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sábado, 10 de abril de 2010

Alberto João Jardim admitiu a Júlia Pinheiro o seu desespero no dia do temporal

«A desgraça era tanta que me senti impotente»







AAlberto João Jardim admitiu ontem que no dia 20 de Fevereiro se sentiu impotente com o temporal que assolou a Madeira. Só que teve que mobilizar as suas forças para não mostrar os seus sentimentos. O importante, como acrescentou, foi arranjar forças para a batalha que tinha pela frente.
As declarações foram feitas no programa “Tardes da Júlia”, que ontem foi emitido a partir da Madeira. A TVI quis, assim, comemorar os três anos de programa e, por outro lado, solidarizar-se com a Região.
«Confesso que nem pensei em termos de obra minha, porque a desgraça era tal que eu sentia-me impotente. Primeiro, não posso resgatar a vida a quem a perdeu, mas sentia-me impotente perante tanta coisa que estava a suceder de uma vez só e, depois, perante informações -, felizmente, algumas delas não se confirmaram - que chegavam em catadupa onde estava o Estado Maior das Operações. Portanto, era uma situação em que só não se desesperava porque me era proibido desesperar, mas que apetecia desesperar. Depois, fui vendo que as obras do meu tempo aguentaram», disse Alberto João Jardim.
Em resposta a Júlia Pinheiro, o presidente do Governo disse que, em tempos difíceis, os guerreiros também têm estados de alma, mas têm de mobilizar as forças para a batalha. «Para pensar o plano de batalha e desenvolvê-lo rigorosamente, não podem mostrar os seus sentimentos a ninguém; nada de demonstrar qualquer tipo de fraqueza», explicou.

Festa da Flor é
o retomar a vida




Em relação ao futuro, mais precisamente à Festa da Flor, Jardim garantiu que será uma festa muito bonita.
O governante disse que a Festa da Flor «está melhorada», porque, depois do que aconteceu, «a festa representa um retomar de vida, com todo o símbolo que a flor tem para todos nós. É o retomar de vida e, portanto, este ano, esmerámo-nos um pouco mais na organização da festa».
E logo acrescentou: «Depois, acho que ninguém deixará de lado a sua curiosidade em ver como é que o povo madeirense soube reorganizar tudo e fazer ressurgir a Madeira em menos de dois meses».
Alberto João Jardim garantiu haver muitas motivações para que venham à Madeira. Sobretudo, pela grande motivação de que «estar na Madeira é estar no melhor de Portugal».
Fora estes momentos de maior seriedade, a conversa entre Alberto João Jardim e Júlia Pinheiro foi caracterizada por algumas picardias de parte-a-parte.
Com chouriças à mistura - para espanto de Jardim que não sabia que este é um dos petiscos preferidos de Júlia Pinheiro -, elogios mútuos à respectiva elegância e a uns óculos que o presidente considerou serem «uma beleza kafkiana», o programa lá foi decorrendo com a presença de um público que aproveitou para ver de perto vários artistas, nomeadamente Marco Paulo e as Just Girls.


Jornal da Madeira

segunda-feira, 5 de abril de 2010

Reforço da Autonomia com mais poder legislativo

Miguel Mendonça defende em dia de comemoração da Revolta da Madeira








«A Revolta da Madeira é uma referência histórica que deve ser lembrada e celebrada, porque foi um dos muitos gritos de revolta que houve ao longo dos anos». A ideia foi ontem defendida pelo presidente da Assembleia Legislativa da Madeira (ALM), Miguel Mendonça, que ontem presidiu às comemorações da Revolta da Madeira, que decorreram na Rotunda do Largo Charles Conde de Lambert, no Funchal.
A cerimónia contou com a guarda de honra dos Bombeiros Municipais do Funchal e com a presença do secretário regional dos Recursos Humanos, Brazão de Castro, do secretário dos Assuntos Sociais, Jardim Ramos e ainda o secretário da Educação e Cultura, Francisco Fernandes, entre outras entidades. A Câmara Municipal do Funchal esteve representada pelo vereador Pedro Calado.
Após a deposição de três ramos de flores ao monumento que recorda a Revolta da Madeira de 4 de Abril de 1931, o presidente da ALM disse à comunicação social que «o significado que se deve colher desta cerimónia, é o de honrar a memória da História da Madeira». Além disso, no seu entender, o desafio da Revolta da Madeira «pode ser tomado como referência a um incentivo a lutarmos sempre por uma vida melhor».
Recordando que, pelo facto de a Madeira ser uma ilha, o seu povo sempre viveu condicionado. Passados tantos anos, ainda existem condicionalismos, adianta Miguel Mendonça. Mas «agora falamos nos condicionalismos que decorrem de um poder legislativo que tem amarras e bloqueios». É essa «incompetência legislativa» que «entronca com o desejo de uma revisão constitucional a fim de fazer cessar esses bloqueios», defendeu. No entanto, isso só depende de um acordo entre os partidos «e eu não sei se os astros estão conjugados para a revisão constitucional». «Os autonomistas querem, mas há quem se incomode em falar em Autonomia plena». Miguel Mendonça reforça que «se pode falar em Autonomia plena desde que haja balizas que é a unidade do Estado, até lá sem pôr em causa essa unidade há que dar largos passos no sentido do reforço da Autonomia e espero que a revisão constitucional nos traga isso».
De salientar que a“Revolta da Madeira” foi um movimento composto por forças militares que se manifestaram contra o regime ditatorial que durou cerca de um mês e destituiu as autoridades militares e civis da ilha. O movimento de protesto gerou revoltas semelhantes nos Açores e na Guiné, e só foi debelado com a intervenção de forças do continente.


Jornal da Madeira

sábado, 3 de abril de 2010

Sócrates assiste à Festa da Flor e fica para reuniões na segunda





José Sócrates já assegurou a sua presença na Festa da Flor, no próximo dia 18 de Abril. Antes, de manhã, vai estar nos Açores no congresso dos socialistas locais, seguindo depois de avião para a Madeira para assistir ao grande Cortejo. Depois, fica na Madeira até segunda-feira, para manter reuniões com o Governo Regional.



O primeiro-ministro português já confirmou que vai estar presente na Madeira para assistir ao cortejo da Festa da Flor, agendado para o próximo dia 18 de Abril. Segundo o JM conseguiu apurar, José Sócrates estará na manhã desse dia nos Açores, onde participa no Congresso do Partido Socialista dos Açores, sendo que viaja logo depois para a Madeira, onde assiste na parte da tarde ao Cortejo.
Fontes por nós contactadas informaram-nos ainda que, José Sócrates ficará ainda na Região até segunda-feira, para reuniões de trabalho com o Governo Regional, no âmbito do processo de negociações encetado entre os dois Governos, depois do temporal de 20 de Fevereiro último.
Recorde-se que logo que foram retomados os trabalhos de recuperação, o Governo Regional anunciou que a próxima edição da Festa da Flor seria transformada no "momento de celebração da recuperação da cidade do Funchal".
«Em Abril, vamos fazer da Festa da Flor da Madeira o grande momento de celebração da recuperação da cidade e do Funchal com a colaboração de todos os hoteleiros, todas as agências de viagens", Associação Comercial e Industrial do Funchal (ACIF) e Associação Portuguesa das Agências de Viagem e Turismo», revelou Conceição Estudante depois de uma reunião com todos os parceiros atrás referidos, em Fevereiro.
A deslocação à Região e ao evento de José Sócrates terá ficado acertada no início do mês de Março, aquando da reunião entre governos em São Bento.
A Festa da Flor realiza-se entre 15 e 18 de Abril, subordinada ao tema “ Terra”, associando-se assim, às comemorações do Ano Internacional da Biodiversidade.
Os festejos iniciam-se na quinta-feira, com a abertura do Mercado das Flores, na Placa Central da Avenida Arriaga, a Exposição da Flor, no Largo da Restauração e a construção de tapetes florais ao longo das principais ruas do Funchal.
No sábado, pela manhã, milhares de crianças participam no cortejo infantil, cada uma com uma flor para colocar num mural denominado “Muro da Esperança”, localizado na Praça do Município. A concentração dos mais pequenos acontece na Avenida Arriaga, pelas 9 horas, seguindo em direcção à Avenida Zarco, Rua Câmara Pestana e Praça do Município.A construção do muro termina com uma largada de pombos e um espectáculo infantil.
No domingo, pelas 16 horas, acontece o Cortejo da Flor, um desfile com centenas de figurantes e carros alegóricos que vão atravessar a cidade num cartaz turístico que se espera de grande intensidade para o povo madeirense pois será o marco decisivo para o ponto de partida do renascimento da Madeira após a intempérie de 20 de Fevereiro de 2010.
São nove os grupos participantes no Cortejo Alegórico. O desfile abre com “Terra de Todas as Flores e Cores” de João Egídio Rodrigues, seguindo-se “Ilha das Flores” da Fábrica de Sonhos. A Turma do Funil vai apresentar “A Magia das Flores do Planeta Terra”, enquanto que a Associação Fura Samba traz “SOS Terra”. “Os Frutos da Terra” é o tema escolhido pelos Veteranos da Folia, sendo que Chico & Companhia trazem “O Jardim do Beija-flor”. “Flores para o Mundo” é o que propõe a Escola de Samba Caneca Furada. Por fim, passam “A Nossa Terra Madeira em Flor” da Associação de Animação Geringonça e ainda “Amarílis” de Isabel Borges.




