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sábado, 15 de maio de 2010

Núcleo de casas de colmo é nova aposta turística

Presidente do Governo Regional vai visitar Santana no próximo dia 21 de Maio






No próximo dia 21 de Maio (sexta-feira) o presidente do Governo Regional, Alberto João Jardim, vai visitar as obras de requalificação das cinco casas típicas, construídas junto aos paços de concelho de Santana.
De acordo com o presidente da Câmara Municipal de Santana, que ontem falou ao JM sobre este projecto turístico e cultural, a requalificação e o aumento das casas de colmo «justifica-se porque, como toda a gente sabe, estas são uma referência não só do concelho de Santana mas também da própria Madeira».
Rui Moisés encara esta requalificação como uma valorização do património regional explicando que «esta imagem, que é vendável, não podia passar apenas por aquilo que tínhamos até agora».
A este respeito, o autarca relembrou que há a intenção, da parte do Governo Regional, através da Direcção Regional dos Assuntos Culturais (DRAC), de recuperar as casas de colmo que ainda existem na freguesia de Santana e de São Jorge e fazer um roteiro próprio.
Foi por isso que a Câmara Municipal de Santana associou-se a este programa da DRAC e decidiu fazer, junto aos paços do concelho, a requalificação das casas que já ali existiam. «Queremos que as pessoas vejam que o património do concelho está bem vivo e que estamos a valorizá-lo», justificou Rui Moisés, que aproveitou para revelar que a autarquia, através da sua empresa municipal, já estar a dar «outros passos» no sentido de promover o cultivo do trigo, já que é com o caule deste cereal que é feito o colmo que cobre as casas.
Com a visita do presidente do presidente do Governo Regional a estas obras de requalificação, o autarca espera que este seja o início de uma aposta que está a ser feita no âmbito da promoção cultural do concelho.
«É um sinal da nossa aposta neste nosso valor cultural e turístico e é isso que depois do dia 21 de Maio queremos oferecer a todas as pessoas que passarem por este núcleo que está diferente e requalificado».
De salientar que as cinco casas de colmo vão representar os diversos aspectos das tradições madeirenses, nomeadamente o modo de vida local, as flores, os frutos, a gastronomia e doçaria, o bordado em linho e ainda a informação turística. Para além da exposição de motivos tradicionais vão estar ali presentes artesãos que vão mostrar o seu trabalho, sendo que o local envolvente a estas casas típicas foi também alvo de renovação com a criação de espaços de lazer.

Autarquia mostra aos jovens
transformação do trigo


A Câmara Municipal de Santana, através da sua empresa municipal “Terra Cidade”, está a desenvolver um trabalho junto dos agricultores com o objectivo de promover o cultivo do trigo naquele concelho.
A autarquia já deu o exemplo ao plantá-lo nos seus terrenos (baldios) e decidiu desenvolver um projecto pedagógico que tem como objectivo mostrar aos mais jovens a transformação do trigo que começa com a plantação e termina com a ceifa.
«É um trabalho de raíz que passa pela valorização cultural de todo um concelho», esclareceu Rui Moisés, adiantando que «não podemos esquecer que para além da componente cultural ainda existem pessoas em Santana que vivem em casas de colmo».
O autarca estima que, actualmente, vivem mais de 30 pessoas em habitações com estas características. O problema é que na sua maioria são pessoas idosas já que as mais novas, como é compreensível, já não querem viver em casas de colmo.
«É por esta razão que temos de “proteger” este património e fazer tudo o que nos é possível para que não se perca. Foi por isso que se tornou fundamental aumentar este pequeno núcleo de casas de colmo», realçou Rui Moisés, considerando que entende «ser normal» que as pessoas queiram hoje em dia outras comodidades. «Não podemos querer que as pessoas se mantenham naquelas habitações quando nós próprios não estamos. É muito bonito para quem visita mas sabemos que poderá não o ser para quem lá vive. Isto não quer dizer que as pessoas que ainda vivem nestas casas não tenham qualidade de vida, porque sabemos que em termos de características de aquecimento natural estas casas são excelentes - quentes no Inverno e frescas no Verão -, mas entendemos que as novas famílias queiram viver com outras condições», concluíu.



Jornal da Madeira

sexta-feira, 14 de maio de 2010

Feira do Campanário recorda tradições

Organizada pela Associação Desportiva









A abertura da Feira será na sexta-feira, 14 de Maio às 20h30 na sede da Associação Desportiva do Campanário com a inauguração da exposição “Retratos e Relatos”, da autoria de Carolina Silva.
Seguir-se-á às 21 h30 a actuação da Tuna Académica de Enfermagem e às 22h10 realiza-se a cerimónia do partir o bolo do aniversário do Campanário.
No sábado, 15 de Maio, decorrerão diversas provas despeorivas e às 16 horas será inaugurada a exposição “Tradições do camapnário”, havendo às 21h15 um espectáculo intituladao “Jovens talentos”. A partir das 21h30 decorrerá um desfile de moda da estilista madeirense Fernanda Nóbrega com o tema “Inovando com a tradição”. Este desfile conta com a participação de Marina Rodrigues.
Às 22 horas o grupo madeirenses “Seis pó meia dúzia” inicia a sua actuação e às 23 horas haverá muita música com o grupo “ON Mute”. Entre as 23 horas e as 4 horas da madrugada será muita a animação com a descoteca ao lura a cargo do DJ Luís Gonçalves.
O programa do domingo, 16 de Maio inclui provas desportivas, detacando.-se às 18 horas o cortejo etnográfico “Tradições vividas do Campanário” e às 19 horas despique, seguindo-se às 19h30 a actuação do Grupo de Folclore da Quinta Grande.
Estão, pois reunidas as condições para uma visita à freguesia do Campanário nestes três dias de festa.



