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sábado, 19 de junho de 2010

P. Santo e Laurissilva têm o voto de CR9

Ronaldo apelou ao voto nas 'maravilhas' madeirenses no facebook







Cristiano Ronaldo decidiu dar a cara pela Praia do Porto Santo e pela Floresta Laurissilva, tentando contribuir para que ambas possam figurar entre as 7 Maravilhas Naturais de Portugal.

O craque madeirense não quis deixar de se associar à iniciativa, (cor)respondendo afirmativamente a um apelo efectuado pelo vice-presidente do Governo Regional, João Cunha e Silva, que o sensibilizou para a votação que está em curso.

Ronaldo, mesmo em pleno Campeonato do Mundo, não se coibiu de apelar ao voto de ambas as candidaturas no seu Facebook. "A Praia de Porto Santo e a Floresta Laurissilva, no arquipélago da Madeira, são candidatas às 7 Maravilhas Naturais de Portugal. Têm o meu voto, e espero que tenham o seu em www.7maravilhas.pt", pode-se ler na sua página.

Uma mensagem que foi publicada apenas durante o dia de ontem e que mereceu de imediato a aprovação de 3446 pessoas, tendo 729 deixado comentários abonatórios à ideia do craque. Por aqui já se pode perceber o peso que a ajuda de Cristiano Ronaldo poderá vir a ter na votação final.

Recorde-se que submeteram-se ao projecto das 7 Maravilhas Naturais de Portugal 323 candidaturas, mas só 77 conseguiram atingir uma primeira pré-selecção efectuada por um painel de especialistas. Posteriormente, e após uma análise ainda mais rigorosa, a organização divulgou as 21 finalistas que agora estão sob a votação do público deste o dia 7 de Março até 7 de Setembro.

Refira-se que no primeiro mês de votações o site registou pouco mais de 100 mil votos e as duas maravilhas madeirenses não constaram entre as mais votadas. As preferências recaem para o Arquipélago das Berlengas, Grutas de Mira de Aire, Lagoa das Sete Cidades, Paisagem Vulcânica do Pico, Parque Nacional Peneda- Gerês, Portinho da Arrábida e Ria Formosa. As 7 menos votadas nesse período foram o Algar do Carvão, Furna do Enxofre, Parque Natural da Arrábida, Parque Natural do Sudoeste Alentejano e Costa Vicentina, Ponta de Sagres, Pontal da Carrapateira e Portas de Rodão.

As 7 Maravilhas Naturais de Portugal são conhecidas a 11 de Setembro, numa cerimónia realizada na Ilha de São Miguel, nos Açores.



DN Madeira

domingo, 13 de junho de 2010

João Egídio premiado em Santarém

Feira Nacional de Agricultura assinalou 25 anos de presença consecutiva






João Egídio, muito conhecido entre nós pelas decorações florais de sua autoria, foi homenageado anteontem, em Santarém, pela sua 25ª presença consecutiva na Feira Nacional de Agricultura.
No pavilhão da Madeira, da responsabilidade da Secretaria Regional de Recursos Naturais e Ambiente (SRRNA), decorado com flores exóticas e produtos da Região Autónoma, João Egídio foi anteontem surpreendido com a presença do Presidente da República, que esteve em visita oficial ao certame que se realiza na capital escalabitana desde há 51 anos. Ocasião também para a organização da Feira Nacional de Agricultura homenagear João Egídio, autor de dezenas de decorações que, anualmente, recebem os elogios unânimes dos visitantes e chamam a atenção para a nossa terra. Foi-lhe entregue uma placa em prata, na qual está registado o facto do nosso conterrâneo ter marcado presença naquela feira em 25 anos consecutivos. Um facto relevado por todos, que fizeram questão de felicitar João Egídio.
A Madeira está representada a nível governamental em Santarém. A feira termina hoje e na opinião do homenageado, que desde há um quarto de século pontua com a sua presença em Santarém, foi a feira mais concorrida de sempre. Não só de visitantes, mas também de expositores e de eventos que movimentaram na capital do Ribatejo muitos milhares de pessoas.

A SRRNA contou com a cooperação de diversas empresas regionais, quer públicas, quer privadas, que possibilitaram o envio para exposição de diversos produtos do arquipélago e que têm origem na agricultura, nomeadamente de bens alimentares. Desde as massas da Companhia Insular às bolachas da tradicional Fábrica de Santo António e aos produtos da Santagro, esteve em exposição em Santarém um portfólio interessante das produções regionais, que ombrearam com as famosas estrelas da nossa exportação, casos do vinho Madeira, do bolo de mel, dos licores e do mel de cana. A isso juntaram-se os bordados e as flores, que contribuíram para o magnífico cenário que anualmente João Egídio monta com mestria e bom gosto.



DN Madeira

Madeirense lidera novo 'resort' da Starwood em Oran (Argélia)

Norberto de Sousa deixou Portugal e assumiu a direcção do novo 'Le Méridien Oran'








O madeirense Norberto de Sousa, que iniciou a sua actividade profissional no antigo Hotel Madeira Sheraton (hoje Pestana Madeira Carlton), há cerca de 30 anos, foi nomeado director-geral do novo 'Le Méridien Oran Hotel & Convention Centre', localizado na cidade de Oran, na Argélia.
O novo estabelecimento da cadeia multinacional Starwood, de origem norte-americana, que detém conhecidas marcas de luxo, como Sheraton, Le Méridien, The Luxury Collection, St. Regis e Westin, está situado a sete quilómetros da segunda cidade mais importante da Argélia (a capital é Argel) e a cerca de 23 quilómetros do Aeroporto Internacional de Es-Senia. O investimento é do grupo argelino 'Sonatrach', dedicado à exploração e comercialização de petróleo e gás, principais produções deste país da África do Norte.

Norberto de Sousa tem registado uma carreira meritória no grupo hoteleiro norte-americano. Entre as últimas posições que ocupou destacam-se a de director-geral do Hotel Sheraton na Cidade do México e do Westin Campo Real Golf Resort & Spa, um luxuoso 'resort' de cinco estrelas, no Turcifal, concelho de Torres Vedras, a cerca de 40 quilómetros da cidade de Lisboa. Esta foi a segunda vez que Norberto de Sousa ocupou funções de direcção hoteleira em Portugal, depois de na década de oitenta ter sido sub-director do então Hotel Madeira Sheraton. A saída de Portugal, agora depois de cerca de três anos de actividade, verificou-se numa ocasião em que a Starwood decidiu também abandonar a gestão do Hotel Campo Real, um complexo de luxo com 151 quartos e um campo de golfe de nove buracos, que tinha sido inaugurado pelo nosso conterrâneo. Essa prática deve ter ajudado a companhia hoteleira a convidar Norberto de Sousa para nova 'empreitada' de abertura, agora num país do Magrebe.

A nova unidade hoteleira, classificada de cinco estrelas, é o segundo empreendimento explorado pela Starwood em território argelino. Está já em funcionamento o Sheraton Al Argel, na capital, e para a cidade de Oran está programada uma terceira unidade, também com essa marca, que se denominará 'Sheraton Oran Hotel & Towers' desenvolvida em altura.

O novo hotel que Norberto de Sousa irá abrir este ano na Argélia, caracteriza-se por uma arquitectura contemporânea, mistura de influências árabes e hispânicas.
A abertura de dois hotéis na cidade de Orão, na costa mediterrânica da África do Norte, é uma resposta à grande procura que a região tem registado nos anos mais recentes. Não obstante a crise implantada nos países da Europa do Sul, os países árabes do Mediterrâneo e do Golfo Pérsico, nomeadamente os Emirados, são hoje a base de uma clientela crescente, tal como tem acontecido com os investidores, cada vez mais oriundos desses países. Contudo, é grande a esperança das autoridades argelinas em conquistar os turistas provenientes de mercados ocidentais europeus, nomeadamente do Reino Unido, França e Itália.

DN Madeira

Conjunto Académico João Paulo Antigamente







sábado, 12 de junho de 2010

Maria Aurora


Uma mulher da Cultura e de afectos









Diversas personalidades da Região reagiram com emoção à notícia da morte de Maria Aurora Carvalho Homem, na madrugada de ontem no Hospital Dr. Nélio de Mendonça, aos 72 anos de idade, vítima de doença prolongada.
O secretário regional dos Recursos Humanos, Brazão de Castro, manifestou «muita tristeza» pela morte da escritora e apresentadora de televisão.
«Maria Aurora era uma mulher da Cultura, uma pessoa que tinha a Madeira no coração que muito fez pela divulgação da nossa terra, com particular relevo no diálogo com as comunidades madeirenses no mundo. Era muito estimada junto dos emigrantes», salientou Brazão de Castro, endereçando «os pesâmes à família» daquela que era o rosto do programa “Atlântida”, na RTP-Madeira.
Para o director regional dos Assuntos Culturais, João Henrique Silva, Maria Aurora era sobretudo uma comunicadora de afectos.
«Era no programa “Atlântida” que ela (Maria Aurora) verdadeiramente mostrava a sua alma de grande comunicadora. Tinha particular afecto com os seus destinatários, neste caso específico, com as várias comunidades emigrantes que seguiam religiosamente o programa», disse.
João Henrique Silva recorda uma viagem de trabalho ao Canadá, à comunidade madeirense, onde Maria Aurora foi «tratada como uma estrela de Hollywood, com muito carinho e afecto».
Também João Carlos Abreu, ex-secretário regional do Turismo e Cultura, destaca a vertente humanista da amiga, com quem partilhou histórias da vida e da ficção, as quais motivou a escrita, a quatro mãos, do livro “A Ilha a Duas Vozes”.
«Ela (Maria Aurora) foi de uma generosidade extraordinária e espantosa para com as pessoas. Era uma defensora das pessoas, muitas vezes “garreou” para defender os seus amigos, aqueles que a procuravam para desabafar as suas mágoas (...) Essa generosidade nunca vou esquecer», desabafa João Carlos Abreu.
Maria Aurora Carvalho Homem faleceu ontem no Hospital Dr. Nélio Mendonça, no Funchal. A missa de corpo presente realiza-se hoje, às 13h00, na Igreja do Monte. O corpo da jornalista e escritora será cremado na Igreja do Porto Santo no próximo domingo.

