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sábado, 19 de junho de 2010

Notas positivas em alta a Matemática e Português

Provas de aferição do 4.º e 6.º ano registam resultados muito satisfatórios







Os resultados das provas de aferição de Matemática e Língua Portuguesa dos alunos de 4.º e 6.º ano na Madeira foram ontem considerados “muito satisfatórios” pelo director regional de Educação, Rui Anacleto. De acordo com os dados ontem avançados, no exame de Língua Portuguesa do 4.º ano, a grande maioria (48,6 por cento) obteve “Satisfaz”, sendo que 33,6 por cento se ficou pelo “Bom”. Com nota de “Muito Bom” ficaram 11,9 por cento. Do total de 3333 estudantes que realizou o exame, 5,8 por cento “Não satisfaz”.
Em termos globais, 94,1 por cento obteve positiva, contra 5,9 por cento de negativas, ou seja, uma subida de 3,7 comparativamente ao ano lectivo de 2006/2007, quando se realizaram estas provas pela primeira vez..
Já no que respeita ao 6.º ano, os resultados demonstram que 3,1 por cento atingiu o “Muito Bom”. Aqui, a grande maioria (62,6 por cento) ficou-se pelo “Satisfaz”, sendo que 21,3 por cento conseguiu o “Bom”.
Assim, temos que 87 por cento dos 3.599 alunos que realizaram a prova alcançou positiva, contra 13 por cento de negativas. Valor que, apesar de não ser o mais alto dos últimos anos (em 2007/2008 foi de 90,6 por cento), está 5,2 por cento acima do registado há quatro anos.

Matemática com “sinais” positivos

No capítulo da Matemática, os resultados ao nível do 4.º ano são muito animadores. Embora a maioria (39,7 por cento) tenha alcançado o “Satisfaz”, outros 30 por cento situaram-se no “Bom” e 21,4 por cento terminou com “Muito Bom”. Feitas as contas, dos 3.328 alunos que se apresentaram para a prova, 91,1 por cento registou nota positiva, valor este que representa o valor mais alto desde 2006/2007 (+ 11,4 por cento). Com negativa, ficou 8,9 por cento.
Ao nível do 6.º ano, 49,1 por cento alcançou o “Satisfaz”, 15,8 por cento o “Bom” e 5,4 por cento o “Muito Bom”.
Somadas as percentagens, 70,3 por cento dos 3.580 alunos que efectuaram a prova tiveram positiva (subida de 23,5 em relação a 2006/2007), enquanto 29,7 por cento “chumbou” no exame.
«Em educação temos de ser perseverantes na procura de caminhos que conduzam ao sucesso educativo, já que o edifício educativo constrói-se a partir do 1.º ciclo, consolidando competências e articulando-as com as dos ciclos seguintes, o que se tem vindo a constatar», comentou Rui Anacleto.


Jornal da Madeira

quarta-feira, 16 de junho de 2010

domingo, 6 de junho de 2010

O que o Escolari acha sobre a Nossa Ilha .....

"Portugal é um dos melhores países para viver na Europa (...) E a Madeira? Tem lugar mais bonito do que aquilo"



Luiz Felipe Scolari, Antigo seleccionador de Portugal à revista Sábado

quinta-feira, 20 de maio de 2010

Morreu Horácio Roque

O Presidente do Banif - Grupo Financeiro faleceu ontem num hospital de Lisboa
Data: 20-05-2010