Jornal da Madeira

quinta-feira, 13 de maio de 2010

Ilha acolhe Exposição do Limão

Certame decorrerá nos mesmos moldes dos anos anteriores







Este fim-de-semana a freguesia da Ilha, Santana, acolhe mais uma edição da Exposição Regional do Limão.
O certame decorrerá nos mesmos moldes dos anos anteriores e decorrerá no polidesportivo local, onde haverá muita animação, gastronomia e entretenimento naquela que será a IX Exposição Regional do Limão.
O evento inicia-se na tarde desta sexta-feira, com uma acção de informação sobre a temática “O limão e a saúde”, sendo orador o nutricionista Bruno Sousa. Esta acção é destinada aos Centros de Convívio do concelho. Depois actua o cantor João Luís Mendonça e, pelas 16 horas, haverá a recepção das entidades e a abertura oficial do certame por parte do secretário com a tutela da Agricultura.
Durante a tarde haverá uma demonstração de cocktails depois volta ao palco animação musical com João Luís Mendonça, com os grupos “Amantes da Música”. Depois há a interrupção para a missa vespertina, depois segue-se a actuação do Grupo de Danças da Casa do Povo da Ilha. Durante a noite há um concurso de dança e de vozes talentosas com actuações de diversos cantores oriundos de vários locais.
A animação prossegue durante todo o fim-de-semana estando reservada a actuação do artista nacional Zé do Pipo, na tarde de domingo. O encerramento está previsto para as 22 horas desse dia.
Recorde-se que a Exposição do Limão é uma homenagem à agricultura, ao agricultor e, particularmente, a um dos produtos mais característicos desta localidade, o limão. Toda a animação permite que muitos forasteiros passem pela freguesia este fim-de-semana.
Por outro lado, a Secretaria Regional do Ambiente e dos Recursos Naturais tem feito uma forte aosta na promoção daquele produto, nos mercados regional e nacional.



Jornal da Madeira

Trajes Madeirenses Antigos



quarta-feira, 12 de maio de 2010

sábado, 8 de maio de 2010

Vimes

A obra de vime tem acompanhado o povoador madeirense; os artigos de uso comum satisfaziam as necessidades laborais tanto dos artesãos como do agricultor.
A indústria dos artigos de vime, teve o seu inicio na Camacha, em 1850, onde ainda hoje em dia se conserva, sendo o seu centro de maior produção.
A esta indústria tipicamente artesanal dedicam-se homens e mulheres.
Ocupando terrenos marginais a outras culturas próximas dos cursos de água e de fácil irrigação, a cultura do vimeiro ocupa quase toda a ilha.
O vime - lote - é constituído por varas de tamanhos e diâmetros variáveis produzidos pelo vimeiro.
Cortado, descascado, secado; o vime segue então para a fase de transformação, sendo utilizados no fabrico de móveis e outros utensílios, principalmente cestos, p/ uso local e exportação.
Quanto aos seus aspectos funcionais, podemos dividir a obra de vime em três categorias:
Obra leve - cestos para flores e pequenos objectos
Obra média - cestos de vários formatos para uso doméstico, malas, caixas, etc...
Mobiliário - cadeiras, mesas, berços, etc.
Os artesãos põem toda a sua criatividade e talento de cesteiros na criação de um verdadeiro artesanato.
A maior parte da obra de vime destina-se a exportação por encomenda, sendo bastante apreciada no estrangeiro nomeadamente Estados Unidos, Canadá, África do Sul, Itália, entre outros.
















(Via Guia-Madeira e Blog Berdades da boca p´ra fora )

domingo, 4 de abril de 2010

Assinalar a Páscoa com arte decorativa

Autodidacta, Cristina Camacho faz peças decorativas para a Páscoa por uma questão de respeito.
Data: 04-04-2010




Cristina Camacho, natural e residente no Caniço é uma autodidacta da decoração. "As pessoas dizem que não têm jeito para certas coisas. Isso não é verdade. Eu nunca tive jeito para artes quando estava na escola mas hoje faço peças de decoração com grande facilidade. Sou uma autodidacta da decoração".

É assim que esta professora de francês do 3.º Ciclo (leia-se do 7.º ao 9.º ano), em São Vicente, inicia uma conversa quase informal com a Revista MAIS, que decorreu na Galeria de Arte da Casa do Povo do Caniço, onde fala daquele que é o seu passatempo favorito: desenhar e confeccionar peças decorativas. A evolução das peças que produz, muitas delas verdadeiras peças de arte, segue as quadras que o calendário civil define. Tal como o Natal, o mesmo sucede na Páscoa. "Vejo a Páscoa como uma altura importante da vida dos madeirenses. Faço trabalhos de decoração por causa disso. Faço questão de decorar parte da casa para celebrar a Páscoa. É como um elogio a uma das épocas mais importante vividas pelos católicos". Como curiosidade, fez questão de montar para a MAIS uma mesa alusiva à Páscoa, que bem podia ser encontrada num qualquer lar madeirenses. Na companhia da filha, Margarida Camacho, de 8 anos, incansável colaboradora da mãe, Cristina Camacho, mostrou duas ovelhas feitas de tecido, três coelhos da páscoa feitos à mão, uma galinha de feltro, quatro galinhas que servem de recipientes para chocolates, um cesto com ovos da páscoa e outros dois coelhos feitos de massa-fino. Em tom de brincadeira, ficámos a saber que a coelha está 'prenhe' e vai ter alguns "coelhinhos no Domingo de Páscoa". A mesa atinge a perfeição com a introdução de duas velas e um ramo de flores. A filha, que não pára quieta, faz questão de querer ficar com um exemplar de cada peça concebida. A mãe, com paciência, explica-lhe que isso não é possível. Ficam as fotos a preservar a memória desta artista.

Passatempo com duas décadas Com 35 anos, Cristina Camacho está perto de comemorar as bodas de prata do início deste 'hobby'. Iniciou-o há cerca de 20 anos, "não por obrigação, mas por gosto". "Se me perguntar se na escola eu tinha jeito para artes, respondo-lhe que não. Mas consegui desenvolver o jeito para fazer estas peças. Não gosto de fazer as coisas por obrigação, geralmente não gosto que as pessoas me dêem indicações para as peças. Prefiro fazer à minha maneira e depois colocar à venda". Por esta razão tem pavor de encomendas. "Se as pessoas me pedirem, eu faço à mesma, mas sinto que não sai tão bem como se eu tivesse a fazer as coisas por inspiração. Sinto maior pressão e as peças não me saem tão bem também porque cada pessoa tem um gosto diferente". Exemplo disso é que raramente faz uma peça em tons laranja. Não gosta da cor, não por razões partidárias, mas porque teve uma má experiência, que não quis contar, com uma peça de roupa dessa cor.



A maioria das peças de decoração concebidas são vendidas com muita frequência na Feira 'Made in Caniço', que se realiza no segundo domingo de cada mês. Das vendas não se queixa. "Tem alturas em que vendo melhor e outras em que é mais difícil de vender, mas geralmente vendo bem. Pena é que muita gente desconhece a realização dessa feira. Acho que há pouco divulgação, por isso há pouca gente por lá. A feira já tem três anos e ainda há muita gente que não sabe que existe". Professora contratada consecutivamente há 12 anos, Cristina Camacho já teve os seus produtos em exposição na loja do Museu Etnográfico da Ribeira Brava. Teve de os retirar da loja quando foi transferida para São Vicente. A 10 de Abril próximo, esta autodidacta volta a expor as suas peças de arte na Feira 'Made in Caniço', no Largo da Igreja, no Caniço.