Jornal da Madeira

sábado, 27 de março de 2010

À procura de soluções de financiamento

O vice-presidente do Governo Regional reuniu-se ontem em Lisboa







A O vice-presidente do Governo Regional deslocou-se, ontem, a Lisboa, onde decorreu a segunda reunião de trabalho da Comissão Paritária Mista, a qual tem como missão proceder ao levantamento dos estragos e formas de enfrentar a reconstrução da Madeira, depois da intempérie do dia 20 de Fevereiro.
À saída da reunião, o vice-presidente do Governo Regional disse que os apoios comunitários vão levar algum tempo a chegar e que, entretanto, será necessário encontrar alternativas. Tal como afirmou João Cunha e Silva, «o Fundo de Solidariedade Europeia, face à burocracia, de todos conhecida, e à rigidez das regras, concerteza que não chegará depressa. E esse é que é o nosso problema. E, portanto, também estamos aqui a discutir qual a melhor forma do Estado e da Região Autónoma da Madeira encontrarem soluções que, na ausência de fundos imediatos possam nos ajudar a continuar a trabalhar e a fazer as coisas acontecerem».
João Cunha e Silva disse ainda que está satisfeito com o andamento dos trabalhos. Conforme referiu o vice-presidente do Governo Regional da Madeira, «estamos a trabalhar muito e estamos a trabalhar muito tentando ultrapassar todos os obstáculos que nos vão surgindo no caminho, porque isto há muita burocracia, designadamente, no que diz respeito a candidaturas da União Europeia».
Por seu lado, o secretário de Estado Adjunto, da Indústria e do Desenvolvimento recordou que este é um trabalho exaustivo, com um levantamento rigoroso, «no sentido de garantir condições de segurança e estabilidade para as pessoas que vivem e trabalham na Madeira».



Jornal da Madeira

sexta-feira, 26 de março de 2010

Estudante reconsidera na AP-Madeira

Governante mantem-se na presidência e promove Bruno Freitas
Data: 26-03-2010




Conceição Estudante vai manter-se presidente da Associação de Promoção da Madeira. Depois de se ter despedido, em Dezembro, dos colaboradores mais directos, a quem informou que não estaria disponível para mais um mandato, a governante recuou nesse propósito e já confidenciou aos seus colaboradores que os acontecimentos de Fevereiro último obrigam-na a manter-se na presidência da Associação de Promoção da Madeira.

Tal como o DIÁRIO havia noticiado, José Alberto Cardoso foi indicado pela ACIF para vice-presidente, tendo Conceição Estudante indicado Bruno Freitas, o presidente da Administração de Portos da Madeira em substituição de Luísa Perestrelo, reconduzindo Raquel França, a directora regional de Turismo.

Tal como o DIÁRIO noticiou, Gabriel Gonçalves - presidente da Mesa de Agências de Viagens - foi indicado pela ACIF para direcção, tendo a ANAM, a convite da associação empresarial, sugerido o nome de Sérgio Gonçalves, que preenche o lugar deixado vago por Roberto Santa Clara. Ricardo Sousa, director hoteleiro, é o outro nome indicado pelo sector privado.Tal como já havíamos escrito nestas páginas, Paulo Prada será o novo presidente da Assembleia Geral da Associação de Promoção, mantendo-se Eduardo Jesus como presidente do Conselho Fiscal.

António Trindade, Gonçalo Ornelas, José Pedro Trindade e João Welsh continuam a integrar o Conselho Consultivo, que passa a integrar André Barreto e Afonso Tavares da Silva. Paulo Prada, Raquel França, José Alberto Cardoso e Kátia Carvalho, a actual directora executiva, integram o Conselho Consultivo por inerência.


DN Madeira

http://www.ap-madeira.pt/madeira/apm/

terça-feira, 23 de março de 2010

Gaia apela ao Porto para ajudar a Madeira

Vice-presidente daquela Autarquia “encantado” com trabalhos de recuperação





A Câmara Municipal do Funchal e a Câmara Municipal de Gaia vão encetar uma série de reuniões, ainda antes da Páscoa, com empresários do Porto, no sentido de conseguirem material de construção civil e mobiliário para a recuperação das, pelo menos, 291 casas que, até agora, foram consideradas como fora da zona de risco e que estão destruídas. O foi feito ontem no final de uma reunião entre as duas edilidades e onde Marco António mostrou-se impressionado com a recuperação do Funchal






O vice-presidente da Câmara Municipal de Gaia mostrou-se ontem completamente impressionado com o trabalho de recuperação do Funchal após o temporal do último dia 20 de Fevereiro. Marco António, que falava aos jornalistas momentos depois de uma reunião que manteve com a equipa da edilidade funchalense, disse que ficou encantado com o que viu depois de ter assistido a imagens horrivéis da intempérie que assolou a Madeira. Tão «encantado» que promete voltar à Região nas férias da Páscoa, uma vez que a ilha «continua ser um jardim».
O autarca garantiu que a edilidade onde é vice-presidente vai fazer um apelo aos empresários da região do Porto no sentido de se solidarizarem com materiais que sejam possíveis de serem utilizados na reconstrução. Conhecido pela sua grande tradição no mobiliário, o distrito do Porto, como grande centro de produção, poderá ajudar a Madeira. «A Madeira não pode esperar, indefinadamente, que cheguem outros apoios», considerou o vice-presidente da Câmara Municipal de Gaia, tendo garantido que «todos temos de nos mobilizar, e nós vamos nos mobilizar através de um apoio aos empresários».


Estão 291 casas prontas para recuperar

Marco António, amigo de Miguel Albuquerque, afirmou que os madeirenses deram uma lição de civismo na forma como se dedicaram à recuperação da sua terra. Diz que leva a Região no coração e apela aos continentais para não deixarem de visitar a Madeira.
Da parte do presidente da Câmara Municipal do Funchal, Miguel Albuquerque adiantou à comunicação social que, neste concelho, há um conjunto de moradias que estão «parcialmente danificadas e que estão declaradas, por empresas especializadas, fora da zona de risco». Essas casas, no total de 291, são suceptíveis de ser recuperadas. Nesse sentido, a edilidade, com o apoio da Câmara de Gaia, vai realizar um conjunto de reuniões já antes da Páscoa com um grupo de empresários do Porto, no sentido de conseguir material necessário para a recuperação das casas em causa.


Não basta solidariedade é preciso agir

«Não basta a solidariedade, é fundamental actuarmos na vida das pessoas», defendeu o autarca.
Miguel Albuquerque sublinhou a circunstância de, neste momento, ser necessário passar, para fora, uma imagem de normalidade. O Funchal está limpo e circulável. A Madeira precisa do turismo e tem de passar a ideia que está pronta para o receber.
Por outro lado, os apoios têm de chegar por forma a as zonas destruídas e as populações afectadas possam voltar a ser o que eram. |Questionado sobre se espera receber o apoio de outras Autarquias do país, inclusive cuja liderança não seja do PSD, o edil funchalense não só respondeu
que sim como garantiu que já recebeu garantia de ajuda, no valor de cem mil euros, da Câmara de Amadora.


“No PSD há democracia”, diz vice de Gaia“Cada um faz as suas opções e tem a liberdade disso”, afirmou aos jornalistas o vice-presidente da Câmara Municipal de Gaia quando confrontado com o facto de Alberto João Jardim já ter assumido, em artigo de opinião publicado no JORNAL da MADEIRA, o seu apoio à candidatura de Paulo Rangel.
Marco António, que apoia Passos Coelho, referiu que há democracia dentro do PSD e que cada um está no seu direito de apoiar quem quer.
Da parte do candidato Passos Coelho, o vice-presidente da Câmara de Gaia acredita que aquele pretendente à liderança do PSD nacional será, se for eleito, muito solidário com as Autonomias, conforme frisou no final da reunião que manteve com a Câmara Municipal do Funchal, na qual participaram algumas entidades ligadas às zonas do concelho que foram mais afectadas pelo temporal do último dia 20 de Fevereiro.



