Mostrar mensagens com a etiqueta Historia. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Historia. Mostrar todas as mensagens

quarta-feira, 24 de março de 2010

Limpezas deixam à vista Fontes de João Dinis

Câmara do Funchal vai recuperar as fontes que foram mandadas construir em 1490
Data: 24-03-2010






Várias décadas depois de terem sido enterradas, nas obras de construção dos jardins que separam o Palácio de São Lourenço da Avenida do Mar, as Fontes de João Dinis vão voltar a funcionar. Esquecidas há muito tempo, embora a Rua das Fontes continue lá, devem o seu 'regresso' a um acontecimento trágico: os temporais de 20 de Fevereiro.

A aluvião que atingiu o Funchal encheu de lama os jardins e obrigou a obras de remoção de detritos, operações que começaram logo após a catástrofe. Foi precisamente nestas escavações que ficaram a descoberto as Fontes de João Dinis. Uma infra-estrutura de fornecimento público de água que foi mandada construir há 520 anos.

Em 1490, a Câmara do Funchal decidiu aproveitar a água do 'Altinho das Fontes', onde também foi construído o primeiro baluarte de defesa, que viria a dar lugar ao Palácio de São Lourenço. Agora, é precisa a Câmara Municipal do Funchal que vai recuperar este pedaço de património da cidade.

A descoberta das fontes deu-se há poucos dias e a sua identificação envolveu historiadores que confirmaram que estas eram as 'Fontes de João Dinis'.

As últimas fotos em que aparecem datam da década de 30 do século passado, antes da construção da Avenida do Mar. A marginal do Funchal, construída num nível superior ao da Rua das Fontes, terá sido responsável pelo desaparecimento e esquecimento deste local. Aqui, durante séculos, vieram beber homens e animais.

Fotos do início do século XX confirmam que as fontes eram muito utilizadas e estavam em bom estado de conservação.

O gabinete de arqueologia da CMF está a preparar uma proposta para recuperar o local e deixar á vistas os fontanários.

O jardim que se encontra junto ao Palácio de São Lourenço deverá ser mantido parcialmente, mas um dos objectivos desta obra será a recuperação da calçada de calhau rolado que durante séculos esteve naquele local.

Entrada pela Rua das Fontes



Rui Carita, num primeiro comentário enviado à autarquia, confirma que estas fontes foram mandadas construir em 1490 e que foram alvo de diversas obras, ao longo de cinco séculos.

O historiador considera importante recuperar as fontes o que também seria uma forma de dar outra dignidade à própria fortaleza de São Lourenço que viu, ao longo dos anos, a altura da sua muralha muito reduzida.

O acesso ao local, que ainda é visível, era feito pela Rua das Fontes, mas foi encerrado há muito tempo. Esta deverá ser outra das alterações a efectuar.

As fontes parecem, numa primeira observação, em bom estado, embora sejam necessárias várias obras neste local.

A recuperação deste espaço permitirá, segundo a CMF defender o património histórico e criar mais um motivo de interesse turístico no centro da cidade.

Desta água...



As famosas Fontes de João Dinis, a que a população citadina recorria para matar a sede e para, em final de jornada de trabalho na baixa, aplicar uma primeira 'demão' higiénica, primavam pelos remoques políticos que inspiravam.

Nos ambientes escaldantes de luta partidária no século XIX e nas primeiras três décadas do século XX, pululavam cliques, grupelhos e aparelhos que tratavam de arrebanhar as influências de cada governador que o centralismo lisboeta ia enviando para cá. De início, o inquilino do Palácio de São Lourenço pretextava neutralidade e respeito por todas as facções em compita, sem privilégios a quem quer que fosse, do partido do governador ou de outros. Mas, com o avançar das jantaradas, passeatas e bailes, em breve Junta Geral e Câmaras tinha a mandar os amigos do costume. "Este também já bebeu das Fontes de João Dinis", dizia então o povo do governador.

Hoje dão-se situações parecidas, como se sabe, com titulares colocados cá. Vemos até políticos da capital que nos visitam por escassas horas e partem anestesiados pelo encantamento das fontes, apesar de soterradas até há um par de horas.


DN Madeira

sexta-feira, 19 de março de 2010

Excerto do Filme Sissi com Romy Schneider

Onde retrata a Vinda da Imperatriz Sissi da Áustria a Madeira para a curar uma Tuberculose









( as cenas não foram filmadas na Madeira)

segunda-feira, 15 de março de 2010

O 'ferroviário' do Porto Moniz

José Costa, um antigo emigrante nos EUA, veterano da guerra do Vietname, na calma do Porto Moniz construiu um caminho de ferro...





Notável, singular, estupendo e impensável. Quatro adjectivos que ajudam a sustentar o projecto de José Costa, um ex-emigrante nos Estados Unidos da América e veterano da guerra do Vietname que numa noite de insónia incomodativa resolveu construir, com as suas próprias mãos, um caminho de ferro com todos os seus acessórios e adereços (comboio e carruagens) no meio do jardim da sua casa.

Foi há precisamente 13 anos que escolheu a vila do Porto Moniz para viver na companhia do seu progenitor, no qual o destino reservou-lhe uma dupla missão na vida e na educação do filho Joe: ser pai e mãe simultaneamente. Pelo meio, um divórcio e relatos impressionantes de um conflito armado entre americanos e vietnamitas levaram este madeirense a entrar na guerra.

Paixão pelos comboios A sua paixão pelos comboios nasceu muito cedo a ponto de quando teve uma propriedade ter construído uma 'linha férrea'. O objectivo foi que esta o ajudasse nas tarefas domésticas. Transportava materiais pesados, mas também tinha outra função: servir de brinquedo ao seu único filho, Joe.