DN Madeira

Do 'miolo' à 'amêndoa acabada'







As amêndoas constituem uma guloseima habitual nesta época da Páscoa. Uma tradição que vem de longe… Conta a História que este fruto seco da amendoeira era muito apreciado por gregos e romanos, apresentando-se, também, como um bom remédio. Coberto por mel ou não.

Na Madeira também tem muitos anos a tradição de comer amêndoas por alturas da Páscoa, amêndoas cobertas de açúcar. A 'Fábrica Santo António' faz questão de manter essa tradição, resistindo a novidades que vão surgindo e que apresentam amêndoas das mais diversas cores e revestidas de vários produtos. Na 'Santo António', que foi fundada em 1893 por Francisco Roque Gomes da Silva e tem actualmente à frente familiares da quarta geração - Christiane Bettencourt Sardinha e Jorge Bettencourt Sardinha -, as amêndoas continuam cobertas, apenas, de açúcar e com as cores branca ou rosa - as únicas geradas com matéria natural. Aqui fica todo o processo de fabrico, numa visita guiada por Bruno Vieira, gerente da dita fábrica.

Desfazem-se na boca



Os torrões constituem uma das iguarias da quadra pascal. A ponto de praticamente só existirem nesta altura. A Fábrica Santo António, por exemplo, só os fabrica nas semanas que antecedem a Páscoa. Torrões que não são mais que cubos doces que podem apresentar diversos sabores.

Nesta Fábrica que fica no centro do Funchal e labuta desde 1893, há os sabores de maracujá, pitanga, laranja, chocolate, caramelo, morango, coco e amora. "O que se vende mais é o de maracujá", explica o gerente Bruno Vieira que considera a apresentação - onde é bem visível as sementes do fruto - "talvez o motivo para essa maior venda". De resto, tudo é igual.

"É feita uma calda, com leite, manteiga, açúcar e polpa do fruto que vai ao lume cozendo durante meia hora. Depois fica em cima de uma mesa de mármores para arrefecer e solidificar durante 2 horas, após o que se parte em cubos", explica Marcelino Serrão, um dos funcionários mais antigos da casa e que chama a si a responsabilidade da produção de torrões. Estes só se vendem na Páscoa e no balcão da própria casa.

"Como leva leite, o tempo de validade não é grande e, depois, a manteiga poderia originar problemas", explica Jorge Bettencourt Sardinha, proprietário e descendente do fundador da 'Fábrica Santo António'.

DN Madeira

Santos da casa







São nove santos, salvos no início do século XX dos escombros do Convento de São Bernardino, que todos os anos deixam as casas das famílias que lhe dão guarida para participar na Procissão das Cinzas, em Santa Cecília

A Procissão das Cinzas, que se realiza na quarta-feira seguinte ao Carnaval e que marca o início do período da Quaresma, é seguramente o momento religioso mais importante para grande parte dos paroquianos de Santa Cecília, em Câmara de Lobos. É nesse dia que as nove imagens dos santos, resgatadas no início do século XX das ruínas do Convento de São Bernardino, deixam as casas das famílias que lhes deram abrigo e voltam a sair à rua para cumprir uma tradição secular que é caso único na Madeira.

A memória colectiva local diz que as imagens foram recolhidas pelas famílias entre 1916 e 1917, na sequência do abandono do convento por parte dos franciscanos e da degradação gradual que o edifício foi, posteriormente, apresentando. Um incêndio que, entretanto, terá deflagrado no vetusto convento precipitou a decisão dos paroquianos em retirarem as imagens dos santos e guardá-las nas suas casas. O padre Francisco Caldeira, pároco de Santa Cecília, lembra que esta procissão "iminentemente penitencial, de apelo à conversão, à renovação e à transformação de vida" e que vai de encontro à própria espiritualidade franciscana, já se realizava durante o século XIX no Funchal, então com saída do Convento de São Francisco (na zona onde hoje existe a Madeira Wine e o Jardim Municipal) e percorrendo várias ruas da cidade.

Foi no final do século XIX, já depois de ter passado pela Igreja do Colégio, que os santos foram transferidos para o Convento de São Bernardino, o derradeiro edifício dos franciscanos que ainda se mantinha de pé na Madeira. Terá sido por esse altura que a Procissão das Cinzas se transferiu também para Câmara de Lobos, saindo do referido convento e, durante os primeiros anos, cumprindo um percurso que a levava até ao centro da vila câmara-lobense. De resto, no próprio DIÁRIO de Notícias de 27 de Fevereiro de 1900 é noticiada a realização desta procissão.

De acordo com o padre Francisco Caldeira, depois de uns longos anos de interregno motivado pelo período efervescente que se seguiu à implantação da República, a procissão voltou a sair à rua por alturas de 1925, já com os santos à guarda dos paroquianos.

O pároco reconhece que, mesmo nos dias de hoje, esta é uma tradição que as pessoas de Santa Cecília e também de outros sítios do concelho, "vivem com grande intensidade". De tal forma que, recorda, uma sua proposta de alterar a data de realização da procissão para o domingo seguinte à Quarta-feira de Cinzas, por forma a permitir a vinda de mais forasteiros, foi liminarmente rejeitada pelos fiéis. "As pessoas fazem questão de manter a tradição naquele dia, também por uma questão de memória pelos antepassados e por isso organizam a sua vida para poderem estar presentes na procissão", expressa, acrescentando que este marco religioso, em tempo de preparação para a Páscoa, é também encarado com um espaço privilegiado para "reflexão, meditação e formação".

O padre Francisco Caldeira realça "o grande apreço e carinho que as famílias têm pelos seus santos", preservando-os com "uma grande dedicação e cuidado", como se se tratasse de "uma relíquia dos seus antepassados". Há, de resto, o caso de um santo que mudou de uma família para outra, já que a geração terminava ali e os últimos descendentes do patriarca que havia recolhido a imagem faziam questão de assegurar a transmissão da herança ainda em vida.

Preservar de uma herança Na casa dos descendentes de José Figueira da Silva, conhecido pelo Glória, no sítio da Saraiva, há "um grande orgulho" em possuir as imagens de São Francisco de Assis e de Jesus Cristo, que têm a particularidade de saíram abraçados na procissão. "É já uma herança de família, dá-nos uma grande alegria ter os santos em casa", refere Filomena Silva, dando conta "da grande fé e devoção" que a família mantém pelos seus santos. O filho fez mesmo questão de construir um armário embutido na parede de um dos quartos, onde estão cuidadosamente guardadas as duas imagens.

