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quinta-feira, 14 de janeiro de 2010

DIA DE SANTO AMARO - «O VARRER DOS ARMÁRIOS» NA ILHA DA MADEIRA







Na ilha da Madeira celebra-se o dia de Santo Amaro (15 de Janeiro) de maneira particularmente festiva e cerimoniosa, colocando-se na mesa iguarias idênticas às do dia de Natal.

Além de ser a data em que se desmancham os presépios ou lapinhas, decorre um pouco por toda a ilha da Madeira, no dia dedicado a Santo Amaro, um peculiar uso também ele alegre e festivo: «o varrer dos armários».



O ritual, recuperado em diversas localidades da ilha, varia, contudo, em relação à data da sua realização. Caso da Camacha, em que «o varrer dos armários», por tradição, tem lugar no dia de Santo Antão (17 de Janeiro), e de Câmara de Lobos, onde é celebrado no dia de São Sebastião (20 de Janeiro).


Consiste a função em se juntarem nestes dias pequenos grupos de homens e mulheres – actualmente mais os jovens ligados a ranchos folclóricos e as crianças das escolas –, a fim de percorrerem as casas dos familiares, vizinhos e amigos (à semelhança dos «janeireiros» ou dos «reiseiros»), para entoar cânticos alusivos, acompanhados por bombos e violas.


Munidos de uma vassourinha e de uma pá, para varrer os ditos, acontecendo que, por vezes, o fazem mesmo «para dar sorte», costumam (ou costumavam) levar uma saca destinada a arrecadar pequenas ofertas, geralmente bolos e doces.


Este costume serve, principalmente, para estreitar laços de boa vizinhança e de convívio, para se trocarem ditos e graças, sendo também motivo para se oferecer aos «vassoureiros» ou «varredores» (que em certas localidades continuam a apresentar-se mascarados), «a mesa posta com bolinhos e bebidas finas».


Na Camacha, a festa de Santo Antão, também designado ali por Santo António de Abade, começa na «igreja antiga», festivamente enfeitada com camélias, açucenas e verdura, como o alegra-campo. Há missa e procissão, seguindo-se no adro da igreja o «ofertório» com produtos da terra e animais. Logo depois, no próprio adro, é a vez dos «tocares e dos cantares tradicionais do varrer dos armários».




Os grupos começam então as suas visitas pelas casas, fazendo parte do preceito os anfitriões mostrarem aos visitantes as lapinhas, que são «desmanchadas nas casas após o santo Antão», enquanto os «vassoureiros», em troca, deixam nas casas «varridas» além das pagelas do santo, a vassoura ou a pá como presente, com a data do ano em curso.




«O varrer dos armários» é considerado como o prolongamento e encerramento das festas de Natal.






Canto tradicional dos «varredores» cantado no dia de Santo Amaro em diversas localidades da ilha da Madeira:




Vamos varrer a lapinha,
Deixai-nos entrar, Senhora,
Trazemos connosco a pá
E também uma vassoura.

Viemos de lá tão longe,
Do pé da terra dos alhos,
Trouxemos a vassourinha
Para varrer os armários.

Santo Amaro é bonito
É bonito não se o deixa
Para provarmos o vinho
Com cebolas de «escabecha».

Trazemos também connosco
Uma saca e uma pá.
Abra-nos a porta, Senhora,
Que queremos varrer já.



Do livro “Festas e Tradições Portuguesas”, Vol.I
Ed. Círculo de Leitores.

Santo Amaro é muito venerado

Presidente da Câmara de Santa Cruz fala do apego dos fiéis em tempo de crise







Uma vez mais a Câmara Municipal de Santa Cruz dinamiza as festividades em honra de Santo Amaro, que é comemorado amanhã, dia 15.
Desde há muitos anos que Santa Cruz tem uma veneração muito especial por este santo que, segundo a lenda, é o santo salvador, que evitou que um jovem se afogasse.
O presidente da Câmara de Santa Cruz sublinha que, “sobretudo nas alturas mais complicadas da vida, há uma vontade mais forte de solicitar a este santo alguma protecção”.
José Alberto Gonçalves reitera que esta veneração é bem visível na procissão, que sai hoje à rua, pelas 20 horas. “É uma procissão cada vez mais participada, com muita gente transportando, não só velas mas também imagens em cera, que revelam alguma graça recebida ou algum pedido ao santo”.
Esta festa é muito vivida em Santa Cruz embora o padroeiro seja o São Salvador, que é celebrado a 1 de Janeiro.
As festas em honra de Santo Amaro ganharam muita projecção porque, de acordo com o edil, “simbolizam o fim das festividades de Natal, com a cerimónia do Varrer dos Armários, que é o prenúncio de que as festas acabaram e que vamos limpar as coisas, comer os restos e saudar o ano novo, no fundo, é descer um pouco mais à realidade”.


Jornal da Madeira

Grupos de música, Feira Etnográfica e Varrer dos Armários marcam o Santo Amaro em Santa Cruz

“Prata da casa” anima a festa






As festas de Santo Amaro decorrem, sobretudo, com recurso à “prata da casa”, explica o presidente da Câmara Municipal, entidade organizadora das festividades.
José Alberto Gonçalves enaltece o facto do concelho ser muito rico ao nível cultural. De tal forma que um dos grupos de destaque no dia da Festa de Santo Amaro, que acontece amanhã, é a actuação do grupo de música tradicional Encontros da Eira, oriundo da Camacha.
Até o próximo domingo, os santacruzenses, e não só, vão poder apreciar as três bandas filarmónicas do concelho, grupos de folclore e grupos de música tradicional.
Para fazer face ao mau tempo que se tem feito sentir foi montada uma grande tenda junto ao Mercado Municipal. Ao redor encontram-se dispostas 40 barracas com as iguarias gastronómicas que são habituais neste tipo de certame.
Ao nível desportivo, de destacar neste sábado, o Jogo de Veteranos que será disputado entre o Sporting Clube Santacruzense e o Clube Santacruzense de Londres, no Complexo Municipal das Eiras.
O presidente da autarquia santacruzense considera que ainda existe muito carinho por esta festa, por parte dos filhos desta terra. “Há emigrantes que vêm da América e de Londres para viver esta homenagem ao seu Santo Amaro”, apontou.
Do programa da festa, destaque ainda para uma corrida de atletismo desde o Caniço até a cidade de Santa Cruz (dia 17) e a final do Concurso “Vozes do Concelho”, a par do sorteio dos três prémios da campanha lançada pela Câmara “O que é nosso é bom”, cujo objectivo foi motivar os residentes, e não só, a consumirem no concelho. Cada 10 euros em compras dá direito a um cupão que habilita ao sorteio.
As crianças das escolas do concelho deslocam-se hoje ao centro da cidade, nomeadamente, à tenda junto ao mercado, onde irão mostrar as vassouras e canções que prepararam para varrer os armários.
No entender do edil, esta actividade “demonstra a vontade de manter uma tradição que continua forte e viva” tendo reiterado que “é bom que as crianças assumam o que é esta cerimónia de varrer os armários”.