Jornal da Madeira

sexta-feira, 19 de março de 2010

Contas ao prejuízo dentro de um mês

Comissão paritária já está no terreno. Hoje vai a zonas afectadas no Funchal
Data: 19-03-2010



Dentro de um mês João Cunha e Silva quer ter já concluído o resultado da avaliação que a comissão paritária, criada para avaliar o montante dos prejuízos e estudar os meios de financiamento necessários à reconstrução dos danos provocados pelo temporal de 20 de Fevereiro, começou ontem a apurar no terreno. A ideia é que "mais ou menos dentro de um mês possamos entregar aos dois governos o resultado deste trabalho", diz o vice-presidente do Governo Regional.

O governante madeirense é um dos membros que integra a comissão paritária mista criada pelo primeiro-ministro, que ontem desenvolveu o primeiro de dois dias de avaliação no terreno dos estragos provocados pelo mau tempo. Uma visita que contou com todos os membros da comissão, entre os quais o secretário de Estado Adjunto da Indústria e do Desenvolvimento, Fernando Medina Correia, que de manhã testemunhou 'in-loco' os muitos prejuízos ocorridos no concelho da Ribeira Brava. À tarde as atenções viraram-se para o concelho de Câmara de Lobos. Hoje de manhã estarão nas zonas altas do Funchal e à tarde na 'baixa' citadina.

Cunha e Silva reconheceu que a recuperação implica "um trabalho vasto que pressupõe outros financiamentos" que não somente o apoio que se espera da União Europeia, até porque prevê que o prejuízo real vá para além da primeira estimativa do Governo. Alertou mesmo que "o Fundo de Solidariedade Europeia não é tão avultado como as pessoas pensam. Aliás fica muito aquém das expectativas e por isso temos que encontrar com imaginação outras fontes de financiamento", advertiu.

Esclareceu ainda que "uma coisa são os prejuízos outra coisa é o que vai custar a reconstrução", daí a necessidade imperiosa de serem encontradas "soluções que ajudem a recuperar a Madeira". Nesse sentido, elogiou a "vontade de colaboração do Governo da República", até porque, sublinhou, "recuperar a Madeira é recuperar Portugal".

Já o secretário de Estado Adjunto destacou "a dimensão impressionante do que a Natureza fez", enaltecendo "o enorme esforço e trabalho que o povo da Madeira tem feito no sentido de reconstruir e de retomar a normalidade", que classificou mesmo de "comovente". Fernando Medina Correia sublinhou ainda "o espírito de total colaboração" entre os dois governos.


DN Madeira

quinta-feira, 18 de março de 2010

Cavaco promulgou alterações à Lei das Finanças Regionais

Guilherme Silva considera estar «ultrapassada» a polémica






Comentando, ontem, a promulgação das alterações à Lei das Finanças Regionais, o deputado social democrata madeirense Guilherme Silva e vice-presidente da Assembleia da República disse que o PSD esperava a promulgação pelo Presidente da República e considerou que "parece estar definitivamente ultrapassada a polémica" sobre esta matéria, destacando que “foi dado um passo em frente em matéria de Finanças Regionais, com a restituição à Região de direitos que lhe competiam e que tinham sido atropelados pela alteração que o PS isoladamente tinha aprovado na Assembleia da República”.
“O Presidente da República entendeu e percebeu que não havia nada de inconstitucional na Lei, e que é uma Lei que reponha a justiça em relação às duas Regiões Autónomas, pelo que não teve nenhuma hesitação em relação à promulgação”, completou.
Falando ao JM, Guilherme Silva acrescentou que a Lei, apesar de entrar em vigor, “irá ficar suspensa em princípio por dois ou três anos (isto quando vier a lei especial), a parte que diz respeito à aplicação das dotações orçamentais anuais, que serão feitas na base da lei anterior, complementadas com os valores que a nova lei vier a estabelecer, em princípio em Abril”.
Deste modo, realça que a Lei das Finanças Regionais, “mesmo com as alterações que foram feitas, seria insuficiente para fazer face à situação decorrente do acréscimo de encargos que a Região vai ter para fazer a recuperação de todas as insfraestruturas afectadas pelo temporal”.
“No mais a Lei das Finanças entra em vigor”, sublinhando que “há toda uma série de benefícios que advêem da nova lei”, nomeadamente o facto do Estado poder assumir a dívida da Região e do Estado poder avalizar empréstimos das Regiões Autónomas, “que não são afectados pela suspensão decorrente da lei especial que se vier a aprovar em Abril”.
Guilherme Silva refere ainda que “a parte da suspensão daquilo que será objecto esta lei de Abril é uma suspensão virtuosa, na medida em que corresponde à necessidade de encontrar dotações complementares que a Lei das Finanças Regionais, mesmo com as suas alterações, não atingia”.
Sublinha que “foi resolvido um problema político com este expediente”, que disse ser a “dificuldade com que o primeiro ministro estava para segurar o ministro das Finanças, que não queria que a Lei entrasse integralmente em vigor”. Assim, destaca, foi “dado este doce, para que o ministro as Finanças fique quieto”, acrescentando que a “Região não vive de caprichos, mas de soluções”.
Questionado sobre a reação do PS, que se congratulou com a decisão de Cavaco Silva de promulgar a Lei das Finanças Regionais à qual se tinha oposto, Guilherme Silva respondeu: "Os sinais são de que está definitivamente ultrapassada a polémica relativamente à lei das finanças das regiões autónomas".
Ontem, o secretário regional do Plano e Finanças, Ventura Garcês, manifestou a sua satisfação por o Presidente da República ter promulgado as alterações à Lei de Finanças Regionais aprovadas em Fevereiro pela Assembleia da República.
“Fico satisfeito porque houve aqui uma negociação permanente que o PSD teve na Assembleia da República com todos os partidos da oposição e que, de facto, resultou numa boa lei para as duas regiões autónomas”, disse.



Jornal da Madeira

quarta-feira, 17 de março de 2010

Jardim deve liderar processo de reconstrução

Luís Filipe Malheiro realça qualidades do presidente do Governo Regional


Luís Filipe Malheiro considera que Alberto João Jardim deve assumir a liderança do processo de reconstrução da Madeira após o temporal de 20 de Fevereiro. Para este membro da Comissão Política do PSD/Madeira, o actual presidente do Governo Regional tem demonstrado, ao longo do seu percurso político e de governante, ter as qualidades necessárias para vencer mais esta adversidade. Em seu entender, o temporal veio também evidenciar a primazia dada às questões de natureza social.




A No dia em que Alberto João Jardim completa 32 anos à frente do Governo Regional, Luís Filipe Malheiro considera que mais importante que o tempo a dirigir os destinos da Região está aquilo que efectivamente fez pela Madeira e pelos madeirenses, as mais-valias que trouxe para a Região.
Para Luís Filipe Malheiro, membro da Comissão Política do PSD/Madeira, Alberto João Jardim, por onde quer que passou, inclusive desde a sua passagem pelo JORNAL da MADEIRA, sempre deu sinais da sua «grande capacidade de liderança». E isso, tal como referiu, acabaria por se evidenciar também em todo o seu percurso político e de governante.
De resto, embora se considere suspeito para fazer esta observação, Luís Filipe Malheiro considera que Alberto João Jardim revelou-se um líder de corpo inteiro, capaz de conduzir a Região num percurso de progresso e desenvolvimento. Aliás, sublinhou ainda, «só com uma pessoa assim a Madeira teria chegado onde, felizmente, chegou».
Neste trajecto, tal como afirmou, «foram feitas coisas boas, foram feitas coisas menos boas. E, acima de tudo, temos a consciência que faltam ainda muitas outras coisas, em especial no domínio do social», uma área para a qual, segundo Luís Filipe Malheiro, o PSD/Madeira tem apostado e, agora, após o temporal de 20 de Fevereiro, mais ainda.
E isto porque, segundo Luís Filipe Malheiro, «a calamidade veio evidenciar a primazia das questões sociais, a primazia das famílias, das pessoas mais carenciadas», justificando, por isso, a aposta numa política social que tem vindo a ser desenvolvida pelo Governo Regional.
Agora, depois da catástrofe, Luís Filipe Malheiro diz que a Região tem de voltar a contar com o homem que ajudou a Madeira a conquistar a autonomia, o desenvolvimento e o progresso que alcançou. Em seu entender, os madeirenses e os porto-santenses, precisam de Alberto João Jardim. Pois, conforme referiu, ele continua a ser o líder que a Região precisa para enfrentar mais esta adversidade, pelo menos por estes três ou quatro anos previstos para a reconstrução da Madeira.