Escritora deixa legado literário com destaque para o infanto-juvenil

Maria Aurora Carvalho Homem nasceu a 13 de Novembro na Beira Alta, tendo-se radicado na Madeira a partir de 1974. Antes residiu na Alemanha e em São João do Estoril. Ainda em Portugal Continental conheceu um madeirense, com quem teve três filhos.
Licenciada em Filologia Românica pela Universidade de Coimbra, exerceu a actividade de professora do Ensino Secundário (Escola Secundária Jaime Moniz). Porém, foi como apresentadora (programa da RTP-M Atlântida), animadora cultural, poeta e escritora de contos infantis que se notabilizou.
Foi assessora cultural da Câmara Municipal do Funchal onde dinamizou a Feira do Livro, entre outras iniciativas, tendo sido distinguida com a Medalha da Cidade do Funchal.
Na edição deste ano da Festa do Livro - Feira do Livro do Funchal, Maria Aurora marcou presença na pré-apresentação do seu mais recente livro, intitulado “Marta, Xispas e a Gruta Misteriosa”, editado pela 7 Dias 6 Noites e patrocinado pela Câmara Municipal de São Vicente.
“Marta, Xispas e a Gruta Misteriosa”, a 12.º obra infanto-juvenil de Maria Aurora, tinha data de lançamento oficial para 26 de Agosto, no Salão Nobre da autarquia de São Vicente.
A autora encontrava-se ainda a escrever uma série de poemas para o novo projecto da dupla DDiarte.
Maria Aurora Carvalho Homem faleceu ontem com 72 anos, vítima de doença prolongada. Deixa um legado na área cultural que promete ser recordado.

Miguel Albuquerque. O presidente da Câmara Municipal do Funchal mostrou-se emocionado com a partida de Maria Aurora, recordando a amizade e o trabalho deixado por esta mulher das Letras. «Para mim, Maria Aurora é como se fosse uma pessoa da família. Era sobretudo uma amiga de casa, que sempre me apoiou desde a altura de estudante até aos trabalhos que desenvolvi na autarquia», referiu Miguel Albuquerque, recordando, na área cultural, o legado deixado pela escritora, nomeadamente a dinamização da revista Margem (uma edição da CMF) e a Feira do Livro do Funchal. «Ela era o farol que iluminava a cultura na nossa terra. Deixa um vazio muito grande (...)», considerou o autarca. Ponderando uma homenagem pública a Maria Aurora, o presidente da edilidade do Funchal salienta: «A melhor homenagem que podemos prestar à Maria Aurora é dar ao continuidade à sua obra». Neste âmbito, Albuquerque defende que a Cultura deve ser entendida como «um factor primordial no desenvolvimento» de uma cidade, neste caso da capital madeirense.

Pedro Calado, vereador com a tutela da Cultura na Câmara Municipal do Funchal, recordou o percurso de Maria Aurora, «responsável pela revista Margem, uma publicação de referência cultural»; pelo Prémio Edmundo Bettencourt (instituído pela referida autarquia), tendo sido a grande dinamizadora da Feira do Livro do Funchal, no período entre 1995 e 2008». «Vamos dar seguimento à obra», disse Pedro Calado, considerando que Maria Aurora «lutava muito pelas suas causas, por aquilo em que acreditava». Conclui que a escritora «deixa grandes recordações».

Octaviano Correia. Para o presidente da Associação de Escritores da Madeira a morte de Maria Aurora «é uma perda muito grande, não só para a literatura madeirense como para a literatura portuguesa». Sublinha que a escritora, nascida na Beira Alta, «era uma mulher que tomava iniciativas importantíssimas para o panorama literário da Madeira». Além da escrita, acrescenta Octaviano Correia, Maria Aurora era «uma grande dinamizadora da Cultura, da Televisão e da Rádio. uma mulher que tomava iniciativas importantíssima para o panorama literário da Madeira.

A Comunidade madeirense radicada nos Estados Unidos da América anunciou ontem que vai prestar uma homenagem a Maria Aurora.

O Bloco de Esquerda/Madeira e o PS/M lamentam a morte de Maria Aurora.




Jornal da Madeira



Ontem no Tejornal da Noite da RTP Madeira (06.58-16.40)


Telejornal Madeira - Informação - Diária RTP Memória - Multimédia RTP

Madeira perde uma grande dinamizadora cultural


Maria Aurora morreu ontem aos 72 anos. e deixa a cultura de luto na região e não só





Aurora Augusta Carvalho Homem, conhecida por milhares de pessoas como Maria Aurora, inquestionavelmente uma das personagens mais populares do arquipélago, morreu ontem no Hospital do Funchal, após um longo combate com uma doença prolongada. O cancro e toda uma série de outras complicações paralelas obrigaram-na a sujeitar-se a um autêntico calvário de tratamentos e intervenções cirúrgicas. Mas, ao longo de todo este doloroso processo, Maria Aurora demonstrou sempre uma coragem inquebrantável, uma resistência a toda a prova, física e psicológica, e uma alegria de viver que a mantinham sempre em actividade, mesmo que sujeita a limitações. Ainda há dias esteve envolvida nos processos de funcionamento do Prémio Literário Edmundo Bettencourt, e apresentou na Feira do Livro o seu mais recente conto para crianças, 'Marta, Xispas e a Gruta Misteriosa', aproveitando para criticar o actual modelo do certame, com a frontalidade que sempre lhe foi característica, por, em seu entender, faltar ao mesmo a realização de colóquios que juntassem escritores madeirenses em diálogo como autores das Canárias, Açores, Cabo Verde, Portugal continental e mesmo outros países - colóquios esses que movimentou ao longo de anos e que trouxeram à Madeira muitos e bons escritores, desde José Saramago a Baptista-Bastos, desde Inês Pedrosa a Enrique Villa-Matas, Onésimo Teotónio de Almeida e Vasco Graça Moura, entre muitos outros.
A doença pode ter-nos privado do seu convívio físico, mas permanecerá, sem dúvida, a memória indelével de uma mulher 'a sério', defensora intransigente da Cultura, desde as manifestações mais eruditas às de cariz etnográfico, que sempre pugnou pela qualidade, pela liberdade de expressão e pela crítica do que é bom e do que é mau, do que merece a dignidade da publicação e da atenção pública e do que não o merece. Uma das poucas vozes 'sem papas na língua' num meio muitas vezes fortemente condicionado.

De si própria, dizia não ser escritora, apenas "escrevinhadora". Não embandeirava em arco, ao contrário de alguns, embora fosse dona de uma personalidade desempoeirada, que se sentia plenamente à vontade com a exposição pública. Muitos madeirenses, e não só, conhecem-na pela sua actividade de apresentadora de televisão na RTP, onde apresentou programas culturais como 'Letra Dura & Arte Fina', ou de cariz mais etnográfico e popular, entre os quais 'Atlântida' e 'Cá Nada' (dedicado a expressões populares madeirenses) entre vários outros. Também foi autora de teledramáticos para a RTP. Apesar da sua modéstia em relação à escrita, tornou-se bastante popular no campo da literatura infantil, obtendo os seus livros o reconhecimento do público e de editoras continentais como a '7 Dias, 6 Noites', que os divulgaram por todo o país. Na área do conto e da poesia, publicou obras como 'A Santa do Calhau', 'Para Ouvir Albinoni', 'Leila', 'Antes Que a Noite Caia', 'Discurso Amoroso', 'Cintilações', 'Raízes do Silêncio', 'Ilha a Duas Vozes', 'Uma Voz de Muda Espera', entre outros. Foi jornalista do Diário de Lisboa e de 'A Capital', assessora da Câmara Municipal do Funchal, onde desenvolveu uma ampla actividade como dinamizadora cultural, movimentando a Feira do Livro durante anos e dando-lhe uma dinâmica cultural memorável, inclusive com colóquios internacionais. Foi editora da revista 'Margem', da CMF, cronista na imprensa (inclusive neste DIÁRIO)... O meio cultural madeirense ressentir-se-á fortemente da sua perda.

Reacções: muita mágoa pela partida de uma mulher de personalidade única

Natural de Sátão, perto de Viseu, na Beira Alta, Maria Aurora veio viver para a Madeira em 1974. Tornou-se uma das figuras mais populares e acarinhadas por madeirenses e não só. Vários vultos da Cultura lamentaram ontem a sua perda. O escritor José Viale Moutinho deixou-nos este testemunho: "A morte da Maria Aurora é uma perda cruel para os seus familiares e amigos, e entre estes me incluo há mais de 40 anos. Porém, a Madeira também fica sem uma das suas mais dinâmicas personalidades no campo da divulgação cultural e turística. Enquanto escritora, deu a conhecer às novas gerações as tradições do arquipélago e é uma referência de bem escrever usando o cenário da Região; enquanto jornalista de televisão, foi autora de programas de grande importância numa atenção continuada para a identidade cultural madeirense. Acontecendo o seu desaparecimento pouco depois ao de José António Gonçalves, é mais um doloroso golpe na Cultura Regional. O luto é imenso".

Por seu turno, o secretário regional da Educação e Cultura, Francisco Fernandes, referiu: "Uma primeira palavra para os filhos, netos e amigos mais íntimos os quais, acima de todos os demais, sentirão a sua ausência. A Maria Aurora deixa-nos uma marca que influenciou muitos projectos culturais, entre os quais destaco os que procuraram garantir a preservação da cultura e das tradições madeirenses e porto-santenses. Do ponto de vista pessoal, fico a dever-lhe o estímulo que várias vezes me dedicou, impelindo-me para a aventura da escrita". Palavras que vêm somar-se às de João Henrique Silva, director regional dos Assuntos Culturais, que, em declarações à rádio TSF, a recordou como uma pessoa empenhada, solidária, humana, uma cidadã activa e única naquilo que fazia. O edil funchalense, Miguel Albuquerque, referiu ontem uma possível homenagem da CMF, sem especificar quando nem como. Também o escritor Octaviano Correia a considerou "uma figura que levou o nome da ilha da Madeira, dos escritores, o nome da literatura madeirense, para além das fronteiras do mar". Com a notícia publicada na nossa edição on-line, multiplicaram-se os comentários: entre outros, o historiador Nelson Veríssimo disse ter perdido uma amiga e companheira: "O muito que com ela aprendi, em mais de trinta anos de convívio, ficará para sempre com eterna gratidão. A Cultura perdeu uma grande Mulher. Mas a sua obra permanecerá".