Agora a residir no concelho nortenho, diz que o comboio servirá para reviver o passado como forma de lazer e de diversão. Não sabe quantos minutos a locomotiva levará a percorrer o traçado nem mesmo qual a distância da linha férrea. "Depende muito da velocidade e do peso da carga", resume este operário de profissão. Mas que interessa isso, se o mais importante é a obra agora lhe consome horas a fio na sua construção?! Entre muitas exclamações que se possam fazer à magnificência do plano que desenvolveu nos arredores da sua casa, está igualmente a ausência de qualquer planta desenhada ou sequer de um esquisso onde se possa perceber os traços da ilusão e de um sonho que acabará por mais tarde se erguer, justamente no coração da vila do Porto Moniz. Ao primeiro olhar tudo parece ser perfeito. Neste feito ímpar de zinzaguear de linhas de aço e de ferro, este cinquentenário deu-se ao trabalho de construir um túnel de pedra aparelhada, uma ponte de ferro sobre um pequeno lago onde habitam três ou quatro espécies de peixe de água doce. Pelo meio, uma zona ajardinada e um corredor de vinha, ajudam a complementar a área. O chão inacabado, será coberto por calçada portuguesa. "Já comprei duas toneladas de pedra", sublinha.

Como pano de fundo, a esplendorosa baía da vila do Porto Moniz que tantas vezes serve para os turistas contemplarem a sua beleza. Agora, afirma, os forasteiros têm mais um pretexto para visitar a localidade. "Podem vir ver e andar no comboio. Ainda não está pronto, mas quando estiver, estará aberto a quem quiser. Crianças e adultos serão bem-vindos, desde que não façam asneira", solta a declaração no meio de um suave sorriso. A generosidade ou passatempo como prefere catalogar, leva-lhe muitos euros do bolso. À questão, 'o construtor' diz nem querer pensar nisso. "Nem faço ideia de quanto já gastei. Só em calhas de ferro tenho uma pequena fortuna empenhada para nem falar do trabalhão que isto me dá. Mas não importa, faço-o por prazer", confidencia.

O esforço diário da montagem e desmontagem das calhas chega a ser extenuante ao ponto de interromper os trabalhos durante a semana. "De facto, não é fácil dobrar estas calhas. Tive de comprar um torno, mas mesmo assim é muito cansativo. Ainda bem que tenho o meu filho por perto que também gosta disto e que me ajuda". Aliás, confessa, que quando vivia na Califórnia fez nos arredores da sua casa um caminho de ferro quase semelhante ao do Porto Moniz, com apenas uma particularidade: "Era muiiiiito maiorrrr", soletra, para evidenciar a grandeza do equipamento. Tão grande que "servia para transportar equipamento e produtos para mais próximo da casa. Além disso, o Joe passava horas brincando dentro das carruagens".

Linha do Porto Moniz No caminho de ferro do Porto Moniz "está tudo dentro da minha cabeça", confidencia o operário que chegou a trabalhar no início da juventude na fábrica da marca automóvel Ford. Relembra, que teve várias empregos, no último ganhava perto de 20 dólares à hora. "Fiz bom dinheiro nessa altura", recorda. Hoje, curiosamente, está aposentado não de uma carreira profissional acumulada, mas por ser combatente e sobrevivente de um conflito armado que irremediavelmente lhe deixou marcas psicológicas incicatrizáveis. "Sim, é verdade. Estive durante alguns meses em missão. Patrulhava os rios do Vietname. Não foi fácil... Nada fácil", solta aos poucos as frases, num tom francamente esmorecido.

"Perdi muitos dos meus amigos em combate", revela. Porém, detém a conversa e desvia repentinamente o olhar que entretanto nos fitava. Após alguns segundos - talvez horas para Costa -, retoma a respiração e continua: "Fui forçado a entrar no exército americano. Teve de ser! Emigrei para a América com 10 anos juntamente com os meus pais. Em 1968 não tive hipótese. Rebentou a guerra e não havia outra hipótese se não seguir para o Vietname", explica ainda num sotaque indisfarçadamente 'americanizado'. Antes, recorda um ano e picos de treino intensivo que lhe pareceu mais ser uma década tal o grau de exigência física e militar. Hoje, diz que vai sobrevivendo à conta disso, apoiado por uma "boa reforma", naturalmente por ter combatido ao lado dos americanos. Longe da terra que o viu crescer, assegura que são os dólares que o ajudam a desenvolver as suas ideias e a concretizar os seus sonhos. "Não me dou parado e faço de tudo um pouco", esclarece numa tentativa perspicaz de fugir ao assunto Vietname. Percebemos e aceitamos a 'deixa', aliás, o nosso propósito era outro.

De 'regresso ao caminho de ferro', José Costa leva-nos ao interior da sua oficina instalada próximo da sua garagem onde se vislumbram traços de um carro vermelho coberto por um extenso lençol branco. Apercebendo-se da nossa curiosidade, encaminhamo-nos para o local. À medida que se aproxima vai descobrindo o objecto. Completamente visível aos nossos olhos, explica: "É um 'Jaguar E-Type' de 1969. Tem 250 cavalos e 4.200 cilindrada. Além disso tem uma história curiosa. Comprei-o no continente a um indivíduo que o comprou, imagine, na Califórnia, perto da casa onde eu vivia. Fiquei tão emocionado e agradecido ao ver os comprovativos que não hesitei. Tive de o comprar", retrata o episódio como se ainda fosse aquele dia.

Dias enfiado na oficina Mas é ao lado do Jaguar onde passa grande parte dos seus dias. De repente, repara numa das carruagens posicionada em cima de um cavalete. "Está a ver, está aqui uma das carruagens que lhe falava há pouco. O meu filho já pintou. Só falta colocar as rodas e a bateria de 12 voltes que será o motor desta máquina", previamente colorida de amarelo e vermelho tinto. As restantes quatro carruagens estão a ser executadas. Será o resto do 'puzzle'.

"Todas estão feitas para poderem transportar duas crianças dentro", sublinha ao olhar desacreditado do repórter. "Não acredita?", solta uma gargalhada. "Pois acredite que assim será", reitera com convicção.

Apesar de estar já há uma década de anos na Madeira, foram muitos anos na América. Talvez por isso quando as saudades apertam dá uma saltada à terra do 'Tio Sam'. "Até agora tem sido sempre de dois em dois anos. Tenho familiares ainda na Califórnia", explica. José Costa confessa ser um indivíduo introvertido que gosta de estar muitas vezes isolado e compenetrado nos passatempos que resolve colocar em prática. "O meu hóbi passa quase sempre por trabalho", ri à confissão que entretanto acabara de fazer. "É verdade. Olhe, quando comprei esta casa, era tão antiga que resolvi remodelá-la e dar um toque pessoal. Fiz tudo o que aqui está agora. Ao principio eram duas casas. Juntei numa só. E não precisei de pedreiros", desfere.