O comendador Horácio Roque, presidente do Banif - Grupo Financeiro, faleceu ontem em Lisboa, aos 66 anos de idade. Estava internado desde o passado dia 4 de Março, na unidade de cuidados intensivos do Hospital de São José, onde entrara vítima de um acidente vascular cerebral (AVC). O seu estado mantinha-se crítico e o prognóstico médico foi sempre reservado. A família pediu descrição no tratamento das notícias sobre a sua doença. Horácio Roque nasceu em 1944 em Mogadouro, município de Oleiros, distrito de Castelo Branco. Aos 14 anos partiu para Angola, sozinho, num navio de carreira, onde começou a trabalhar numa mercearia em Luanda, e estudava à noite. Aos 18 anos já era sócio de uma cervejaria. Poucos anos depois foi convidado para funcionário administrativo do Colégio Viriato, um dos mais prestigiados estabelecimentos de ensino particular da capital angolana. Em pouco tempo assumiu a gestão e propriedade do colégio e criou outros dois negócios congéneres e uma unidade fabril. Em Abril de 1974, quando os militares tomaram o Poder em Portugal, Horácio Roque já tinha investimentos no sector imobiliário, em Angola, onde se manteve até 1976, altura em que começou a desenvolver a sua actividade empresarial na África do Sul, onde detinha participações em empresas de diversos sectores da economia. Por via da amizade e parceria empresarial com o madeirense Joe Berardo (na altura empresário no sector mineiro de extracção de ouro), Horácio Roque investiu na Madeira a partir da década de oitenta. A nossa ilha passou a estar no seu roteiro de investimentos, quando decidiu voltar a Portugal, onde criou diversas empresas e investiu forte nos sectores imobiliário, indústria, serviços, turismo, comércio internacional e na banca e seguros. Através das suas holdings pessoais - as sociedades anónimas Rentipar Financeira-SGPS, Rentipar Indústria-SGPS, Rentipar Seguros SGPS e Rentipar Investimentos SGPS - Horácio Roque participava actualmente em vários sectores da economia em Portugal, Reino Unido (detém com Américo Amorim a Finpro), África do Sul e América do Norte e do Sul. Na área financeira, Horácio Roque presidia ao Banif-Grupo Financeiro, do qual era accionista maioritário e que inclui, designadamente, sociedades das áreas da banca, seguros, leasing, aquisições a crédito, corretagem e gestão de fundos, não só em Portugal continental, como nas duas Regiões Autónomas. O sector da banca expandiu-se para fora do País, com participações e ligações a instituições de crédito no Brasil, Espanha, Malta, Cabo Verde e alguns países da antiga 'Cortina de Ferro'.

Na Madeira, além da sua bem conhecida ligação ao Banif, Horácio Roque era também presidente do Conselho de Administração da SEIT Savoy e da Empresa Madeirense de Tabacos. Era um grande apaixonado pela nossa ilha. Poucos dias antes de adoecer dera a cara pela campanha de reconstrução da ilha, depois dos temporais de 20 de Fevereiro. Muitas vezes era apontado como madeirense - ainda ontem a comunicação social nacional o referia como tal - mas na verdade não nasceu na Madeira. Contudo, a sua ligação e dedicação à Região Autónoma eram muito fortes, como aliás prova a sua actividade e os testemunhos que ontem foram chegando de diversas entidades.

A Fundação Horácio Roque, à qual o banqueiro presidia, foi criada em 1991, com o objectivo de desenvolver actividades nas áreas educativa, social e cultural, e a sua acção fazia-se sentir também na Madeira. O empresário foi por várias vezes condecorado, recebendo, entre outras, a Comenda da Ordem do Infante D. Henrique (1988), recebida do Presidente da República.

Horácio Roque cultivava um excelente relacionamento com os jornalistas e a Imprensa em geral. Além da cordialidade e lealdade que o caracterizavam, era um excelente comunicador.

Memórias: Milionário desprendido

"O Banif será tão bom ou melhor depois de mim do que é agora comigo". Este desabafo de Horácio Roque tem cinco anos, mas ganha hoje um outro significado e dimensão. Está escrito na única grande entrevista que lhe fiz, publicada no DIÁRIO a 23 de Maio de 2005, e é revelador da nobreza do seu carácter.

O desprendimento construtivo era uma das suas imagens de marca. Apesar de comendador não tinha apetência especial por títulos. "Vive-se com eles", dizia, preferindo ser notado a outros níveis. Uma das sua regras de ouro era não chegar atrasado, nem fazer esperar ninguém. Outra era assumir apenas os compromissos que tinha quase a certeza que iria cumprir.

Por esses dias, a revista 'Exame' colocava-o na 15ª posição da tabela dos milionários portugueses, com uma fortuna estimada em 376,8 milhões de euros. Riu-se do ranking. Desvalorizava algo que entendia não ser quantificável.

Não fazia da sua sucessão um tabu. Vivia sossegado com a continuidade assegurada pela estrutura executiva que dinamizava as directrizes da Banif SGPS. Puxava a máxima que "as pessoas passam e as instituições ficam". Só que Roque também ficará.

A triste notícia não apaga a memória da conversa em que pediu "uma política económica de verdade" e empenho. Dava o exemplo. Não raras vezes entrava na sede central do Banif, na avenida José Malhoa, às oito e meia da manhã e de lá só saía 12 horas depois. Uma dedicação justificada: "Sou daqueles que acreditam que é bom que as coisas sejam vistas com os pés. Por isso, faço questão de estar perto dos acontecimentos". Saibamos estar próximos daquilo que é elementar, à imagem do empresário de sucesso que sempre soube dar.