Feira Etnográfica frente à igreja

A Feira Etnográfica está a funcionar, desde ontem e até ao próximo domingo no jardim frente à igreja. A feira denominada “O nosso concelho” mostra desde a gastronomia aos licores da festa, a par de algumas actividades tradicionais ao nível do artesanato.
Este percurso pelas tradições do concelho é uma forma de manter viva as festas em honra de Santo Amaro, pelo qual as pessoas sentem grande devoção.
“Todos sentimos que Santo Amaro é um santo que cai bem nas pessoas e que tem, sobretudo, uma palavra e um consolo, porque foi um santo que deu apoio, porque nós, em certas alturas da vida, precisamos de apoio seja de quem for, seja de que entidade for porque nos sentimos pequenos e fracos para enfrentar as dificuldades que a vida nos traz”, sustenta.

Grupo das Romarias varre os armários


A festa em honra de Santo Amaro termina no próximo domingo com o tradicional Varrer dos Armários. A iniciativa tem início pelas 20.30 horas e será orientada pelo Grupo de Romarias Antigas do Rochão (Camacha).
Humberto Jesus, responsável pelo agrupamento explica o significado do varrer dos armários: “É praticamente varrer os restos da festa, desde os licores às broas”.
O varrer dos armários procura demonstrar simbolicamente o que, em tempos, as pessoas faziam, que era visitarem-se umas às outras comendo e bebendo o que tinha sobrado da festa.
Neste dia, o grupo vai percorrer todas as barracas que estão montadas frente à igreja de Santa Cruz que disponibilizam um pouco de tudo o que é tradicional nas várias freguesias do concelho desde a sopa de trigo ao bolo do caco, passando pelos bordados e o tear entre variadas peças de artesanato como sejam as colheres de pau.
A Santa Casa da Misericórdia de Santa Cruz, também, marca presença com uma barraca. Cada barraca vai estar preparada com algumas iguarias típicas da época natalícia que, de uma forma simbólica, irão dar a provar à romaria que seguirá de vassourinha na mão, simbolizando o varrer os armários.
Na comitiva, juntam-se as entidades oficiais que costumam acompanhar esta actividade simbólica.
Desde 1985 que este agrupamento participa nestas festas, com o apoio da autarquia. Humberto Jesus sublinha a importância deste apoio para a realização desta festa, nomeadamente, a feira etnográfica. Num determinado ano, não se realizou e as pessoas sentiram a falta, de maneira que desde então nunca mais houve interrupções porque “é o que lembra esta época festiva do fim da festa”, sustenta.
Este camacheiro recorda que há uns bons anos atrás havia um forte hábito das pessoas se visitarem umas às outras.
Muitos dos familiares que, ainda, não haviam feito a visita do Natal até o Dia de Reis, aproveitavam até ao Santo Amaro para o fazerem, no tradicional varrer dos armários.
No entanto, está ciente de que as pessoas tinham mais tempo para se visitarem umas às outras, o que não acontece tanto nos nossos dias, sobretudo, devido aos compromissos a nível profissional. Mas há ainda muitas famílias que se visitam umas às outras.

Festa na Camacha prolonga-se até o Santo Antão

Na Camacha, por exemplo, a festa ainda se prolonga até o último domingo de Janeiro, dia em que os camacheiros celebram a festa em honra de Santo Antão. “Só nesta altura é que a maior parte das pessoas desmancha o presépio”, refere.
Em tempos, faziam-no entoando quadras como esta: “Senhor Santo Antão/é nesta festinha/Que eu varro os armários/desmancho a lapinha”.
Outras quadras far-se-ão ouvir no próximo domingo, em Santa Cruz, por entre alguns doces e licores: “Broas, bolos e aguardente/licores que ainda resta/Venha hoje tudo cá para fora/que está terminando a festa”.
Diz, também, outra quadra: “Queremos ver nessas caras/sorrisos de alegrias/Venham varrer os armários/com o Grupo das Romarias”.
O grupo, também, costuma cantar uma outra canção, junto do presépio, que era entoada enquanto se recolhia as figuras típicas como sejam os pastores. A cantiga começa assim: “Senho Santo Antão/é nesta festinha/Que eu varro os armários/desmancho a lapinha”.



Jornal da Madeira

segunda-feira, 4 de janeiro de 2010

Multidão acompanha Imagem Peregrina

Procissão nas ruas do Funchal







Centenas e centenas de pessoas integraram-se, ontem à tarde, na procissão que acompanhou a Imagem Peregrina, desde a igreja do Colégio até à igreja do Carmo. Uma multidão reunida à volta do andor, com velas, flores e cânticos, percorreu várias ruas da nossa cidade, numa grandiosa manifestação pública de fé que foi presidida pelo Bispo do Funchal.
No final da procissão, junto ao Carmo, D. António Carrilho dirigiu-se particularmente aos grupos de jovens que, após a recepção da Imagem Peregrina, fariam a Marcha da Paz até à Catedral. O Bispo do Funchal falou então da Mensagem da Paz deste ano, intitulada “Se queres a Paz, preserva a criação”, entre muitos outros aspectos.
Já no interior da igreja do Carmo, disse sentir “grande alegria ao verificar como tanta gente tem acolhido a Imagem Peregrina”, prova de que “a Mensagem de Fátima é mensagem de vida”.
Por seu lado, a comunidade dos Padres Carmelitas Descalços, pela voz do Pe. Manuel Dias, manifestou a sua gratidão pela presença de Nossa Senhora, “sentimo-nos muito felizes e acarinhados”, afirmou. A mesma alegria foi transmitida na saudação do Carmelo Secular, por Teresa Brazão.
Refira-se, por último, que a Imagem Peregrina fica na igreja do Carmo até ao próximo domingo, dia 10 de Janeiro.



Jornal da Madeira

sexta-feira, 25 de dezembro de 2009

Hoje há “Festa” porque nasceu o Menino








O nascimento de Jesus é motivo de grande festa em quase todos os países, mesmo naqueles em que o catolicismo não se apresenta como a religião maioritária.
Para o povo madeirense a expressão “Dia de Festa” resume toda a alegria que se vive a 25 de Dezembro, nos dias que o antecedem e nos que se seguem, até Janeiro. Desde sempre que na Madeira e Porto Santo se celebrou o Natal com grande intensidade. As muitas tradições associadas a esta época mantêm actuais essas vivências que tornam este tempo muito especial.
Numa época em que o consumismo ganha cada vez mais espaço e em que a figura do Pai Natal se apresenta como símbolo deste tempo, é agradável verificar que surgem iniciativas que têm como objectivo valorizar o essencial desta época. Uma delas tem a denominação de “Estandartes de Natal 2009”, uma plataforma criada por um grupo de famílias que pretende partilhar com os seus amigos e vizinhos a alegria do Natal cristão.
Assim, à semelhança do que já se faz noutras cidades, decidiram decorar as varandas e janelas das suas casas com um estandarte grená com a figura do Menino Jesus no centro.
Na Madeira esta ideia mereceu a aceitação de muitas famílias e em diversas varandas se exibe esse sinal que nos recorda que a Festa que estamos a viver, tem como principal protagonista um Menino que nasceu pobre mas que nos veio trazer uma riqueza de enorme significado que é a Sua graça divina.
Tal como referiu recentemente o Papa Bento XV “ o desejo que todos trazemos no coração é que a festa de Natal nos dê, no meio da actividade frenética dos nossos dias, serena e profunda alegrias para nos fazer tocar com a mão a bondade do nosso Deus e nos infunda nova coragem”.
Festa da Família, este Dia congrega em muitos lares pessoas das mais diversas idades, cada uma com a sua vivência própria, mas todas imbuídas do espírito de alegria que se deseja permaneça por muito tempo. Se assim suceder teremos um mundo muito melhor.