Depois, há todo ambiente de festa que antecede a preparação da procissão, nomeadamente com a compra das flores que vão embelezar o andor e todo o trabalho de preparação, que envolve várias gerações, dos avós aos mais pequenos. Nesta família, tal como na grande maioria das outras, procura-se que sejam os membros da família a transportarem o andor com os santos. No entanto, até por uma questão das estaturas das pessoas, muitas vezes é necessário recorrer a amigos e vizinhos.

Santa atravessa gerações Há 15 anos que a imagem de Santa Isabel de Portugal está na casa de Élvio e Fátima Quintal. Que fazem questão de mantê-la permanentemente na sala de estar. "Antes era guardada numa caixa, mas achámos que assim tinha outra dignidade", explica Fátima. A santa está na família Quintal desde que foi resgatada do convento por António Figueira Quintal, já lá vão algumas gerações: esteve à guarda das tias avós de Élvio, depois do seu pai e agora está em sua casa.

Ao longo destes anos, o restauro resumiu-se à substituição do fato, há dois anos, e à limpeza de algumas pequenas peças. Porque a imagem não tem necessitado de grandes trabalhos de restauro. De resto, umas das particularidade da Santa Isabel de Portugal, tal como de alguns outros santos, é que assentam em armações de madeira - um método muito utilizado antigamente na concepção de imagens religiosas.

A quarta-feira de cinzas já está padronizada como sendo um dia de reunião familiar. "Apesar de muitos trabalharem nesse dia, os que podem vêm sempre cá a casa ou vão à igreja", explica Fátima Quintal, acrescentando que no final da procissão, quando é tempo de desmontar o andor, os familiares fazem questão de levar algumas das rosas para casa. Uma forma de partilha de fé e ao mesmo tempo de homenagem aos antepassados que estiveram na base desta tradição.

São Benedito que foi Santo António As irmãs Fátima e Isabel Dinis, herdeiras da família Pita, nem querem ouvir falar da hipótese de, futuramente, os santos poderem retornar ao convento. Há cerca de 60 anos que São Benedito - o santo negro de ascendência etíope, mas nascido na Sicília - está na família, embora anteriormente tenha passado por uma outra habitação na zona da Boa Hora, à guarda de uma senhora. "Os santos já fazem parte das famílias", assinala Isabel Dinis. A irmã vai mais longe e sentencia: "Os mais novos já sabem que quando nós morrermos o santa é para ficar na família!" Curiosamente, no início São Benedito era conhecido entre os câmara-lobenses como Santo António de Noto. De resto, Fátima Dinis ainda não está totalmente convencida da mudança da designação do santo, feita com base em investigações históricas. "A minha irmã que está na Venezuela diz que o São Benedito tem um Menino Jesus nas mãos", refere.

Independentemente disso, o que fica mesmo registado é "a grande fé e a devoção que temos ao santo", regista Isabel Dinis. E é a ele que recorrem nos momentos de aflição.

Projecto de recuperação do convento









O Convento de São Bernardino apresenta-se, actualmente, bastante degradado, mas existe já um projecto, da autoria do arquitecto Victor Mestre, com vista à sua restauração. Só que, por enquanto, tem tardado a avançar.

O próprio padre Francisco Caldeira tem dado alguns passos no sentido de que se proceda à recuperação daquele importante património histórico, tendo inclusivamente já mantido uma reunião com o conhecido padre Victor Melícias, prior geral dos Franciscanos.



"O padre Victor Melícias tem assumido a peito o projecto de recuperação deste convento", adianta o pároco de Santa Cecília, lembrando que este é um dos poucos vestígios que ainda se mantêm de pé da passagem da Ordem dos Franciscanos pela Região. "O que resta dos franciscanos na Madeira é o Convento de Santa Clara e isto aqui", reforça, acrescentando que, entretanto, se perderam os edifícios da congregação que existiam em Santa Cruz, na Calheta e no Funchal.

Os santos

São Francisco de Assis (italiano, século XII) -
O santo amigo dos pobres e da natureza, chamava todos os seres vivos por irmãos. Grande amigo de Jesus pobre e humilde. Construiu pela primeira vez um presépio. Padroeiro dos ecologistas e das sociedades protectoras dos animais. Há duas imagens deste santo. Dia: 4 de Outubro.

Santa Margarida de Cortona (italiana, século XIII) - Depois de uma vida dissoluta e sem ideais, nem compromissos, tornou-se uma grande amiga de Jesus e dos irmãos, com uma vida austera, disciplinada e comprometida com a causa do Evangelho. Dia: 17 de Maio.

São Roque (francês, século XIV) - O grande apóstolo e amigo dos leprosos. Tornou-se enfermeiro e depois médico para gratuitamente curar doentes. Grande profeta da solidariedade para com os desprezados, amigos dos leprosos e de todos os doentes. Defensor das pessoas com peste e contaminações. Dia: 16 de Agosto.

Santa Rosa Viterbo (italiana, século XIII) - Pertenceu à ordem terceira franciscana e depois fez-se religiosa. Uma grande missionária e evnagelizadora das crianças e adolescentes. Dia: 4 de Setembro.

São Benedito (de ascendência etíope, século XVI) - Seus pais eram de ascendência etíope, mas nasceu na Sicília. Foi um homem de grande bondade, espírito de serviço e de entreajuda, simples e afável. Muito venerado na comunidade negra no Brasil. Dia: 5 de Outubro.

Santo Ivo (francês, século XII) - Homem da justiça e do direito. Defensor das causas judiciais dos mais necessitados. Padroeiro dos juristas. Dia: 19 de Maio.

Santa Isabel de Portugal (portuguesa, século XIII) - Esposa de D. Dinis. Uma mulher com um grande coração para com os mais pobres, os doentes e os miseráveis. Apóstola da caridade e da partilha. Dia: 4 de Julho.

São Salvador - O Santo Salvador é Jesus Cristo, o Salvador. Dia: todos.

Nota: dados fornecidos pela paróquia de Santa Cecília.


DN Madeira

Feira da Cana de Açúcar divulga produtos regionais

Quinta edição da feira realiza-se no próximo fim-de-semana nos Canhas
Data: 04-04-2010




Os produtos agro-alimentares regionais vão estar em destaque no próximo fim-de-semana (10 e 11 de Abril), no decorrer da V Feira Regional de Cana de Açúcar, agendada para a freguesia dos Canhas, na Ponta do Sol.

A iniciativa pertence ao Gabinete de Promoção do Comércio Agro-alimentar da Direcção Regional de Agricultura e Desenvolvimento Rural e surge na continuidade de outras actividades semelhantes realizadas na Madeira.