Madeirense nascido fora

A amizade com os ilhéus Joe Berardo e Tony Barradas na África do Sul faria de Horácio Roque, 'empresário madeirense nascido no Continente', o obreiro principal da reclamada criação (1988) de um banco no arquipélago.

Até então, o alvoroço por essa conquista gravitava à volta da Caixa Económica do Funchal (CEF). De início, movimentaram-se membros separatistas alegando ser necessário acabar com o "alto negócio para Lisboa" que consideravam ser o exercício da banca na Madeira.

Reuniões secretas no estrangeiro, campanhas junto das comunidades no exterior, planos tendentes a impedir a transferência para Lisboa de remessas dos emigrantes, defesa de autonomia monetária, transformação de grande parte do capital existente na banca insular em moeda estrangeira - vários expedientes ocuparam elementos independentistas, bancários de várias instituições, com vista à criação de um banco dominado por madeirenses capaz de fazer entupir o fluxo de dinheiro para a capital.

Tempos da CEF Os trabalhos clandestinos findaram com a extinção da FLAMA. A efervescência da vida bancária nos anos que se seguiram à Revolução de 1974, também. Mas o ideal de transformar em banco a Caixa da Associação de Socorros Mútuos 4 de Setembro de 1862 continuou em agenda. A inauguração da sede reconstruída da CEF, em Maio de 1983, fez disparar duras críticas sobre os governantes de Lisboa, acusados de impedir uma "adequada autonomia financeira".

Nessa época, a CEF "tinha um grande envolvimento com o Governo da Madeira", conforme recorda o antigo director regional de Finanças, Paulo Fontes, que viveu situações difíceis de Tesouraria só ultrapassadas com a ajuda do 'número um' da Caixa, Henrique Abrantes.

Miguel de Sousa, ao tempo secretário regional do Plano e Finanças, confessa mesmo que grande parte dos sustos financeiros com quebra de liquidez no interior da própria CEF resultavam do financiamento canalizado para o governo regional nesses primeiros anos. "Evidentemente que não havia crédito nos mercados financeiros a que pudéssemos recorrer", explica. Inconvenientes da banca nacionalizada.

Antes da reprivatização, o GR agarrava-se à CEF, madeirense, e ao BPA, que tinha presidente madeirense, Jardim Gonçalves. Essas 'bóias de salvação', como ilustra Miguel de Sousa, cobriam as dificuldades de Tesouraria do GR - porque muitas vezes foi preciso pedir dinheiro para pagar salários.

Enfim, um banco

Em fins de oitentas, a Caixa debatia-se com um passivo de 7 milhões de contos e derrapava para a falência. O próprio Alberto João Jardim instou junto do governo lisboeta para ajudar na solução - e assim evitar o caos de 1930. Mas onde arranjar dinheiro?
Roque e Berardo, donos da 'Madeirense de Tabacos', decidiram-se por uma OPV à empresa. A venda de uma parte minoritária rendeu dinheiro, graças à euforia bolsista (o 'gato por lebre' de Cavaco ainda não saíra a terreiro). E o capital adquirido ajudou a comprar o Savoy e a transformar a CEF em banco.

Miguel de Sousa lembra a corrida para evitar que interesses continentais tomassem então a Caixa. Um grupo de empresários do Norte andou perto, apesar dos 7 milhões negativos. "O ministro das Finanças, Miguel Cadilhe, simpatizava com a solução continental. A febre de abrir bancos era alta".

O Banif veio a trabalhar financeiramente com o GR da Madeira logo depois da sua criação, em 1988 (a CEF foi integrada no novo banco). "Horácio Roque desempenhou o papel principal nesse processo", diz Miguel de Sousa sobre o líder do grupo promotor encarregue da criação do Banif - Banco Internacional do Funchal.

O então governante também participara nas diligências para levar o governo de Lisboa a imprimir a assinatura na autorização. "Duras negociações no Ministério das Finanças, no Banco de Portugal...".

Horácio Roque compareceu à sede do novo banco, nesse 15 de Janeiro de 1988, na esquina das ruas João Tavira e Bispo. Estava ali como artífice e maior accionista do banco. Ao discursar, sonhou com uma grande instituição de crédito, de repercussão europeia. Arriscara, com 1 milhão e 600 mil contos para os 11 milhões necessários ao grande empreendimento. Joe Berardo, que sem vocação para banqueiro o acompanhara, também se apresentou com 1 milhão e 400 mil contos. O capital, ao contrário do desejo dos quadros da antiga CEF, não era maioritariamente madeirense - este ficava-se pelos 48% do total. O Estado foi participante no capital, tal como a EEM (pelo GR), a Cimentos Madeira e a Bonança. Com outros accionistas menores.