Jornal da Madeira

quinta-feira, 24 de dezembro de 2009

Missa do Galo inicia a “Festa”







Celebrada à meia noite a Missa da vigília de Natal ficou conhecida como Missa do Galo, expressão que é específica dos países latinos e deriva da lenda que aponta ter sido a única vez que um galo cantou durante a celebração daquela cerimónia litúrgica.
Uma outra lenda, de origem espanhola, conta que antes da meia noite de 24 de Dezembro, cada lavrador da província de Toledo, em Espanha, matava um galo, em memória daquele que cantou três vezes quando Pedro negou Jesus, por ocasião da sua morte. A ave era depois levada para a igreja a fim de ser oferecida aos pobres, que viam assim, o seu Natal melhorado. Era costume em algumas aldeias espanholas e portuguesas, levar o galo para a igreja para este cantar durante a missa, significando isto um prenúncio de boas colheitas.
Actualmente a celebração da Missa do Galo na Madeira e Porto Santo tem horários diversificados, motivados pela circunstância de muitos padres terem a seu cargo mais do que uma paróquia. Mas para fazer festa a hora em que se conclui aquela celebração não é o mais importante.
Os convívios que se seguem nos adros e nas casas são marcados pelas canções tradicionais desta época e pelos doces, broas, bolos e licores.
Muitas pessoas do Porto Moniz, Santa e Achadas da Cruz têm o costume de participar nas Missas do Galo que são celebradas nas respectivas igrejas em horas diferentes e depois vão convivendo em cada um destas localidades.
Na Calheta, terminada a Missa do Galo, este ano celebrada à uma hora da madrugada haverá muita animação no adro e também junto ao presépio de grandes dimensões colocado no centro daquela vila.
A Camacha mantém a tradição da denominada entrada dos pastores que é feita após a Missa do Galo e na qual se integra elementos dos Grupos de Folclore. Entretanto hoje às 22h30 a Banda Paroquial da Camacha realizará um concerto de Natal.
Na celebração da Missa que se iniciará à meia noite inclui-se a Anunciação do Menino Jesus, auto feito por várias crianças
Uma actividade única na Madeira é a «Pensação do Menino» que se realiza durante a Missa do Galo na igreja de Boaventura. Esta antiga tradição madeirense consiste na lavagem da Imagem do Menino Jesus seguindo ritos próprios. As romagens de Natal que se efectuam após aquela missa são também um dos momentos mais aguardados pelos paroquianos e por muitas pessoas que ali se deslocam de propósito para escutarem as canções, muitas delas com letras e músicas originais.
Em Santana as romagens da Noite de Natal revelam muita criatividade da parte dos seus intervenientes. Ao longo de muitas semanas os cânticos são ensaiados em casas particulares tendo os seus interpretes o cuidado de não divulgar o conteúdo das músicas e letras para que o efeito surpresa seja maior naquela noite tão especial.
A freguesia de Câmara de Lobos também se empenha na Noite de Natal com a realização das «romagens» em cada uma das suas três paróquias e com a animação nos adros e outras zonas.
Com muita animação a freguesia do Curral das Freiras assinala este tempo. Na Missa do Galo as romagens, com letras originais, são um dos motivos que levam muita gente até àquela localidade.
Assim se mantêm as tradições na nosa terra.



Jornal da Madeira

terça-feira, 22 de dezembro de 2009

Jovem recria tradições em presépio gigante




Filipe Rebolo é um jovem de 24 anos, que mora em Santo António, e que todos os anos vive as tradições de Natal com grande intensidade. É no presépio, que constrói em sua casa, que consegue expressar esta sua paixão por uma época do ano que é a sua preferida. O presépio, com 12 metros quadrados, além de retratar o nascimento do Menino Jesus, ainda recria cenários do quotidiano madeirense, como as bordadeiras, a matança do porco, as romagens, as bandas de música entre outros. Um trabalho feito em conjunto com o seu pai, que tem ficado dentro de portas e que agora o JM vem mostrar ao público.


Começou por ajudar o pai a colocar as figuras no presépio quando ainda era criança, agora, com 24 anos, constrói um nascimento que ocupa uma grande divisão da sua casa. Filipe Rebolo é um jovem enfermeiro de Santo António que demonstra uma grande admiração pelas tradições desta quadra. Participa na matança do porco, assiste a todas as missas do parto na paróquia e gosta, depois do jantar da Noite de Natal, de ir à Missa do Galo.
Mas é no “seu” presépio, que demora quase um mês a fazer em conjunto com o seu pai, Avelino Rebolo, que consegue expressar toda a sua paixão pelo Natal. E a nossa equipa de reportagem pode comprovar isso mesmo ao acompanhar a construção deste presépio gigante. A primeira visita ficou marcada para 30 de Novembro e Filipe Rebolo já tinha parte da armação em madeira feita na arrecadação. Ao entrar naquela divisão da casa podíamos perceber onde iria ficar o estábulo, mas nada mais do que isso. Com muitas ideias na cabeça, o jovem estava a começar o projecto que costuma ir sonhando ao longo de todo o ano. «Quando estou a construir ou até a desmanchar o presépio, já estou a pensar no próximo, tem de ser assim para ser sempre original todos os anos».
A segunda visita ficou marcada para dia 15 de Dezembro e Filipe Rebolo tinha o seu trabalho a meio, já que além da estrutura em madeira, havia papel na parede, retratando as serras da Madeira. Neste dia ficou a promessa de que a 21 de Dezembro estaria tudo pronto “para a fotografia”. Os últimos pormenores foram feitos após a missa do parto de ontem, para que à nossa chegada tudo estivesse pronto. E estava.
Em qualquer presépio as figuras de destaque são o Menino Jesus, a Nossa Senhora e São José. Aqui não o deixam de ser, mas é preciso um olhar mais atento pelos 12 metros quadrados de presépio. É que aqui tudo foi feito ao pormenor. «Este ano, as dimensões foram um pouco maiores do que no ano passado que tinha menos dois a três metros, agora maior só se derrubar paredes!». Desejo para tal não faltava, porque a sua maior inspiração era o presépio da Casa de Saúde de São João de Deus.
Regressando à sua “obra de arte” e num olhar mais atento, podemos observar uma “fazenda” com os palheiros em pedra, construídos pelo jovem, colocados sob os socalcos também em pedra, fazendo lembrar a paisagem madeirense. «Tento sempre reproduzir o que é característico e tradicional na nossa ilha», argumenta. As cenas do nosso quotidiano não foram esquecidas como a bordadeira, os homens que matam o porco para a Festa, as bandas de música e ainda um grupo de romagens com figuras de homens e mulheres que tocam e cantam músicas de Natal. E ali ouve-se, já que Filipe Rebolo coloca também música de fundo para acompanhar a visita ao presépio. Esta obra pode ser apreciada apenas por familiares e amigos, já que o acesso à divisão tem de ser feito pelo interior da casa, facto este que não o permite abrir as portas do presépio ao público. Por isso, aqui ficam as fotos (Consultar a Edição Impressa).


Madeira, papel, pedras, arame foram alguns dos materiais usados na construção do grande presépio. O musgo e a palha adornam aquele cenário que é complementado ainda fontanários e com diversos tipos de plantas “ensaião”, “jarros de ribeira”, “babosas”, pinhas e castanhas. As gambiarras também não podiam faltar para dar um brilho especial.