Para tal, a organização vai contar com a colaboração de alguns profissionais do sector da hotelaria, nomeadamente a subchefe do Cliff Bay Hotel, Maria João Costa, o chefe da Escola de Hotelaria e Turismo, Miguel Rodrigues, e ainda a 'barmaid' do Hotel Quinta do Lago, Sónia Rodrigues, que na oportunidade irão partilhar as suas experiências ao nível da culinária. Presente estará também a nutricionista do SESARAM, Sónia Freitas, que irá falar do consumo de produtos agro-alimentares e da sua relação com a alimentação saudável.

Os chefes convidados, bem com alguns alunos da Escola de Hotelaria e Turismo, irão confeccionar diversas especialidades gastronómicas, a saber: Carne vinho e alhos com gengibre e mel de cana da Madeira, salada de maçãs e goiaba com molho de pesto e mel de cana, saladas de nêsperas confitadas com mel de cana e enchidos de carne, mousse de mel de cana com aroma de queijo fresco e nêspera e ainda cocktail 'sobrinhas da Madeira'.


DN Madeira

sábado, 3 de abril de 2010

Jogos tradicionais na Camacha e Canhas




O largo da Achada, na Camacha acolhe, hoje, a partir das 16 horas, mais uma edição dos Jogos Tradicionais da Quaresma. No próximo domingo, a iniciativa vai abrilhantar a freguesia dos Canhas, a partir das 15 horas, através do Centro de Cultura e Recreio Pontassolense.



O Grupo Folclórico da Casa do Povo da Camacha promove, hoje, a 17.ª edição dos Jogos Tradicionais da Quaresma, a terá lugar no largo da Achada, entre as 16 horas e as 17.30 horas.
Esta iniciativa tem como principal objectivo divulgar estes jogos e proporcionar um espaço de troca de saberes entre os mais velhos que participam ensinando os mais novos que nunca tiveram contacto com os mesmos.
Os jogos mais populares são o pião, as pedrinhas, o burro, a corda, o batoque, as andilhas e a “baginha,” os quais suscitam, um grande interesse junto dos participantes. Estes eram os jogos que se jogavam nesta época, alguns por crianças outros por adultos. De salientar que os jogos de roda cantados não são apresentados, por ser uma época de recolhimento.
A todos os participantes serão distribuídas amêndoas como prenda pela sua participação e um pequeno apontamento sobre o Belamente, jogo típico desta quadra, que dadas as suas características não é possível ser jogado. A iniciativa conta com apoio da Casa do Povo.
No próximo domingo, os jogos tradicionais vão abrilhantar a freguesia dos Canhas. A iniciativa vai decorrer junto ao Centro Comercial Santa Teresa, a partir das 15 horas, sob a responsabilidade da Associação dos Canhas – Centro de Cultura e Recreio Pontassolense. Conta com o apoio do comércio local.
Serão dinamizados diversos jogos desde o pião, saltar à corda, macaca, cartas, dominó, ginca,a entre outros. Haverá animação musical com Jorge Canha


Jornal da Madeira

sábado, 20 de fevereiro de 2010

sexta-feira, 19 de fevereiro de 2010

'Terra' será o tema da Festa da Flor

Cortejo que faz parte do cartaz turístico da madeira realiza-se a 18 de Abril
Data: 19-02-2010



O tema geral proposto pela Secretaria Regional de Turismo e Transportes para o cortejo da 'Festa da Flor' em Abril próximo será 'Terra'. O DIÁRIO sabe que alguns dos habituais grupos participantes iniciaram já os preparativos para o desfile sobre o tema escolhido.

O cortejo da Flor será novamente um dos momentos altos de uma das iniciativas da SRTT que há já alguns anos constituem um dos mais importantes eventos do cartaz turístico regional.

De acordo com o site da SRTT, este ano, a Festa da Flor vai decorrer entre os dias 15 e 18 de Abril. O evento culmina com o cortejo dos vários grupos pelas ruas da cidade do Funchal, mas estão previstas, como habitualmente, outras iniciativas como a construção de tapetes florais em alguns locais emblemáticos da cidade, a 'Exposição da Flor' no Largo da Restauração, actuações de grupos folclóricos, concertos de música clássica e diversos espectáculos de variedades.

Na manhã do dia 17 de Abril terá lugar a cerimónia do 'Muro da Esperança' com milhares de crianças a se reunir na Praça do Município, para depositar uma flor, num 'muro' especialmente criado para o efeito.

Já o cortejo, onde as flores serão as rainhas e senhoras, acompanhadas de músicas, coreografias e carros alegóricos, vai decorrer na tarde de domingo, dia 18 de Abril. O programa oficial da Festa da Flor 2010 será apresentado atempadamente pela SRTT.

DN Madeira

quinta-feira, 18 de fevereiro de 2010

«Quanto mais Jardins melhor»

Alberto João não se sente ofendido com caricaturas suas no Trapalhão






Alberto João Jardim não se sente ofendido com as caricaturas que os madeirenses fazem a seu respeito, no Trapalhão. «Não há problema nenhum. A caricatura, feita com inteligência e com espírito, é um factor positivo numa sociedade. O insulto é que já não é». Reconhecendo que, ao longo dos anos, tem sido muito caricaturado pelos foliões, o presidente do GR disse ter achado «um piadão» na maior parte das vezes. «Nunca me senti ofendido com nada que houvesse neste Carnaval». Por isso, o Carnaval madeirense é «é uma verdadeira cultura democrática feita por um povo civilizado. Era bom que outros aprendessem connosco». E, sobre haver tantos “Alberto João” no Trapalhão, Jardim disse que «é Carnaval e vale a pena. Eu, que gosto de andar no Carnaval, então não ia gostar de ver os outros a fazerem Carnaval comigo? E, quanto mais Alberto João Jardins, melhor». Já sobre quem gostava de caricaturar, se participasse no Trapalhão, o governante prefere manter em segredo, porque, «quando eu participar, podem descobrir quem eu serei».




Jornal da Madeira

quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010

Carnaval exigiu “um rasgo de loucura“

Segundo João Carlos Abreu, «o Carnaval foi a grande base para partirmos para outra animação na Madeira», como a Festa da Flor ou a Festa do Vinho






JORNAL da MADEIRA — É considerado um dos grandes impulsionadores do Carnaval, tal como o conhecemos hoje. Recorda-se de como foram esse primeiros passos do Carnaval?
João Carlos Abreu — Sim. Na altura, o que eu fiz foi trazer o Carnaval dos hotéis para a rua. Os carnavais que havia, antigamente, não tinham — digamos — este rasgo de loucura que era preciso ter para trazer o Carnaval dos hotéis para a rua.