No interior, símbolos da civilização americana. Americano que se preze tem de ter pelo menos uma bandeira por perto entre outras referências emblemáticas. Joe, de 23 anos de idade, não renega a pátria e tem tudo estas imagens. Umas no tecto do seu quarto enquanto outras enfeitam o resto do andares.

DN Madeira

Inverno foi o mais chuvoso desde há 140 anos



Data: 15-03-2010

O inverno deste ano foi o mais chuvoso de sempre, desde que há registos, no Funchal ou seja desde há 140 anos, revelou o Instituto Nacional de Meteorologia.

Os dados são relativos a Dezembro, Janeiro e Fevereiro e indicam que "em termos locais, em algumas estações foi este inverno o mais chuvoso desde que existem registos de observações".

Na Madeira, o Inverno de 2009/2010 foi o mais chuvoso desde 1865, com um valor cerca de três vezes superior ao normal de 1971-2000.

Nesta ilha, Fevereiro foi o mês que apresentou um total de precipitação mais elevado e no Funchal cerca de sete vezes acima do valor médio para este mês, sendo assim o valor mais elevado desde o início dos registos, em 1865. O Porto Santo apresenta o 3.º inverno mais chuvoso desde 1940, especifica ainda o Instituto de Meteorologia.


DN Madeira

quinta-feira, 18 de fevereiro de 2010

Chuva em Fevereiro está 3 vezes acima da média

Se tivermos em conta o mês de Janeiro, valor é já superior ao total registado em 1986







Os valores da precipitação do último mês e meio já ultrapassaram, neste momento, os totais registados em alguns anos. Embora estejamos na época da chuva, os dados do Observatório Meteorológico do Funchal revelam que só no mês de Fevereiro, entre os dias 1 e 17, foram registados 334,4 milímetros. Trocado por miúdos, equivale a dizer que é quase metade daquele que constitui o valor de referência anual, situado nos 615 mm e um valor mais elevado do que, por exemplo, o total registado em todo o ano de 1986, em que a precipitação andou nos 310,8 mm.
Mas, os valores podem ainda subir, tendo em contaas previsões para os próximos dias. «A época das chuvas ainda não terminou e o inverno também não. Estamos com chuva desde 15 de Dezembro a 15 de Janeiro, e depois de 1 de Fevereiro até agora. Uma previsão a longo prazo (10 dias) aponta para que ocorra precipitação, sendo mesmo forte no sábado», afirmou Victor Prior, delegado regional da Madeira do Observatório, que adverte também para uma baixa da temperatura a partir da tarde de hoje, com possibilidade de queda de neve, devido a uma corrente fria polar marítima vinda de norte.
Esta situação de chuva contínua está associada, essencialmente, à passagem de superfícies frontais, sendo que nos passados dias 1 e 2 de Fevereiro, a forte precipitação ficou a dever-se a uma depressão sub-tropical que se formou a sul da Madeira e passou sobre a ilha.

2010 com quarta maior marca
para o mês de Fevereiro


No mês de Dezembro, o Observatório Meteorológico registou no Funchal (concelho que acaba por ser um indicativo para a Região) um total de 286,1 milímetros de precipitação. Um valor muito acima da média para este mês (106,2 mm) como também a igual período de 2008, em que se registou 154,1 milímetros. Aliás, este constitui o valor mais alto para o mês em causa desde que há registo, o mesmo é dizer, desde 1949. O valor mais aproximado foi apurado em 1977, com 277,6 mm.
Já o mês de Janeiro foi de contrastes. Este ano, os valores subiram até aos 109,1 milímetros, sendo que em Janeiro de 2009 foram registados 37,4 mm. A média é de 90,4.
Quanto a Fevereiro, entre os dias 1 e 17, foram já registados 216,8 milímetros de precipitação, num mês em que a média situa-se nos 66,6 mm. Ora, esta constitui a quarta maior marca neste mesmo mês, sendo que a mais elevada diz respeito ao ano de 1969 com 438 mm (aliás, o valor mais alto de sempre na Região desde que há registo). De salientar que entre as 9 horas do dia 1 e as 9 horas do dia 2 foram registados 111 mm.
A evolução da precipitação registada no Funchal apresenta grande irregularidade não sendo possível verificar tendências significativas no seu valor médio. Ainda assim, entre 1949 e 2009, este valor situava-se nos 615 mm. Porém, em 1969, a quantidade de precipitação foi de 1006,2 mm.
Apesar dos valores já registados em Fevereiro e das previsões não serem animadoras para os próximos dias, Victor Prior diz que «não é possível ainda concluir que o ano de 2010 venha a ser, em termos de quantidade de precipitação, muito diferente dos anos anteriores ou com um grande desvio em relação ao valor médio».



Jornal da Madeira

quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010

Carnaval exigiu “um rasgo de loucura“

Segundo João Carlos Abreu, «o Carnaval foi a grande base para partirmos para outra animação na Madeira», como a Festa da Flor ou a Festa do Vinho






JORNAL da MADEIRA — É considerado um dos grandes impulsionadores do Carnaval, tal como o conhecemos hoje. Recorda-se de como foram esse primeiros passos do Carnaval?
João Carlos Abreu — Sim. Na altura, o que eu fiz foi trazer o Carnaval dos hotéis para a rua. Os carnavais que havia, antigamente, não tinham — digamos — este rasgo de loucura que era preciso ter para trazer o Carnaval dos hotéis para a rua.

JM — Como é que isso aconteceu?
JCA — Eu, nessa época, era o relações públicas do Hotel Sheraton e, quando fui chamado, naquela altura, para vir para o Governo, para o cargo de director de Animação e Turismo, eu disse que o Carnaval vinha para a rua no ano seguinte. E foi o que aconteceu. Na altura, disse isto à dona Ariete Sousa, que disse que isso não ia ser possível. Mas, eu empenhei-me em fazer isso. E não desisti.