Filipe Rebolo sempre gostou desta altura do Natal e lembra que, quando era adolescente, a sua mesada era guardada para comprar imagens para o presépio. Apesar das figuras serem compradas, o jovem já construíu palheiros típicos madeirenses, uma ponte romana e o arco que retrata as portas da cidade. No seu presépio, há ainda a réplica da Igreja do Monte, de Santo António e da Capela do Trapiche, todas feitas por si.


«O gosto pelo Natal leva-me a ter este trabalho todo. Esta é a minha altura preferida do ano, gosto desta envolvência, desde as missas do parto, a Missa do Galo e a matança do porco», disse Filipe Rebolo.



Jornal da Madeira

segunda-feira, 21 de dezembro de 2009

Pe. Marcos Gonçalves - O Natal é anúncio para viver com paz e alegria

No Natal nasce Cristo, mas de certa maneira nascemos todos nós para um tempo novo, um tempo para viver os mesmos sentimentos de Cristo”







Jornal da Madeira (JM) - O que se pretende, de facto, com a celebração do Natal?
Marcos Gonçalves (MG)- O Natal é a festa do nascimento de Cristo. Deus Todo-Poderoso e Criador nasce, torna-se carne (encarnação), um bebé. E diante de um bebé ninguém tem medo de se aproximar. Nasce na simplicidade de uma manjedoura porque as hospedarias estavam cheias. É este o grande mistério que estamos a celebrar. Mistério de beleza e de bondade que nos deve deixar deslumbrados diante do Menino-Deus, de Deus que se aproximou de cada um de nós.
Celebramos Deus que vem e isso não é apenas um movimento mas diz quem é Deus, um Deus presente nas nossas vidas, próximo de cada um de nós. Ainda que muitas coisas rodeiem o Natal e são bonitas e ajudem a vive-lo, a verdade é que mesmo sem elas, Cristo nasce.
O Natal não é um adorno ou decoração que no final da quadra se mete num caixote ou apenas se tira do caixote quando ao homem lhe apetece e está motivado e tem razões para celebrar porque a vida lhe corre bem. Há Natal não porque o homem quer, mas porque Deus quis nascer no meio de nós. Há Natal não porque tenhamos saúde ou nos apeteça celebrar e decorar a casa, mas porque Deus se aproximou de ti, assim como estás e vives para dar-te uma vida nova, a Vida de Deus. Há Natal não porque tenhamos uma família e estejamos quentinhos e aconchegados, mas porque até no meio da solidão Ele é presença de amor que dá força e ânimo, é companhia.
No Natal nasce Cristo, mas de certa maneira nascemos todos nós para um tempo novo, um tempo para viver os mesmos sentimentos de Cristo, um tempo para reanimar em nós aquilo que realmente somos, filhos amados de Deus. Mesmo para quem não acredita em Cristo acaba por ser envolvimento pelas luzes e pelas tradições, pelos cantares e pela festa, pelos sentimentos de bondade e de paz. E por isso, de certa maneira o Natal toca todo o homem.
Mas o Natal faz de nós, cristãos, anunciadores da feliz notícia: Cristo nasceu. Há tantas más notícias e o homem precisa de receber este feliz anúncio para viver com mais paz e alegria, com a esperança que não desilude. Aproximando-nos de Deus seremos melhores e faremos um mundo melhor. Parece irreal, mas há tantos corações assim, tão bons porque próximos de Deus. A verdadeira alegria é sentir que a nossa existência pessoal e comunitária é visitada e enchida por um grande mistério, o mistério do amor de Deus.

JM - Há quem fale de perda de valores cristãos no nosso tempo, concorda?
MG - Há muitas situações e muitas histórias. Há perda de valores e perda do sentido dos sinais, mas há também luzeiros de esperança. Tenho tido a experiência de confessar pessoas que já não se confessavam há mais de vinte anos. Aconteceu o Natal na vida dessas pessoas. Vejo muita gente que nunca vai à missa e de repente com amigos e conhecidos entra numa Missa do Parto e algo de novo voltou a brilhar no seu coração. No meio dos cantares e bailares, das luzes e dos enfeites nós precisamos de apontar sempre o caminho para Cristo; só o encontro com Ele mudará o sentido da nossa vida. Sempre que no homem exista um sentimento de bem-querer, uma acção de bondade, uma palavra de ânimo, aí está Cristo.

Menino Jesus e Pai Natal

JM - Como encara o “convívio” entre o Menino Jesus e o Pai Natal?
MG - Convido sempre as famílias a fazerem o presépio em casa. A colocarem o Menino Jesus num cantinho da casa. Um cantinho que será sempre uma grande catequese para crianças e também para os adultos. Será sempre um lugar a passar e a visitar. Será sempre um lugar para rezar e maravilhar-se pela presença de Deus que nasce no meio de nós. Através da simplicidade dos gestos e dos sinais podemos viver o Natal.
Gosto também do Pai Natal. É uma figura simpática. Um velhote de barbas brancas a distribuir presentes. Lembro-me de uma noite o ter esperado, escondido na sala, com o meu irmão. Não o vi, adormecemos antes. Faz parte do nosso imaginário.
Mas, atenção! Uma coisa são as historiazinhas do Pai-Natal, da Branca de Neve e da Carochinha; e outra coisa é a História da Salvação, de Deus que nasce. Não é um conto de encantar, é a realidade maravilhosa de Deus que nasce no meio de nós.
É nesta história que todos nós entramos e é nesta história de vida que Deus nos encontra e quer caminhar connosco. Colocar tudo no mesmo patamar seria ingenuidade e seria esconder o verdadeiro sentido do Natal. Natal será sempre um espanto, um deslumbramento do homem que admira a visita de Deus.

“Trocar presentes não é consumismo”

JM - O “consumismo” desta época preocupa-o?
PMG - Quando chega o tempo de Advento e Natal fala-se muito do consumismo. Mas, na época de dificuldades para as lojas e empresas e, claro, para as famílias, não sei se o melhor não será mesmo apelar para que consumam. Cada um com as suas possibilidades.
Há certamente exageros e é bom estar atentos para não fazer do Natal apenas isso. Todavia, penso que comprar um presente e trocar presentes não é consumismo. É um gesto de amizade e de carinho, um gesto de presença na vida dos outros. Antigamente matava-se a galinha mais gorda e na festa comia-se melhor. Hoje continua-se a fazer o mesmo, de acordo com o tempo em que vivemos, e tudo isso faz parte também do Natal. Quem serve um jantar ou faz um chá em casa prepara a mesa. Para preparar a mesa temos de ir ao supermercado fazer compras. É a coisa mais natural da nossa vida. O importante é sempre perceber que entre as ofertas dadas e as recebidas, no meio de visitas, nós sejamos presente, presença na vida dos outros. Vejo também na nossa sociedade e na Igreja sentimentos de bondade e de atenção para aqueles mais desfavorecidos. São sinais de esperança, sinais da fé.