O académico Thierry Santos elogiou a sua dedicação à causa da Cultura Madeirense, o seu gosto pela Literatura Portuguesa, pelo património cultural e linguístico (...) a dinamização de projectos culturais e editoriais a pensar no público conquistado e naquele por conquistar (...)". E sublinhou a "lição de vida" que nos deixa. Para a autora Irene Lucília, "O tempo não conta perante a eternidade. E as amigas não morrem. Mudam de vida".

Homenagem: escritores e amigos não escondem tristeza

O poeta José Agostinho Baptista enviou-nos, de Lisboa, estas palavras: "Se houve amigos de verdade neste mundo, constantes, leais, generosos, disponíveis, Maria Aurora foi um deles, ocupando um lugar de eleição num rol muito curto na minha vida. É sobretudo a ela que devo o reconhecimento literário que nos últimos anos a Madeira me concedeu. É sobretudo a ela que a Madeira deve a descoberta, a dinamização e a projecção cultural dos seus autores, e não só. É um imenso lugar vazio e doloroso aquele que a sua partida nos deixa. Ela era uma voz sonora e vibrante, um coração aberto às sentidas expressões da vida, uma segunda mãe, sempre protectora e atenta, sempre despojada de artifícios e astúcias. Uma perda irreparável que torna ainda mais tristes estes dias sem alegria. Já nada será como antes. Ficámos mais pobres, a Madeira e eu, e outros tantos que se habituaram a trazê-la muito junto a si. Mas acredito, quero acreditar, que para onde partiu haverá uma luz muito intensa à sua volta, uma casa de ternura, uma árvore frondosa que nunca deixará de oferecer os frutos antigos de um afecto mais puro. Que brilhes sempre, minha amiga, com as tuas palavras sábias, com as tuas mãos de dádiva e oferenda, com tua pródiga e desinteressada companhia. Um último e saudoso abraço do teu grande amigo, José Agostinho. Obrigado por tudo".

Já o escritor e jornalista Baptista-Bastos recordou os tempos em que Aurora era redactora do Diário de Lisboa. "Além de ser exuberante e afirmativa, inspirava grande respeito, sobretudo naquela época, em que era muito raro haver mulheres nos jornais... Impunha-se pela sua capacidade de afirmação pessoal e profissional. Era muito engraçada, contava muitas histórias. Fazia parte de uma tertúlia onde participava gente admirável, como o Luís de Sttau Monteiro, o cronista Pedro Alvim... Era um grupo que se encontrava no Bairro Alto, escritores, pintores, cineastas... A Maria Aurora era uma mulher muito vistosa, que regalava os olhos".
Anos mais tarde, Baptista-Bastos reencontrá-la-ia aquando das Feiras do Livro do Funchal, "que ela organizava com um mérito extraordinário. Tenho muita pena que ela tenha morrido", disse.

Comunidades

Venezuela


Antonino Ascensão de Ponte, representante da Academia do Bacalhau de Caracas: "Não há outra pessoa que significasse tanto. Ela era a Ilha da Madeira. Foi uma grande professora, jornalista e escritora."
António Gouveia, Presidente do Centro Português, de Caracas (CPC): "Uma grande perda, não só para os madeirenses mas para todos os portugueses. Era uma pessoa emblemática que dedicou parte da sua vida a informar as comunidades e era muito querida por todos".
Andrés Pita, ex-presidente do CPC: "É uma notícia muito triste. Todos lamentam a sua perda. Quero, sobretudo, endereçar palavras de alento aos seus filhos. Aurora levou felicidade a muitos lusos."
Aleixo Vieira, Director do Correio da Venezuela: "Maria Aurora converteu-se num dos expoentes máximos da cultura lusitana. É um exemplo a seguir e espero que o seu legado seja transmitido às gerações futuras."


África do Sul


Sofia Câmara, na Cidade do Cabo, disse: "Fiquei transtornada quando as minhas primas me telefonaram do Funchal para me dar a notícia. Suspeitava que algo não corria bem, pois a ausência contínua de alguns programas me fizeram pensar".
Ivo de Sousa, em Pretória, também referiu: "A morte de Maria Aurora, representa para mim e minha mulher, como se da morte de um familiar se tratasse. É uma perda irreparável para nós todos não só madeirenses como portugueses geral.
Matilde de Abreu, em Joanesburgo, frisou: "Foi com muita mágoa que tomei conhecimento do seu falecimento. A sua morte é também a do programa que era uma janela da Madeira para os emigrantes.
Elias de Sousa, Cônsul Honorário português em Durban, acrescentou: "Primeiro é uma perda para a RTP Internacional, para as comunidades. Foi uma referência. Prezo-me de ter sido seu amigo. A sua morte consternou-nos profundamente."


Reino Unido

Natural do Caniçal, Duarte Aveiro vive em Jersey e realçou a perda de uma excelente comunicadora: "Foi um vector de promoção e divulgação da Madeira, deu-nos momentos muito felizes e irá ficar uma eterna saudade. Estou muito grato pelo seu profissionalismo".
O conselheiro da Madeira no Reino Unido, Carlos Freitas, afirmou que Aurora foi uma embaixadora da Madeira em todo o Mundo. "Estivemos juntos em várias ocasiões, e até houve um programa feito em Londres. Não há pessoas insubstituíveis, mas vai fazer muita falta. Não sendo madeirense, tinha um grande amor pela Madeira".
Felisberto Serrão, natural do Funchal, que vive em Londres há mais de duas décadas, foi apanhado de surpresa: "A RTP-M está mais pobre, era um espectador assíduo do programa 'Atlântida'. Nunca será esquecida, sobretudo pelos madeirenses espalhados pelo Mundo. Era como se fosse da família".


Opinião: Maria Aurora

Além de grande amiga, foi uma personalidade muito marcante na vida social e cultural
A Maria Aurora, para além de uma grande amiga, foi uma personalidade muito marcante na vida social e cultural madeirense.
Beirã de nascimento, cedo se mudou para a ilha, participando vivamente nos acontecimentos sociais e culturais da Cidade do Funchal. Através da sua personalidade fortemente carismática, interferiu activa e vivamente nas questões culturais deste concelho, tornando-se numa espécie de símbolo nas actividades culturais, sobretudo no que respeita à área da Literatura.

Foi uma forte dinamizadora da 'Feira do Livro', bem como da Revista Margem e do Prémio Edmundo Bettencourt, acções que desenvolveu em colaboração com a Câmara Municipal do Funchal. O seu papel na comunicação social foi também fortemente activo, através de programas que dinamizavam a cultura, como o 'Letra Dura e Arte Fina'. Ainda nesta área, há que referir a sua participação no programa televisivo 'Atlântida', que fez dela um ícone também nas comunidades de emigrantes madeirenses.

A perda de Maria Aurora é um golpe para esta Cidade. Pelo seu carisma e pela sua figura, pelo modo emocional como se relacionava com as pessoas, mas também pela sua obra literária, que a fará prevalecer no imaginário da Cidade.
A Cultura e o Conhecimento como alicerces fundamentais do verdadeiro desenvolvimento das pessoas e das comunidades. Eis o seu legado e o seu exemplo de Mulher
livre e cosmopolita.
Até sempre, querida Amiga.
Miguel Albuquerque


DN Madeira

terça-feira, 8 de junho de 2010

Entrevista a Guilherme Silva Deputado Madeirense em Lisboa


Nova Constituição após eleições presidenciais








JORNAL da MADEIRA - Como é que vê a aprovação da Lei de Meios? Em que pé está a sua efectivação?
Guilherme Silva -
A Lei de Meios resulta do superior sentido de Estado que, quer o Primeiro Ministro quer o Presidente do Governo Regional, demonstraram, a quando da catástrofe de 20 de Fevereiro.
Vai ser possível garantir o financiamento da reconstrução da Madeira nos próximos três anos no quadro de uma grave situação financeira do País.
A Lei está em Belém para ser promulgada, mas os dois Governos já estão a implementar as medidas e, concerteza, que, publicada a Lei, o Governo da República vai disponibilizar as necessárias verbas.

JM - O temporal veio marcar uma nova era na relação entre governos da Região e da República. acha que este bom clima é para continuar?
G. S. -
É bom lembrar que quem instrumentalizou as finanças públicas para fins político-partidários foi o PS e o Eng. Sócrates, discriminando negativamente a Madeira.
Sinceramente desejo que, em cada momento, de um lado e de outro, o interesse nacional, que passa pelo respeito pela Autonomia e pela defesa da Madeira, como parte integrante de Portugal, prevaleça sempre sobre o sectarismo partidário.

JM - A imagem da Madeira parece ter melhorado em Portugal Continental nestes últimos tempos. Foi só por causa do temporal ou a atitude do presidente madeirense também contribuiu em muito para isso?
G. S. -
A espontânea e persistente solidariedade dos portugueses, de toda a parte, incluindo a diáspora, revela bem quão artificial era a “hostilidade” montada contra a Região.
O Dr. Alberto João Jardim sabe, como ninguém, defender a Madeira e os madeirenses e tudo fará, no que dele depender, para que a imagem da Madeira subsista positiva e respeitada, para o que muito contribuiu a atitude do Presidente do Governo, ao pôr para trás das costas, as suas divergências e conflitos com o Eng. Sócrates.