JM — Isso quer dizer que havia algumas resistências?
JCA — Sim. Na altura, dizia-se que os madeirenses eram muito fechados. E a intenção de trazer o Carnaval para a rua era, precisamente, para tornar os madeirenses menos ilhas. E assim foi. Havia já alguns grupos com estruturas criadas. Era o grupo do Artur e a Dina, o grupo da dona Ângela Figueira, depois veio a dona Flávia, Alice Rodrigues. Enfim, essas pessoas foram, de facto, os grande pilares deste Carnaval, porque compreenderam qual era a ideia. Não era fazer um Carnaval qualquer. Era um Carnaval mais extrovertido, para contrariar aquela tendência do madeirense voltado para dentro. No fundo, entre os objectivos que estavam subjacentes ao Carnaval estava a ideia de quebrar a barreira das idades. Quebrar a barreira dos elitismos: ali, toda a gente entrava, desde o sapateiro ao advogado, passando pelo médico, pelo engenheiro, ou o governante. Toda a gente estava dentro de um projecto e o projecto era, no fundo, um fenómeno de ordem social.

JM — O que quer dizer com isso?
JCA — Com o Carnaval, acabou-se com o afastamento uns dos outros, a separação das classes sociais. Da mesma maneira que se afastou a barreira das idades, porque entravam os avós, entravam os filhos. Entrava toda a gente. Era toda a gente empenhada à volta do Carnaval. E este projecto iria tornar possível, depois, que se pudesse partir para novos eventos, como a Festa da Flora, ou a Festa do Vinho, a todas as outras iniciativas que, hoje, integram o calendário da animação na Região.

Muitas resistências para enfrentar

JM — Por falar nisso, houve, durante um certo tempo, alguma polémica em torno do Carnaval ser, ou não ser, um cartaz turístico. Não foi assim?
JCA — Nós não fizemos o Carnaval como um cartaz turístico. Havia muita gente que criticava o Carnaval e dizia que o Carnaval não era da Madeira. Mas, o Carnaval não é de sítio nenhum. Ainda ninguém me explicou de onde vem o Carnaval. A verdade é que o Carnaval tinha como função, justamente, despoletar outras acções que pudessem ser feitas em grupo, nos mesmos moldes. Na Madeira, não havia o hábito de fazer isso, eram as pessoas individuais. E, como nenhum homem pode ser uma ilha, e dentro de uma ilha muito menos. Era preciso criar esta perspectiva de colectividade, de envolvimento. Foi, de facto, um ponto de partida para outras iniciativas. E assim aconteceu. E assim foi o grande passo que demos. E, hoje, o Carnaval está bem estruturado nesse sentido.

JM — Está a referir-se, sobretudo, ao cortejo de sábado à noite. E o “Carnaval Trapalhão”?
JCA — O “Carnaval Trapalhão” surgiu um pouco mais tarde. Um ou dois anos depois. Na altura, com a colaboração da Dr.ª Manuela Aranha, demos mais esse passo.

JM —
Hoje, o Carnaval é assinalado um pouco por toda a Região...
JCA — Essa é outra perspectiva. Nós quando trouxemos este Carnaval para a rua, sabíamos que ele iria dar lugar ao Carnaval em todas as freguesias da Madeira. Porque é, de facto, uma festa abrangente. E depois, tudo aquilo que se faz com empenho, com entusiasmo, contagia toda a gente. E o objectivo era que “rebentassem”, também, outros carnavais na Região.

JM — Mas este não foi o primeiro Carnaval a vir para a rua...
JCA — Não. Já tinha havido o Carnaval da Rua da Carreira, com a farinha, com os tomates, o milho em grão e os ovos. Havia o Carnaval dos Jovens Cristãos. Mas não tinha nada a ver com este, com os objectivos deste. Objectivos que estavam definidos, embora não publicitados, e que conseguimos alcançar, tal como tínhamos previsto. E, hoje, o Carnaval tornou-se, de facto, num cartaz. Mas não foi criado como tal. Não nos podemos esquecer também que não podemos separar o Turismo, ou os turistas da população. Tudo aquilo que fazemos para a população o turista pode também participar, pode entrar. E assim aconteceu. Realmente, acho que o Carnaval foi a grande base para partirmos para outra animação na Madeira.

Foram os madeirenses os obreiros desta festa

JM — Mas havia algumas tradições do Carnaval. Estou a lembrar-me, por exemplo, dos “assaltos” a casas de amigos e familiares...
JCA — Sim, havia essa tradição muito interessante dos “assaltos”. Havia uma pessoa do grupo que combinava com o dono da casa que iríamos fazer um “assalto”. Às vezes, nem combinávamos e íamos de surpresa. O que também tinha a sua piada. Estávamos disfarçados até ao final da noite. Havia outros lugares públicos onde se faziam festas de Carnaval, como nos Bombeiros Voluntários Madeirenses, que estavam ali na Avenida do Mar, no Solar da Dona Mécia, nos Estudantes Pobres, Ateneu, enfim..., havia uma série de lugares onde havia Carnaval. Mas isso não tem nada a ver com o Carnaval que trouxemos para a rua em 1980. Esse Carnaval foi feito pelos madeirense. E os madeirenses foram inventando, foram criando e ninguém vem para aqui dizer que era assim, ou era assado. Não havia instrutores, porque não era necessário. Foram os madeirenses que idealizaram este Carnaval. Foram os madeirenses os construtores e ideólogos do seu próprio Carnaval. Mas, para esse Carnaval vir para a rua, tinha de haver loucura, caso contrário nunca teria vindo para a rua.

JM — Mas, na altura, não houve resistências, digamos assim, a esta mudança? Porque, no fundo, isto era algo de novo na Madeira?
JCA — É claro que houve algumas resistências. Apareciam as cartas anónimas. Vinham para a praça pública dizer que o Carnaval não era da Madeira e que era uma coisa para servir fins políticos. Isto era uma coisa que me dava vontade de rir, porque, no fundo, os objectivos estavam definidos e nós sabíamos que íamos conseguir alcançá-los e, por isso, não íamos parar nunca. E ainda bem que continuamos. Independentemente de ser uma festa, um divertimento, é também uma forma de dar azo ao próprio madeirense de imaginar, de criar, quer na parada de sábado, quer no “Carnaval Trapalhão”. É um espaço para a imaginação do madeirense. Ele necessita de exercitar a sua imaginação. E acho que isso foi conseguido.