O lugar do nascimento de Deus, hoje

JM - Qual acha que seria o lugar, hoje, que Jesus escolheria para nascer?
MG - Cristo nasceu numa manjedoura porque não havia lugar para Ele nas hospedarias. Imagino como foi esse momento dramático em que Nossa Senhora estava para dar à luz e São José, aflito, a bater em todas as portas. E nenhuma porta se abriu. E nenhuma casa deixou entrar Aquele que nasce para que possamos nascer todos.
Cristo continua a nascer. Vai depender de nós onde. Se estivermos fechados e ocupados como aquelas hospedarias, Cristo irá nascer noutro lugar que não a nossa vida e o nosso coração. Se formos como Maria, Cristo nascerá no nosso coração, na nossa família. Onde está o homem, aí Cristo quer nascer para lhe dar vida em plenitude. Vigilantes e atentos escancaremos as portas da nossa existência. Se não abrirmos as portas, Ele vai nascer, vai nascer na mesma, mas não nascerá em ti, nem na tua casa, nem na tua vida. Hoje e sempre Cristo escolhe nascer no teu coração.

JM - Como vive o seu Natal, Pe. Marcos? Que lembrança especial guarda da infância?
MG - Vivo o Natal preparando as leituras e as celebrações da Missa. Grande parte do dia de Natal é vivido dentro da Igreja.
Da infância, guardo a Festa na família e na Paróquia. Eram as Missas do Parto e o levantar bem cedo..., a Missa da noite de Natal. Recordo-me da igreja cheia de gente, os sinos, o cheiro ao incenso, os acólitos... . Havia também o circo e o cinema com algum filme sobre o Natal, as visitas aos familiares e aos presépios das igrejas.

JM - Como responsável pela Igreja do Colégio, no centro da cidade, qual a mensagem natalícia que pretende deixar às inúmeras pessoas que por aqui passam?
MG - A igreja do Colégio foi construída para trazer esperança. É essa a missão da Igreja na cidade. E a nossa esperança é Cristo. Todo o tempo do Advento, como preparação para o Natal é organizado com tudo aquilo que a Igreja é nos seus sinais, na Palavra anunciada, nos gestos e nas celebrações para que todos se encontrem na Igreja com Cristo. É sempre o convite a fazer o presépio em casa e através dos sinais mais simples e ricos da nossa tradição preparar também a manjedoura do nosso coração para receber o Menino Deus que vai nascer.
Este ano, ainda no tempo de Natal, vamos receber (de 29 Dezembro a 3 de Janeiro) a Imagem Peregrina de Fátima e será, por isso, um tempo de graça para viver a Mensagem de Fátima, a mesma Mensagem do Evangelho.
Santo e Feliz Natal para todos. O Menino Deus nasceu.

“O Presépio é uma escola de vida onde podemos aprender o segredo da verdadeira alegria. Que todos possam encontrar-se com Cristo e voltar para a sua vida com Ele, com os Seus sentimentos, com um olhar sobre a vida, a família, o trabalho, com outros olhos, com os olhos de Deus, com a força de bondade, de ânimo que torna a vida mais digna e mais aberta e mais bela para ser vivida e partilhada.”

Pe. Dr. Marcos Gonçalves, Reitor da Igreja do Colégio
e director do Gabinete de Informação da Diocese do Funchal



Jornal da Madeira

domingo, 20 de dezembro de 2009

Gastronomia especial à mesa do Dia de Festa







O almoço do Dia de Natal tem um significado muito especial para a grande maioria dos madeirenses. É a ocasião em que se reúne a família mais chegada em ambiente de confraternização, em que os que já partiram para a Eternidade são recordados e também não são esquecidos os familiares que se encontram ausentes em países de emigração. Também aí farão o seu almoço de Natal, evocando os tempos em que viviam na Madeira.
Manda a tradição que a ementa dessa refeição integre a carne de galinha e a de porco, não podendo faltar a carne de vinho e alhos, que são confeccionadas de modos diferentes conforme as freguesias, embora se mantenha o essencial.
As tradições da nossa terra estão a ser um pouco ultrapassadas pelas modernas famílias que recorrem aos serviços dos restaurantes para o efeito.
Esta circunstância não acontece na casa de João Freitas que continua a ser fiel àquilo que se fazia nos tempos em que era criança, já lá vão muitos anos.
«No dia de Festa, o meu pai, a minha mãe e os meus seis irmãos almoçávamos todos juntos. Era um dia muito especial e a chegada da hora da refeição era aguardada com muito entusiasmo. Naquele tempo não havia a fartura que há hoje e naquele dia as coisas melhoravam. Era um tempo em que era preciso chegar à Festa para se beber café e cacau» diz-nos enquanto ainda se recorda da ementa desse dia tão especial «a carne de vinho e alhos e a galinha cozida eram obrigatórias no almoço do Dia de Festa. E porque aquelas carnes eram de animais criados em casa o sabor era mesmo muito especial. As semilhas, as couves e as hortaliças acompanhavam a refeição. E na sobremesa a fruta que era mais cobiçada era o ananás, não só pelo gostinho como cheiro».
Maria de Sousa, também mantém-se fiel às ementas próprias de Natal porque «almoçar fora de casa nesse dia não lembra à Festa. A refeição inclui as carnes de porco de galinha e de vaca, não faltando os picles que costumo fazer no início de Dezembro».
Os picles são um condimento inglês baseado num sortido de legumes (ou frutos) conservado por acção do vinagre, cuja a origem nos remete para o tempo do domínio britânico sobre a Índia.
Embora actualmente seja fácil adquirir diversos tipos de conservas, ainda há quem confeccione os seus próprios picles caseiros: utilizando legumes ou frutos de qualidade e um bom vinagre de cidra devidamente aromatizado com canela, pimenta preta, cravinho, noz-moscada e pimenta.
Recorda-nos ainda que «também os torresmos fazem parte da ementa daquele dia. São feitos em casa com a carne de porco, entremeada e com o entrecosto de porco que criamos ao longo do ano, como manda a tradição madeirense».
O almoço do dia de Natal em muitas localidades da nossa terra continua a incluir as cebolinhas de escabeche que servem para acompanhar a carne de vinho e alhos.
Preparam-se no Natal e geralmente no mesmo dia em que se tempera a carne de vinho e alhos e integram vinagre de vinho, cravinho e folhas de louro.
A gastronomia de Natal na Madeira, continua a manter-se fiel às tradições vindas de tempos passados em que esta quadra tinha um sabor muito mais genuíno do que na actualidade.



Jornal da Madeira

Presépios em palha de bananeira expostos na Ribeira Brava.

Criatividade e talento

Data: 20-12-2009









São 11 presépios feitos com palha de bananeira expostos no Museu Etnográfico da Madeira, na Ribeira Brava, até 17 de Janeiro, onde sobressai a criatividade e o talento do artista natural do Caniço, Orlando Noronha Góis. 'Aproveitar, criar, inovar' é, em síntese, tudo aquilo que o visitante pode constatar nesta mostra. Desengane-se também quem julgue que pelo facto destas peças serem feitas de palha de bananeira, possam ter uma durabilidade reduzida. A prova da longevidade está também expressa nalguns dos presépios expostos que contam já com mais de uma década de existência e não apresentam qualquer sinal de decomposição. "Devemos tratar qualquer um destes objectos como se trata, por exemplo, um objecto de madeira", realça o artista autodidacta.

Além do invulgar talento que apresenta em cada peça que faz, Orlando Góis sobressai também pelo facto de tão bem saber aproveitar a palha de bananeira - extraída do tronco -, moldando-a ao sabor da sua criatividade, criando bonitos presépios e outras figuras, peças que vieram renovar o genuíno artesanato tradicional madeirense e enriquecer o nosso património cultural.