JM - A Revisão Constitucional é defendida pelo PSD da Madeira, mas recentemente já se disse que o melhor é esperar que esta situação de crise passe. Qual é a sua opinião? quando é que a RC deverá avançar e que áreas deverá abranger?
G. S. -
O PSD Madeira, pela argúcia política do seu Presidente, assumiu, desde a campanha para as eleições, que deram lugar à presente “Legislatura” da Assembleia da República, a liderança do processo de revisão constitucional.
Quanto ao momento para desencadear o processo, no Parlamento, penso que, em princípio, sendo necessário o voto do PS para garantirmos a aprovação de alterações constitucionais, é conveniente não comprometermos as convergências necessárias por questões de “timing”. É preciso, porém, evitar o argumento conservador de que a crise não aconselha à revisão, pois, se aproveitarmos bem esta oportunidade, podemos também retirar, definitivamente, da Constituição um excesso regulamentador e ideológico que, em muitos casos, continua a prejudicar o nosso desenvolvimento.
Seguramente que, pelo menos, imediatamente a seguir às presidenciais, a revisão deve avançar, com, ou sem a concordância do PS.
Há áreas prioritárias para a Região, como seja o definitivo alargamento dos poderes legislativos, com a total eliminação dos conceitos que levam a interpretações restritivas, por parte do Tribunal Constitucional.
O limite deve ser a reserva da Assembleia da República para as questões que têm a ver com atributos de soberania. Tudo o mais deve caber à Assembleia Legislativa.
É necessário também assegurar a autonomia fiscal, ou seja, a capacidade da Região usar o sistema fiscal como instrumento de política económica e de atracção de investimento.
Outra área prioritária é a Justiça, incluindo a Constitucional.

Temos vividos acima das nossas possibilidades

JM - Como é que encara a actual crise política e económica do País? Como é que se poderá dar a volta?
G. S. -
A gravidade da situação do País resulta da crise estrutural em que nos vimos arrastando e que se acentuou com a crise internacional.
Temos vivido nas últimas décadas acima das nossas possibilidades, gastando mais do que produzimos.
Repare que os três países em pior situação na Europa – Grécia, Espanha e Portugal – têm Governos socialistas que têm esta tendência despesista desenfreada, endividando a economia em valores inimagináveis.
Portugal, em 2009 endividou-se, diariamente, ao ritmo de €50 milhões.
Em 2010 vamos a um ritmo de €60 milhões diários.
É preciso apoiar as PME’s que são cerca de 90% do nosso tecido económico. É aí que se fomenta o emprego e as exportações.
A questão de fundo, porém, é outra. Precisamos de encontrar um projecto que nos aglutine a todos num desígnio nacional que resista às mudanças de Governo e encontre lideranças respeitadas.

JM - Como é que analisa a liderança de Passos Coelho, até agora?
G. S. -
Passos Coelho tem revelado um particular sentido de responsabilidade e, seguindo o legado de Sá Carneiro, pôs o País à frente do Partido. Se fosse ao contrário tenho a certeza de que o PS não assumiria idêntica atitude de cooperação, partilhando a responsabilidade pelas medidas de contenção, as restrições e o agravamento fiscal que os portugueses vão ter de suportar nos próximos anos.
Necessário é, todavia, deixar claro que estas não seriam as opções do PSD que evitaria o agravamento de impostos, favorecendo cortes mais drásticos na despesa.
Penso que os portugueses sabem bem a quem cabe a responsabilidade pela situação do País. O PS governou nos últimos quinze anos, com um pequeno intervalo de menos de três anos do Governo de coligação PSD/CDS – Barroso – Santana Lopes.

PSD preparado para ser Governo

JM - O PSD parece estar muito perto da maioria absoluta. O partido está preparado para ser governo?
G. S. -
É preciso sempre alguma cautela em relação às sondagens. Em qualquer caso sente-se que o País olha para o PSD, não só como uma alternativa credível de governo, mas com esperança!
Um Partido como o PSD está sempre preparado para ser Governo e, naturalmente, como já tem acontecido no passado, não põe como condição para se ser membro do Governo, ter cartão do PSD, mas ser competente e, naturalmente, a necessária identificação com princípios e valores humanistas e personalistas que inspiram o ideário social democrata.

JM - A Comissão de Ética pediu para ouvir as administrações dos jornais madeirenses vão ser ouvidas pela Assembleia da República. O que esperar de todo este processo?
G. S. - Está em causa uma iniciativa da maior gravidade de ofensa à Autonomia Regional.
Os deputados são eleitos para defender a Madeira, os madeirenses e a Autonomia.
Está em causa a sua defesa colectiva e não casos ou pessoas particularmente consideradas.
Temos uma Assembleia Legislativa a quem compete a fiscalização política do Governo Regional.
A questão em causa deve ser tratada, no plano das regras do sector, nas entidades reguladoras e, se necessário, nos Tribunais.
No plano político – e é desse que estamos a falar – a Assembleia da República não é uma instância de recurso da Assembleia Legislativa.
O problema tem a ver com o grave desrespeito pela Autonomia e pelas regras democráticas que esta iniciativa implica. Partidos há que não aceitam o respeito pela vontade do povo madeirense e quando perdem as votações na Assembleia Legislativa, por serem minoritários, numa atitude antidemocrática, não hesitam em espezinhar a Autonomia e levam a mesma questão à Assembleia da República, desrespeitando o Parlamento Regional, ou seja, ofendendo todo o povo madeirense.
Da minha parte, porque não pactuo nem transijo com tão grave atropelo, não participarei em nenhuma dessas reuniões e custa-me que a Autonomia porque nos batemos e muito custou a conseguir e que é uma luta constante seja, pela mão de quem foi eleito para a defender, ultrajada por sectarismo, ou pior, por favores de “marketing” e propaganda pessoal e política.
A única instância de recurso da Assembleia Legislativa é o voto do povo madeirense que continua, com discernimento, a saber quem o defende, aqui, na Região, e na Assembleia da República.
Este processo não vai dar nada, a não ser umas notícias e umas fotografias de promoção pessoal, que, por certo, pode servir muitos interesses, mas não os da Madeira e dos madeirenses que, para nós, são sagrados, e estão acima de tudo.

JM assegura pluralismo

JM - O JM está na mira dos outros jornais regionais e da Oposição madeirense. Como é que avalia este posicionamento? É justo?

G. S. - O pluralismo e a liberdade de informação, no âmbito da Comunicação Social escrita diária, que o Jornal da Madeira assegura, na Região, é um valor constitucional e democrático que não tem preço, nem se compadece de meras ópticas economicistas.
Quem transforma jornais que têm uma história, e que mereceram muito respeito, em mero instrumento de combate político, não pode querer fazer de outros o “bode expiatório” dos seus insucessos.

JM - Concorda com a redução dos ordenados dos políticos e dos gestores públicos?
G. S. - Concordo. Só que a diferença sensível entre os ordenados dos políticos e os dos gestores públicos deveria determinar diferentes proporções na redução.

JM - As restrições financeiras chegaram à Assembleia da República. Uma das medidas passa pelas milhas aéreas, com a obrigação das mesmas doravante serem apenas aplicadas em viagens de trabalho. Concorda?
G. S. - Tenho dificuldade em dissociar a “demagogia” de algumas das medidas agora anunciadas. Tanto quanto sei, as companhias aéreas não aceitavam que as milhas pudessem ser transferidas. Se for possível aproveitar, em benefício público, as milhas decorrentes de viagens oficiais, concordo plenamente, pois, tal importa alguma poupança ao erário público.

Jardim deve continuar mais um mandato

JM - Também defende que Alberto João Jardim deveria continuar na liderança do PSD madeirense?
G. S. - Tenho dito que o Dr. Alberto João Jardim será Presidente do Governo Regional enquanto quiser, mercê da confiança que conquistou e consolidou junto do povo madeirense.
Como tenho dito que, salvo se for exercer cargo nacional, à altura do seu estatuto, lhe devemos pedir para continuar, sem prejuízo de termos todos de compreender e de respeitar a sua vontade.
Acontece que a catástrofe de 20 de Fevereiro exige um esforço particular de reconstrução da Madeira e ninguém está melhor colocado do que ele para essa tarefa. A sua liderança, a sua autoridade respeitada e o conhecimento que tem do terreno e de todos os problemas que nos afectam e foram agravados com o aluvião, justificam, só por si, que fique mais um mandato.
Além do mais, ultrapassar-se-ão, da melhor forma, outras questões partidárias e institucionais, para cuja solução, 2011, não será, por óbvias razões, o melhor momento!



Jornal da Madeira

segunda-feira, 7 de junho de 2010

Madeirense ganhou prémio nacional


Jovem do Caniço integra equipa galardoada com o prémio 'Secil Universidades'










O madeirense José Gil Correia Gama, de 24 anos de idade, integrou o grupo de trabalho da Faculdade de Ciências e Tecnologias da Universidade de Coimbra que conquistou o Prémio Secil Universidades 2009, que foi entregue no passado dia 25 de Maio, em Lisboa, em cerimónia que foi presidida pelo Presidente da República.

Este galardão, a par do Prémio Secil de Engenharia Civil, é promovido anualmente pela empresa cimenteira portuguesa junto das universidades portuguesas com o objectivo de incentivar a qualidade do trabalho académico e o reconhecimento público de jovens oriundos das Escolas de Arquitectura e Engenharia Civil. No ano passado forma distinguidos ex-aequo cinco projectos de entre os vinte que se apresentaram a concurso.

O trabalho apresentado pela equipa do nosso conterrâneo José Gil Gama, natural do Caniço, tinha como proposta reestruturar a Penitenciária de Coimbra e do Quartel de Santana, plataformas localizadas no centro da cidade, e onde já estiveram localizados os Colégios de Tomar e o Convento de Sant'Ana.

A equipa de José Gama integrava os colegas Gerson Gonçalo Oliveira Rei e Rui Vítor Rico Baltazar. Numa fase anterior, na qual foram decididas as linhas condutoras do projecto, o grupo de trabalho integrou ainda: João Pedro Pires, Mauro Franco e Tiago Santana. Denominaram a proposta de 'Cluster Cultural na Acrópole da Penitenciária de Coimbra'. A intenção do projecto, que não será executado, já que se trata de um exercício académico, seria transformar as duas plataformas por via de uma reestruturação que pretendia introduzir novas valências e proporcionar condições de pluri-funcionalidade e cosmopolitismo, através da instalação de um 'Cluster Cultura' destinado à fixação de indústrias criativas em conexão com áreas de expansão.