JM — Houve essa estratégia do Governo, mas há também, aqui, o mérito dos muitos milhares de foliões que, ao longo destes 30 anos, têm vindo à rua...
JCA — Sem dúvida nenhuma. O Carnaval só existe porque estes grupos existem, porque há todas estas pessoas empenhadas. Porque toda esta gente tem orgulho naquilo que faz. E porque sabem também que o Carnaval é uma coisa importante para a Região. Há um conjunto de coisas aqui, que se conjugam e que fazem com que estes grupos continuem e estejam sempre com este entusiasmo e empenho. Depois, há também aquela competitividade, que eu considero salutar, entre os vários grupos. O que acaba por funcionar como mais um estímulo para o empenho.

JM — O que regista destes 30 anos de Carnaval, tal como ele é hoje?
JCA — Nestes 30 anos, primeiro que tudo, agradeço o facto de estar vivo para poder assistir a tudo isto. Por ter sido um dos obreiros deste Carnaval e poder, hoje, ver tudo isto. Por outro lado, estes 30 anos servem também para demonstrar a capacidade do madeirense e a preocupação de melhorar de ano para ano, até atingir o nível que nós temos hoje.

João Carlos Abreu diz que para trazer o Carnaval dos hotéis para a rua foi necessária «uma boa dose de loucura. Era algo totalmente diferente para a época».
Para o antigo secretário regional do Turismo e Cultura, outro dos aspectos de extrema importância para a dinamização deste Carnaval «foi o facto de alguns governantes terem aderido, terem participado. Eles tinham de dar o exemplo, não podiam ficar na varanda, como espectadores. E, para o nosso Carnaval, isso foi bastante importante. Porque, no fundo, serviu de exemplo, incentivou as pessoas a virem também para a rua».
Tal como afirmou, «não nos podemos esquecer que há 30 anos, a visão que as pessoas tinham era diferente. Embora ainda persista alguma mentalidade retrógrada, a verdade é que evoluímos muito. Há 30 anos, por exemplo, trazer as pessoas a mexer o corpo e divertir-se, não era fácil».



Jornal da Madeira

quinta-feira, 11 de fevereiro de 2010

O 1º Parque Eolico em Portugal (Porto Santo 1986)






....Em 1983 o Governo Regional da Madeira contratou, sob proposta da DER, a firma britânica ERA Technology para levar a cabo estudos suplementares do vento (turbulência e determinação do perfil em altitude), bem como um estudo de viabilidade económica para um projecto piloto de energia eólica no Porto Santo baseado nos dados de vento do programa de medição efectuado.

O resultado desse estudo, em que o trabalho de campo foi de novo feito pela DER, foi a escolha do local do projecto piloto, Cabeço do Carvalho, Porto Santo. Este estudo, pioneiríssimo em Portugal, foi apresentado ao público em 1984. Não tenho registo da data exacta, mas deve ter sido ainda durante o primeiro trimestre desse ano porque o estudo da ERA tem data de Dezembro de 1983.

O «estado da arte» da energia eólica nessa altura era de máquinas com potências da ordem das poucas dezenas de kW, 30, 40, 50, sendo as de 55 kW as de topo de gama.

O governo alemão tomou conhecimento do estado de avanço do projecto do Porto Santo e dos estudos levados a cabo que apontavam para a instalação de máquinas dinamarquesas até 55 kW de potência nominal. Estava a DER a tratar já do projecto de instalação do parque eólico, que iria possivelmente ser posto a concurso, quando é surpreendida pela oferta alemã de 8 aerogeradores da firma MAN de 30 kW cada.

O parque foi entregue para exploração à Empresa de Electricidade da Madeira, e ficou provada assim a viabilidade da utilização industrial da energia eólica em Portugal....




Podem continuar a ler.....
http://inerte.horabsurda.org/?s=portugal


Curiosidade : o 1º parque éolico em Portugal Continental foi inagurado 10 anos depois em 1996 em Fonte da Mesa – Lamego

quarta-feira, 10 de fevereiro de 2010

Livro ontem lançado exalta significado do Forte de São José

Renato Barros lançou um livro sobre o Forte de S. José, com a ajuda de colaboradores
Data: 10-02-2010





Renato Barros, proprietário do Forte de São José da Pontinha, conseguiu encher ontem o átrio do Teatro Municipal para o lançamento do livro 'O Diamante que ilumina a pérola do Atlântico', que publicou, com a colaboração de Vítor Bettencourt e João Paredes, na editora 'O Liberal'. Por entre múltiplas referências elogiosas "à minha ilha', que diz visitar duas vezes por dia, "D. Renato Barros, príncipe da Atlântida" (assim começa o prefácio assinado por Brian Philips, director do Kent Archaeological Rescue Unit, da Grã-Bretanha) contou ainda com outros elogios do britânico, que enalteceu a importância do Forte e aproveitou para aplaudir o trabalho arqueológico desempenhado por Élvio Sousa, em Machico. A recuperação arqueológica, defendeu, deve acompanhar o progresso, na Região. Assim, a pesquisa arqueológica no Forte deve continuar. Renato Barros defende que o livro "é um trabalho de cariz científico, de pesquisa histórica".