O Banif passava a ser o banco português com mais quantitativo de capital social. Sede no Funchal e 18 balcões na Madeira. Centro nevrálgico em Lisboa. Delegação no Porto. E 520 funcionários ao todo.

Brechas e enigmas

"O comendador era o mais madeirense dos não madeirenses e foi a solução madeirense para que tivéssemos um banco com sede no Funchal", insiste Miguel de Sousa.

Na abertura do Banif, em 1988, Horácio Roque fez votos para que o banco pudesse "enfrentar os desafios do mundo moderno" e também ser "motivo de orgulho das suas raízes madeirenses". Miguel de Sousa considera que ontem "morreu o maior empresário da Madeira", o homem que criou um banco madeirense cujo processo de criação "ninguém consegue contar todo, porque ninguém sabe tudo sobre a história do banco".

Uma história com hiatos e enigmas em todos os episódios do enredo, a começar pelos estrepitosos tempos em que a Caixa Económica do Funchal marcava a ordem do dia.

Dito

ALBERTO JOÃO JARDIM disse ontem que "Portugal perdeu um dos seus melhores empresários e sobretudo um patriota". O presidente do Governo Regional da Madeira confessou que a morte do comendador Horácio Roque "foi uma triste notícia" que representa "uma grande perda para o País". Acrescentou que também a "Madeira perdeu uma pessoa a quem muito deve, um grande amigo e alguém que estava sempre pronto a ajudar o povo madeirense".

ABP O presidente da Associação Portuguesa de Bancos (ABP), António de Sousa, salientou que Horácio Roque "foi uma pessoa muito importante na banca e nos seguros, no sector financeiro português".

CAVACO SILVA considerou que o fundador do Banif é um "exemplo de vontade de triunfar, de força e energia, de espírito empreendedor", um homem que "nunca se deixou vencer pela adversidade, nem se conformou com o destino das suas origens".

MICHAEL BLANDY presidente do Grupo Blandy e do Conselho de Administração do DIÁRIO, comentou que o comendador Horácio Roque fez muito pela nossa terra, considerando-o um grande amigo da Madeira.

MIGUEL MENDONÇA disse que a a morte de Horácio Roque "é uma perda para Portugal e para a Madeira". "É com profunda amargura que sinto a sua morte, tínhamos uma relação muito fraternal, éramos como irmãos", referiu.

ACIF "O comendador Horácio Roque foi um grande empreendedor e todos os empresários reconhecem o esforço que fez pela economia da Madeira", disse Duarte Rodrigues, presidente da Associação Comercial e Industrial do Funchal.

JOE BERARDO "É uma desgraça o que aconteceu, para mim era como um irmão", disse Berardo, comovido, escusando-se a fazer mais comentários. Horácio Roque e o madeirense José Manuel (Joe) Berardo eram sócios em vários negócios.

CARLOS CÉSAR manifestou pesar pela morte do banqueiro, considerando que se trata de uma "perda irreparável" para o sector empresarial financeiro português. O presidente do executivo açoriano destacou a sua "afabilidade e inteligência".


DN Madeira

quarta-feira, 19 de maio de 2010

Madeira é a única região onde o desemprego baixa

Brazão de Castro salienta descida da taxa pelo 3º trimestre consecutivo


“A Madeira foi a região do país com a mais baixa taxa de desemprego no 1º trimestre de 2010 e a única onde se verificou uma descida quer em relação ao trimestre anterior, quer em relação ao trimestre homólogo de 2009”, salienta o secretário regional dos Recursos Humanos, Brazão de Castro, comentando os dados divulgados ontem pelo INE relativamante à taxa de desemprego em Portugal, que na Madeira foi de 6,3% e a nível nacional de 10,6%.