Jornal da Madeira

terça-feira, 16 de março de 2010

Apoios financeiros da segurança social cresceram em 25% entre 2008 e 2009

15 milhões de euros para as IPSS



Data: 16-03-2010

Em 2009, o Centro de Segurança Social da Madeira (CSSM) atribuiu cerca de 15 milhões de euros em apoios financeiros directos a Instituições Particulares de Segurança Social (IPSS) e a outras instituições de apoio social sem fins lucrativos.

O valor total deste apoio do CSSM foi 25% superior ao registado em 2008 (11.950,913 euros).

Bernardete Vieira, presidente do Conselho Directivo do CSSM, disse ao DIÁRIO que, nos últimos anos, os apoios financeiros da Região às IPSS têm aumentado. Os valores atribuídos às várias instituições têm por base "os acordos de cooperação com a Segurança Social, um trabalho de parceria que tem por objectivo dar as respostas sociais a quem mais precisa", explica ainda a responsável.

Segundo refere Bernardete Vieira, maioria dos apoios são atribuídos a instituições que prestam apoio a idosos e crianças. É sobretudo ao nível dos idosos que os apoios têm vindo a aumentar nos últimos anos e que continuará a crescer nos próximos tempos, admite ainda a presidente do Conselho Directivo do CSSM

Mas se por um lado os valores atribuídos têm aumentado de ano para ano, o mesmo não se poderá dizer em termos do número de instituições apoiadas financeiramente pela Segurança Social. "Pode haver mais uma ou outra, mas continuam a ser maioritariamente as mesmas instituições", diz Bernardete Vieira. "Temos é reforçado ou por aumento de valências ou por necessidade de respostas dessas mesmas instituições." De acordo com as listagens dos apoios do CSSM publicadas já no Jornal Oficial da Região (JORAM), no ano passado, entre as cerca de seis dezenas de instituições que beneficiaram de financiamento no ano passado, a Associação de Paralisia Cerebral da Madeira, a Associação Protectora dos Pobres, o Centro Social e Paroquial da S. S. Trindade da Tabua, o Centro Social e Paroquial de São Bento, o Centro Social e Paroquial de Santo António, a Fundação Mário Miguel e as Santas Casas de Misericórdia da Calheta e de Machico, foram aquelas que receberam as maiores 'fatias' (acima dos 400 mil euros anuais).

A maioria das verbas cedidas pelo CSSM tratam-se de apoios financeiros mensais e por utente atribuídos no âmbito de acordos de cooperação celebrados, mas em alguns casos referem-se também a apoios destinados a financiar encargos com pessoal, no âmbito do Rendimento Social de Inserção - Núcleos Locais de Inserção.


DN Madeira

sábado, 20 de fevereiro de 2010

A Madeira não vive à custa do continente

Secretário do Plano e Finanças diz que só recebe 0,13% das transferências do Orçamento do Estado







O secretário do Plano e Finanças da Madeira rejeita as críticas de que a região é "despesista" e "vive à custa do dinheiro dos contribuintes do continente", afirmando que o "Estado não tem moral" para fazer este tipo de acusações.
Em declarações à agência Lusa", Ventura Garcês considerou que este tipo de mensagem que passa na opinião pública constitui um conjunto de "inverdades para aproveitamento jornalístico especulativo".
"Não faz sentido, porque o Estado não é exemplo, nem prega moral para ninguém, porque 86 por cento do Orçamento é para despesas de funcionamento da máquina administrativa, enquanto na Madeira é uma percentagem muito inferior a esse patamar e tem um grau de despesas de investimentos per capita superior ao do Estado", disse.
Ventura Garcês opina que "os portugueses do continente que visitam a Madeira, quando regressam dizem claramente que aqui se vê onde foi aplicado o dinheiro".
"Melhoramos a qualidade de vida da população com o investimento feito ao longo destes anos de autonomia", realça.
O governante madeirense contraria também a opinião de que a Madeira vive à custa do dinheiro dos contribuintes do continente, sublinhando que a região "tem as suas receitas próprias e só 0,13 por cento das transferências do Orçamento de Estado são para a Madeira, o que é uma parcela muito irrisória no contexto global da economia, não esquecendo que a região tem 2,4 por cento da população".
Sem discordar dos argumentos que os Açores devem receber mais dinheiro que o arquipélago madeirense, o governante ressalva que "a Madeira tem mais população que os Açores, sendo que dois terços do território é Parque Natural, o que exige maior pressão no restante território".
"Para além disso, há o facto dos custos das infraestruturas serem superiores aos dos Açores por causa da orografia, onde não é necessário fazer viadutos nem túneis, custos que têm de ser suportados na Madeira", frisa.
Ventura Garcês declarou ainda "achar estranho" e "uma falsa questão" que os Açores pretendam apresentar uma proposta para contornar o "retrocesso" desta revisão feita à Lei das Finanças Regionais, "porque continuam a receber mais dinheiro que a Madeira, vão receber para cima de 100 milhões de euros, sendo que, mesmo com a lei aprovada há um diferencial positivo para os Açores".
O governante que tutela a pasta das Finanças no Governo Regional admitiu ainda existirem algumas dificuldades financeiras para satisfazer compromissos em sectores como a construção civil, no qual "há investimentos de grandes volumes, comparticipados pela União Europeia, e a região tem dificuldades em obter a sua quota parte", uma situação que conseguirá ultrapassar com "algum esforço e colaboração de todo o tecido económico empresarial".
Ventura Garcês fez questão de destacar que a construção do novo hospital no Funchal é um projeto considerado prioritário para o Governo Regional, que está inscrito nas Grandes Opções do Plano, se candidatou a projeto de interesse comum e aguarda "solidariedade" do executivo central, que já anunciou várias estruturas de saúde no resto do país.


Jornal da Madeira

quinta-feira, 18 de fevereiro de 2010

Estado não quis alterar para prejudicar a Região

Segundo secretário regional do Plano e Finanças a propósito do PIB da Madeira







O secretário das Finanças madeirense afirmou ontem que o Governo da República recusou alterar o critério do PIB para as transferências do Estado, em sede de finanças regionais, para prejudicar este arquipélago.
Em declarações à agência Lusa, Ventura Garcês falava sobre as acusações feitas ao executivo madeirense por estar a utilizar como base um PIB empolado pelo efeito do Centro Internacional de Negócios da Madeira (CIN), colocando a região numa situação de "riqueza virtual".
Para o governante regional, "se houve incapacidade foi do Governo da República em negociar com Bruxelas, porque a Madeira não tem capacidade para negociar diretamente".
Admitiu que o CIN "tem um peso significativo" na formação do PIB da Madeira, representando 20 por cento, argumentando que, "mesmo expurgando esse montante, a região teria um PIB superior aos 75 por cento".
O responsável do executivo madeirense salientou que o facto de a Madeira ter saído do grupo de regiões de Objetivo Um representou "uma diminuição de 400 milhões de euros em fundos comunitários e não de 500 milhões como andam uns iluminados a dizer".
Ventura Garcês realça que esses valores avançados "não fazem qualquer sentido e são pura e simplesmente especulação".
Apontou que "o critério usado pela União Europeia é a dívida direta sobre o PIB, que não pode ultrapassar os 60 por cento, e a Madeira está muito aquém, o que não é o caso de Portugal que já está nos 80 por cento".
Quanto à utilização deste critério em sede de negociação da Lei das Finanças Regionais em 2007, Ventura Garcês mencionou que o executivo central poderia ter alterado a situação, mas foi "uma imposição do Governo da República".
Recordou que "em sede de grupo de trabalho formado, constituído pelo executivo central, o presidente do grupo levantou essa questão".
"O Governo da República não aceitou, porque estava com intenção politico partidária de cortar dinheiros à Madeira, ao contrário do prometido", referiu.
"O Governo da República não quis negociar, pura e simplesmente impôs, não aceitou o grupo de trabalho formado porque estava na mira de dois em um: reduzir a despesa do Estado e reduzir o dinheiro para a Madeira, para privilegiar os Açores", adiantou.
Ventura Garcês garantiu mesmo que nessa primeira reunião do grupo em que o Ministro das Finanças participou "deu a orientação clara: a Madeira tem de receber menos dinheiro".