DN Madeira





Características do Forte:





“Um curto túnel de acesso com uma soleira, com o teto abobadado, característico dos séculos XVII e XVIII. No lado Leste, existe um pequeno lance de escadas, composto por três degraus em cantaria em direcção a uma parede de formação rochosa. Nessa mesma parede existe uma chaminé natural que se eleva até ao topo do maciço rochoso. Neste patamar, resta ainda uma janela em cantaria, integrada numa parede original, com orientação para Sudeste. Um patamar superior, servido por uma escadaria com dez degraus em cantaria e com o teto abobadado, conduz a um patamar intermediário onde se rasga, na parede Leste, uma janela elevada, em cantaria mole do tipo tufo de lapilli, típica do século XIX, e também uma estrutura de uma janela anterior de forma abobadada, provavelmente do século XVII. Existe uma abertura superior que conduz ao exterior, no topo do ilhéu e, na continuação da escadaria, em direcção Norte, com mais cinco degraus, encontramos uma porta em cantaria, coberta com pedra solta. No exterior da referida janela encontra-se outro compartimento parcialmente arruinado, também com o teto abobadado e piso em calhau rolado. Na parede Oeste, onde se encontra a janela, existe um banco em pedra e duas aberturas no chão em forma de quadrado, que nos indicam o quarto no piso inferior, ao qual se tem acesso por uma abertura originada quando da destruição e do abandono parcial do forte. Este quarto também tem o teto abobadado, com uma estrutura de pedra de cantaria vermelha, encontrando-se coberto de pedras soltas.”

terça-feira, 9 de fevereiro de 2010

Inaguração do Estadio dos Barreiros 05-05-1957

A Selecção da Madeira jogou com a Selecção de Portugal B e perdeu por (2-5)


segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010

Música na história da Madeira em debate

No auditório do Centro de Estudos de História do Atlântico








Tem hoje lugar no auditório do Centro de Estudos de História do Atlântico (CEHA) a primeira de várias conferências subordinadas ao tema "A Música na História da Madeira".
Marcado para as 18 horas, o evento terá como conferencista Paulo Esteireiro e terá como tema "A Música para Piano na Madeira (1810-1930)". O coordenador da Divisão de Investigação e Documentação do Gabinete Coordenador de Educação Artística contará com a participação musical da pianista Olga Kuts, que irá executar as peças musicais "A little Kiss - American Intermezzo" de Edmundo da Conceição Lomelino e "Fantasia N.º 2" de Luiz Peter Clode.
Este ciclo é constituído por seis conferências que irão decorrer entre Janeiro e Dezembro de 2010 e é realizado em parceria com o Centro de Estudos de História do Atlântico. É o resultado de um conjunto de investigações musicológicas que foram realizadas em grande parte no âmbito da Divisão de Investigação e Documentação do GCEA e que têm vindo a recuperar obras musicais históricas de autores madeirenses.
Estas investigações têm sido divulgadas ao público em várias formas, tendo permitido concretizar projectos diversificados no domínio da preservação e divulgação do património musical madeirense.
Neste sentido, foi realizado um documentário sobre músicos madeirenses em parceria com a RTP-M; produzidas edições de cariz biográfico, sobre personalidades ligadas à música; editados vários CD-Rom+Áudio que permitem ouvir as obras musicais madeirenses do passado; e ainda a criação de vários recursos pedagógicos destinados aos alunos e docentes da Madeira.
Neste contexto, o Ciclo "A Música na História da Madeira" tem como um dos principais objectivos «divulgar em conferência os resultados das investigações realizadas e permitir simultaneamente a audição ao vivo de alguns dos exemplos musicais recuperados nos últimos anos».
De salientar ainda que todas as seis conferências contarão com breves momentos musicais executados por músicos do Gabinete Coordenador de Educação Artística.



Jornal da Madeira

domingo, 7 de fevereiro de 2010

Antes da Fama : Rui Unas

Rui Unas o maior apresentador da SicRadical





A 1º vez na TV




1 ano depois

RG3 e embarque das tropas Madeirenses para a Guiné (Antigamente)

RG3 São Martinho (Funchal)




Tropas prestes a embarcar no Porto do Funchal



O Barco que os levo para a Guiné o Ana Mafalda





Se quiserem saber mais sobre este assunto

Consultar este Blog:


http://cart2732.blogspot.com/

Turismo mostra Caneca Furada

No Espaço Infoart








A exposição “Caneca Furada no Carnaval da Madeira”, inaugurada ontem no Espaço Infoart, na Avenida Arriaga, assinalou a abertura oficial do programa das “Festas de Carnaval”, promovido pela Secretaria Regional do Turismo e Transportes.
A cerimónia inaugural da mostra da Caneca Furada foi presidida pela secretária regional do Tursimo e Transportes, Conceição Estudante, que, na ocasião, realçou o facto de esta iniciativa ter como objectivo «reviver a história do Carnaval na Madeira e, ao mesmo tempo, mostar às novas gerações o percurso de uma festa que, hoje, é um cartaz turístico consolidado».
Facto este, salientou a governante, que se deve sobretudo «ao entusiasmo dos responsáveis e de todos os elementos das trupes».
Nesta exposição, descreveu, «visualizamos não só a evolução dos trajes, da moda e do tema de cada uma das épocas referenciadas, mas também a forma como as pessoas participavam nos cortejos...».
A mostra traça o percurso de 30 anos da trupe orientada por Ferdinanda Sousa, apresentando trajes, usados em corsos carnavalescos, nomeadamente pela responsável do grupo, e um vídeo. O historial da Caneca Furada pode ser (re)visto no Espaço Infoart até ao término da época de Carnaval.
Lembramos, como o JM já anunciou, que a Caneca Furada levará a Orquestra Clássica da Madeira ao “Grande Cortejo de Carnaval”, no próximo dia 13.
De salientar que esta exposição vem na sequência de uma iniciativa anual da Direcção Regional do Turismo, que dá a oportunidade a um dos grupos participantes no "Grande Cortejo de Carnaval" de mostrar o seu percurso. A ordem da trupe para exibição é feita em consonância com a data da sua criação.



