participação de um 'chef' madeirense. No dia 13, decorrerá um 'cocktail' VIP de abertura do Palácio Braancamp e um leilão de obras de arte, que terá peças de artistas como Nini Andrade da Silva, da Fundação Branislav Mihajlovic, Pedro Pinto Coelho, Paulo Ossião, Luís Cabral, Carla Cabral, Duma Arantes e Paulo Teixeira Pinto. Toda a receita deste evento será doada a fundos de reconstrução e a entidades regionais de solidariedade. Esta iniciativa será orientada pela leiloeira de arte contemporânea 'Sala Branca'.

Para 14 de Maio está prevista a realização da noite 'Fashion Party'. Em paralelo com estas acções, o Pingo Doce realiza, de 5 a 18 de Maio, a 'Feira Madeira Lx' em 30 lojas de Lisboa. A ideia passa também pela promoção dos produtos regionais - o tradicional bolo de mel, vinho Madeira, doces, licores, refrigerantes e flores regionais -, pelo reforço das interacções comercias e por dar a conhecer o destino Madeira.


DN Madeira

domingo, 4 de abril de 2010

Santos da casa







São nove santos, salvos no início do século XX dos escombros do Convento de São Bernardino, que todos os anos deixam as casas das famílias que lhe dão guarida para participar na Procissão das Cinzas, em Santa Cecília

A Procissão das Cinzas, que se realiza na quarta-feira seguinte ao Carnaval e que marca o início do período da Quaresma, é seguramente o momento religioso mais importante para grande parte dos paroquianos de Santa Cecília, em Câmara de Lobos. É nesse dia que as nove imagens dos santos, resgatadas no início do século XX das ruínas do Convento de São Bernardino, deixam as casas das famílias que lhes deram abrigo e voltam a sair à rua para cumprir uma tradição secular que é caso único na Madeira.

A memória colectiva local diz que as imagens foram recolhidas pelas famílias entre 1916 e 1917, na sequência do abandono do convento por parte dos franciscanos e da degradação gradual que o edifício foi, posteriormente, apresentando. Um incêndio que, entretanto, terá deflagrado no vetusto convento precipitou a decisão dos paroquianos em retirarem as imagens dos santos e guardá-las nas suas casas. O padre Francisco Caldeira, pároco de Santa Cecília, lembra que esta procissão "iminentemente penitencial, de apelo à conversão, à renovação e à transformação de vida" e que vai de encontro à própria espiritualidade franciscana, já se realizava durante o século XIX no Funchal, então com saída do Convento de São Francisco (na zona onde hoje existe a Madeira Wine e o Jardim Municipal) e percorrendo várias ruas da cidade.

Foi no final do século XIX, já depois de ter passado pela Igreja do Colégio, que os santos foram transferidos para o Convento de São Bernardino, o derradeiro edifício dos franciscanos que ainda se mantinha de pé na Madeira. Terá sido por esse altura que a Procissão das Cinzas se transferiu também para Câmara de Lobos, saindo do referido convento e, durante os primeiros anos, cumprindo um percurso que a levava até ao centro da vila câmara-lobense. De resto, no próprio DIÁRIO de Notícias de 27 de Fevereiro de 1900 é noticiada a realização desta procissão.

De acordo com o padre Francisco Caldeira, depois de uns longos anos de interregno motivado pelo período efervescente que se seguiu à implantação da República, a procissão voltou a sair à rua por alturas de 1925, já com os santos à guarda dos paroquianos.

O pároco reconhece que, mesmo nos dias de hoje, esta é uma tradição que as pessoas de Santa Cecília e também de outros sítios do concelho, "vivem com grande intensidade". De tal forma que, recorda, uma sua proposta de alterar a data de realização da procissão para o domingo seguinte à Quarta-feira de Cinzas, por forma a permitir a vinda de mais forasteiros, foi liminarmente rejeitada pelos fiéis. "As pessoas fazem questão de manter a tradição naquele dia, também por uma questão de memória pelos antepassados e por isso organizam a sua vida para poderem estar presentes na procissão", expressa, acrescentando que este marco religioso, em tempo de preparação para a Páscoa, é também encarado com um espaço privilegiado para "reflexão, meditação e formação".

O padre Francisco Caldeira realça "o grande apreço e carinho que as famílias têm pelos seus santos", preservando-os com "uma grande dedicação e cuidado", como se se tratasse de "uma relíquia dos seus antepassados". Há, de resto, o caso de um santo que mudou de uma família para outra, já que a geração terminava ali e os últimos descendentes do patriarca que havia recolhido a imagem faziam questão de assegurar a transmissão da herança ainda em vida.