Ventura Garcês considera atitude inadmissível
Estado é discriminatório com a Madeira




O secretário do Plano e Finanças da Madeira, Ventura Garcês, criticou a "postura discriminatória" do Governo da República em relação à Madeira ao reduzir "praticamente zero" os investimentos na região este ano.
Em declarações à agência Lusa, o governante madeirense falava sobre o Programa de Investimentos e Despesas de Desenvolvimento da Administração Central (PIDDAC) para 2010 do Governo da República do Partido Socialista que prevê investimentos na ordem dos 400 mil euros na Madeira e mais de 21 milhões nos Açores.
Para Ventura Garcês esta "uma postura discriminatória do Governo da República em relação à Madeira, isto de reduzir praticamente a zero o valor dos investimentos da administração central na Região Autónoma da Madeira é caricato".
Adiantou "não fazer sentido" estarem incluídas intervenções em estruturas da Justiça na região, casos dos tribunais que "tempos foram anunciadas, quando agora vem a público que o Palácio da Justiça no Funchal está a meter água".
"Isso é ridículo, é colocar a Região autónoma da Madeira ao abandono face a esta atitude do PS de cortar verbas para a Madeira", afirmou.
Para o secretário madeirense esta é "uma atitude inadmissível num Estado de direito".
Ventura Garcês salientou que com o atual Governo do PS, as verbas do PIDDAC "têm vindo a diminuir sistematicamente" nos últimos anos, sendo que em 2010 "há um corte de 92 por cento em relação ao valor de 2009, o que é um corte substancial".
As dificuldades financeiras levaram o Governo Regional a adiar o projeto de construção do novo hospital do Funchal, salientando o titular da pasta do Plano e Finanças que a região "formalizou candidatura no âmbito dos projetos de interesse comum, no âmbito da anterior lei".
"Pediram-nos algumas informações e a execução consta nas Grandes Opções do Plano e aguáramos que este projeto venha a ser cofinanciado, mas a todo o momento o Governo da República pode financiá-lo", argumentou.
Ventura Garcês apontou que a Madeira "está esperançada que assim aconteça, pois a discriminação é de tal ordem e gritante que seria bom sinal o Governo da República financiar o novo hospital", sublinhou.
Apontou que tendo o Governo central anunciado a construção de várias unidades de saúde no país, "não faz sentido que não viesse contemplar o hospital do Funchal".







Jornal da Madeira

Estado investe 1,65 euros por cada madeirense e 87 por cada açoriano, diz Pedro Coelho

"Um açoriano equivale a 50 madeirenses"

Data: 18-02-2010



Não se trata de uma convicção, mas de uma constatação do PSD-M, a propósito do dinheiro previsto no Orçamento de Estado para investimento directo nas duas regiões autónomas.

Foi à porta do Tribunal da Ponta do Sol, que o deputado Pedro Coelho deu conta da indignação dos social-democratas pela forma como a Região e os madeirenses são tratados no PIDDAC - investimentos do Estado - deste ano.

O deputado do PSD na ALM alerta para uma diminuição de 92% no montante previsto para a Madeira, de 2009 para 2010. Passa de 5,5 milhões para 427 mil euros. Já os Açores vão ser contemplados com 21,4 milhões de investimento durante este ano. Nas contas apresentadas por Pedro Coelho, o Estado investe na Madeira 1,63 euros por cada habitante. Já nos Açores são investidos 87 euros por açoriano, o que leva o PSD a concluir que "um açoriano equivale a 50 madeirenses".

Os social-democratas analisaram a proposta de PIDDAC e constataram que o Governo da República se propõe investir bastante mais no estrangeiro do que na Madeira. A título de exemplo, são referidos os 300 mil euros para hemodiálise em Cabo Verde e os 400 mil para as televisões dos PALOP.

Pedro Coelho diz que apenas 0,02% do PIDDAC é que serão investidos na Região, ficando por resolver situações como as dos tribunais da Ponta do Sol e de Santa Cruz ou as das esquadras da PSP do Porto Santo, de Santa Cruz e da Ponta do Sol.

O PSD conclui que o primeiro-ministro não considera os madeirenses como portugueses, mas também não os considera estrangeiros, tendo em conta dos 43 milhões de euros que o Estado português prevê investir fora do território nacional.


DN Madeira

«Quanto mais Jardins melhor»

Alberto João não se sente ofendido com caricaturas suas no Trapalhão






Alberto João Jardim não se sente ofendido com as caricaturas que os madeirenses fazem a seu respeito, no Trapalhão. «Não há problema nenhum. A caricatura, feita com inteligência e com espírito, é um factor positivo numa sociedade. O insulto é que já não é». Reconhecendo que, ao longo dos anos, tem sido muito caricaturado pelos foliões, o presidente do GR disse ter achado «um piadão» na maior parte das vezes. «Nunca me senti ofendido com nada que houvesse neste Carnaval». Por isso, o Carnaval madeirense é «é uma verdadeira cultura democrática feita por um povo civilizado. Era bom que outros aprendessem connosco». E, sobre haver tantos “Alberto João” no Trapalhão, Jardim disse que «é Carnaval e vale a pena. Eu, que gosto de andar no Carnaval, então não ia gostar de ver os outros a fazerem Carnaval comigo? E, quanto mais Alberto João Jardins, melhor». Já sobre quem gostava de caricaturar, se participasse no Trapalhão, o governante prefere manter em segredo, porque, «quando eu participar, podem descobrir quem eu serei».




Jornal da Madeira

domingo, 14 de fevereiro de 2010

Alberto João Jardim integrou o Cortejo Alegórico, trajando-se de Vasco da Gama


«Vou à procura de Portugal»




O presidente do Governo Regional, Alberto João Jardim, integrou o Cortejo Alegórico de Carnaval, ornamentado com uma indumentária representativa do navegador português Vasco da Gama.
Abordado pela comunicação social relativamente à escolha do traje que estava a usar, Alberto João Jardim disse: «Porque vou à descoberta de Portugal. O país está perdido e eu estou à procura de Portugal. Não vejo, por enquanto, o Cabo da Boa Esperança, mais há-de dobrar-se o Bojador», acrescentou o líder madeirense, numa noite chuvosa, mas aquecida pelos ritmos de Carnaval.
Há três anos que o chefe do Executivo madeirense não participava nos corsos carnavalescos. Ontem à noite, Alberto João Jardim juntou-se, novamente, à Turma do Funil.
O grupo de João Atanásio convidou também para o seu corso a “socialité” portuguesa, Bibá Pita.
"O Oceano em Folia” foi o tema que a Turma do Funil - composta por cerca de 150 figulares - levou às principais artérias da capital madeirense. As cores das indumentárias incidiram no laranja, verde e roxo, preto, prateado, fúxia, turquesa e branco. Plumas, pedras, pastilhas e fios de lentejolas embelezaram os trajes.
O feitiço das sereias e o encanto da ilha perdida “Atlântida” foram retratados no desfile de João Atanásio.
De referir ainda que a Turma do Funil homenageou o povo de Câmara de Lobos, com figurinos alusivos ao Peixe-Espada-Preto e os barcos “O Xavelha”».
“Balanço do Mar”, da baiana Daniela Mercury, foi uma das canções escolhidas pelo colectivo de João Atanásio.


Jornal da Madeira

sexta-feira, 12 de fevereiro de 2010

Juntas do Funchal recebem mais 7%

Nos últimos quatro anos os apoios subiram 20%






A Câmara Municipal do Funchal vai transferir para as dez juntas de freguesia do concelho cerca de 1,219 milhões de euros, no âmbito das transferências de competências. Este é um valor idêntico ao transferido do Orçamento do Estado para 2010 para as juntas do Funchal.
Além destas verbas, os vereadores reunidos ontem decidiram aprovar a transferência de mais 381 mil euros para que as juntas possam realizar trabalhos de limpeza de veredas e arruamentos.
Feitas as contas, as juntas vão receber mais 7% do que o ano passado. E como todos os anos as verbas crescem, nos últimos quatro os apoios já subiram 20%. Na habitual reunião da câmara, o executivo aprovou também a proposta dos novos estatutos da SócioHabita, os quais prevêem uma redução de três para um administrador da empresa municipal, à semelhança do que aconteceu na empresa Frente-Mar, em 2008. Com esta decisão, é «provável» que fique apenas na administração Miguel Batista, mantendo-se na presidência, enquanto que as até agora vogais Graça Correia e Manuela Summares deverão regressar ao Departamento de Habitação da Câmara.
Pedro Calado, porta-voz da reunião de ontem, fez notar que esta decisão «não põe em causa o funcionamento e a boa gestão que tem sido feita» na empresa.
O vereador da Câmara Municipal justifica a decisão com as «limitações financeiras que existem», acreditando que deste modo há uma «redução significativa nos custos correntes de funcionamento».
A Câmara deliberou ainda abrir concurso para exploração de uma mercearia tradicional no rés-do-chão do prédio na Zona Velha da cidade onde funcionou a empresa “Funchal 500 Anos”.


Jornal da Madeira

domingo, 7 de fevereiro de 2010

Madeira beneficiada com 7% dos incentivos aos eventos

Trindade aprovou 430 mil euros de apoios ao Open de Golfe e Rali
Data: 07-02-2010



Dois eventos da Madeira vão absorver 7% dos apoios previstos na linha 2 do Programa de Intervenção Turística (PIT) que o Governo da República criou. Bernardo Trindade, o madeirense que é Secretário de Estado do Turismo, formalizou o apoio de 330 mil euros ao Open de Golfe da Madeira, bem como 100 mil euros para a organização do Rali Vinho Madeira.