Jornal da Madeira

sexta-feira, 5 de fevereiro de 2010

“Revolta da Farinha” foi há 79 anos

Madeirenses insurgiam-se contra a ditadura






A 4 de Fevereiro de 1931, há 79 anos, os madeirenses revoltavam-se num movimento que ficou conhecido como "a revolta da farinha", precursor, um mês depois, da "revolta da Madeira" contra a ditadura saída do 28 de Maio de 1926.
Na origem deste levantamento popular esteve o Decreto n.º 19273, de 26 de Janeiro de 1931, que estabelecia o monopólio da moagem e que ficou, então, conhecido como o "Decreto da Fome". Este diploma, segundo o historiador Alberto Vieira, "acabou com a livre importação de trigo e farinhas, ficando entregue em regime de monopólio a um grupo de moageiros".
Prosseguindo, Alberto Vieira condensa: "Todos reclamaram contra o novo regime cerealífero em manifestação pública a 29 de Janeiro. Nada demoveu o Governo central e a divulgação do Decreto na imprensa local a 04 de Fevereiro foi o rastilho da rebelião popular".E finaliza: "Os motins alastraram-se na cidade e perduraram até 09 de Fevereiro. Os populares saquearam as moagens, sendo a Companhia Insular de Moinhos o alvo principal. Deste assalto do dia 06 de Fevereiro resultaram 5 mortos e muitos feridos".
O historiador recorda ainda que o próprio governador militar, coronel José Maria de Freitas, em nota oficiosa de 5 de Fevereiro "havia se manifestado desfavorável ao Decreto".O texto legislativo acabou por ser suspenso, mas, continua Alberto Vieira "os madeirenses ficaram sujeitos, a partir do dia 09 de Fevereiro, à represália do Governo central, através do coronel Silva Leal, Delegado Especial do Governo, acometido de poderes administrativos e militares, que chegou à ilha à frente de uma força militar e com poderes discricionários para proceder a prisões e deportações".
O clima de terror e de instabilidade criado na sequência do abafamento da revolta da farinha, despoletou, a 04 de Abril, a "Revolta da Madeira", instigada por políticos, deportados e militares,alguns dos quais integravam as forças do próprio Silva Leal, e madeirenses contra a ditadura do Estado Novo de Oliveira Salazar.
O "Movimento Revoltoso" instaurou a 11 de Abril de 1931 uma Junta Governativa que foi, então, confiada ao general Adalberto Gastão de Sousa Dias e, durante cerca de um mês, a Madeira, com um Governo pelos ideais democráticos, rivalizou com o do continente. Este, no entanto, viria a sucumbir a 02 de Maio com a rendição dos revoltosos face à ofensiva militar preparada pela ditadura.



Jornal da Madeira

Machico estuda alteração do dia do concelho




Data: 05-02-2010

Por iniciativa do Gabinete de Arqueologia, Arte e História, a Câmara Municipal de Machico pretende lançar uma ampla discussão pública sobre a alteração do dia do concelho que actualmente se celebra a 9 de Outubro, dia do Senhor dos Milagres. A ideia é alterá-lo para 8 de Maio.

Uma decisão que o presidente da autarquia pretende que seja tomada, depois de debatida pelas forças vivas de Machico, desde instituições desportivas, culturais, financeiras e ainda por toda a população que se queira pronunciar sobre o assunto.

"Eu próprio tenho algumas dúvidas, embora reconheça a validade da proposta. Vamos pôr isso à discussão e estas minhas palavras fazem parte disso mesmo, para ver se a ideia ganha força. Se houver um grande grau de aceitação da proposta, é possível que se avance com a alteração", afirma Emanuel Gomes.

A discussão lançada pela Câmara está consubstanciada num estudo realizado pelo Gabinete de Arqueologia, Arte e História desta autarquia, que propõe a alteração do dia do concelho para 8 de Maio, "considerando a data que marcou a primeira doação da história dos Descobrimentos Portugueses", defende o parecer.

O mesmo documento defende o seguinte: "Logo após o povoamento do Arquipélago da Madeira, ocorrido na década de vinte do século XV, o Infante D. Henrique doou a Capitania de Machico a Tristão Vaz Teixeira, em 8 de Maio de 1440", como comprova a Carta de Doação da Capitania de Machico, feita pelo Infante D. Henrique. Machico é, assim, a primeira capitania mundial dos descobrimentos.

Ora, para o Gabinete de Arqueologia, esta situação marcou, "efectivamente, a primeira doação específica da História da Expansão Portuguesa". À época, das três capitanias-donatárias, a de Machico era "territorialmente maior e detentora de francos recursos aquíferos e florestais, pese embora a produtividade das suas terras fosse menor" que a do Funchal e do Porto Santo. Apesar da certeza da data da doação da capitania a Tristão Vaz Teixeira, não é certa a data da elevação de Machico a Vila, embora defenda o documento que por indicação indirecta, se conjecture a data de 1451.

Alteração só avançará em 2011

Reforçando que a discussão da alteração do dia do concelho deverá ser levada a cabo sem qualquer tipo de compromisso, Emanuel Gomes quer toda a sociedade machiquense envolvida neste processo. Contudo, considera que o dia da criação da capitania de Machico tem muito mais força histórica que o dia do Senhor dos Milagres.

"Estamos a estudar a hipótese de alterar o dia do concelho para um dia mais marcante na história de Machico e não tanto num dia religioso. O Senhor dos Milagres é uma festa religiosa. O dia do concelho é celebrado nos Paços da Câmara e não tem nada que ver com a festa religiosa, que continuará a ser a principal de Machico".

Para o autarca, o feriado municipal até poderia manter-se no dia da Festa do Senhor dos Milagres. Uma alteração que a efectivar só acontecerá em 2011. "Se for para mudar não será este ano. 2010 servirá para alimentar o debate sobre o assunto. Só para 2011 se a ideia tiver grande aceitação é que poderemos avançar com essa decisão", reforça o autarca.


DN Madeira

quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010

The Day The Music Died! (February 3 1959)

3 de Fevereiro de 1959 (51º aniversario), 3 dos maiores cantores da altura Ritchie Valens , Buddy Holly e J.P Richardson (the Big Bopper) e o piloto Roger Peterson morrem quando o Avião que viajavam despenhace durante uma tempestade de neve num milharal em Albet Juhl, poucas milhas depois de ter levantado voo em Mason City, no estado do Iowa nos USA.