Preservar de uma herança Na casa dos descendentes de José Figueira da Silva, conhecido pelo Glória, no sítio da Saraiva, há "um grande orgulho" em possuir as imagens de São Francisco de Assis e de Jesus Cristo, que têm a particularidade de saíram abraçados na procissão. "É já uma herança de família, dá-nos uma grande alegria ter os santos em casa", refere Filomena Silva, dando conta "da grande fé e devoção" que a família mantém pelos seus santos. O filho fez mesmo questão de construir um armário embutido na parede de um dos quartos, onde estão cuidadosamente guardadas as duas imagens.

Depois, há todo ambiente de festa que antecede a preparação da procissão, nomeadamente com a compra das flores que vão embelezar o andor e todo o trabalho de preparação, que envolve várias gerações, dos avós aos mais pequenos. Nesta família, tal como na grande maioria das outras, procura-se que sejam os membros da família a transportarem o andor com os santos. No entanto, até por uma questão das estaturas das pessoas, muitas vezes é necessário recorrer a amigos e vizinhos.

Santa atravessa gerações Há 15 anos que a imagem de Santa Isabel de Portugal está na casa de Élvio e Fátima Quintal. Que fazem questão de mantê-la permanentemente na sala de estar. "Antes era guardada numa caixa, mas achámos que assim tinha outra dignidade", explica Fátima. A santa está na família Quintal desde que foi resgatada do convento por António Figueira Quintal, já lá vão algumas gerações: esteve à guarda das tias avós de Élvio, depois do seu pai e agora está em sua casa.

Ao longo destes anos, o restauro resumiu-se à substituição do fato, há dois anos, e à limpeza de algumas pequenas peças. Porque a imagem não tem necessitado de grandes trabalhos de restauro. De resto, umas das particularidade da Santa Isabel de Portugal, tal como de alguns outros santos, é que assentam em armações de madeira - um método muito utilizado antigamente na concepção de imagens religiosas.

A quarta-feira de cinzas já está padronizada como sendo um dia de reunião familiar. "Apesar de muitos trabalharem nesse dia, os que podem vêm sempre cá a casa ou vão à igreja", explica Fátima Quintal, acrescentando que no final da procissão, quando é tempo de desmontar o andor, os familiares fazem questão de levar algumas das rosas para casa. Uma forma de partilha de fé e ao mesmo tempo de homenagem aos antepassados que estiveram na base desta tradição.

São Benedito que foi Santo António As irmãs Fátima e Isabel Dinis, herdeiras da família Pita, nem querem ouvir falar da hipótese de, futuramente, os santos poderem retornar ao convento. Há cerca de 60 anos que São Benedito - o santo negro de ascendência etíope, mas nascido na Sicília - está na família, embora anteriormente tenha passado por uma outra habitação na zona da Boa Hora, à guarda de uma senhora. "Os santos já fazem parte das famílias", assinala Isabel Dinis. A irmã vai mais longe e sentencia: "Os mais novos já sabem que quando nós morrermos o santa é para ficar na família!" Curiosamente, no início São Benedito era conhecido entre os câmara-lobenses como Santo António de Noto. De resto, Fátima Dinis ainda não está totalmente convencida da mudança da designação do santo, feita com base em investigações históricas. "A minha irmã que está na Venezuela diz que o São Benedito tem um Menino Jesus nas mãos", refere.

Independentemente disso, o que fica mesmo registado é "a grande fé e a devoção que temos ao santo", regista Isabel Dinis. E é a ele que recorrem nos momentos de aflição.

Projecto de recuperação do convento









O Convento de São Bernardino apresenta-se, actualmente, bastante degradado, mas existe já um projecto, da autoria do arquitecto Victor Mestre, com vista à sua restauração. Só que, por enquanto, tem tardado a avançar.

O próprio padre Francisco Caldeira tem dado alguns passos no sentido de que se proceda à recuperação daquele importante património histórico, tendo inclusivamente já mantido uma reunião com o conhecido padre Victor Melícias, prior geral dos Franciscanos.



"O padre Victor Melícias tem assumido a peito o projecto de recuperação deste convento", adianta o pároco de Santa Cecília, lembrando que este é um dos poucos vestígios que ainda se mantêm de pé da passagem da Ordem dos Franciscanos pela Região. "O que resta dos franciscanos na Madeira é o Convento de Santa Clara e isto aqui", reforça, acrescentando que, entretanto, se perderam os edifícios da congregação que existiam em Santa Cruz, na Calheta e no Funchal.

Os santos

São Francisco de Assis (italiano, século XII) -
O santo amigo dos pobres e da natureza, chamava todos os seres vivos por irmãos. Grande amigo de Jesus pobre e humilde. Construiu pela primeira vez um presépio. Padroeiro dos ecologistas e das sociedades protectoras dos animais. Há duas imagens deste santo. Dia: 4 de Outubro.