Foi ontem divulgada pelo Instituto Nacional de Estatística (INE) a taxa de desemprego referente ao primeiro trimestre de 2010, a qual indica, para a Madeira, um valor de 6,3%.
“É com compreensível satisfação que verificamos que este indicador, calculado pelo INE apresenta, para a Região, um decréscimo pelo 3º trimestre consecutivo”, sublinha o secretário regional dos Recursos Humanos, Brazão de Castro, ao comentar ontem o indicador divulgado. Acrescenta “que no 2º trimestre de 2009, este valor situava-se nos 8,1%, baixando no 3º trimestre para 7,9% e no último trimestre do ano para 7,5%”.
Segundo os dados do INE, a taxa nacional foi de 10,6%, o que representa uma nova subida depois de, nos trimestres referidos, ter sido de 9,1%, 9,8% e 10,1%, respectivamente.
Nas restantes regiões, os valores apurados foram: Norte – 12,5%, Centro – 7,9%, Lisboa – 10,5%, Alentejo – 11,1%, Algarve – 13,6% e Açores – 7,7%.
“Verifica-se assim que a Madeira é a região do país com a mais baixa taxa de desemprego no 1º trimestre de 2010 e a única onde se verificou uma descida quer em relação ao trimestre anterior, quer em relação ao trimestre homólogo de 2009, tudo conforme divulgado pelo INE”, acentua Brazão de Castro.

Desemprego registado também desce

“Mas os bons indicadores não se ficam pela taxa de desemprego”, salienta o secretário regional dos Recursos Humanos, adiantando que “foram também ontem divulgados, pelo IEFP, os dados referentes ao Desemprego Registado no final do mês de Abril, que indicam que estavam inscritos no Instituto de Emprego da Madeira 15.159 desempregados, o que revela um decréscimo em relação ao mês de Março (- 1,1%). No final de Abril de 2009 o número de inscritos era de 11.844.”
A nível nacional também se verificou um decréscimo dos inscritos nos Centros de Emprego (- 0,2%).
“Em relação à Madeira, pode ainda referir-se o aumento das ofertas de emprego, como outro indicador positivo”, destaca Brazão de Castro, sublinhando que durante o mês de Abril foram recebidas 393 novas ofertas, permanecendo disponíveis, no final do mês, um total de 170. Neste mês, foram efectuadas 213 colocações pelo Instituto de Emprego da Madeira.
Do total de inscritos, 9.837 (65%) usufruíam prestações de desemprego, 1.054 (7%) eram beneficiários do RSI e 1.119 (7,4%) procuravam o primeiro emprego, sendo de 3.149 o número daqueles que, já tendo trabalhado, não auferem presentemente qualquer prestação social
“A evolução destes indicadores cria, assim, fundadas expectativas de uma melhoria gradual dos números do desemprego na Madeira”, realça o secretário regional dos Recursos Humanos.




Jornal da Madeira

sexta-feira, 16 de abril de 2010

Novo mapa judiciário prevê a criação de uma comarca na Madeira

Alteração em 2011






O secretário Estado da Justiça esteve ontem a registar as opiniões dos juízes, magistrados do Ministério Público, advogados e funcionários judiciais na Madeira sobre a entrada em vigor do novo mapa judiciário, que prevê o fim das actuais comarcas (Funchal, Santa Cruz, Ponta do Sol e São Vicente) e o surgimento de uma única Comarca da Madeira.
João Correia está na Região numa visita de dois dias para reunir com os principais intervenientes na área da Justiça e ontem à tarde, depois de um encontro no Palácio da Justiça, admitiu que, caso haja consenso na aplicação do novo mapa judiciário, a entrada em vigor do novo modelo poderá ser 1 de Setembro de 2011.
Além de conhecer a opinião sobre se a Madeira deve ou não adoptar o que preconiza o novo mapa judiciário, o secretário de Estado da Justiça está também a auscultar os intervenientes no sentido de saber o modelo de comarca que deve ser seguido, caso seja essa decisão.
Ontem, em declarações ao jornalistas, João Correia já apresentava os argumentos favoráveis à criação de uma única comarca.
Segundo o secretário de Estado, o novo sistema implicaria «uma gestão diferente, uma especialização das magistraturas, dos tribunais e dos juízos com maior celeridade, com tendência para ser mais económica, mais rápida e mais próxima dos cidadãos e, acima de tudo, face às especializações que se impõem na nova gestão, torna a Justiça mais substantiva, mais concreta e resolve melhor os problemas que são concretamente postos».
Ainda assim, prefere não revelar a sua opinião - se prefere uma comarca ou o actual modelo -, alegando que este é o momento para ouvir.
Desde que cá chegou tem recolhido posições «muito boas, muito positivas e muito francas» sobre as mudanças que se perspectivam, mas não quis, uma vez mais, adiantar-se sobre o que tem ouvido, visto que as propostas ainda não foram formalizadas. Sobre o funcionamento da Justiça na Madeira e as dificuldades de meios, o secretário de Estado disse estar a par de tudo, mas lembrou que esta visita não foi feita com esse propósito.