JM — Como é que isso aconteceu?
JCA — Eu, nessa época, era o relações públicas do Hotel Sheraton e, quando fui chamado, naquela altura, para vir para o Governo, para o cargo de director de Animação e Turismo, eu disse que o Carnaval vinha para a rua no ano seguinte. E foi o que aconteceu. Na altura, disse isto à dona Ariete Sousa, que disse que isso não ia ser possível. Mas, eu empenhei-me em fazer isso. E não desisti.

JM — Isso quer dizer que havia algumas resistências?
JCA — Sim. Na altura, dizia-se que os madeirenses eram muito fechados. E a intenção de trazer o Carnaval para a rua era, precisamente, para tornar os madeirenses menos ilhas. E assim foi. Havia já alguns grupos com estruturas criadas. Era o grupo do Artur e a Dina, o grupo da dona Ângela Figueira, depois veio a dona Flávia, Alice Rodrigues. Enfim, essas pessoas foram, de facto, os grande pilares deste Carnaval, porque compreenderam qual era a ideia. Não era fazer um Carnaval qualquer. Era um Carnaval mais extrovertido, para contrariar aquela tendência do madeirense voltado para dentro. No fundo, entre os objectivos que estavam subjacentes ao Carnaval estava a ideia de quebrar a barreira das idades. Quebrar a barreira dos elitismos: ali, toda a gente entrava, desde o sapateiro ao advogado, passando pelo médico, pelo engenheiro, ou o governante. Toda a gente estava dentro de um projecto e o projecto era, no fundo, um fenómeno de ordem social.

JM — O que quer dizer com isso?
JCA — Com o Carnaval, acabou-se com o afastamento uns dos outros, a separação das classes sociais. Da mesma maneira que se afastou a barreira das idades, porque entravam os avós, entravam os filhos. Entrava toda a gente. Era toda a gente empenhada à volta do Carnaval. E este projecto iria tornar possível, depois, que se pudesse partir para novos eventos, como a Festa da Flora, ou a Festa do Vinho, a todas as outras iniciativas que, hoje, integram o calendário da animação na Região.

Muitas resistências para enfrentar

JM — Por falar nisso, houve, durante um certo tempo, alguma polémica em torno do Carnaval ser, ou não ser, um cartaz turístico. Não foi assim?
JCA — Nós não fizemos o Carnaval como um cartaz turístico. Havia muita gente que criticava o Carnaval e dizia que o Carnaval não era da Madeira. Mas, o Carnaval não é de sítio nenhum. Ainda ninguém me explicou de onde vem o Carnaval. A verdade é que o Carnaval tinha como função, justamente, despoletar outras acções que pudessem ser feitas em grupo, nos mesmos moldes. Na Madeira, não havia o hábito de fazer isso, eram as pessoas individuais. E, como nenhum homem pode ser uma ilha, e dentro de uma ilha muito menos. Era preciso criar esta perspectiva de colectividade, de envolvimento. Foi, de facto, um ponto de partida para outras iniciativas. E assim aconteceu. E assim foi o grande passo que demos. E, hoje, o Carnaval está bem estruturado nesse sentido.

JM — Está a referir-se, sobretudo, ao cortejo de sábado à noite. E o “Carnaval Trapalhão”?
JCA — O “Carnaval Trapalhão” surgiu um pouco mais tarde. Um ou dois anos depois. Na altura, com a colaboração da Dr.ª Manuela Aranha, demos mais esse passo.

JM —
Hoje, o Carnaval é assinalado um pouco por toda a Região...
JCA — Essa é outra perspectiva. Nós quando trouxemos este Carnaval para a rua, sabíamos que ele iria dar lugar ao Carnaval em todas as freguesias da Madeira. Porque é, de facto, uma festa abrangente. E depois, tudo aquilo que se faz com empenho, com entusiasmo, contagia toda a gente. E o objectivo era que “rebentassem”, também, outros carnavais na Região.

JM — Mas este não foi o primeiro Carnaval a vir para a rua...
JCA — Não. Já tinha havido o Carnaval da Rua da Carreira, com a farinha, com os tomates, o milho em grão e os ovos. Havia o Carnaval dos Jovens Cristãos. Mas não tinha nada a ver com este, com os objectivos deste. Objectivos que estavam definidos, embora não publicitados, e que conseguimos alcançar, tal como tínhamos previsto. E, hoje, o Carnaval tornou-se, de facto, num cartaz. Mas não foi criado como tal. Não nos podemos esquecer também que não podemos separar o Turismo, ou os turistas da população. Tudo aquilo que fazemos para a população o turista pode também participar, pode entrar. E assim aconteceu. Realmente, acho que o Carnaval foi a grande base para partirmos para outra animação na Madeira.

Foram os madeirenses os obreiros desta festa

JM — Mas havia algumas tradições do Carnaval. Estou a lembrar-me, por exemplo, dos “assaltos” a casas de amigos e familiares...
JCA — Sim, havia essa tradição muito interessante dos “assaltos”. Havia uma pessoa do grupo que combinava com o dono da casa que iríamos fazer um “assalto”. Às vezes, nem combinávamos e íamos de surpresa. O que também tinha a sua piada. Estávamos disfarçados até ao final da noite. Havia outros lugares públicos onde se faziam festas de Carnaval, como nos Bombeiros Voluntários Madeirenses, que estavam ali na Avenida do Mar, no Solar da Dona Mécia, nos Estudantes Pobres, Ateneu, enfim..., havia uma série de lugares onde havia Carnaval. Mas isso não tem nada a ver com o Carnaval que trouxemos para a rua em 1980. Esse Carnaval foi feito pelos madeirense. E os madeirenses foram inventando, foram criando e ninguém vem para aqui dizer que era assim, ou era assado. Não havia instrutores, porque não era necessário. Foram os madeirenses que idealizaram este Carnaval. Foram os madeirenses os construtores e ideólogos do seu próprio Carnaval. Mas, para esse Carnaval vir para a rua, tinha de haver loucura, caso contrário nunca teria vindo para a rua.

JM — Mas, na altura, não houve resistências, digamos assim, a esta mudança? Porque, no fundo, isto era algo de novo na Madeira?
JCA — É claro que houve algumas resistências. Apareciam as cartas anónimas. Vinham para a praça pública dizer que o Carnaval não era da Madeira e que era uma coisa para servir fins políticos. Isto era uma coisa que me dava vontade de rir, porque, no fundo, os objectivos estavam definidos e nós sabíamos que íamos conseguir alcançá-los e, por isso, não íamos parar nunca. E ainda bem que continuamos. Independentemente de ser uma festa, um divertimento, é também uma forma de dar azo ao próprio madeirense de imaginar, de criar, quer na parada de sábado, quer no “Carnaval Trapalhão”. É um espaço para a imaginação do madeirense. Ele necessita de exercitar a sua imaginação. E acho que isso foi conseguido.