O apoio do Turismo de Portugal reveste-se de importância determinante na concretização destes eventos, já que no caso do torneio de golfe o apoio garante cerca de 30% da verba necessária para a organização do mesmo, que ascende a um milhão de euros.

Recorde-se que o Open da Madeira em Golfe, a jogar no Porto Santo Golf, conta para o Circuito Europeu e constitui-se como o maior evento promocional do turismo da Madeira, já que é divulgado em todo o mundo em mais de 350 milhões de lares, através não só das imagens televisões, como de reportagens em revistas e jornais.

Para garantir a operacionalização do evento, o Orçamento da Madeira garante um apoio de meio milhão de euros.

No caso do Rali Vinho Madeira, a comparticipação do Estado cobre apenas 10% das despesas. Deste modo a organização conta com mais de 650 mil euros do Governo Regional, contributo importante para garantir a cobertura dos encargos, que ascendem a um milhão de euros.

Nota curiosa é dada pela circunstância das duas candidaturas madeirenses terem um peso significativo nos 6 milhões de euros que o sistema de incentivos disponha, com a particularidade do Turismo de Portugal ter registado candidaturas no valor de 150 milhões de euros.

Disponíveis estão incentivos para a linha 1 - Requalificação de infra-estruturas - tendo Bernardo Trindade mostrado abertura em viabilizar uma candidatura da Madeira que permitisse uma recuperação em grande escala das levadas e respectivos percursos pedonais e turísticos, já que é entendimento do Turismo de Portugal de que este é um 'produto' diferenciador e que acrescenta valor ao destino.

O Turismo de Portugal entende, também, que a Madeira tem condições para apresentar uma candidatura que potencie as 'noites', a partir de eventos concebidos para os turistas e que aproveitem as condições únicas de tempo que ao longo de todo o ano a Região oferece.

Num ano em que a contenção é a palavra de ordem, o orçamento do Turismo foi reforçado em 0,8%, tendo Bernardo Trindade à sua disposição 314 milhões de euros. As verbas inscritas para a promoção - 50 milhões de euros - mantêm-se, sendo claro que a aposta nos fundos de rota são para manter, dispondo a iniciativa.pt de um orçamento de 25 milhões de euros.

GASTRONOMIA

É a grande aposta de 2010 do Turismo de Portugal. Uma grande campanha de promoção e valorização da gastronomia portuguesa. Porque Bernardo Trindade quer que Portugal seja conhecido pelo clima, segurança, património, praias e campos de golfe, mas também pela riqueza dos seus pratos tradicionais. Com foco na abundância e diversidade permitida por águas que não sendo ricas, são em grande área. Uma campanha que pode incluir a Madeira, isto naturalmente se as entidades e associações empresariais estiverem atentas.


DN Madeira

Lei de Finanças tem de ser cumprida

Jardim esclarece que não há impedimentos legais para aplicar a LFR







O líder do PSD/Madeira, Alberto João Jardim, acompanhado pelos deputados à Assembleia da República, Guilherme Silva, Correia de Jesus e Vânia Jesus, e do secretário regional do Plano e Finanças, Ventura Garcês, referiu que «as manobras legais invocadas caem por terra, porque não podem tocar em matéria orçamental».
Jardim afirmou que a lei aprovada não é a Lei de Finanças Regionais proposta pela Assembleia Legislativa da Madeira. «Houve que fazer algumas transigências para garantir que a lei fosse aprovada», reconheceu o líder social-democrata, aproveitando a oportunidade para elogiar a postura coerente dos partidos, nomeadamente o PCP. «Há que ser reconhecido aos partidos que fizeram alterações, que não são tão boas como as que saíram da Assembleia Legislativa da Madeira, e às posições dos deputados José Manuel Rodrigues e Luís Miguel França, que os colocou em situações difíceis nos respectivos partidos».

Elogios à coerência dos partidos no Parlamento

Munido de alguns dados relativos às transferências do Estado para as Regiões Autónomas (ver quadro ao lado), Alberto João Jardim desmistificou a «campanha que foi feita à volta da Lei de Finanças Regionais».
O líder social-democrata disse estar convencido que «foi gasto, com agências de informação e com manobras de campanha à volta da lei, muito dinheiro».
Relativamente à postura do Governo da Região Autónoma dos Açores em todo este processo, Jardim exortou o povo açoriano a perguntar ao seu presidente «como é que se opôs a uma lei que se traduz em mais dinheiro para a sua região e como é que se toca o povo açoriano para fazer um papel de porta-voz do PS nacional?».

Desmistificada manobra de diversão do PS


Os números que representam um esclarecimento à opinião pública portuguesa revelam que os Açores receberam mais de mil milhões de euros entre 1998 e 2009.
Ao desmistificar a campanha nacional lançada pelo PS e pelo Governo da República, o presidente do PSD/M esclareceu que «os mercados internacionais só começaram a reagir em relação à economia portuguesa mais negativamente, não pela Lei de Finanças Regionais, o que seria ridículo, quando tomaram conhecimento da proposta de Orçamento que o Governo apresentou».
Segundo Jardim «havia que criar uma manobra de diversão, porque durante três semanas falou-se de finanças regionais, mas não se falou do Orçamento de Estado que é a questão fulcral».
Tal como salientou o Presidente da República, Cavaco Silva, que segundo Jardim teve «perfeito e impecável» nesta matéria, «a questão que os portugueses têm de estar preocupados é com o Orçamento e não embarcar em toda esta manobra de propaganda que foi feita».
O líder social-democrata madeirense exemplificou com a questão do défice e com o IVA, esclarecendo que tal como o Estado, também a Madeira faz face a despesas de saúde e educação. Relativamente ao IVA, Jardim realçou que a taxa aplicada na Região, inferior ao continente, não é uma decisão do Estado, mas sim estipulado no tratado de adesão à União Europeia para fazer face aos custos de insularidade.

“Compromisso histórico” relança alternativa de Governo

Alberto João Jardim considerou que o «compromisso histórico» obtido na Assembleia da República lança um desafio ao Presidente da República «que terá de tirar as devidas ilações do acordo que foi possível estabelecer entre quatro partidos, dando cumprimento à vontade do Conselho de Estado».
Na óptica do líder do PSD/M, há que reflectir na medida em que, tal como aconteceu em Itália com “compromesso storico”, no qual partidos com visões diferentes convergiram em questões que eram de interesse nacional.
«Ninguém pode provar à partida que não possa haver o compromisso histórico em Portugal, em que todas as partes abdicariam das suas visões mais radicais, e que fariam uma grande mobilização interclassista para enfrentar a situação nacional no momento em que ela se encontra», realçou.
Para Jardim «provou-se com esta lei que é possível fazer um compromisso histórico que liberte o país de um partido que hoje não tem qualquer ideologia ou valores, que é o PS, cujo único objectivo é a conquista, e a manutenção do poder a qualquer preço».

Dada a confusão de números vinda a público,
o Governo Regional da Madeira esclarece:


I – CONTA CONSOLIDADA 2008
Despesas correntes: Açores: 73% da despesa total
Madeira 75% da despesa total

II – ORÇAMENTO CONSOLIDADO 2010
Despesas correntes: Açores: 74% da despesa total
Madeira 68% da despesa total

III – TRANSFERÊNCIAS E DESPESAS NO ORÇAMENTO
DE ESTADO DE 2010

Açores recebe mais 1.022 euros “per capita” do que a Madeira

IV – TRANSFERÊNCIAS E DESPESAS NO ORÇAMENTO DE ESTADO
DE 2010 COM A REVISÃO DA LEI DE FINANÇAS AGORA APROVADA

Açores recebe mais 847 euros “per capita” do que a Madeira ~


V – COMPARAÇÃO DA DÍVIDA PÚBLICA DO ESTADO E DA REGIÃO
AUTÓNOMA DA MADEIRA - 2009

Estado Região Autónoma


Dívida Directa 132.526 milhões 864 milhões
Dívida Indirecta 25.669 milhões 1.197 milhões
PIB 162.061 milhões 4.811 milhões

Dívida directa “per capita” 13.076 3.495
Dívida Total “per capita” 15.608 8.341
Dívida Directa face ao PIB 81,78% 17,96%
Dívida Total face ao PIB 97,61% 42,85%

VI – TRANSFERÊNCIAS DO ORÇAMENTO DE ESTADO PARA AS REGIÕES
AUTÓNOMAS DE 1998 A 2009 (inclui PIDDAC e Autarquias Locais)

Os Açores receberam a mais do que a Madeira 1.027.647,15 milhares de euros.