Santa Margarida de Cortona (italiana, século XIII) - Depois de uma vida dissoluta e sem ideais, nem compromissos, tornou-se uma grande amiga de Jesus e dos irmãos, com uma vida austera, disciplinada e comprometida com a causa do Evangelho. Dia: 17 de Maio.

São Roque (francês, século XIV) - O grande apóstolo e amigo dos leprosos. Tornou-se enfermeiro e depois médico para gratuitamente curar doentes. Grande profeta da solidariedade para com os desprezados, amigos dos leprosos e de todos os doentes. Defensor das pessoas com peste e contaminações. Dia: 16 de Agosto.

Santa Rosa Viterbo (italiana, século XIII) - Pertenceu à ordem terceira franciscana e depois fez-se religiosa. Uma grande missionária e evnagelizadora das crianças e adolescentes. Dia: 4 de Setembro.

São Benedito (de ascendência etíope, século XVI) - Seus pais eram de ascendência etíope, mas nasceu na Sicília. Foi um homem de grande bondade, espírito de serviço e de entreajuda, simples e afável. Muito venerado na comunidade negra no Brasil. Dia: 5 de Outubro.

Santo Ivo (francês, século XII) - Homem da justiça e do direito. Defensor das causas judiciais dos mais necessitados. Padroeiro dos juristas. Dia: 19 de Maio.

Santa Isabel de Portugal (portuguesa, século XIII) - Esposa de D. Dinis. Uma mulher com um grande coração para com os mais pobres, os doentes e os miseráveis. Apóstola da caridade e da partilha. Dia: 4 de Julho.

São Salvador - O Santo Salvador é Jesus Cristo, o Salvador. Dia: todos.

Nota: dados fornecidos pela paróquia de Santa Cecília.


DN Madeira

Funchal acolhe esta semana o Encontro Nacional de Catequese

'A Catequese dos Adolescentes' vai juntar bispos e padres de todo o país
Data: 04-04-2010



'A Catequese dos Adolescentes' é o tema central do Encontro Nacional da Catequese de 2010 que o Funchal acolhe a partir de amanhã, segunda-feira, de 5 a 8 de Abril.

Os padres pretendem fazer o levantamento dos ecos das dioceses sobre as potencialidades, os desafios e os problemas que se colocam à catequese. Procuram abrir perspectivas de reorganização e definir linhas de acção. Estes são os objectivos traçados para este evento pela organização - o Departamento de Catequese do Secretariado Nacional da Educação Cristã - que traz à capital madeirense bispos, padres e catequistas de vários cantos do país.

A abertura dos trabalhos estão marcados para terça-feira, às 10h15, no Hotel Monumental Lido. A sessão é presidida por D. Tomaz Silva Nunes, bispo Auxiliar de Lisboa e presidente da Comissão Episcopal da Educação Cristã, e D. António Carrilho, bispo do Funchal.

"Como crêem os adolescentes: a problemática da cultura adolescente e as perspectivas para a construção da fé" é a proposta da 1.ª conferência, para reflectir e debater a partir das 11h40. À tarde, a 2.ª conferência tem como tema "abrir perspectivas". Os padres Manuel Queirós da Costa e Paulo Malícia vão falar da experiência religiosa na adolescência e equacionar desafios.

Na quarta-feira, um grupo de sacerdotes debate, num "trabalho de grupo", as "experiências, perspectivas, linhas de acção - o 'deve ser' da catequese da adolescência".


DN Madeira

sábado, 3 de abril de 2010

Encenação da Via Sacra envolveu 80 jovens de Santa Cecília e arrastou multidão de fiéis





Comoção, fascínio e fé


Data: 03-04-2010

Uma comoção contagiante voltou a apoderar-se daqueles que subiram ao Pico da Torre, qual Monte Calvário em Câmara de Lobos, para sentir a pele arrepiar com os sete autos da dramatização dos últimos instantes da vida de Jesus Cristo, desde que entrou em Jerusalém até ao momento da crucificação e do mistério do sepulcro.

A encenação dos passos da Paixão de Cristo é um ritual religioso repetido todas as sexta-feiras santas desde há 15 anos. Ontem, o padre de Santa Cecílica juntou 80 jovens da paróquia para mais uma vez representar o mistério pascal, levando perto de mil fiéis e curiosos à colina. Para muitos, a Páscoa só tem sentido com a vivência deste ritual que desperta a fé e o fascínio perante o exemplo da crucificação cristã, há quase 2 mil anos.

Maria Teresa, de 54 anos, caminhava apoiava numa muleta. Não estava ali para pagar promessa nenhuma, mas para se deixar contagiar pela dramatização, assistindo ao sacrifício da morte de Jesus pela salvação do Mundo. "Ainda no ano passado vim. Este ano a minha cunhada trouxe-me de carro e estou aqui a ver a paixão de Cristo ao vivo porque é muito bonito".