DN Madeira

800 luzes no presépio

A paixão de Mário Caldeira pelos presépios fá-lo ter um em cada canto. Mas há um especial.
Data: 20-12-2009










O presépio não é (o mais) grandioso mas destaca-se pela perfeição da sua feitura, pelo enquadramento e... pelas 'estrelas' que o acolhem. São mais de 800 pequenas lâmpadas representando as estrelas que iluminam o Menino, Jesus, Maria, os pastores, os rebanhos e tantas outras figuras colocadas num espaço próprio construído para o efeito. O 'efeito' é... o presépio.

Mário Caldeira, um empresário ligado à Editora e Gráfica Eco do Funchal, destinou, na cave da sua casa edificada há 18 anos, um recanto exclusivo para dar azo à sua imaginação, recordando a infância repleta de motivos idênticos. "Lembro-me de, pequeno, o meu pai fazer um presépio com todo o cuidado", refere antes de notar que nesta sua criação optou por alguns adereços diferentes. "Deixei o papel com viochene a imitar a pedra e coloquei mesmo pedra natural", mostra, como exemplo. "Afinal, uma gruta, onde o Menino nasceu, é rocha...", justifica.

A versão actual do 'seu' presépio tem quatro anos e inclui um tanque de água "para proporcionar uma levada", servindo-se para tal de um motor de uma antiga máquina de lavar roupa "para puxar a água". "O mesmo processo é utilizado para fazer os moinhos mover", revela.

Todo este espectáculo só pode ser visto de 1 de Dezembro a 31 de Janeiro. "Faço a 'inauguração' no primeiro dia de Dezembro, com uns amigos, e o presépio fica visível até ao final de Janeiro. Nos outros meses desce o pano e só se tiver alguma visita do estrangeiro é que deixo espreitar", garante.

Mas o gosto de Mário Caldeira pelos presépios não se fica por aqui. "Em cada recanto tenho um e quantos mais melhor", confessa, com satisfação. E logo na sala principal encontramos uma representação do nascimento do Menino cujas figuras têm, quase, o tamanho de uma pessoa adulta.

"Vi-o uma vez numa montra em Barcelona e não descansei enquanto não o trouxe", confidencia, escusando-se a divulgar o valor despendido. "Foi dinheiro bem empregue", limita-se a retorquir, dando conta, também, que são precisas duas pessoas para transportar cada figura.

Com os presépios que são o seu "orgulho" em plano de evidência, a tradicional árvore de Natal não faz parte da casa. "Já fez mas agora não, em vez disso ilumino as palmeiras do jardim", diz, mostrando-se crítico "com as árvores de Natal de todas as cores que se vêem por aí...".


DN Madeira

sábado, 19 de dezembro de 2009

Buddha Eden Garden o Jardim Budista do Madeirense Jo Berado no Bombaral (Portugal Continental)




Entrevista ao Jo Berardo no Programa A Hora de Baco



Um video sobre o Buddha Eden Garden



Bombarral - Buddha Eden Garden - Jardim da Paz



O Buddha Eden Garden é um espaço com cerca de 35 hectares, idealizado e concebido pelo Comendador José Berardo, em resposta à destruição dos Budas Gigantes de Bamyan, naquele que foi, um dos maiores actos de barbárie cultural, apagando da memória obras primas, do período tardio da Arte de Gandhara.

Em 2001, profundamente chocado com a atitude do Governo Talibã, que destruiu, intencionalmente, monumentos únicos do Património da Humanidade, o Comendador Berardo deu início, a mais um, dos seus sonhos, a construção deste extenso jardim oriental. Prestando, de certo modo, homenagem aos colossais Budas esculpidos na rocha do vale de Bamyan, no centro do Afeganistão, e que durante séculos foram referências culturais e espirituais.

Pretende-se, que o Buddha Eden Garden seja um lugar reconciliação. Sem nenhuma tendência religiosa, abrimos as portas, a todas as pessoas, independentemente, da religião, etnia, nacionalidade, sexo, idade, condição cultural ou social, convidando à união, comunicação e meditação, como forma de redescobrir a felicidade. Ambicionamos, assim, percorrer o caminho contrário à destruição do ser humano e disseminar a cultura da paz.

Esta é uma instituição cultural sem fins lucrativos e ao serviço da comunidade nacional e internacional, que tem como missão sensibilizar o visitante para o conhecimento interior, através do seu jardim em diálogo com um vasto património escultórico, vocacionado para a meditação e promoção da interacção social e cultural, conforme os princípios da solidariedade e da dignidade humana. Sendo o Buddha Eden Garden um espaço de livre acesso, solicitamos uma doação, dentro das suas possibilidades, para nos ajudar a manter este sítio de tranquilidade e para, que possamos continuar a facultar entradas gratuitas a todos aqueles, que nos procuram aspirando a paz, força e luz.


http://www.buddhaeden.com/about.html

O Meu Menino Jesus

Está patente ao público no Centro Civico do Estreito de Câmara de Lobos, até 15 de Janeiro, uma exposição denominada de "O Meu Menino Jesus". Nesta exposição é apresentada uma colecção particular de Filipe Araujo com imagens do "menino Jesus".









O Presepio em frente ao Centro Civico







JF Estreito

sexta-feira, 18 de dezembro de 2009

Um presépio do coração


O presépio é da autoria das irmãs Maria Isabel e Ana de Freitas, da Camacha

Data: 18-12-2009













A Casa do Povo da Camacha volta a apresentar este ano um presépio de grandes dimensões, da autoria de duas irmãs, Maria Isabel de Freitas de 57 anos e Ana de Freitas de 54 anos, mais conhecidas na Camacha pelo título informal de 'irmãs camacheiras'.

Convidadas pelos responsáveis da Casa do Povo da Camacha logo em Janeiro deste ano, as irmãs assumem que dedicaram 11 meses na preparação dos adornos deste presépio, construído de maneira a retratar o relevo acidentado da Ilha da Madeira. O presépio demorou três dias a ser construído.

O DIÁRIO visitou o presépio na manhã da passada quarta-feira, pouco depois Ana de Freitas, na ausência da irmã, ter regado o musgo, as 'cabrinhas' e outras plantas que o envolvem, de forma a evitar que estas sequem . "O que distingue este presépio dos outros é o trabalho feito à mão. Temos 77 casas, 41 bonecos e vários carros de cana, todos eles feitos à mão ao longo do ano", responde a irmã mais nova, Ana de Freitas.

Um trabalho louvável que pode escapar à atenção dos mais distraídos e que indicia um enorme gosto e respeito por uma tradição que lhes foi transmitida pela mãe. "Desde pequenas que ajudávamos a minha mãe a fazer presépios. Fomos ajudando e ganhando gosto. Já na altura, a minha mãe fazia estes bonecos mas em vez de pano ela utilizava barro. Algumas das casas já têm cerca de 20 anos. Fazemos isto porque gostamos muito do Natal", afirma, com um sorriso, a irmã mais nova.

As irmãs revezam-se no trabalho de elaboração das casas e dos bonecos e repartem qualidades. Ana de Freitas afirma que gosta mais de fazer os bonecos enquanto Maria Isabel de Freitas tem mais "arte" para a arquitectura e a engenharia das casas. Para as duas irmãs, este é um presépio muito especial. "Este é um presépio feito do coração. Não foi fácil chegar aqui e ter tudo isto pronto, mas asseguro-lhe que tanto eu como a minha irmã, quando trabalhamos nas casas ou nos bonecos esquecemos todos os nossos problemas", desabafa, Ana de Freitas.