Compare-se os graus de desenvolvimento

VII – PESO NO PIB DE 2009 DAS TRANSFERÊNCIAS PARA AS REGIÕES
AUTÓNOMAS – DADOS PARA 2010

Lei Orgânica 1/2007 Proposta 1/XI-GP VARIAÇÃO


Madeira 0,13% 0,17% 0,04%
Açores 0,22% 0,23% 0,01%
Açores + Madeira 0,35% 0,4% 0,05%

VIII – PESO DAS TRANSFERÊNCIAS PARA AS REGIÕES AUTÓNOMAS
NA DESPESA DO ESTADO 2009 – DADOS PARA 2010

Lei Orgânica 1/2007 Proposta 1/XI-GP VARIAÇÃO


Madeira 0,13% 0,17% 0,04%
Açores 0,22% 0,23% 0,01%
Açores + Madeira 0,35% 0,4% 0,05%

IX - TRANSFERÊNCIAS PARA A MADEIRA EM 2010 - COMPARAÇÃO
COM OS APOIOS À RTP – 2008


RTP Madeira
184,21 66%


Jornal da Madeira

Lei de finanças está aprovada

Após dois meses de negociações








A nova lei de finanças regionais foi ontem aprovada com os votos a favor de toda a oposição e do socialista madeirense Luís Miguel França e os votos contra do resto da bancada do PS.
A meio da tarde, depois de mais um intenso dia de debate, o presidente da Assembleia da República, Jaime Gama, anunciava o resultado. Sem abstenções, a lei passou com 127 votos favoráveis e 87 contra.
Ao longo do debate, o Partido Socialista manteve-se irredutível na posição, repetindo os argumentos usados na discussão na Especialidade e reproduzindo também as “advertências” do ministro das Finanças, Teixeira dos Santos, que no dia anterior, numa declaração ao país, desfez a dúvida sobre a sua demissão – não sai –, garantiu que o país não ia compreender mais transferências para a “despesista” Madeira e assumiu que tudo fará para que, ao abrigo da Lei de Estabilidade e Orçamento, sejam travadas as transferências que a nova lei de finanças agora contempla, recorrendo para tal aos instrumentos legais e políticos que tiver ao seu alcance.
Apesar de caber ao ministro dos Assuntos Parlamentares, Jorge Lacão e não Teixeira dos Santos a defesa do Governo da República no parlamento nacional, o nome do ministro das Finanças foi muito falado no hemiciclo, com o Bloco de Esquerda, através de Luís Fazenda, a considerar que se tratou de uma «encenação grotesta» o ministro ter alertado para o «impacto negativo» que a aprovação da lei teria para os mercados internacionais.
O argumento de que a Madeira já tem um PIB per capita superior à média nacional também foi rebatido pelo bloquista. Para Fazenda, essa é uma «ideia completamente demagógica» pois ninguém pensa que não haverá mais investimento em Lisboa, por esta ser a região mais rica do país.
O ministro dos Assuntos Parlamentares não se deixou impressionar e disse que a aprovação da lei seria uma «enorme irresponsabilidade» da oposição e uma «enorme contributo para o desvario» das contas públicas.

«Xenofobia
inter-regional»
Luís Fazenda retomou a palavra para acusar o PS de «xenofobia inter-regional». Em defesa da honra, Francisco Assis, líder da bancada socialista, que admitiu vir a pedir a averiguação da constitucionalidade do diploma ontem aprovado, produziu um «veemente protesto» contra a afirmação de Fazenda e acusando o Bloco de se ter transformado «na ala esquerda parlamentar de Alberto João Jardim».
O pingue-pongue argumentativo terminaria com o BE a acusar a bancada do PS de ser o «insultador mor» na Assembleia da República e de os socialistas estarem a «procurar o ódio» entre as regiões portuguesas.
Por seu turno, o PCP, através do deputado António Filipe, considerou de «enorme gravidade política» que o Executivo não queira cumprir a lei ontem aprovada.
Numa referência à comunicação ao país de Teixeira dos Santos, o comunista declarou que «dizer que o Governo há-de encontrar caminhos legais para impedir [a aplicação da lei] é uma afirmação de enorme gravidade política. Quem tem legitimidade para decidir sobre a forma de aplicação dos recursos públicos é a Assembleia da República e não o Governo», afirmou o deputado.
Mais tarde, a presidente do PSD falaria sobre o assunto para criticar o Governo por pretender impedir a aplicação da nova Lei de Finanças Regionais, dizendo que enquanto ministra Finanças jamais pensou em «não executar uma lei democraticamente aprovada» no Parlamento.
«Nunca me atravessou o espírito como ministra das Finanças não executar uma lei democraticamente aprovada na Assembleia da República», declarou Manuela Ferreira Leite aos jornalistas, no Parlamento.

«Não houve crise,
houve um simulacro»


Mas no hemiciclo a oposição também criticou a «encenação de uma crise» do governo.
«Não houve crise, houve um simulacro. O Governo ficou a saber que a mentira e chantagem não compensam e que não nos intimidam com ameaças de crise política», afirmou António Filipe, considerando que o executivo liderado por José Sócrates é, actualmente, «um factor de instabilidade política».
O ministro dos Assuntos Parlamentares, Jorge Lacão, manteve-se firme e insistiu que o Governo procurará «limitar os limites de endividamento» e controlar as transferências do Estado para as regiões autónomas, tal como Teixeira dos Santos havia anunciado.
Na resposta, o líder parlamentar do PSD, Aguiar Branco, acusou o Governo de dar «prioridade aos humores e lógicas partidárias» e de ensaiar «uma imagem de dramatização» para «arranjar um pretexto para fugir às responsabilidades».
A oposição também recusou um dos argumentos principais do ministro Jorge Lacão, rejeitando que, com as alterações, se somem 400 milhões de euros de endividamento em 2013 para as duas regiões.
«No primeiro ano há limite máximo de 50 milhões de euros, nos outros anos é um valor apurar em sede do Orçamento do Estado. A incoerência do ministro é total. Para o próximo ano, em sede do OE alterará o que entender», disse o Bloco de Esquerda.
Por seu turno, a deputada do CDS-PP Assunção Cristas, afirmou que «todos estes ziguezagues foram condimentados com ameaça de crise política iminente numa atitude de chantagem sobre o parlamento», salientando, ainda, que a revisão das finanças regionais veio mostrar uma divisão dentro do PS e o Governo.
Assunção Cristas vê a intransigência do Governo neste episódio como «uma birra. O Governo exige às regiões o que não impõe para si próprio», criticou, sugerindo cortes nos «desperdícios» do Estado.
Do mesmo modo, a deputada do PEV Heloísa Apolónia considerou que a oposição do Governo e do PS às alterações às finanças regionais explicam-se por «uma birra pessoal, uma teimosia» do Governo contra Alberto João Jardim, e afirmou que «um país não se governa com birras e ameaças».

Lei de Enquadramento Orçamental

A Lei do Enquadramento Orçamental pode determinar transferências e limites de endividamento inferiores aos previstos em leis específicas, como a das finanças regionais, caso se verifiquem circunstâncias especiais que ponham em causa o Programa de Estabilidade e Crescimento. A lei invocada pelo ministro para fazer travar as transferências e conter o endividamento diz, no seu artigo 88.º, que «a lei do Orçamento pode determinar transferências do Orçamento do Estado de montante inferior àquele que resultaria das leis financeiras especialmente aplicáveis a cada subsector, sem prejuízo dos compromissos assumidos pelo Estado no âmbito do sistema de solidariedade e de segurança social».
Isto para «assegurar o estrito cumprimento dos princípios da estabilidade orçamental e da solidariedade recíproca, decorrentes do artigo 104.º do Tratado que institui a Comunidade Europeia e do Pacto de Estabilidade e Crescimento".
«A possibilidade de redução prevista no número anterior depende sempre da verificação de circunstâncias excepcionais imperiosamente exigidas pela rigorosa observância das obrigações decorrentes do Programa de Estabilidade e Crescimento e dos princípios da proporcionalidade, não arbítrio e solidariedade recíproca e carece de audição prévia dos órgãos constitucional e legalmente competentes dos subsectores envolvidos», explicita o número 2 do mesmo artigo.
Quanto aos limites de endividamento, diz o artigo 87.º da mesma lei que, «em cumprimento das obrigações de estabilidade orçamental decorrentes do Programa de Estabilidade e Crescimento, a lei do Orçamento estabelece limites específicos de endividamento anual da administração central do Estado, das Regiões Autónomas e das autarquias locais, compatíveis com o saldo orçamental calculado para o conjunto do sector público administrativo». E acrescenta que esses limites de endividamento «podem ser inferiores aos que resultariam das leis financeiras especialmente aplicáveis a cada subsector».