Faltava pouco para as 9h30 (início da encenação ao vivo) quando, na subida da estrada do Pico da Torre, caminhavam em jeito de passeio, lado a lado, Maria José Gomes e Vasco Gonçalves. "Antes vinha aqui de férias e trabalhava lá. Agora é mais ao contrário: só vou lá de 'vacances'". Lá é Paris, onde o casal esteve emigrado durante 33 anos. Aqui, é o sítio de São João, junto ao restaurante Lagar (Câmara de Lobos), onde o casal optou por viver, desfrutando da aposentação merecida, após mais de três décadas a trabalhar numa fábrica parisiense.

Mas algo levou-os ao Pico da Torre, ontem de manhã. Maria José Gomes e Vasco Gonçalves deixaram, em França, uma legião de herdeiros de que muito se orgulham. Aproveitaram o ritual religioso da Via Sacra para "ver o espectáculo" e "passear", mas também para agradecer a ajuda divina na criação dos seus sete filhos e 16 netos.

Alcinda Fernandes vai de encontro ao genro e a filha que "já estão lá em cima". Vem de Saraiva, mesmo dali de Câmara de Lobos. É assim há 15 anos porque Alcinda nunca falhou uma cerimónia que fosse". Mas o que tem esta encenação de especial? "É ao vivo, é diferente, é verdade que é uma imitação mas choca-me aquela parte quando Jesus começa a ser castigado pelos soldados", confessa a comoção que sente e partilha com a multidão perante a dramatização da Paixão de Cristo.

"Tem gente de daqui, mas também de fora, porque eu trabalho num infantário no Funchal e há colegas que gostam de vir", sublinha.

Era difícil contabilizar com rigor o número de pessoas entre a multidão que ontem presenciou a celebração do mistério pascal de Cristo, dada a movimentação ao longo dos sete autos do drama, mas estaria perto de um milhar, de vários escalões etários.

Junto ao miradouro aguardavam David Neves, 20 anos, do Estreito, e a namorada, de Câmara de Lobos. Ele veio por ela. Ela pelos amigos que participam. Petra Silva, 17 anos, foi personagem durante cinco anos, ao longo da catequese. "Muitos papéis: fiz de povo, das mulheres que choravam", descreve. "Gosto porque é bonito e acima de tudo, porque é uma tarefa exigente", elogia o empenho dos jovens actores.

Jesus já subia o Monte do Calvário em agonia perante os açoites da legião romana que o mantinha sob a pesada cruz, quando Susana Oliveira, se arrumava entre a plateia. Da Laurencinha, trouxe à Via Sacra, o marido e as duas filhas. "Isto é bonito é ao vivo", diz. Está casada há tantos anos quantos os da existência do ritual da Via Sacra no Pico da Torre pela paróquia de Santa Cecília. "Em 15 anos só falhei no ano em que estava grávida do primeiro filho", confessa.

Os jovens que representaram o papel das personagens da misericórdia e da compaixão

Diana Abreu
A coragem de Verónia, a mulher que irrompeu entre os soldados romanos para limpar o suor da face "maltratada" de Cristo, é a grande virtude da personagem, reconhece Diana Abreu, de 24 anos. A jovem, natural do Ribeiro Real (C.ª de Lobos). Participa como figurante há sete anos. "Já fiz de criada, testemunha, Verónica, Nossa Senhora", enumera. O papel que mais gostou foi o de testemunha, quando denunciou João, perante o povo, em nome da justiça e da verdade.

Edgar Silva
O jovem de 19 anos, da Ponte dos Frades, vestiu o traje de Simão Cireneu. "Quando Jesus cai com o peso da cruz, os soldados vêm buscar-me ao campo para que eu vá ajudar Jesus a carregar a cruz", explica. "Depois, os soldados entregam-me ao povo e eu volto ao campo". Há três anos que Edgar participa como personagem no ritual encenado pela paróquia de Santa Cecília. Simão é um papel que gosta de desempenhar, porque representa a partilha do sacrifício, do sofrimento e da dor.

DN Madeira

sexta-feira, 2 de abril de 2010

Encenação dos Passos da Via Sacra de Cristo esta manhã no Pico da Torre

Drama da Paixão representado em sete autos atrai centenas de fiéis e curiosos
Data: 02-04-2010


(no lado esquerdo da para ver o andamento das obras da nova Igreja de Santa Cecília)




É uma tradição religiosa que se repete todos os anos por ocasião da Sexta-feira Santa. A celebração e encenação dos Passos da Via Sacra de Jesus Cristo está previsto para as 9h30, na estrada do Pico da Torre, em Câmara de Lobos.

A organização do drama da Paixão de Cristo está, a exemplo dos últimos 15 anos, ao cargo da Paróquia de Santa Cecília. A celebração do mistério pascal de Cristo, na Semana Santa, levado a cabo pelos jovens da paróquia, atrai centenas de católicos, religiosos e pagãos, residentes, forasteiros e turistas.