O edifício da actual Penitenciária é ocupado pela Biblioteca das Artes da Universidade de Coimbra.
A 'Acrópole da Penitenciária', referiam os projectistas, tornar-se-ia, desse modo, "num espaço gerador da cidade".



DN Madeira

Max Römer o Alemão que Pintou a Madeira






Max Wilhelm Römer nasceu em Hamburgo na Alemanha em 22 de Novembro de 1878

Max viveu no Funchal ao longo de 38 anos (1922-1960) e foi o artista estrangeiro que mais pintou a paisagem e o quotidiano madeirenses, deixando uma vasta obra dispersa em colecções particulares e nos museus e edifícios da Região.


«(...)Na Madeira, em paisagem, não há o feio. Há o bonito, há o belo e o grandioso. A paisagem é sempre diferente em cada trecho. Não há a monotonia. Pela costa recortada e acidentada, toda ela altos promontórios e pequenas praias, pelas vertentes, cheias de cultura, em que o verde varia até o verosímil, pelas montanhas, pelas povoações tão fortemente cheias de pitoresco, nós os artistas, encontramos em excesso os quadros que desejamos fixar. Em um pequeno passeio, surgem ante os nossos olhos, motivos para numerosas telas (...)»


Entrevista a Max Römer, Diário de Notícias, Funchal, 21 de Janeiro de 1932

















domingo, 6 de junho de 2010

O que o Escolari acha sobre a Nossa Ilha .....

"Portugal é um dos melhores países para viver na Europa (...) E a Madeira? Tem lugar mais bonito do que aquilo"



Luiz Felipe Scolari, Antigo seleccionador de Portugal à revista Sábado

sábado, 5 de junho de 2010

Entrevista com Rocha da Silva





Assinala-se, hoje, o Dia Mundial do Ambiente, num ano que é também dedicado à biodiversidade.

A nossa biodiversidade e a nossa floresta estão de saúde? Podemos afirmar que a Madeira continua a ser uma referência mundial em termos de biodiversidade.

Estamos melhor? Se estivermos a falar da nossa floresta natural e tivermos em conta os dados que eram oficiais em 1972 e que apontavam para 12 mil hectares de floresta natural, hoje constata-se que estamos quase a atingir os 17 mil hectares. Estamos, por isso, bem melhor.





Em termos de 'ataques à biodiversidade, fala-se, por exemplo, do radar e da implicação na freira da Madeira e ainda do teleférico para o Rabaçal. É possível manter a qualidade da floresta com estas intervenções em zonas naturais? Em termos globais, sim. Penso que qualquer um dos casos que acabou de citar não afecta, em termos globais, a qualidade do nosso bem.
Obviamente, localmente sempre que há uma intervenção, essa intervenção manifesta-se. Mas globalmente estamos a falar de um bem com cerca de 17 mil hectares.
E quanto ao Rabaçal, está suspenso neste momento. Embora em termos de localização, e referindo os próprios peritos da UNESCO que aí vieram, é algo que fica no limite dos locais onde a floresta se encontra mais próxima do seu equilíbrio.



O teleférico do Rabaçal está suspenso para sempre, ou será para retomar mais tarde? Penso que estas coisas dos homens nunca são definitivas. Quem sabe se daqui a uma, duas, três gerações...

E se dependesse de si uma decisão? Se a decisão dependesse de mim, veria o Rabaçal como um sítio com muitas possibilidades. É o único local que tem quatro levadas. Chega a ter mais de 800 visitantes por dia e está marcado pela presença humana. É claramente um local a ter em linha de conta no sentido de obter maiores ganhos, maior distribuição de riqueza, aproveitando as belezas naturais da Madeira.
Eu vejo o Rabaçal como um local gerador de emprego. Aliás, a prova dessa possibilidade é o meio de transporte que a Câmara Municipal da Calheta lá tem e que transporta mais de 30 mil pessoas por ano.
Tudo isto para dizer que o Rabaçal merece um plano que preveja um certa evolução para o local, a criação de postos de trabalho, mas tudo isto numa perspectiva de qualidade.

Em relação ao radar no Pico do Areeiro, como vê as declarações do geógrafo Raimundo Quintal que fala na Bela, referindo-se ao Pico do Areeiro, e no Monstro, referindo-se ao radar? Estou tentado, por uma questão sentimental, a assinar por baixo da afirmação do dr. Raimundo Quintal. E digo-lhe por uma questão sentimental porque já vou tendo alguma idade e conheci o Areeiro sem que a estrada passasse do Poiso para cima. Portanto, sou uma testemunha do que era o Areeiro, do que era o Paul da Serra sem qualquer acesso automóvel. De maneira que ainda tenho aquela nostalgia do passado.
Efectivamente para qualquer um de nós, ou pelo menos para aqueles que conheceram o Areeiro sem qualquer intervenção, naturalmente essa expressão da Bela e do Monstro faz sentido.

Concorda que a Floresta pode ser também um negócio? Falo disto porque na Assembleia o próprio engenheiro já foi criticado por ter negócios em área de floresta. Não tenho nenhum!

Mas lembra-se da oposição ter falado nisso? O que inventam, o que dizem é algo que me ultrapassa.

Mas concorda com o conceito de floresta/negócio? Quer por razões de segurança das pessoas, que muitas vezes se metem sozinhas em áreas que desconhecem, quer para evidenciar as virtudes da nossa floresta, acho que a visita à nossa floresta tem de ser praticada por quem a entende. Mas isso reduziria o uso da floresta a uma certa elite de técnicos que a conhecem. E aí entendo que é uma área de negócio. Isto no sentido de que é através da floresta que se poderá conseguir uma maior distribuição de riqueza. A montanha deve ter uma perspectiva de defesa de usos e costumes das populações, bem como constituir uma forma de distribuição equitativa de riqueza.

Disse que a floresta deve ser explorada por quem a conhece. Neste momento há pessoas a explorar que não a conhecem? Evidentemente. São as regras actuais do mercado. Temos guias cá na Madeira que vêm de todo o espaço europeu e não só. Que muitas vezes na primeira vez que cá vêm, na qualidade de visitantes, tiram notas e elaboram determinados circuitos e programas que depois vendem por essa Europa. São simples livros de bolso com informação sintetizada que expõe as pessoas a determinados riscos.

Isso põe em causa o nosso destino? Pode contribuir para uma imagem menos boa do nosso destino. Embora as pessoas, muitas vezes, corram riscos por sua conta.

Em termos de passeios nas serras, o princípio do utilizador/pagador, como existe em Canárias, poderia ser aplicado na Região? Canárias explora isso. Mas nós temos particularidades. O facto de muitos desses espaços serem privados levanta muitas questões. Mas isso não significa que seja um dossier encerrado. Pessoalmente, taxar simplesmente a passagem de alguém choca-me um pouco.
Agora se for numa lógica de prestação de serviços, de passeios acompanhados, é algo que deveria acontecer e é legítimo que aconteça.

Em Canárias, com meia dúzia de endemismos, fazem um autêntico festival na divulgação. Nós aqui temos dezenas e dezenas, há quem diga que são pouco divulgados. Como se poderia inverter esta situação? Não sei se será saudável inverter. Canárias tem uma realidade completamente diferente e dois milhões e meio de habitantes.
Mas provavelmente eles também não deverão estar a mostrar as partes mais íntimas da floresta. Pois entendo que essa divulgação pode não ser saudável porque estamos num mundo em que temos coleccionadores para tudo. Por exemplo, no Ribeiro Frio existe uma planta endémica que está dentro de uma caixa fechada, porque há coleccionadores de orquídeas selvagens que pagariam muito dinheiro. Portanto, termos a nossa estrutura ecológica aberta dessa forma, não sei se seria saudável.

No passado 20 de Fevereiro, a desgraça veio do alto. A floresta que temos ainda nos protege, ou já perdemos muito desse tampão protector? Eu sei que nessa altura se escreveu muita coisa. Mas, em primeiro lugar, se atentarmos à orografia da ilha, vemos que mesmo sem o homem cá estar estas coisas já aconteciam. Todos estes vales foram talhados com fenómenos daquele género.
Globalmente, a floresta é sempre um factor de segurança. Eu não tenho dúvidas nenhumas em afirmar que se não houvesse floresta, a situação teria sido bem pior.
Por exemplo, no Curral das Feiras, houve relatos da população a dizer que as águas vinham limpas. Mas se fosse antes da retirada dos animais que andavam pelas encostas, a catástrofe seria muito pior.

A propósito, foi muito criticado pelo abate daquele gado após o temporal. Não se arrepende disso? A questão do gado acabou oficialmente em 2003.
Esse abate foi um mês e meio depois dos temporais, e o abate é um processo que vem desde essa retirada em 2003. Na altura, o governo tomou a decisão de indemnizar, como se de uma propriedade se tratasse, e pagou principescamente. Foram cerca de 37 contos e 500 por cabeça e o facto das pessoas terem ficado com a carcaça e com a carne para vender significou um rendimento na ordem dos 50 contos. Quando, na melhor das hipóteses, valeria 15 contos no mercado.
Isso fez com que as pessoas aderissem, porque estavam cansadas de serem roubadas. Porque o gado na serra era motivo para muitas histórias. Esta retirada do gado destruiu a estrutura que havia à volta do gado.

Considera uma vitória? Não! A minha ligação com os pastores e criadores de gado não me permite usar essa expressão, porque são pessoas com quem convivo no dia-a-dia.
O que não podemos é voltar atrás. Se tivéssemos permitido isso no temporal de 20 de Fevereiro, era o que teria acontecido. Iria levar a que paulatinamente os animais fossem voltando às serras. E quem voltaria a lá colocá-los seriam precisamente aqueles que antes andavam a roubar os outros, aqueles que, inclusivamente, prometem porrada. Era o mais forte, porque se outro qualquer for lá colocar, os animais desaparecem e, na eventualidade de uma queixa, os mais fracos ainda levavam um enxerto de porrada.
Ao permitir isso, a 20 de Fevereiro, estaríamos a fomentar a clandestinidade e o caos. Já para não falar das pessoas que foram vítimas, ao longo dos anos, da presença dos animais nas serras, que destruíam as culturas.