Audição não é tema pacífico

O presidente da Assembleia Legislativa da Madeira, Miguel Mendonça, confirmou ontem ter recebido um pedido de parecer sobre o texto final da nova lei de finanças regionais, mandado pelo presidente da Comissão Especializada Orçamento e Finanças, Mota Pinto, anteontem às 23h45.
Depois de se ter informado, Miguel Mendonça disse aos jornalistas que «há constitucionalistas que entendem que não é necessário a Assembleia Legislativa da Madeira emitir parecer neste caso concreto, porque já emitiu parecer na fase de discussão na generalidade da lei e, portanto, estará dispensada de emitir mais pareceres por cada alteração à lei que venha sendo feita na Comissão Especializada». Mas há também outra corrente de opinião que entende que a Assembleia da Madeira deve ser ouvida e emitir parecer.
Por outro lado, e já comentando a declaração ao país do ministro Teixeira dos Santos, anteontem à noite, Miguel Mendonça ficou com a ideia, pelo que ouviu, de que o ministro «não morre de amores por nós. Isto não é o discurso da vitimização, do coitadinho, mas penso que não morre de amores pela Madeira». São «ressentimentos pessoais», justificou.

Parecer favorável

O Governo Regional da Madeira deu ontem parecer favorável à redacção da lei das finanças regionais, antes de ser aprovada no plenário e já depois de ter passado na comissão de Orçamento e Finanças pelos partidos da oposição, sugerindo algumas alterações.
«Apesar das alterações introduzidas em sede de comissão de Orçamento e Finanças reduzirem, nalguns casos, de forma substancial, a reparação da injustiça decorrente da presente lei aprovada em 2007, tendo em linha de conta a votação indiciária expressa pela maioria dos partidos, dá o seu parecer favorável à actual redacção», refere o documento.

«Pôs portugueses contra portugueses»

O deputado madeirense do PSD Guilherme Silva acusou ontem o Governo da República de pôr portugueses contra portugueses, devido à revisão da lei de finanças.
Na última intervenção antes da votação final global, Guilherme Silva começou por dirigir-se aos açorianos para lhes dizer não confunde «o povo solidário dos Açores com um governo que, ocasionalmente, está a dirigi-lo, fomentando um divisionismo que jamais existiu nas autonomias regionais».
Depois, direccionou as suas palavras para os portugueses do continente, afirmando que também sabe da «solidariedade da alma do povo português» a qual «é desrespeitada por este Governo».
«Essa solidariedade é recíproca por parte dos madeirenses», garantiu-lhes o deputado do PSD. Finalmente aos madeirenses disse-lhes que «a coisa mais sagrada que há é este voto que delegaram em nós, neste mandato. E a força que este voto nos deu para resistir a todas as chantagens de um governo que não tem o respeito pela dignidade do povo que o elegeu».
Guilherme Silva prestou ainda «homenagem a todos os Presidentes da República e a todos os primeiros-ministros da nossa democracia», dizendo que, apesar das «muitas divergências e diferenças», todos souberam «respeitar aquilo que é mais importante em todos nós: a unidade nacional, a solidariedade entre portugueses, o respeito pela Constituição».
Agora, e pela primeira vez, «o Governo da República quebrou» essa unidade, lamentou o deputado, considerando que o governo de José Sócrates fê-lo de «uma forma que não magoa apenas os madeirenses», visto que o comportamento de todos os partidos à excepção do PS revela que «magoa todos os portugueses e que, se calhar, magoa e magoará acima de tudo aqueles que, por engano, votaram no PS».
«Senhor ministro dos Assuntos Parlamentares, a pior coisa que se pode fazer a uma país é dividi-lo, é, neste caso, pôr portugueses contra portugueses e é isto que este governo tem feito desde a malfadada lei que aprovou aqui sozinho, em 2007», salientou.
«Eu tive a honra de integrar o grupo de trabalho que elaborou a primeira lei das regiões autónomas e foi um madeirense (o próprio Guilherme Silva) que propôs que se adicionassem o quociente de nove décimos para que os Açores, que têm nove ilhas, tivessem mais transferências do que a Madeira. É isto senhor ministro, que o senhor ministro e o seu governo e o senhor primeiro-ministro não percebem. É esta solidariedade que temos de ter todos entre nós. Não há açorianos, não madeirenses, não há continentais. Há portugueses. E é Portugal que vamos aprovar aqui. Infelizmente, sem a comparticipação do partido do governo», disse, momentos antes da aprovação da lei.

Comportamento do PS foi inaceitável

O deputado madeirense do CDS/PP na Assembleia da República, José Manuel Rodrigues, considerou «inaceitável» a postura adoptada pelo PS e pelo Governo da República em todo o processo de revisão da lei das finanças regionais.
José Manuel Rodrigues diz que a lei é «justa, razoável e equilibrada», destacando o «papel difícil» desempenhado pelo CDS neste processo, que teve como objectivo promover uma «cultura de aproximação, diálogo no sentido de haver o máximo consenso à volta da lei, tentando que o Governo e PS apresentassem propostas».
«Mas, ao contrário, o PS e o Governo mostraram desde o início que não estavam interessados na revisão da lei ou por birra política, depois passaram à ameaça de uma crise política se fosse aprovada que passou a ameaça sobre constitucionalidade e ilegalidade da lei e até de castigo da Madeira no próximo Orçamento de Estado, o que é claramente inaceitável», declarou.
Rodrigues garantiu ainda que a nova lei não compromete de forma nenhuma as finanças públicas em Portugal.

«Sinto-me feliz até»




O deputado madeirense Luís Miguel França foi o único socialista que votou a favor da nova lei de finanças regionais, desrespeitando a disciplina de voto que tinha sido imposta pelo PS.«Aquilo que há entre o deputado eleito da Madeira e o grupo parlamentar é um ponto de vista diferente em relação a esta matéria», assumiu Luís Miguel França, em declarações ao Jornal da Madeira, explicando que o seu sentido de voto se deveu a uma «questão de consciência», às «lacunas» da actual lei em relação à Madeira e ao facto de o PS-Madeira ter votado favoravelmente a proposta de revisão da lei de finanças regionais, na Assembleia da Madeira.
Miguel França revela, por outro lado, que já tinha prevenido o presidente do grupo parlamentar, Francisco Assis, para a decisão que tinha tomado, mas ainda assim não recebeu liberdade de voto. «Acabei por furar a disciplina», disse, não sabendo agora se poderá sofrer, ou não, alguma sanção.
«Aquilo que sei neste momento é que me sinto bem. Sinto-me feliz até. Sinto-me de consciência tranquila, porque votei de acordo com a minha consciência. O pior que eu poderia fazer era violentar a minha consciência e trair os eleitores que me elegeram e toda a população da Madeira. Portanto, isso sobrepõe-se a todo o resto», disse, assumindo que o restante são «pequenos pormenores».



Jornal da Madeira

Nuno Teixeira questiona CE sobre modelo de financiamento

Às regiões ultraperiféricas, nomeadamente à Madeira






O eurodeputado do PSD Nuno Teixeira convidou ontem a Comissão Europeia (CE) a rever o actual modelo de financiamento comunitário às regiões ultraperiféricas, nomeadamente à Madeira. Em questão escrita, enviada à CE, considera que o actual modelo de financiamento comunitário comporta um "aparente paradoxo", uma vez que as regiões que conseguiram evoluir e progredir (como a Região Autónoma da Madeira) são "premiadas" com o consequente corte de fundos e as regiões que não o conseguiram mantêm constantes os seus níveis de ajudas comunitárias.
A Madeira, bem como as Ilhas Canárias, deixou de ser elegível ao abrigo do objectivo Convergência dos Fundos Estruturais (ex-objectivo 1), tendo passado no actual período de financiamento a um enquadramento especial de "phasing in" no objectivo Competitividade Regional e Emprego. Segundo Nuno Teixeira, "a alteração do posicionamento destas regiões ultraperiféricas foi feita exclusivamente em função da evolução atingida no valor do seu Produto Interno Bruto, cujo aumento foi também induzido por via dos apoios comunitários".
O eurodeputado relembra que "as regiões ultraperiféricas têm uma situação económica e social estrutural agravada por características de carácter perene, enfrentando dificuldades constantes que por isso exigem ajudas permanentes". O indicador que serviu de base à alteração do posicionamento da Madeira foi "apenas e só" o critério do PIB. Neste contexto, Nuno Teixeira instou a CE a apresentar qual o montante das verbas atribuídas às regiões ultraperiféricas da Madeira e dos Açores e à região espanhola das Ilhas Canárias nos últimos três períodos de financiamento (1994-1999, 2000-20006 e 2007-2013) e qual a evolução do PIB das mesmas regiões durante esses períodos.


Jornal da Madeira