A encenação da Via Sacra compreende sete autos: A entrada de Jesus em Jerusalém; A Última Ceia e o Lava-Pés; A Traição de Judas; A Condenação de Jesus e as suas causas; A Caminhada de Jesus para o Calvário; A Crucificação, a Morte e a Sepultura de Jesus; No Sepulcro, a procura de um sentido".


DN Madeira

Centenas de madeirenses vão a Fátima ver o Papa

Desde outubro do ano passado que vêm sendo feitas reservas nas agências de viagem
Data: 02-04-2010




A cerca de um mês da primeira visita do Papa Bento XVI a Portugal, centenas de madeirenses formalizaram já a sua reserva para estarem presentes nas celebrações agendadas para os dias 12 e 13 de Maio, em Fátima. A importância acrescida deste momento religioso fez mesmo com que a procura junto dos agentes de viagem tivesse aumentado consideravelmente, em comparação com anos anteriores.

A procura por programas de viagem que permitam acompanhar a visita papal a Fátima iniciou-se já no ano passado, com maior incidência a partir dos meses de Outubro e Novembro. Inclusive, actualmente ainda há um número considerável de pessoas que continua a dirigir-se às agências de viagem com o intuito de proceder à marcação.

Vários programas e preços

A Bravatour é uma das agências de viagem madeirenses que mais tem apostado nos programas turísticos de cariz religioso. Especificamente para a visita do Papa Bento XVI a Fátima foram disponibilizados oito pacotes distintos, cujos preços variam desde os 440 euros (a mais barata) até os 1.210 euros, neste último caso incluindo uma viagem até Espanha, nomeadamente às Astúrias, ao País Basco e à Cantábria. Naturalmente, o preço destes pacotes dependem não só das regiões visitadas mas também do número de dias de viagem.

A directora da agência, Gorete Araújo, revela que neste momento estão já confirmadas "cerca de 250 pessoas", incluindo os viajantes que seguem integrados numa peregrinação diocesana que vai acompanhar o regresso da Imagem Peregrina da Senhora de Fátima desde a Madeira até àquela cidade. Um número consideravelmente superior ao que se registou nos anos anteriores, cuja média rondava as 100/110 pessoas.

A Top Atlântico Madeira também tem vindo a registar uma afluência significativa de pessoas nos seus balcões, com o pretexto de viajarem até Fátima. A directora de exportação, Maria Jorge Fraga, revela que até ao momento existem já alguns grupos com os programas devidamente acertados para aquelas datas, embora continuem ainda a chegar outros clientes aos balcões, seja individualmente ou em pequenos grupos.

No caso desta agência, há clientes que vão ficar instalados mesmo na cidade de Fátima, mas também há casos de pessoas que preferiram a deslocação ao santuário somente no dia da celebração, finda a qual irão regressar a Lisboa. Uma opção que não é alheia ao facto de Bento XVI ter previsto, igualmente, uma visita de um dia à capital portuguesa.

Alojamento a preços proibitivos
Um dos maiores problemas que se tem vindo a colocar às agências de viagem é a questão da estadia dos viajantes. Se tradicionalmente as comemorações do 13 de Maio já registam uma grande procura de alojamentos, não só na cidade de Fátima mas também nas outras localidades situadas nas imediações, este ano, compreensivelmente, a situação está ainda mais complicada.

Para agudizar ainda mais o problema, as unidades hoteleiras situadas em Fátima, independentemente de se tratar de hotéis, residenciais ou até pequenas pensões, estão a pedir preços verdadeiramente proibitivos pelos alojamentos.

Perante esta situação, que inflacionaria consideravelmente o montante dos programas comercializados pelos agentes de viagem, a opção tem sido o alojamento noutras cidades, desde Leiria a Santarém, passando por Lisboa e até Coimbra.


DN Madeira

segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010

Filho de madeirenses nomeado bispo na África do Sul

Nomeação inédita de João Noé Rodrigues deixa comunidade em Festa
Data: 08-02-2010




"É a primeira vez que isto acontece e a comunidade está muito orgulhosa". Joe Quintal resume assim a reacção dos madeirenses ao anúncio da nomeação de João Noé Rodrigues para bispo de Tzaneen, na África do Sul.

Filho de madeirenses naturais da Calheta, mais concretamente do sítio da Malueira, o padre João Noé Rodrigues foi nomeado pelo Papa Bento XVI bispo de Tzaneen, no passado dia 28 de Janeiro. O sacerdote é ordenado no próximo dia 19 de Abril.

João Rodrigues nasceu em Cape Town, a oito de Março de 1953 e foi ordenado padre na diocese de Witbank, em Julho de 1982.

O descendente de madeirenses fica agora responsável pela Igreja de Tzaneen, uma das quatro dioceses sufragâneas da arquidiocese de Pretória, na África do Sul.