Esta é a segunda vez que as 'irmãs camacheiras' fazem o presépio nesta Casa do Povo, facto que lhes deixa muito satisfeitas, apesar do infeliz sucedido na última vez que ali fizeram um presépio. "Há dez anos fizemos um presépio aqui, mas choveu e entrou água dentro do edifício e destruiu-me quase todas as casas. Fevereiro e Março deste ano serviu para renovar as casas estragadas".

Casas são réplicas reais



As casas, de cartolina, réplicas de casas reais que existem na Região, contam com pormenores deliciosos como cortinas e candeeiros. Os telhados são feitos de cana. "Passamos muitas, muitas horas de volta de uma casa. Nunca contamos quanto tempo, mas levamos muitas horas para colocar os tampásseis, imaginar as chaminés ou colar as cortinas. É muito tempo só nos pormenores. Utilizamos canas, palitos e paus de gelado para fazer varandas e telhados. O objectivo de tudo isto é cativar as pessoas que visitam o presépio. Podem dizer que esta ou aquela casa é parecida com a de algum amigo ou familiar", afirma Ana de Freitas.

Já os bonecos, que levam "quase tanto tempo a fazer como as casas", são feitos com uma armação de arame, levam algodão e depois são enriquecidos de pormenores: barretes de vilão, brincos, gravatas, vestidos de renda e ainda, algum croché. No presépio podem ainda ser vistos um conjunto de figuras que simbolizam a malha do trigo.

Este não é, contudo, o único presépio que as irmãs fizeram este ano. "Já fizemos um presépio em casa e outro na Igreja da Camacha. Este ano foi um ano em cheio com presépios. Vai ser por isso um Natal feliz", termina, animada, Ana de Freitas.

Noite Branca na Camacha

A população da Camacha terá, no próximo sábado, mais uma iniciativa que visa assinalar a especificidade do Natal nesta localidade carismática, conhecida pelo folclore e pelo vime. Com efeito, a Casa do Povo da Camacha organiza a primeira 'Noite Branca' desta freguesia. Nuno Abreu, vogal na direcção desta Casa do Povo, explica o que é pretendido com a organização deste evento.

"Queremos fazer uma noite tradicional onde queremos mostrar o que se faz e se passa nesta quadra na Camacha. As pessoas juntam-se para celebrar o Natal e o que queremos e elevar ainda mais essa celebração". Nuno Abreu adiantou ainda actuações que se vão realizar. "Esta é uma iniciativa que irá congregar as actuações de todos os Grupos Folclóricos da Camacha, aproveitando o facto da Câmara Municipal de Santa Cruz ali ter colocado uma tenda nesta quadra natalícia".

Esta Casa do Povo pretende também aproveitar a realização da Missa do Parto de Sábado que é das mais concorridas da Região. Estão previstas actuações dos Grupos Folclóricos do Rochão, da Casa do Povo da Camacha e das Romarias. "O Grupo do Rochão fará uma romaria desta localidade para a Camacha a partir das quatro da manhã. Das duas até às seis da manhã, a 'Noite Branca' terá animação musical dos anos 70 e 80".

As actuações iniciam-se às 20horas, com a subida ao palco de um grupo de alunos da Capela do Santo Contestável, actua depois um grupo de alunos da escola Básica da Camacha, seguidos da Tuna de Bandolins. A tradição madeirense dos despiques também marcará presença nesta festa. A tenda que já está montada na Camacha ficará nesta freguesia até ao dia 10 de Janeiro, data da realização da prova de atletismo, 'Grande Prémio da Camacha'. No dia 28 de Dezembro a Camacha irá celebrar, o dia da subida a paróquia, também com muita animação musical.


DN Madeira

Mais fotos do Presepio da Camacha :


http://picasaweb.google.pt/capocam/Presepio#

quinta-feira, 17 de dezembro de 2009

Concelhos em Festa







Todos os concelhos da Região prepararam-se para esta quadra festiva. Além do Funchal, um pouco por todo o lado, há marcas deste tempo de festa. Desde Câmara de Lobos a Santa Cruz, passando pelos restantes concelhos a sul e na costa norte, não faltam as luzes e os presépios a anunciar o nascimento de Jesus.
Em Câmara de Lobos, na Avenida Nova Cidade, um presépio, quase à escala real, representa o nascimento, rodeado de uma flor muito característica nesta época, precisamente, as manhãs de Páscoa. O centro da cidade tem também alguma iluminação, bem como outros pequenos núcleos habitacionais.
Na Ribeira Brava, nos jardins dos paços do concelho, um presépio tem sido um motivo de atracção. Também aqui, a iluminação característica desta quadra é uma nota dominante, em especial no centro daquela localidade, mas também na zona da frente-mar.
Mais adiante, na Ponta do Sol, verificámos que vários ornamentos luminosos foram colocados na sede do concelho, com temas alusivos ao Natal. O presépio estava também a ser preparado junto ao edifício da autarquia.
O concelho mais oeste da Região apresenta também vários elementos alusivos a esta quadra. Um presépio junto à marginal e um pinheiro, encimado com um estrela, são algumas das notas de destaque.
Começando na costa norte, o Porto Moniz várias iluminações e um presépio junto às piscina naturais anunciam este período festivo. O mesmo acontece também em São Vicente, onde as ruas têm uma nova cor, com vários arranjos de luz alusivos ao Natal e um pequeno presépio, junto à Igreja matriz, assinalam a Festa. Em Santana, em frente aos paços do concelho, estava a ser preparado um presépio e, no centro da cidade, as lâmpadas denunciavam um período especial.
De volta à costa sul, a iluminação natalícia e o habitual presépio junto à autarquia são algumas das notas de destaque, o mesmo acontecendo em Santa Cruz, onde o nascimento do Menino foi também representado, junto à Igreja daquela localidade.



Jornal da Madeira

Missas do Parto são motivo de unidade eclesial

As novenas de preparação para o Natal, que na Madeira são denominadas de Missas do Parto, iniciaram-se ontem nalgumas paróquias. Na igreja de Santo António aquela celebração foi presidida por D. António Carrilho, iniciando-se às 6 horas e registou grande participação de pessoas, apesar da chuva que caiu com intensidade.