Única comarca não fará encerrar tribunais

A optimização do parque judiciário «é uma preocupação do Governo» da República, mas independentemente da decisão de transformar ou não a Madeira numa única comarca todos os tribunais existentes manter-se-ão em funções, garantiu ontem João Correia, secretário de Estado da Justiça.
«É um modelo diferente de gestão. Não é para fechar, nem para abrir» tribunais, clarificou o governante de visita à Madeira.
O Governo da República quer «optimizar o parque judiciário» e «dar melhores condições de trabalho aos funcionários e aos magistrados» e ontem até já apontou uma área a investir: a da climatização. Para tal, João Correia espera contar com a Câmara Municipal do Funchal enquanto mecenas da comarca do Funchal, «tal qual o presidente da Câmara de Santa Cruz é, de certa forma, o mecenas da Comarca de Santa Cruz».
João Correia esclareceu também que antes dos investimentos do Estado é necessário clarificar o modelo que a Madeira quer seguir.


Jornal da Madeira

quinta-feira, 15 de abril de 2010

PSP tem mais 2 milhões para comprar meios


Jorge Cabrita diz que falta adquirir mais equipamentos, viaturas e fazer obras em esquadras

Data: 15-04-2010





Cerca 2,2 milhões de euros é quanto o Comando Regional da PSP ainda tem para usufruir no âmbito do protocolo existente com o Governo Regional, revelou ontem a secretária regional do Turismo e Transportes, Conceição Estudante.

Em declarações aos jornalistas antes de formalizar a concretização de mais uma parcela do protocolo existente entre o Governo Regional e a PSP, desta feita com a entrega de mais 13 viaturas, Estudante explicou que a execução já ronda os 50 por cento dos 4,5 milhões de euros que foram afectos ao protocolo.

A parcela executada ontem, no valor de 405 mil euros, compreendeu a entrega de 10 carros-patrulha e 3 carrinhas de transporte de agentes da Brigada de Intervenção Rápida (BIR).

Instada a esclarecer que outros meios serão adquiridos para a PSP com os 2,2 milhões de euros ainda disponíveis, que resultam do dinheiro das multas cobradas na Região, a governante explicou que a afectação será feita de acordo com as prioridades que venham a ser estabelecidas pela hierarquia desta força de segurança pública.

Questionado com este propósito, o comandante do Comando Regional da PSP, intendente Jorge Cabrita, observou que o investimento a realizar com estes fundos é "um processo contínuo" que terá de ser delineado entre a Direcção Nacional, o Comando Regional da Madeira e o Governo Regional. "E as prioridades tem a ver com equipamentos, com mais viaturas automóveis e com remodelações que têm de ser feitas em instalações", enumerou depois, após a insistência dos jornalistas em saber quais eram as prioridades da PSP-Madeira.

As carrinhas vão ficar sediadas na Divisão Policial do Funchal, que acolhe a BIR. Já os carros-patrulha serão "distribuídos de acordo com as necessidades de cada uma das divisões", as quais, recorde-se, estão divididas, territorialmente, entre Funchal, Machico e Câmara de Lobos.

Recorde-se que os 10 veículos 'Mitsunishi Lancer Evo X', com data de matrícula de há seis meses, motivou reparos do presidente da Associação Sindical dos Profissionais de Polícia, que se insurgiu contra o facto de os automóveis estarem a 'amarelar' nos 'stands' sem que fosse formalizada a sua entrega, quando a PSP se deparava com meios reduzidos e precisava daqueles meios "como pão para a boca", sobretudo depois dos danos que a frota sofreu com o temporal de 20 Fevereiro.

Na sequência, a Direcção Regional do Património esclareceu que a demora devia-se às "alterações técnicas" e à "realização de testes que permitam aferir a conformidade das características pretendidas".


DN Madeira

terça-feira, 6 de abril de 2010

Nem um cêntimo chegou


Ismael Fernandes confia na reconstrução mas "não com a pressa desejada"

Data: 06-04-2010




Um mês e meio após a catástrofe natural, Ismael Fernandes garante que do apoio monetário prometido à Ribeira Brava ainda não chegou nem um cêntimo. "Ainda não chegou qualquer verba de apoio", assegurou, embora admita que já esta quinta-feira, por ocasião da visita à Região do patrão da SIC, Pinto Balsemão, sejam entregues, através da Associação de Desenvolvimento ADEBRAVA, donativos angariados no âmbito da campanha de solidariedade 'Um flor para a Madeira'.