"É, sem dúvida, uma nomeação merecida", adianta Joe Quintal, acrescentando que o padre Rodrigues é "muito estimado" por toda a comunidade e tem "feito um bom trabalho" em benefício da Igreja e da comunidade de fiéis.

Joe Quintal que desempenha também as funções de presidente da Assembleia Geral do Marítimo na África do Sul adianta ainda que os madeirenses residentes em Witbank estão extremamente satisfeitos com a escolha de João Noé Rodrigues. "Temos cá mais padres descendentes de madeirenses, mas este é o primeiro a chegar a bispo", regozija-se Joe Quintal.

DN Madeira

domingo, 24 de janeiro de 2010

Santa Cecília com Igreja prevista para o final do ano

Novo Templo irá custar cerca de três milhões de euros, que serão assegurados pelo Governo Regional e pela Paróquia; Por seu turno, a Paróquia da Atouguia lançará este ano o concurso para a nova Igreja







A nova Igreja da Paróquia de Santa Cecília, em Câmara de Lobos, está previsto ficar concluída em finais deste ano, adiantou ao JORNAL da MADEIRA o pároco local.
O novo templo terá um valor de cerca de três milhões de euros. Deste montante, uma parte (2,6 milhões de euros, como já foi noticiado) é assegurada pelo Governo Regional, através da Secretaria Regional do Plano e Finanças, através de contrato-programa com a Paróquia, e o restante é assegurado pela própria Paróquia.
O padre Francisco Caldeira sublinha que a construção da Igreja (cujo projecto é da autoria do arquitecto Luís Jorge Santos) sempre foi um desiderato da população desde que a paróquia foi constituída, há cerca de 50 anos. Com o aumento significativo da população naquele meio, este desejo tornou-se mais forte, de modo que, quando foi lançada a ideia de adquirir o terreno, foi o próprio povo que o comprou, na altura por 100 mil contos. «As pessoas todas se empenharam em arranjar fundos, por diversos meios e diversas iniciativas», disse, acrescentando que as mesmas «estão muito empenhadas» para a construção do templo.
Salientando o empenhamento da população, o padre da paróquia de Santa Cecília enaltece igualmente a importância fundamental da comparticipação governamental para esta nova infra-estrutura. É que, sublinha, sem o apoio do Governo Regional não seria possível fazer uma Igreja «com esta capacidade e com esta valorização e beleza arquitectónica».
O responsável afirma que o novo templo é feito com o objectivo de responder a uma necessidade existente e lembra que existe um «número enorme» de crianças na catequese, movimentos, grupos, actividades sociais, acções culturais e cultuais.
Segundo o nosso interlocutor, a nova Igreja da Paróquia de Santa Cecília terá capacidade para cerca de 500 pessoas sentadas e outras 500 de pé. Tal como referiu, «tem um espaço para que as pessoas fiquem recolhidas dentro da Igreja e não fiquem nas ruas». O projecto contempla ainda instalações para actividades sociais e culturais, salas de catequese e espaços de convívio, entre outras valências.
Em termos arquitectónicos, o pároco adianta que «há a ideia de que a Igreja é uma barca» - a barca de Pedro. «O arquitecto quis inseri-la dentro da tradição da Igreja e ao mesmo tempo que essa tradição fosse actualizada e, portanto, tivesse o seu toque de modernidade, de adaptação às ideias do tempo presente», referiu.

Atouguia deverá lançar
concurso este ano




Por seu turno, a Paróquia da Atouguia, na Calheta, também irá ter uma nova Igreja. Segundo o pároco local, a Paróquia pretende fazer o lançamento do concurso ao longo deste ano.
O padre Silvano Gonçalves avança que a construção da Igreja está estimada em 1.400.000,00 euros, dos quais uma parte será comparticipada pelo Governo Regional, através de contrato-programa, e a restante será assegurada pela Paróquia e pela Câmara Municipal. O pároco sublinha que «já desde há muitos anos que as pessoas anseiam e sonham com este novo templo» e diz que esta é uma necessidade muito grande, tendo em conta que naquela paróquia uma grande percentagem das pessoas participa na Eucaristia aos sábados e domingos e «temos muita gente a ficar na rua ao frio durante a celebração da Eucaristia».
A futura Igreja ficará situada no vale entre os dois lombos que constituem a paróquia, ou seja, no centro do território paroquial. De acordo com o padre Silvano Gonçalves, o templo, cujo projecto é da autoria do arquitecto João Cunha Paredes, insere-se dentro dos traços arquitectónicos modernos das igrejas que têm vindo a ser construídas nos últimos anos. A futura Igreja da Atouguia terá capacidade para 250 a 300 pessoas sentadas e ao lado terá um pequeno salão e várias salas de catequese, bem como ainda um adro com estacionamentos à volta.
De referir ainda que, no que diz respeito a novas igrejas, prevê-se igualmente a ampliação da Igreja do Loreto, que deverá ser lançada este ano.