Num outro plano, não se vê agora o mesmo empenho no combate às plantas infestantes? A dinâmica não abrandou, mas a realidade alterou-se. Mesmo ao nível dos recursos humanos. A simples alteração das leis laborais tem um efeito tremendo na forma como as coisas decorrem quando estamos a falar de trabalhos no terreno. Arranjar uma vereda entre o Pico Ruivo e a Encumeada, que leva cinco horas a percorrer, é difícil, porque leva o tempo útil de trabalho quase só a fazer o trajecto. Devo dizer que quando entrei nos serviços florestais, na zona do Poiso havia à volta de 120 homens, hoje tenho lá quatro ou cinco. Mas era porque na altura havia o trabalhador eventual, que era algo que deveria voltar a ser implementado. Por exemplo, em 1983, no Curral das Freiras, foi-me comunicado um incêndio numa sexta-feira, as 11 horas da noite, e eu, no sábado, às oito da manhã, tinha lá 60 homens a combater as chamas.
Agora as coisas são diferentes. Tivemos de elaborar o inventário florestal, estamos a ultimar uma carta de uso dos solos e realizámos uma série de estudos sobre as 100 espécies 'top' de invasores. Uma série de instrumentos que nos vão permitir elaborar, com credibilidade, projectos para serem financiados.

O Verão está a chegar, o que está a ser preparado para evitar os incêndios? Costumo ser sempre muito comedido quando falo da questão dos incêndios. Posso estar aqui a falar para o cidadão conscencioso e que até quer participar na protecção do seu meio, mas tenho de ter consciência de que também estou a prestar informações a quem quer pegar lume.
Contudo, posso dizer que a Região tem reforçado o corpo de bombeiros e apostado na educação ambiental. Agora, qualquer coluna de fumo que apareça na paisagem é logo denunciada.


DN Madeira

quinta-feira, 3 de junho de 2010

Ronaldo para fintar crise

Turismo da Madeira vai ter jogador a promover destino num cartaz em Madrid


O Turismo da Madeira quer usar a imagem de Cristiano Ronaldo para além de Madrid, onde joga o madeirense. Conceição Estudante evidenciou ontem que a intenção é poder utilizá-la noutros mercados, podendo tirar partido da projecção do atleta em prol do destino.





A secretária regional do Turismo e Transportes revelou ontem que a Associação de Promoção da Madeira, a que preside, vai investir 663 mil euros na campanha internacional que a AP Madeira reorientou depois do mau tempo de 20 de Fevereiro. Uma campanha que pretende evidenciar que a Madeira está bonita como sempre.
Numa conferência de imprensa agendada precisamente com o propósito de dar a conhecer o que foi feito, está a ser desenvolvido e que foi projectado para os próximos meses, Conceição Estudante especificou que as maiores campanhas insidem em destinos estratégicos e prioritários. E, mesmo não abrangendo todos, adianta que só Espanha tem a maior fatia deste investimento, com cerca de 500 mil euros.
É precisamente para este mercado que está projectada a grande acção mediática, depois de Cristiano Ronaldo ter finalmente aceite o pedido do Turismo da Madeira para dar a cara pelo destino que o viu nascer em Espanha. Cede a imagem gratuitamente o que, a custos de mercado, poderá equivaler a valores entre os dois e os 2,5 milhões de euros.
Será materialzada numa grande tela em lona, a colocar num edifício da Plaza de Castilla, em Madrid, com quase 2.500 m2, onde irá surgir a Madeira verde em fundo com o jogador madeirense em plano de vidência, com uma imagem da ilha a simbolizar que tem a sua ilha no coração. Possivelmente terá escrito ao seu lado direito: “Made in Islas Madeira”.
Neste momento, Kátia Carvalho, directora geral da AP Madeira, diz que só falta ser recebida a imagem do Ronaldo, para depois ser feito o grande cartaz.
A governante pretende vir a poder utilizar o conceito e a imagem do jogador noutros locais, se houver abertura para isso. De fora está a cidade de Barcelona, não por ser menos importante para o destino, mas antes, explicou, para evitar efeitos negativos que as rivalidades clubísticas podessem induzir na campanha.
De uma forma geral, a reorientação abrange, além de Espanha, que terá campanhas em Canárias, abrange a Alemanha, a Áustria, a Suíça, o Reino Unido, a Dinamarca, Finlândia, a Noruega e a Suécia.
As campanhas tácticas para minorar os efeitos do mau tempo no destino Madeira assentam nos mais diversos canais como a televião, a rádio, os infoscreens, os transportes, como eléctricos, os muppies digitais, os outdoors, a internet, onde podemos evidenciar a criação de micro-sites para os países nórdicos, com possibilidade do cliente poder obter informação sintetizada do destino e marcar as suas férias através das propostas dos operadores presentes, e nos cartazes subterrâneos em Londres.



Jornal da Madeira

quarta-feira, 2 de junho de 2010

CR convida espanhóis para férias na Madeira

Ídolo do Real Madrid domina campanha de Verão do turismo madeirense






O futebolista madeirense Cristiano Ronaldo vai dar a cara pela nova campanha da Madeira no mercado espanhol, já neste Verão.
Este será uma das questões que será abordada hoje, no Funchal, numa conferência de imprensa, promovida pela Associação de Promoção da Madeira, na qual estará presente a secretária regional do Turismo e Cultura, Conceição Estudante, na qualidade de presidente da Direcção da AP Madeira.

Desde há alguns anos que os responsáveis pela promoção turística regional procuravam assegurar a intervenção de Cristiano Ronaldo nas campanhas deste destino turístico. As negociações foram sempre adiadas ou inconsequentes, e a verdade é que a Região Autónoma nunca conseguiu dispor desse grande activo e importante trunfo nas suas campanhas de marketing e promoção. Umas vezes, por suposta falta de acordo com a empresa que gere a carreira do jogador; outras por desencontros provocados por outros compromissos.

Desta vez, sabe o DIÁRIO, houve uma extrema boa vontade da parte do futebolista e da empresa que actualmente gere os seus contratos publicitários. E todos estão satisfeitos, já que Cristiano Ronaldo acedeu a dar a sua imagem por esta campanha de Verão da AP Madeira no mercado espanhol de forma gratuita. Sem custos para a associação e a Região Autónoma. Normalmente estas acções são facturadas pelo futebolista entre 2 a 2,5 milhões de euros. Sabemos que os acontecimentos de Fevereiro e a situação complicada que vive o sector turístico, em geral, e o sector hoteleiro, em particular, pesaram bastante na decisão do 'galáctico' futebolista do Real Madrid, que na época transacta foi protagonista da transferência mais caro do mundo, ao trocar o Manchester United pela equipa madrilenha.

Não haja dúvida de que se trata de um reforço de envergadura para a campanha de Verão no mercado espanhol, já que as vendas de pacotes para a Madeira estão com más perspectivas e alguns operadores turísticos que tinham iniciado no final do ano passado a contratação de voos 'charters' para o arquipélago não concretizaram as negociações por falta de procura e face à quebra de mercado, também motivada pelas dificuldades económico-financeiras que hoje se vivem em Espanha.

Esperemos que o apelo de Cristiano Ronaldo seja convincente e possa reforçar o apelo da Madeira e convencer os espanhóis a optar pela Região Autónoma para as suas férias de Verão.

O acordo com Cristiano Ronaldo foi obtido há poucos dias numa reunião que decorreu no Porto, na Gestifute, empresa que gere a carreira do futebolista, e em que estiveram sentados à mesma mesa, representantes de Ronaldo, Conceição Estudante e Kátia Carvalho, directora-executiva da AP Madeira.

Na conferência de imprensa de hoje serão anunciadas diversas acções promocionais de intervenção e de reforço em mercados europeus da competência da AP Madeira, mas essas sem a intervenção do mais popular futebolista da actualidade no mundo, que para contentamento nosso, é nascido na Região Autónoma. Essa porta não está fechada, segundo apurámos, e novas negociações, após os resultados da campanha nas cidades espanholas, poderão decorrer, tendo em vista a inclusão do mediático desportista madeirense nalgumas campanhas promocionais da 'Pérola do Atlântico'.

DN Madeira

terça-feira, 1 de junho de 2010

Atelier Nini Andrade Silva distinguido

Prémio de melhor design para mobiliário exterior em feira na Malásia









O Atelier Nini Andrade Silva foi distinguido com o prémio de melhor design para mobiliário de exterior, atribuído à “Sunlounger Chair” da linha Garota do Calhau na Malaysia International Furniture Fair.
Tal como o próprio nome indica, a linha de mobiliário de exterior Garota do Calhau, é totalmente inspirada nos seixos característicos da Ilha da Madeira – uma das grandes paixões da designer medeirense.
Desenvolvida em parceria com a marca KIAN, a linha distinguida na referida feira internacional é uma gama completa de móveis de exterior.
Refira-se que a Malaysia International Furniture Fair teve lugar nos passados dias de 2 a 6 de Março em Kuala Lumpur e é considerada como a melhor feira de mobiliário do Sudeste Asiático, com o grande objectivo de promover a exploração e expansão de novos mercados no sector.


Jornal da Madeira










http://www.kian.com/home/index.php/en/products

domingo, 30 de maio de 2010

Mauro Melim conquista palco em Cabaret de Paris

Madeirense é um dos 15 bailarinos do espectáculo 'paris Je T'aime', em La Nouvelle Eve
Data: 30-05-2010






"Esse tipo de concursos não nos dá nada a não ser fama, boa ou má, e nunca dura muito tempo". É assim que Mauro Melim fala de 'So You Think You Can Dance', formato adaptado à televisão portuguesa pela SIC em 'Achas Que Sabes Dançar'. Hoje, começa a fase das galas com a participação do bailarino madeirense, Colin Vieira, que conseguiu ficar entre os vinte finalistas. Mauro Melim, natural da freguesia de Santa Maria Maior, admitiu não saber como funciona o concurso em Portugal mas concorreu à versão australiana. Não continuou porque tinha outra audição em Paris (ver destaque) na data em que deveria entrar e por outras razões: "De momento este tipo de concursos são muito superficiais, pelo menos na Austrália, eu gostaria de entrar num concurso assim pelo talento que tenho, não pela historia da minha vida. Mas tive muito bom 'feedback', dos júris e eles queriam que continuasse (...), até recebi mensagem da produção a perguntar se haveria alguma coisa que eles pudessem fazer para que eu mudasse de ideias", contou.