O autarca reconhece que "o ideal era que os fundos fossem mais rápidos a chegar. Mas infelizmente a burocracia assim o impede". Defende por isso que a população deve estar esclarecida da realidade, lembrando que "o dinheiro da União Europeia só lá para o Outono é que vai ser aprovado. Depois ainda demorará mais algum tempo até ser disponibilizado e chegar à Madeira". Por outro lado, "o dinheiro da ajuda do Estado Português ainda está numa comissão que está a fazer a inventariação dos prejuízos". Está ciente que tão cedo não haverá dinheiro fresco para a reconstrução que já está no terreno. Além disso, mostra-se convicto que a ajuda prometida não virá toda de uma vez. "Virá consoante os projectos apresentados e as prioridades que irão ser definidas", sustenta.

Defende, por isso, a necessidade de "falar verdade" e não especular perante o ansiedade e até desespero dos que foram vítimas do temporal. A esses, pede para terem "calma e manter a serenidade, porque tudo iremos fazer no sentido de tentar resolver os problemas das pessoas, não com a pressa que desejavam, nem com a ânsia que têm, mas sim com calma e ponderação", assegurou Ismael.

De resto, admite que a reconstrução vai demorar anos. "É um trabalho moroso que não irá ser no primeiro ano, nem no segundo, nem no terceiro ano, que isto vai estar tudo concluído". "Deus queira que daqui a três anos tenhamos aquilo que foi destruído tudo reconstruído. Esta é a minha grande esperança".

Ainda assim, admite que a tentativa de 'sarar das feridas' possam até levar mais tempo, porque a reconstrução é "um trabalho que exige muita calma, ponderação e serenidade". Lembrou que as pessoas são as primeiras a saber que muitas das paredes que foram destruídas não foram feitas sequer por elas. Foram feitas pelos seus antepassados e demoraram anos e anos. Só que de um momento a outro elas desapareceram. Daí que "não é de um momento para o outro que se consegue resolver os muitos problemas surgidos", comparou.

Lembrou, de resto, que "a pressa não é sinónimo de bom trabalho", e apelou para que cada um tenha "a noção que mesmo sem dinheiro, porque ainda não veio dinheiro de nenhuma parte, está a ser feito um trabalho de recuperação que visa atingir aqueles objectivos que as pessoas pretendem". Contudo, "muito desse trabalho", pese embora a cooperação das entidades oficiais, "tem de partir da iniciativa privada". E apontou para o exemplo dos danos ocorridos na agricultura, que terão apoio a fundo perdido de 95%. "Essas pessoas têm de meter mãos à obra. Têm que ser elas próprias a recomeçar a reconstruir aquilo que é seu Não podem ficar à espera que sejam as entidades públicas a fazerem tudo, porque não podem e neste momento nem haveria capacidade", salientou.

O líder camarário tece reparos a quem apregoa apoios financeiros antes deles estarem devidamente negociados. "O problema às vezes é falar em dinheiro antes do tempo", critica, salientando que "só se fala em dinheiro depois de haver a respectiva garantia". Ainda assim mostra-se convicto de que os apoios chegarão. "Os dinheiros estão prometidos e penso e tenho fé que irão vir. É preciso confiar nas pessoas e é por isso que algumas obras já estão no terreno", concretizou.

Funchal e Santa cruz recorrem à "prata da casa" e à solidariedade para financiar reconstrução