Novas igrejas concretizaram anseios

Ao longo dos últimos anos foram várias as novas igrejas construídas na Região, algumas directamente pelo Governo Regional, outras com a comparticipação do Executivo, através de contratos-programa com as respectivas paróquias, as quais têm também mostrado todo o seu empenho na edificação dos novos templos.
Com a construção das mesmas, as populações viram concretizar-se sonhos e anseios, alguns dos quais já com décadas. Novos templos, com linhas modernas elogiadas por muitos, vieram dar uma nova imagem ao património arquitectónico religioso da Região e, sobretudo, colmatar as lacunas até então existentes.
As duas últimas paróquias a ser beneficiadas com novas igrejas foram a da Feiteiras, em São Vicente, cuja cerimónia de Dedicação ocorreu a 25 de Outubro de 2009, e a do Jardim da Serra, que viu a Dedicação ocorrer a 15 de Novembro do ano transacto, nas quais, o Governo Regional, através da Secretaria Regional do Equipamento Social (SRES), comparticipou, através de contrato-programa, com 1,6 e com 1,9 milhões de euros respectivamente. No caso da nova Igreja de São Tiago (Jardim da Serra), com 425 lugares sentados, aos 1,9 milhões pagos pelo Executivo, juntou-se o investimento de 700.000 euros feito pela fábrica da igreja e pela comunidade paroquial para aquisição do terreno confinante a nascente, bem como da arte sacra para o interior da igreja.
Outra das paróquias que ganhou uma nova igreja foi o Caniçal. A obra, da responsabilidade da SRES (na altura denominada Secretaria Regional do Equipamento Social e Ambiente), inteiramente suportada pelo Orçamento Regional, atingiu um montante de 2.063.246, 64 euros.
Também a população dos Lameiros, em São Vicente, viu concretizado o anseio de ter uma igreja nova. Este templo foi igualmente da responsabilidade da SRES, atingindo um montante de 807.328,40 euros.
No Funchal, a Paróquia da Nazaré foi também beneficiada com uma nova igreja (inaugurada em 2002), que teve um custo total de 1.520.000 euros. Destes, o Governo Regional, através da SRES (então Secretaria Regional do Equipamento Social e Transportes), assumiu um encargo de 770 mil euros, sendo a parte remanescente de 750 mil euros assegurada pela Paróquia, tendo sido comparticipada por contrato-programa celebrado com a Secretaria Regional do Plano e Finanças no valor de 250 mil euros.
Além destas, outras igrejas da Diocese do Funchal receberam também apoios do Executivo para a sua construção ou remodelação. No que diz respeito às novas construções, destaque-se por exemplo as igrejas da Camacha, Livramento, São José, Eiras, Santo Amaro, Álamos e Rochão (na freguesia da Camacha).

Centros e instalações paroquiais


Está previsto o lançamento das obras de construção de novos centros e instalações paroquiais em alguns locais, mediante a realização de contratos-programa entre o Governo Regional e as respectivas paróquias.
Segundo as informações facultadas pela Secretaria Regional do Equipamento Social (SRES), prevê-se o lançamento, ainda este ano, da obra do Centro Paroquial da Boa Nova. Neste sentido, o Governo Regional irá atribuir uma comparticipação financeira no valor de 700.000,00 euros, mediante contrato-programa, à Fábrica Paroquial da Boa Nova. Tendo em conta que a Paróquia da Boa Nova não dispõe de meios financeiros suficientes para a construção do Centro Paroquial, o apoio do Executivo desenvolve-se através da SRES, «a quem compete promover a implementação de equipamentos sócio-culturais e de valorização do território regional, de acordo com o interesse público e com os objectivos constantes no Programa de Governo».
Para este ano está também previsto o lançamento da obra de construção das instalações paroquiais da Igreja de São Roque do Faial. A obra, que terá um custo de 500 mil euros, também será feita através de contrato-programa entre o Governo (através da SRES) e a Paróquia. A futura infra-estrutura (de três pisos, dois deles acima da cota da soleira) que será contígua à Igreja, irá ser composta por duas salas de catequese, uma sala para reuniões e uma arrecadação de grandes dimensões e irá servir de apoio à Igreja, complementando o ser serviço à comunidade.
Por seu turno, também Machico irá ter novas instalações paroquiais. A nova infra-estrutura, que será denominada Centro Paroquial Stella-Maris, está previsto ser lançada no próximo ano (2011) e também irá ser desenvolvida mediante contrato-programa. A obra deverá ter um custo de cerca de três milhões de euros. Para este efeito, a Paróquia adquiriu uma parcela de terreno a norte da Igreja Matriz. Segundo a memória descritiva o projecto «procura ancorar-se num terreno livre e constituir-se no elemento chameira, agregador de uma urbanidade que carece de ligação entre a cidade a norte e a sul» da Igreja Matriz. A ideia resulta de um “pequeno” traçado regulador que procura estabilizar a hierarquia dos edifícios significantes do centro histórico e refundar a centralidade de Machico.
Desta forma, «pretende-se através da Matriz, dos Paços do Concelho e do espaço público actuais, em sintonia com os futuros Paços do Concelho e o futuro edifício do Centro Paroquial proceder à renovação qualificada do centro histórico de Machico em consonância com o novo século em que vivemos».
A obra organiza uma rua pedonal de ligação fundamental entre a zona nova a norte e o jardim público a sul, valorizando a fachada principal da Matriz. Interiormente, o futuro edifício organizar-se-á «em redor de um claustro com uma das faces, próxima do corpo norte da Matriz, um pouco na lógica das regras conventuais», sendo que esta proximidade irá revelar-se fundamental para a futura ligação física entre ambos. A entrada principal do edifício será virada para a futura praça e hierarquizará as acessibilidades. Estando no átrio, os utentes poderão aceder exclusivamente ao salão paroquial e ao espaço reservado às actividades de formação cristã. Ainda ali, junto ao átrio, haverá um espaço museológico da Paróquia. Também no piso térreo, na ala nascente, ficarão situadas a zona administrativa e as salas de catequese. Além disso, ao claustro estará ligada uma zona de serviços equipada com cafetaria, como os tradicionais refeitórios conventuais.
Já no piso superior, de acesso restrito, haverá um salão de actos virado para a praça, o que confirmará a profunda ligação deste edifício com o espaço exterior e com a cidade. A partir daqui será possível aceder ao deambulatório do piso superior do claustro.