A igreja de Santo António, encheu-se ontem de fiéis que, mesmo numa manhã de chuva, ali se deslocaram para participar na primeira Missa do Parto, celebrada este ano naquela igreja. A decoração de Natal que já se pode ver naquele templo deu ainda mais alegria à celebração que foi presidida por D. António Carrilho e concelebrada pelo pároco, Cónego António Rebola e cónego Carlos Duarte.
Deu-se assim início a uma das tradições madeirenses que caracterizam este tempo que antecede o Natal, circunstância que foi sublinhada por D. António Carrilho, na sua homilia, salientando que o verdadeiro significado destas celebrações é a preparação espiritual para o Natal.
Depois de manifestar a sua alegria por mais uma vez presidir à Missa do Parto apelou a que se dê alma a esta tradição, acentuando que «não podemos deixar perder o verdadeiro sentido que tem este novenário em louvor de Nossa Senhora. Não vamos ficar apenas nos aspectos exteriores mas vamos procurar aprofundar o seu significado, dando-lhe alma, isto é dando-lhe fé, com o espírito do amor e da caridade próprios deste tempo».
O prelado funchalense referiu que são muitas as pessoas que aquela hora viviam o mesmo acto de fé pois «em quase todas as paróquias da nossa Diocese se congregam as comunidades para louvar Nossa Senhora, acarinhando aquela que é a Mãe de Jesus na proximidade do parto. É como numa família em que há alguém que está para ser mãe e que é acarinhada e apoiada num desejo de viver a alegria do nascimento que se aproxima. É neste espírito de comunhão de Igreja que queremos viver todo este novenario, pois é a diocese que está em comunhão vivendo esta alegria e partilhando a força que transmitimos e comunicando uns aos outros. Isto é que dá alma às Missas do Parto, que nos põem também em comunicação com tantos irmãos nossos espalhados pelo mundo, os emigrante que vibram com as tradições que levaram da sua terra. Que essas tradições sejam de vida e não mera recordação do passado e que este novenário seja para nós um motivo que penetra nas nossas igrejas e que tem de ser luz no meio de tantas luzes que iluminam as nossas cidades».
D. António Carrilho fez ainda referências às leituras proclamadas naquela Eucaristia, acentuando a necessidade que cada um tem de fazer um acaminhada espiritual, de modo a que todos possam viver o verdadeiro sentido do Nascimento de Jesus.
No final da celebração o Cónego António Rebola, pároco de Santo António agradeceu a presença de D. António Carrilho naquela cerimónia litúrgica, e desejou-lhe votos de um santo Natal, retribuídos pelo prelado funchalense que manifestou a sua satisfação por poder partilhar com aquela comunidade este início das novenas de preparação para o Natal.
O grupo coral da paróquia de Santo António animou liturgicamente aquela celebração com cânticos típicos desta época do ano, a maioria em louvor de Nossa Senhora. O ofertório foi solenizado com produtos da terra.
Hoje às 6 horas o prelado funchalense presidirá à Missa do Parto na igreja do Porto da Cruz.
As animações nos adros e salões paroquiais marcarão também este novenário que envolve muitos milhares de pessoas na Madeira e Porto Santo.




Jornal da Madeira

terça-feira, 15 de dezembro de 2009

Jardim oferece jantar a comitiva islâmica

Decorreu na Quinta Vigia







O presidente do Governo Regional da Madeira, Alberto João Jardim, ofereceu, na noite de ontem, um jantar à comitiva islâmica que se deslocou à Região para a inauguração da primeira Mesquita da Madeira. O secretário regional dos Recursos Humanos, Brazão de Castro, esteve presente no jantar, que decorreu na Quinta Vigia.
Foram recebidos pelo líder do Executivo madeirense o presidente da Comunidade Islâmica em Lisboa, Dr. Abdool Karim Vakil; o responsável da Comunidade Islâmica na Madeira, Adbou Karim Ben Adj e ainda o imã, Abel Lasseri.
Mas para a inauguração da Mesquita da Madeira, localizada em Santo Amaro, deslocaram-se à Região outras entidades islâmicas, como o embaixador da Arábia Saudita e do Irão em Lisboa, Hisham Alkatini e Rasool Mohajer, respectivamente. A embaixada da Líbia também esteve representada na inauguração da Mesquita por Yahya El Jadid e ainda Saoud Eltayari.




Jornal da Madeira












PGRAM

Inaguração da 1º Mesquita do Funchal

Alberto João Jardim preocupado com materialismo e perda de valores na Europa
Radicalismo ameaça

O presidente do Governo Regional presidiu, ontem, à inauguração da Mesquita do Funchal, um espaço de culto islâmico que contou com a presença de diversos responsáveis religiosos, embaixadores e empresários.






”Alberto João Jardim chamou, ontem, a atenção para a importância de respeitar a forma como cada ser humano procura chegar a Deus mas mostrou-se contra o materialismo radical das sociedades desenvolvidas tendo advertido que, se este tomar conta da Europa, acabará por ser a decadência de uma forma de viver.
O presidente do Governo Regional falava no âmbito da inauguração da Mesquita do Funchal, um espaço de culto islâmico. Na cerimónia tomaram parte diversas entidades, a destacar o secretário regional dos Recursos Humanos, o director do Centro das Comunidades Madeirenses, o Bispo do Funchal, os presidentes da Comunidade Islâmica de Lisboa e da delegação da Comunidade Islâmica da Madeira, representantes de diferentes religiões, embaixadores, empresários e demais convidados.
A comitiva tomou parte na oração do final da tarde (Maghrib), numa cerimónia de carácter ecuménico, a qual precedeu a inauguração. No acto, houve enorme respeito tendo os presentes mantidos os seus pés descalços, cumprindo as regras islâmicas.
Dirigindo-se aos presentes, Jardim apontou que “o grande problema hoje são aqueles que entram no materialismo radical, que não é só negação de Deus” mas a tentativa de “ceifar no homem o seu direito à procura de Deus”.
Alberto João Jardim lamentou que as sociedades de hoje, embora muito desenvolvidas, “caíram no materialismo” que “despido de qualquer sentido de humanismo, de espiritualismo nunca fez felizes os povos, acabaram por entrar em crise”.
Tomando como exemplo a Europa, advertiu que “se perder os valores da espiritualidade, se cair no materialismo profundo”, este “acabará por ser a decadência de uma forma de viver”.
O chefe do executivo madeirense aproveitou a oportunidade para agradecer aos presentes, o trabalho que têm desenvolvido em prol da Madeira e a forma generosa como se integraram.
“Estão na vossa casa”, afirmou, desejando que “continuem a alimentar os vossos sentimentos religiosos e a lutar num mundo em que se seja livre para desenvolver os nossos sentimentos religiosos e para melhor nos aproximarmos do próximo”.
Foi neste âmbito que a delegação da Comunidade Islâmica da Madeira recebeu o apoio do Governo Regional porque a procura de Deus “tem que ser respeitada pelos poderes públicos” porque “se nós visamos a realização de cada homem e de cada mulher temos que criar condições para a procura de Deus”, concluiu.


Comunidade agradece abertura de Jardim
A Mesquita do Funchal é a 34.ª existente no país. Na inaguração do espaço, o presidente da Comunidade Islâmica de Lisboa, Abdool Magid Vakil, em representação da delegação da Comunidade Islâmica da Madeira agradeceu o apoio e abertura demonstrados pelo Governo Regional.
Nesta cerimónia de carácter ecuménico marcaram presença, entre outros, dos embaixadores da Arábia Saudita e do Irão na capital portuguesa, HIsham Alkatani e Rasool Mohajer, respectivamente. A embaixada Líbia esteve representada por Yahya El Jadid e Saoud Eltayari.
A Comunidade Islâmica na Madeira é presidida por Abdou Karim Ben Adj e pelo seu irmão Abel Lasseri.
A Mesquita localiza-se no Conjunto Habitacional de Santo Amaro II. As instalações foram cedidas pelo Governo Regional. A sua instalação surgiu após a constituição formal da Associação Islâmica da Madeira e no cumprimento do exercício da liberdade religiosa.
Abool Magid salientou que a integração desta comunidade na Região “só foi possível graças à abertura de espírito e de cooperação do Dr. Alberto João Jardim, que acredita na tradição multi-étnica, multi-religiosa e multi-cultural de Portugal como um dos factores essenciais para a convivência harmoniosa e fraterna da comunidade madeirense”.


Jornal da Madeira












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