Nessa noite os 3 musicos juntamente com outro musico famosso na altura Dion DiMucci dos Dion & The Belmonts, tinham realizado mais um concerto da digreção The Winter Dance Party (24 Cidades do Midwestern ) no Surf Ballroom de Clear Lake , a logistica da digreção estava a correr mal , o autocarro que transportava eles estava com problemas em aquecer e tanto Ritchie como Boddy Holly estavão com uma forte constipação , Boddy Holly estava irritado e tomou a desição de alugar um pequeno avião(Beechcraft Bonanza ) para os levar para a proxima cidade (Moorhead, Minnesota), quando chegaram a pista repararam que o avião so tinha 4 lugares , 3 passageiros e 1 piloto . Como erão 4 (Ritchie, Buddy, Booper e Dion) , tiraram a sorte , calhou a Dion ficar em terra, Ritchie Valens detestava viajar de avião ( tinha sonhado a vida toda (17 anos) que morreria num acidente de avião), Dion ainda tentou convencer-lo a trocar de lugar , mais Ritchie mesmo nervoso ,cheio de frio e com uma forte constipação arriscou....

.... esse dia ficou conhecido como o Dia que a musica morreu....






Ritchie Valens La Bamba



Buddy Holly - Everyday




Big Bopper - Chantilly Lace





A musica American Pie de Don McLean foi em homenagem a esse tragico dia

domingo, 31 de janeiro de 2010

O primeiro carro a circular na Ilha da Madeira...1904

O primeiro carro ( Wolseley ) circular na Madeira, que exista registo foi em 1904 pertença do Sr Foster







Se querem saber mais sobre a Historia do Carro e do Mr Foster consultem o que o Marco Pestana escreveu no Forum MotorClassico:


http://www.motorclassico.pt/fundo-do-bau/7759-o-primeiro-carro-circular-na-ilha-da-madeira-1904-a.html

quinta-feira, 28 de janeiro de 2010

CEHA aproveita novo espaço

“Mundo das Ilhas e as Ilhas do Mundo”







O Centro de Estudos da História do Atlântico (CEHA) apresentou ontem o seu programa de actividades para o ano em curso, do qual se destacam o congresso internacional sobre o “Mundo das Ilhas e as Ilhas do Mundo”, de 26 a 30 de Julho, e o Seminário sobre a “República e os Republicanos na Madeira”, de 26 a 30 de Outubro, este último evento pensado para assinalar o primeiro centenário da República portuguesa.
Já o primeiro evento, em Julho, será comemorativo dos 25 Anos do CEHA, e contará com especialistas oriundos de várias partes do mundo, incluindo do Japão.
Alberto Vieira explicou que o novo edifício do CEHA, inaugurado em Outubro do ano passado, vem permitir uma programação mais vasta, tendo em vista a utilização do auditório. Assim, aquele será «um espaço aberto à população e comunidade científica madeirenses, para o debate a vários níveis».
Para além disso, e como forma de dinamizar o auditório, o CHEA organiza “Encontros à Quarta”, pelas 18 horas. O objectivo, segundo Alberto Vieira, é «institucionalizar a iniciativa como um fórum de divulgação e debate no panorama cultural e científico madeirense».
Ontem, a quarta-feira foi dedicada ao livro publicado por Francisco Fernandes, intitulado “Desporto e Autonomia Insular: Factores de Desenvolvimento Económico e Social”, que resultou da sua tese de doutoramento em Ciências do Desporto – Ramo de Motricidade Humana.
No programa de actividades do CEHA, é também de apontar o ciclo de conferências e musical, em colaboração com o Gabinete Coordenador de Educação, que irá debater “A Música na História da Madeira”. A primeira sessão será no dia 8 de Fevereiro, com o conferencista Paulo Esteireiro, sobre “A música para Piano na Madeira (1810-1830)”.


Jornal da Madeira

quarta-feira, 27 de janeiro de 2010

Air Columbus Antigamente







Boing 737/300

Air Columbus was a charter airline based in Portugal.

History
Air Columbus was founded in Portugal in 1989 under the name Air Columbus (Transporte Aereo Nao Regular) to operate Inclusive Tour charter flights from Funchal and Faro to Northern European destinations. Air Columbus started services with one Boeing 727 that had undergone the Valsan re-engining programme for improved field performance and fuel economy and the inaugural flight took place on 5 October 1989 from Faro to London's Gatwick airport on behalf of the British flight only specialist Avro plc.

The performance of the aircraft was such as to enable direct services to be operated from the airport at Funchal to the UK and also transatlantic operations from Terceira and Ponta Delgada (Azores) to Montreal and Providence (Rhode Island, USA). A second Boeing 727 was added to the fleet in March 1990 and the first of three Boeing 737-300s were leased from Norway Airlines in early 1992.

At its peak Air Columbus was operating from Faro, Funchal, Lisbon and Porto to destinations in Spain (incl Canaries), France, Germany, the UK, Finland, Sweden, Austria, Switzerland, Italy, the USA and Canada and provided a level of inflight service not seen before (or since) on Portuguese charter carriers.

The last year of its existence was marked by a marked downturn in the caliber of sales staff and increasing levels of management inefficiency. This, combined with the terminal problems of some of its clients and of one of its shareholders (Sterling Airways) led eventually to its closure in late 1994.

Air Columbus operated in the past the following Fleet
Boeing 737-300
Boeing 727-2J4Adv(RE)

Wikepidia


Mais fotos:



http://galeriafotosaviacao.blogspot.com/2005/06/depois-veio-air-columbus19901995.html

sexta-feira, 22 de janeiro de 2010

Em diversas freguesias do Município de São Vicente

Festas com tradição






Uma das festas mais conhecidas da Madeira realiza-se na freguesia da Ponta Delgada no primeiro domingo de Setembro, em louvor do Senhor Bom Jesus.
Na outra freguesia do Município de São Vicente a Boaventura, a festa da padroeira, Santa Quitéria e a do Santíssimo Sacramento são as que maior aderência têm.
Por sua vez na freguesia de São Vicente, as festas que registam enorme enchentes são as que decorrem na paróquia do Rosário, no primeiro domingo de Outubro, assim como a festa do Santíssimo Sacramento no mês de Agosto que é antecedida da denominada «Semana de São Vicente» organizada pela Câmara Municipal.
De referir que na área geográfica daquele município existem sete paróquias: São Vicente, Rosário, Lameiros e Feiteiras (na freguesia de São Vicente), Ponta Delgada, Boaventura e Fajã do Penedo, o que é demonstrativo da grande fé católica daquelas populações.


Jornal da Madeira