Várias obras de beneficiação


Têm sido várias as obras de construção e beneficiação de igrejas e equipamento religioso com o apoio do Governo Regional, através da SRES. A título de exemplo, surgem a cobertura da Igreja do Porto da Cruz (361.033,55 euros), o Centro Paroquial de Santa Cruz (2.657.008,92 euros), o Centro Paroquial de Santana (1.231.254,48 euros), o Centro Paroquial da Ribeira Grande e Maroços, em Machico (1.096.513,92 euros), o Centro Paroquial da Ponta do Pargo (881.917,56 euros), o Centro Cultural da Vitória e de Santa Rita, no Funchal (600 mil euros), as salas polivalentes e ampliação do adro da Igreja do Porto da Cruz (375 mil euros), o Salão Paroquial do Seixal (450 mil euros), a reparação da Igreja de Ponta Delgada (400 mil euros), a Igreja do Paúl do Mar (182.998,84 euros) e a Capela do Senhor dos Milagres, em Machico (130 mil euros).



Jornal da Madeira

sexta-feira, 22 de janeiro de 2010

Em diversas freguesias do Município de São Vicente

Festas com tradição






Uma das festas mais conhecidas da Madeira realiza-se na freguesia da Ponta Delgada no primeiro domingo de Setembro, em louvor do Senhor Bom Jesus.
Na outra freguesia do Município de São Vicente a Boaventura, a festa da padroeira, Santa Quitéria e a do Santíssimo Sacramento são as que maior aderência têm.
Por sua vez na freguesia de São Vicente, as festas que registam enorme enchentes são as que decorrem na paróquia do Rosário, no primeiro domingo de Outubro, assim como a festa do Santíssimo Sacramento no mês de Agosto que é antecedida da denominada «Semana de São Vicente» organizada pela Câmara Municipal.
De referir que na área geográfica daquele município existem sete paróquias: São Vicente, Rosário, Lameiros e Feiteiras (na freguesia de São Vicente), Ponta Delgada, Boaventura e Fajã do Penedo, o que é demonstrativo da grande fé católica daquelas populações.


Jornal da Madeira

Freguesia de São Vicente assinala hoje a festa do seu padroeiro







A freguesia de São Vicente está hoje em destaque com a celebração da festa do padroeiro daquela paróquia. Todos os anos a 22 de Janeiro, dia litúrgico de São Vicente aquela comunidade paroquial participa nas cerimónias religiosas que integram a Eucaristia e a procissão. No adro e arredores há a tradicional animação dos arraiais madeirenses.
Outra festa relevante da paróquia de São Vicente é celebrada no mês de Agosto em louvor do Santíssimo Sacramento que reúne muitos milhares de pessoas que também participam nas actividades culturais e recreativas organizadas pela Câmara Municipal de São Vicente e que constituem já um cartaz turístico desta Região.
A freguesia de São Vicente, que está em constante crescimento a todos os níveis, é diariamente visitada por grande número de pessoas, em especial turistas, que ali podem apreciar as maravilhas da natureza.


Jornal da Madeira