Curiosamente, os pontos em comum entre os dois bailarinos madeirenses não terminam por aqui. Os dois foram colegas de palco no Casino Estoril e no Casino da Madeira, tendo acabado por percorrer caminhos diferentes. Colin Vieira ficou por cá. Mauro Melim foi conhecer o mundo. "O Colin como bailarino sempre se esforçou para conseguir o que queria", recordou, defendendo que para ser um bom bailarino é necessária muita paixão, boa técnica e muita forca psicológica porque acaba por ser um percurso bastante solitário e difícil.

Mais paixão menos formação

Mauro Melim assume que não teve muita formação. Chegou a passar pelo Conservatório Nacional só que como não tinha bolsa de estudos, contou, não conseguiu acabar. No ano passado, a uma nova oportunidade acabou por surgir: "Tive uma bolsa de estudos para fazer formação com um dos melhores professores de contemporâneo na Austrália. Foi uma das melhores decisões que tomei. Aprendi muito tecnicamente e psicologicamente como bailarino e profissional". Na altura, fez ainda outro curso que o ocupava o restante do tempo. Foi um ano de "esforço, transpiração, algumas lágrimas, mas tudo valeu a pena", disse. A verdade é que fez a audição em Paris e entrou para a companhia, com um contrato que termina em Outubro. Para depois, está a preparar um projecto a solo onde a partir da dança contemporânea mostra a sua paixão pela dança. Não é uma questão de ser mais fácil, mas de evoluir, justificou a opção por seguir só.

Comparando com o passado, acha que hoje é mais fácil seguir a carreira de bailarino, que se abre não só ao talento, mas também ao dinheiro e às influências, lamentou. "Antigamente as pessoas com talento conseguiam os trabalhos. Actualmente não é bem assim". A isto, junta ainda outra crítica: "As pessoas preferem ver um bailarino bonito em palco, do que um bailarino bom". Em relação à dança na Madeira, notou uma evolução: "As pessoas aceitam muito melhor um bailarino do que aceitavam. É bom ver o desenvolvimento sempre que volto".

O futuro passa para já por Paris. Mas se houver uma oportunidade boa para sair, sai, porque confessou, ainda não encontrou o que procura.

Mauro Melim dança 'Paris Je T'aime'

O amor de Mauro pela dança começou quando tinha uns 12 anos, altura em que começou a dançar com os Sweet Dancer's e com Francis e os Hot Dancer's em hotéis na Madeira. Mas foi aos 16, quando rumou a Lisboa para uma audição para o musical 'My Fair Lady', onde entre 80 candidatos conseguiu um contrato para dançar na produção de Filipe La Féria, que se apercebeu que era o que realmente queria da vida.

Este foi o seu primeiro grande trabalho. Ainda voltou à Região, onde trabalhou com Sian Lesley e Michael Mcabe, até que a vontade de crescer levou-o a alargar horizontes. Lisboa, Porto, Estoril, Espanha, Inglaterra, França, Estados Unidos da América, Monte Carlo, Austrália foram algumas paragens em oito anos. Este ano voltou a Paris para dançar para a companhia La Nouvelle Eve. O madeirense de 23 anos, é um dos 15 bailarinos que diariamente levam ao palco duas sessões de 'Paris Je T'aime', um espectáculo de cabaré ao estilo do 'Moulim Rouge' que, como este, também está em cartaz há várias décadas na capital francesa.


DN Madeira

sexta-feira, 28 de maio de 2010

Grande homenagem a Max em Outubro

Núcleo formado pelos fadistas Carlos Amaral e Manuela Nobre e por Rogério Sousa





Maximiano de Sousa, conhecido por todos como Max, receberá no próximo mês de Outubro «a merecida homenagem pública, regional e nacional», por ter sido um dos representantes máximos da canção, do humorismo e do próprio Fado.
As datas do evento “Max-A Grande Homenagem” ainda estão dependentes das entidades nacionais e regionais, mas tudo aponta para a terceira semana do mês de Outubro. Para a realização do programa, foi constituído o Núcleo de Homenagem ao Max que é formado pelos fadistas Carlos Amaral e Manuela Nobre e ainda pelo jurista Rogério Sousa. Este grupo tem como «objectivo o de levar a cabo a grande homenagem à figura de Maximiano de Sousa, o grande Max que, penso eu, como milhares de portugueses, nunca foi homenageado categoricamente e que está esquecido, sendo apenas lembrado com a “Mula da Cooperativa”», lamentou Carlos Amaral.
Para a consagração definitiva da figura de Max, o Núcelo enviou um pedido à Presidência da República para que o artista madeirense seja agraciado, a título póstumo, com uma Ordem Honorífica, «não inferior à que foi entregue à grande diva do fado, Amália Rodrigues». Será ainda solicitado ao representante da República na Madeira, que esta cerimónia de entrega da comenda seja feita no Palácio de São Lourenço.



A colocação de lápides no edifício onde Max nasceu e uma outra onde viveu está no programa de actividades, bem como a deslocalização da estátua do artista situada na Zona Velha da cidade. Carlos Amaral salienta que esta mudança é essencial, porque neste momento não se está a dignificar o artista, «não por culpa do Governo Regional, porque a escultura está esplêndida, mas pela localização, por isso irá ficar à entrada da Zona Velha, junto à muralha, virada para a Rua D. Carlos I». A figura de Max está incontornavelmente ligada àquela zona da cidade, porque foi ali que viveu, trabalhou, começou a vida de artista «e experimentou os primeiros sinais de uma morte desonrosa», pois «o seu povo não o ajudou». Então, acrescentou, «damos uma oportunidade à Região de prestar a mail alta expressão da homenagem», salientou Carlos Amaral.
A iniciativa terá como pontos altos dois espectáculos no Teatro Baltazar Dias com «muitas surpresas», disse Carlos Amaral sem querer adiantar mais. Os eventos serão abertos a convidados e à população em geral, «porque esta homenagem é de todos e para todos e para ele em específico».
Um blog sobre a iniciativa (http://maximianodesousa.wordpress.com) foi ainda criado e foi também solicitado à presidência do Governo Regional um dia de tolerância de ponto ou feriado em honra de Max. Tudo para enaltecer um homem humilde que «pedia licença para cantar e desculpava-se por ter cantado». Assim era Max antes e depois dos seus espectáculos, mas que fez 170 letras sem saber escrever. “Pomba Branca”, como símbolo de liberdade, será o hino deste grande acontecimento.


Jornal da Madeira

Pomba Branca





A Rosinha Dos Limões



Max: um talento ÚNICO

quinta-feira, 20 de maio de 2010

Morreu Horácio Roque

O Presidente do Banif - Grupo Financeiro faleceu ontem num hospital de Lisboa
Data: 20-05-2010



O comendador Horácio Roque, presidente do Banif - Grupo Financeiro, faleceu ontem em Lisboa, aos 66 anos de idade. Estava internado desde o passado dia 4 de Março, na unidade de cuidados intensivos do Hospital de São José, onde entrara vítima de um acidente vascular cerebral (AVC). O seu estado mantinha-se crítico e o prognóstico médico foi sempre reservado. A família pediu descrição no tratamento das notícias sobre a sua doença. Horácio Roque nasceu em 1944 em Mogadouro, município de Oleiros, distrito de Castelo Branco. Aos 14 anos partiu para Angola, sozinho, num navio de carreira, onde começou a trabalhar numa mercearia em Luanda, e estudava à noite. Aos 18 anos já era sócio de uma cervejaria. Poucos anos depois foi convidado para funcionário administrativo do Colégio Viriato, um dos mais prestigiados estabelecimentos de ensino particular da capital angolana. Em pouco tempo assumiu a gestão e propriedade do colégio e criou outros dois negócios congéneres e uma unidade fabril. Em Abril de 1974, quando os militares tomaram o Poder em Portugal, Horácio Roque já tinha investimentos no sector imobiliário, em Angola, onde se manteve até 1976, altura em que começou a desenvolver a sua actividade empresarial na África do Sul, onde detinha participações em empresas de diversos sectores da economia. Por via da amizade e parceria empresarial com o madeirense Joe Berardo (na altura empresário no sector mineiro de extracção de ouro), Horácio Roque investiu na Madeira a partir da década de oitenta. A nossa ilha passou a estar no seu roteiro de investimentos, quando decidiu voltar a Portugal, onde criou diversas empresas e investiu forte nos sectores imobiliário, indústria, serviços, turismo, comércio internacional e na banca e seguros. Através das suas holdings pessoais - as sociedades anónimas Rentipar Financeira-SGPS, Rentipar Indústria-SGPS, Rentipar Seguros SGPS e Rentipar Investimentos SGPS - Horácio Roque participava actualmente em vários sectores da economia em Portugal, Reino Unido (detém com Américo Amorim a Finpro), África do Sul e América do Norte e do Sul. Na área financeira, Horácio Roque presidia ao Banif-Grupo Financeiro, do qual era accionista maioritário e que inclui, designadamente, sociedades das áreas da banca, seguros, leasing, aquisições a crédito, corretagem e gestão de fundos, não só em Portugal continental, como nas duas Regiões Autónomas. O sector da banca expandiu-se para fora do País, com participações e ligações a instituições de crédito no Brasil, Espanha, Malta, Cabo Verde e alguns países da antiga 'Cortina de Ferro'.

Na Madeira, além da sua bem conhecida ligação ao Banif, Horácio Roque era também presidente do Conselho de Administração da SEIT Savoy e da Empresa Madeirense de Tabacos. Era um grande apaixonado pela nossa ilha. Poucos dias antes de adoecer dera a cara pela campanha de reconstrução da ilha, depois dos temporais de 20 de Fevereiro. Muitas vezes era apontado como madeirense - ainda ontem a comunicação social nacional o referia como tal - mas na verdade não nasceu na Madeira. Contudo, a sua ligação e dedicação à Região Autónoma eram muito fortes, como aliás prova a sua actividade e os testemunhos que ontem foram chegando de diversas entidades.