JM — Houve essa estratégia do Governo, mas há também, aqui, o mérito dos muitos milhares de foliões que, ao longo destes 30 anos, têm vindo à rua...
JCA — Sem dúvida nenhuma. O Carnaval só existe porque estes grupos existem, porque há todas estas pessoas empenhadas. Porque toda esta gente tem orgulho naquilo que faz. E porque sabem também que o Carnaval é uma coisa importante para a Região. Há um conjunto de coisas aqui, que se conjugam e que fazem com que estes grupos continuem e estejam sempre com este entusiasmo e empenho. Depois, há também aquela competitividade, que eu considero salutar, entre os vários grupos. O que acaba por funcionar como mais um estímulo para o empenho.

JM — O que regista destes 30 anos de Carnaval, tal como ele é hoje?
JCA — Nestes 30 anos, primeiro que tudo, agradeço o facto de estar vivo para poder assistir a tudo isto. Por ter sido um dos obreiros deste Carnaval e poder, hoje, ver tudo isto. Por outro lado, estes 30 anos servem também para demonstrar a capacidade do madeirense e a preocupação de melhorar de ano para ano, até atingir o nível que nós temos hoje.

João Carlos Abreu diz que para trazer o Carnaval dos hotéis para a rua foi necessária «uma boa dose de loucura. Era algo totalmente diferente para a época».
Para o antigo secretário regional do Turismo e Cultura, outro dos aspectos de extrema importância para a dinamização deste Carnaval «foi o facto de alguns governantes terem aderido, terem participado. Eles tinham de dar o exemplo, não podiam ficar na varanda, como espectadores. E, para o nosso Carnaval, isso foi bastante importante. Porque, no fundo, serviu de exemplo, incentivou as pessoas a virem também para a rua».
Tal como afirmou, «não nos podemos esquecer que há 30 anos, a visão que as pessoas tinham era diferente. Embora ainda persista alguma mentalidade retrógrada, a verdade é que evoluímos muito. Há 30 anos, por exemplo, trazer as pessoas a mexer o corpo e divertir-se, não era fácil».



Jornal da Madeira

domingo, 14 de fevereiro de 2010

Alberto João Jardim integrou o Cortejo Alegórico, trajando-se de Vasco da Gama


«Vou à procura de Portugal»




O presidente do Governo Regional, Alberto João Jardim, integrou o Cortejo Alegórico de Carnaval, ornamentado com uma indumentária representativa do navegador português Vasco da Gama.
Abordado pela comunicação social relativamente à escolha do traje que estava a usar, Alberto João Jardim disse: «Porque vou à descoberta de Portugal. O país está perdido e eu estou à procura de Portugal. Não vejo, por enquanto, o Cabo da Boa Esperança, mais há-de dobrar-se o Bojador», acrescentou o líder madeirense, numa noite chuvosa, mas aquecida pelos ritmos de Carnaval.
Há três anos que o chefe do Executivo madeirense não participava nos corsos carnavalescos. Ontem à noite, Alberto João Jardim juntou-se, novamente, à Turma do Funil.
O grupo de João Atanásio convidou também para o seu corso a “socialité” portuguesa, Bibá Pita.
"O Oceano em Folia” foi o tema que a Turma do Funil - composta por cerca de 150 figulares - levou às principais artérias da capital madeirense. As cores das indumentárias incidiram no laranja, verde e roxo, preto, prateado, fúxia, turquesa e branco. Plumas, pedras, pastilhas e fios de lentejolas embelezaram os trajes.
O feitiço das sereias e o encanto da ilha perdida “Atlântida” foram retratados no desfile de João Atanásio.
De referir ainda que a Turma do Funil homenageou o povo de Câmara de Lobos, com figurinos alusivos ao Peixe-Espada-Preto e os barcos “O Xavelha”».
“Balanço do Mar”, da baiana Daniela Mercury, foi uma das canções escolhidas pelo colectivo de João Atanásio.


Jornal da Madeira

Folia prevista para hoje, caso o tempo seja favorável








O programa das Festas de Carnaval da Madeira continua a animar a cidade do Funchal, estando previsto para hoje a realização da iniciativa "Carnaval nas Avenidas", implementada este ano pela Secretaria Regional do Turismo e Transportes. Surge como uma forma de prolongar a animação carnavalesca na baixa citadina.
O “Carnaval nas Avenidas”, que decorre das 21h00 às 23h00, é um projecto que envolve três trupes: A Associação Fura Samba, a A Escola de Samba Caneca Furada e a também escola de samba Os Cariocas (grupos estes que integram o Cortejo Alegórico que, ontem à noite, saiu às ruas da capital madeirense).
A Associação Fura Samba vai estar à entrada do cais da cidade, a Escola de samba Caneca Furada estará na placa central da Avenida Arriaga, em frente ao edifício da Secretaria Regional do Turismo e Transportes e do Teatro Municpal, e a Escola de samba “Os cariocas” actuará em frente à igreja da Sé.
O cartaz de Carnaval encerrará na terça-feira, dia em que se realiza o também aguardado "Cortejo Trapalhão", com início marcado para as 16h00. Este evento - onde a sátira ocupa um lugar de destaque - é aberto a todos os interessados. Criatividade, bom humor e boa-disposição costumam ser os principais ingredientes deste evento de cariz popular.
Refira-se que estes eventos, tanto o previsto para hoje como o “Cortejo Trapalhão”, na terça-feira, poderão vir a ser cancelados caso as condições climatérias não permitem a sua realização.
De lembrar que o Espaço Infoart, no edifício da Secretaria Regional do Turismo e Transportes, na Avenida Arriaga, acolhe, até ao térmico desta quadra festiva, uma exposição comemorativa dos 30 anos da Escola de Samba - “A Caneca Furada”.