A Fundação Horácio Roque, à qual o banqueiro presidia, foi criada em 1991, com o objectivo de desenvolver actividades nas áreas educativa, social e cultural, e a sua acção fazia-se sentir também na Madeira. O empresário foi por várias vezes condecorado, recebendo, entre outras, a Comenda da Ordem do Infante D. Henrique (1988), recebida do Presidente da República.

Horácio Roque cultivava um excelente relacionamento com os jornalistas e a Imprensa em geral. Além da cordialidade e lealdade que o caracterizavam, era um excelente comunicador.

Memórias: Milionário desprendido

"O Banif será tão bom ou melhor depois de mim do que é agora comigo". Este desabafo de Horácio Roque tem cinco anos, mas ganha hoje um outro significado e dimensão. Está escrito na única grande entrevista que lhe fiz, publicada no DIÁRIO a 23 de Maio de 2005, e é revelador da nobreza do seu carácter.

O desprendimento construtivo era uma das suas imagens de marca. Apesar de comendador não tinha apetência especial por títulos. "Vive-se com eles", dizia, preferindo ser notado a outros níveis. Uma das sua regras de ouro era não chegar atrasado, nem fazer esperar ninguém. Outra era assumir apenas os compromissos que tinha quase a certeza que iria cumprir.

Por esses dias, a revista 'Exame' colocava-o na 15ª posição da tabela dos milionários portugueses, com uma fortuna estimada em 376,8 milhões de euros. Riu-se do ranking. Desvalorizava algo que entendia não ser quantificável.

Não fazia da sua sucessão um tabu. Vivia sossegado com a continuidade assegurada pela estrutura executiva que dinamizava as directrizes da Banif SGPS. Puxava a máxima que "as pessoas passam e as instituições ficam". Só que Roque também ficará.

A triste notícia não apaga a memória da conversa em que pediu "uma política económica de verdade" e empenho. Dava o exemplo. Não raras vezes entrava na sede central do Banif, na avenida José Malhoa, às oito e meia da manhã e de lá só saía 12 horas depois. Uma dedicação justificada: "Sou daqueles que acreditam que é bom que as coisas sejam vistas com os pés. Por isso, faço questão de estar perto dos acontecimentos". Saibamos estar próximos daquilo que é elementar, à imagem do empresário de sucesso que sempre soube dar.

Madeirense nascido fora

A amizade com os ilhéus Joe Berardo e Tony Barradas na África do Sul faria de Horácio Roque, 'empresário madeirense nascido no Continente', o obreiro principal da reclamada criação (1988) de um banco no arquipélago.

Até então, o alvoroço por essa conquista gravitava à volta da Caixa Económica do Funchal (CEF). De início, movimentaram-se membros separatistas alegando ser necessário acabar com o "alto negócio para Lisboa" que consideravam ser o exercício da banca na Madeira.

Reuniões secretas no estrangeiro, campanhas junto das comunidades no exterior, planos tendentes a impedir a transferência para Lisboa de remessas dos emigrantes, defesa de autonomia monetária, transformação de grande parte do capital existente na banca insular em moeda estrangeira - vários expedientes ocuparam elementos independentistas, bancários de várias instituições, com vista à criação de um banco dominado por madeirenses capaz de fazer entupir o fluxo de dinheiro para a capital.

Tempos da CEF Os trabalhos clandestinos findaram com a extinção da FLAMA. A efervescência da vida bancária nos anos que se seguiram à Revolução de 1974, também. Mas o ideal de transformar em banco a Caixa da Associação de Socorros Mútuos 4 de Setembro de 1862 continuou em agenda. A inauguração da sede reconstruída da CEF, em Maio de 1983, fez disparar duras críticas sobre os governantes de Lisboa, acusados de impedir uma "adequada autonomia financeira".

Nessa época, a CEF "tinha um grande envolvimento com o Governo da Madeira", conforme recorda o antigo director regional de Finanças, Paulo Fontes, que viveu situações difíceis de Tesouraria só ultrapassadas com a ajuda do 'número um' da Caixa, Henrique Abrantes.

Miguel de Sousa, ao tempo secretário regional do Plano e Finanças, confessa mesmo que grande parte dos sustos financeiros com quebra de liquidez no interior da própria CEF resultavam do financiamento canalizado para o governo regional nesses primeiros anos. "Evidentemente que não havia crédito nos mercados financeiros a que pudéssemos recorrer", explica. Inconvenientes da banca nacionalizada.

Antes da reprivatização, o GR agarrava-se à CEF, madeirense, e ao BPA, que tinha presidente madeirense, Jardim Gonçalves. Essas 'bóias de salvação', como ilustra Miguel de Sousa, cobriam as dificuldades de Tesouraria do GR - porque muitas vezes foi preciso pedir dinheiro para pagar salários.

Enfim, um banco

Em fins de oitentas, a Caixa debatia-se com um passivo de 7 milhões de contos e derrapava para a falência. O próprio Alberto João Jardim instou junto do governo lisboeta para ajudar na solução - e assim evitar o caos de 1930. Mas onde arranjar dinheiro?
Roque e Berardo, donos da 'Madeirense de Tabacos', decidiram-se por uma OPV à empresa. A venda de uma parte minoritária rendeu dinheiro, graças à euforia bolsista (o 'gato por lebre' de Cavaco ainda não saíra a terreiro). E o capital adquirido ajudou a comprar o Savoy e a transformar a CEF em banco.

Miguel de Sousa lembra a corrida para evitar que interesses continentais tomassem então a Caixa. Um grupo de empresários do Norte andou perto, apesar dos 7 milhões negativos. "O ministro das Finanças, Miguel Cadilhe, simpatizava com a solução continental. A febre de abrir bancos era alta".

O Banif veio a trabalhar financeiramente com o GR da Madeira logo depois da sua criação, em 1988 (a CEF foi integrada no novo banco). "Horácio Roque desempenhou o papel principal nesse processo", diz Miguel de Sousa sobre o líder do grupo promotor encarregue da criação do Banif - Banco Internacional do Funchal.

O então governante também participara nas diligências para levar o governo de Lisboa a imprimir a assinatura na autorização. "Duras negociações no Ministério das Finanças, no Banco de Portugal...".

Horácio Roque compareceu à sede do novo banco, nesse 15 de Janeiro de 1988, na esquina das ruas João Tavira e Bispo. Estava ali como artífice e maior accionista do banco. Ao discursar, sonhou com uma grande instituição de crédito, de repercussão europeia. Arriscara, com 1 milhão e 600 mil contos para os 11 milhões necessários ao grande empreendimento. Joe Berardo, que sem vocação para banqueiro o acompanhara, também se apresentou com 1 milhão e 400 mil contos. O capital, ao contrário do desejo dos quadros da antiga CEF, não era maioritariamente madeirense - este ficava-se pelos 48% do total. O Estado foi participante no capital, tal como a EEM (pelo GR), a Cimentos Madeira e a Bonança. Com outros accionistas menores.

O Banif passava a ser o banco português com mais quantitativo de capital social. Sede no Funchal e 18 balcões na Madeira. Centro nevrálgico em Lisboa. Delegação no Porto. E 520 funcionários ao todo.

Brechas e enigmas

"O comendador era o mais madeirense dos não madeirenses e foi a solução madeirense para que tivéssemos um banco com sede no Funchal", insiste Miguel de Sousa.

Na abertura do Banif, em 1988, Horácio Roque fez votos para que o banco pudesse "enfrentar os desafios do mundo moderno" e também ser "motivo de orgulho das suas raízes madeirenses". Miguel de Sousa considera que ontem "morreu o maior empresário da Madeira", o homem que criou um banco madeirense cujo processo de criação "ninguém consegue contar todo, porque ninguém sabe tudo sobre a história do banco".

Uma história com hiatos e enigmas em todos os episódios do enredo, a começar pelos estrepitosos tempos em que a Caixa Económica do Funchal marcava a ordem do dia.

Dito

ALBERTO JOÃO JARDIM disse ontem que "Portugal perdeu um dos seus melhores empresários e sobretudo um patriota". O presidente do Governo Regional da Madeira confessou que a morte do comendador Horácio Roque "foi uma triste notícia" que representa "uma grande perda para o País". Acrescentou que também a "Madeira perdeu uma pessoa a quem muito deve, um grande amigo e alguém que estava sempre pronto a ajudar o povo madeirense".

ABP O presidente da Associação Portuguesa de Bancos (ABP), António de Sousa, salientou que Horácio Roque "foi uma pessoa muito importante na banca e nos seguros, no sector financeiro português".

CAVACO SILVA considerou que o fundador do Banif é um "exemplo de vontade de triunfar, de força e energia, de espírito empreendedor", um homem que "nunca se deixou vencer pela adversidade, nem se conformou com o destino das suas origens".

MICHAEL BLANDY presidente do Grupo Blandy e do Conselho de Administração do DIÁRIO, comentou que o comendador Horácio Roque fez muito pela nossa terra, considerando-o um grande amigo da Madeira.

MIGUEL MENDONÇA disse que a a morte de Horácio Roque "é uma perda para Portugal e para a Madeira". "É com profunda amargura que sinto a sua morte, tínhamos uma relação muito fraternal, éramos como irmãos", referiu.

ACIF "O comendador Horácio Roque foi um grande empreendedor e todos os empresários reconhecem o esforço que fez pela economia da Madeira", disse Duarte Rodrigues, presidente da Associação Comercial e Industrial do Funchal.

JOE BERARDO "É uma desgraça o que aconteceu, para mim era como um irmão", disse Berardo, comovido, escusando-se a fazer mais comentários. Horácio Roque e o madeirense José Manuel (Joe) Berardo eram sócios em vários negócios.

CARLOS CÉSAR manifestou pesar pela morte do banqueiro, considerando que se trata de uma "perda irreparável" para o sector empresarial financeiro português. O presidente do executivo açoriano destacou a sua "afabilidade e inteligência".


DN Madeira