Jornal da Madeira

Fogo-de-artifício abriu “Oceanos” de folia







Mesmo com chuva, foram muitos os madeirenses e turistas que assistiram, ontem à noite, ao “Grande Cortejo Alegórico de Carnaval”, o ponto alto do programa das "Festas de Carnaval", promovido pela Secretaria Regional do Turismo e Transportes, que este ano teve como tema geral: "Mares e Oceanos".
Dez minutos antes do cortejo sair à rua, o público presenciou um espectáculo de fogo-de-artifício, lançado no Parque de Santa Catarina.
O cortejo, que arrancou por volta das 21h00, com partida na Praça da Autonomia, contou com a participação de mais de um milhar de foliões, distribuídos em oito grupos. A abertura do corso ficou a cargo do projecto de João Egídio Andrade Rodrigues, intitulado “Os Encantos do Mar”, no qual sereias, recifes, corais, anémonas, plantas, entre outros seres subaquáticos, embelezaram o seu carro alegórico.
Seguiu-se a Associação Fura Samba com o tema "Mar Português", com música dedicada ao poeta Fernando Pessoa e à fadista Amália Rodrigues, associando o fado ao samba. Cerca de 5.000 plumas de avestruz, 15.000 rabos de galo e 250 plumas de faisão foram usadas para retratar o tempo dos Descobrimentos.
“Os Cariocas” apresentaram o projecto “Divindades do Mar”, um desfile embelezado com figuras simbólicas dos oceanos. Por sua vez, a Fábrica de Sonhos desvendou os “Segredos do Mar”, levando ao corso sereias e medusas, e elementos dos Hot Dancers.
Os Veteranos da Folia com “A Ilha do Tesouro” revelaram também "riquezas" dos mares.
A Turma do Funil apostou no tema “O Oceano em Folia”, recordando o navegador Vasco da Gama, figura representada pelo presidente do Governo Regional, Alberto João Jardim. A trupe de João Atanásio fez ainda uma homenagem ao povo de Câmara de Lobos, retratando o "Peixe-Espada-Preto" e o barco “O Xavelha”.
A Associação de Animação Geringonça apostou no tema “Fantasias de Ninfa”, levando ao cortejo, entre outras figuras míticas, deuses do mar e ninfas, num cenário azul, verde, prateado, branco, laranja e rosa. Sofia Relva (apresentadora do concurso musical "Funchal a Cantar"). A canção da Geringonça, "Esta Maré de Alegria", com letra assinada por Rui Gonçalves Silva e música de António Barbosa, foi interpretada por Sofia Relvas, acompanhada por um coro, composto por Bruno Airaf, Dorita Serrão, Paulo Freitas, Xavier Barros, Hélder Paulo, Sofia Petito, Carolina Rodrigues e Mariana Azevedo. De sublinhar que a Geringonça integrou, no seu corso,elementos delegação regional da Associação Portuguesa de Deficientes Motores.
O encerramento do Cortejo Alegórico ficou a cargo da Escola de Samba Caneca Furada, com o tema: “O Mar e a Pirataria", um desfile que marcou a estreia da Orquestra Clássica da Madeira no Carnaval madeirense. A colectividade de músicos foi dirigida pelo seu maestro, Rui Massena. Marina Rodrigues abrilhantou o desfile da Caneca Furada.
O Cortejo saiu da Praça da Autonomia, seguindo pela Avenida do Mar e das Comunidades Madeirenses (faixa sul), mudança para faixa norte (frente ao MarinaShopping) e subida pela Rua Dias Leite, Rotunda do Infante, Avenida Arriaga (faixa Norte - até ao Banco de Portugal), Avenida Zarco (faixa norte), rua Câmara Pestana e, terminou na Praça do Município.


Jornal da Madeira

Sonhos e malassadas adoçam Carnaval

Festa na Madeira marcada pelos foliões e pelos doces regados com mel de cana regional







O Carnaval é festejado nos três dias que antecedem a Quaresma, que começa na Quarta-Feira de Cinzas e se prolonga até à Páscoa.
Não há Carnaval sem máscaras assim como não há Carnaval na Madeira sem foliões na rua e, à mesa, umas boas malassadas e sonhos que fazem as delícias de pequenos e graúdos.
Mal acabam as festas do Natal, já começa a cheirar a Carnaval, ou melhor dizendo, a malassadas e sonhos que vão surgindo nas montras das pastelarias, anunciando mais uma época festiva, que há muito faz parte do cartaz turístico madeirense.
Não há um lar madeirense que se preze onde não haja uma boa travessa destas iguarias típicas regionais.
É preciso ter em conta a base da receita, o restante fica ao critério de cada qual, ou seja, optar pela adição ou não de abóbora ou de batata doce, o que dá a estes doces uma outra tonalidade, gosto e leveza.
Os sonhos, por exemplo, depois de confeccionados podem ser regados com calda de açúcar ou mel de cana, um dos produtos emblemáticos da Região.
O JORNAL da MADEIRA aproveita a ocasião para partilhar algumas receitas (ver coluna à direita), que poderão ser experimentadas pelos madeirenses, e não só, que muito apreciam estas iguarias mas que, ainda, não tiveram oportunidade de as confeccionar.
As malassadas são confeccionadas com uma massa levedada, feita apenas de farinha, água e fermento de padeiro, a que se juntam alguns ovos.
Podem também levar um pouco de puré de abóbora. Fritam-se às colheres e comem-se com mel de cana ou com calda de açúcar e uma “casquinha de limão”. Há quem utilize fermento em pó. O aspecto final é o dos sonhos, mas muito mais compactos.
No que diz respeito a outras iguarias, na Madeira não existe uma ementa específica para esta época, como acontece em algumas zonas do país.
Reza a história que noutros tempos, a época carnavalesca começava mesmo no Dia dos Reis, 6 de Janeiro. A partir de então, os domingos eram assinalados por festas já carnavalescas e grandes banquetes, o que levou à designação de Domingos Gordos.
Foi no decorrer destas festividades que nasceram as feijoadas de Carnaval. Diz-se que as melhores são as do Norte, com destaque para as transmontanas, enriquecidas com o fumeiro da região.
Na Beira Litoral, faz-se uma feijoada com orelheira, a que se juntam muitos nabos (4 para 1 orelha) e a respectiva rama, tenrinha. As feijoadas costumam ser acompanhadas por arroz branco.

Gastronomia de Carnaval na Madeira:
Sonhos e malassadas


Sonhos de Abóbora
com Mel de Cana


Ingredientes:
1 Kg farinha
1Kg de abóbora amarela
Casca de limão
Canela em pau q.b
Sal q.b

Modo de preparar:
A abóbora coze em pouca água com um pouco de canela em pau, casca de limão e sal. Arrefecer, escorrer a água e ralar (tirando a canela e o limão). Deitar a abóbora com a farinha, juntar 3 ou 4 ovos inteiros. Levedar de um dia para o outro. Coze no óleo às bolas feitas às colheradas. Depois de estar na travessa, regar com mel de cana.



Malassadas
com Mel de Cana


Ingredientes:
2 chávenas de farinha
1 chávena de leite morno
3 ovos
2 colheres de chá de pó royal
Raspa de 1 limão
Sal q.b.

Modo de preparar:
Juntar a farinha, o fermento com o leite e as gemas. Juntar as claras em castelo. Fazer pequenos bolos achatados e fritar em óleo a ferver. Serve-se com açúcar refinado e canela, ou ainda mel de cana.
Fonte: www.guia-madeira.net/madeira/gastronomia


Jornal da Madeira

Carnaval do Funchal Antigamente