"Antes do final deste ano a situação tem que ser desbloqueada porque temos muita coisa para arranjar", espera o presidente da Câmara Municipal do Funchal (CMF), Miguel Albuquerque, referindo-se às ajudas prometidas no âmbito do Orçamento de Estado e de apoios da União da Europeia. Até lá, o trabalho da CMF será feito à custa de meios e fundos próprios e ainda com os apoios financeiros que resultaram de várias campanhas de solidariedade promovidas por entidades e instituições particulares. "Desde o primeiro momento, o que interessava era pôr a cidade a funcionar e apoiar as famílias afectadas", observou o autarca, sublinhando que o que estava ao alcance da Autarquia foi concretizado. Além das 14 empreitadas que já foram para o terreno, em resultado da alteração orçamental que permitiu desbloquear cerca de 3 milhões de euros, a CMF tem trabalhado com outras instituições para fazer chegar os fundos resultantes das campanhas de solidariedade às famílias e empresários afectados no temporal de 20 de Fevereiro. Ao nível das infra-estruturas de esgotos e águas, indica Miguel Albuquerque, "temos largos milhões de euros de prejuízos", lembrando que até agora só "foi arranjado o que era possível arranjar". A asfaltagem de estradas é outra prioridade que está em 'banho-maria' por falta de verbas. "Tapámos os buracos por via das alterações orçamentais, mas obviamente que falta fazer trabalhos de fundo nestas estruturas". Em condições semelhantes está a Câmara Municipal de Santa Cruz. Felizmente, este concelho não foi tão afectado como a Ribeira Brava e o Funchal. Caso contrário, o trabalho que vem sendo efectuado com a "prata da casa", segundo qualificou o vice-presidente Jorge Baptista referindo-se à empresa municipal Santa Cruz XXI, enfrentaria muito mais dificuldades na sua concretização. Em conjugação com a Investimentos Habitacionais da Madeira, a Câmara tem procurado dar resposta aos casos prioritários ao nível dos imóveis afectados, trabalho para o qual também têm contribuído os "imensos" apoios que surgiram dos vários quadrantes da sociedade civil e de instituições como a Cáritas e a Cruz Vermelha Portuguesa. A par disto, a Autarquia está a tentar devolver a normalidade em várias infra-estruturas rodoviárias. Tudo isto está a ser feito com base na expectativa "que as ajudas venham mais tarde de modo a que possamos honrar os compromissos que entretanto estamos a assumir", avisou.


DN Madeira

segunda-feira, 5 de abril de 2010

O Substituto do Volcan de Tijarafe na linha Portimão/Funchal/Canarias

Em construção nos estaleiros de Vigo




Já não se vai chamar Volcan de Tegueste




(Foto alfredocamposbrandon)

sábado, 3 de abril de 2010

A vida continua...

Serra d'Água e Ribeira da Tabua ainda sofrem mas recuperação está no terreno e pessoas tentam superar





A um ritmo frenético, as máquinas e os homens trabalham na Serra d'Água para repor a normalidade. A estrada provisória, construída no leito da ribeira, com o aproveitamento dos inertes que correram montanha abaixo, veio dar novo ânimo à população e aos comerciantes. Estes últimos tiveram dias «muito parados» e, com a abertura da via, a clientela começava a regressar. Entretanto, a população assiste aos trabalhos em curso enquanto limpa as suas casas.


Um dia de sol, com flores a brotarem das árvores. A Primavera chegava com a sua alegria, com vontade de animar o estado de espírito das pessoas. Ali, na Serra d'Água, o dia era de trabalho, como aliás, têm sido todos os que sucederam ao 20 de Fevereiro. Já com um acesso viário em funcionamento, que aproveitou as pedras que rolaram das montanhas para se estabelecer provisoriamente, enquanto os trabalhadores das obras estão no terreno a resolver os problemas da estrada principal e saneamento básico, aquela freguesia tenta regressar à normalidade.
A estrada que que foi aberta já motivou, no passado fim-de-semana, “excursões” de pessoas até à freguesia “da Poncha”, muitas por curiosidade para ver o que está a ser feito após a destruição e tantas outras para ajudarem o comércio a se restabelecer, através do consumo da famosa bebida, entre outras.
A população assiste à evolução dos trabalhos em curso, ouve constantemente o barulho das máquinas. Há muito por fazer e não há mãos a medir. Com um cenário cinzento à frente de casa, Maria Lurdes Gouveia olhava para as obras que decorriam. «Tem sido sempre assim», diz-nos. A sua casa já está limpa dos entulhos, com a ajuda de maquinarias. Depois de ter passado os primeiros oito dias após o temporal em casa de família, esta senhora regressou ao seu lar. Consciente de que o susto que sofreu vai acompanhá-la para sempre, Maria Lurdes diz, no entanto, que tem esperanças na recuperação da sua freguesia. Lamenta a perda de casas que ali existiam, das suas fazendas e também a este respeito, diz-se esperançada que a Câmara Municipal resolva o problema dos agricultores da Serra d'Água que viram os seus terrenos serem roubados pelos pedregulhos.
Mais acima, perto da escola, da Junta de Freguesia e do Centro de Saúde da Serra d'Água, a normalidade vai entrando pelo comércio adentro. No estabelecimento “Poncha Paulinos”, houve perda de clientes habituais, de pessoas que ainda não regressaram às suas casas. Contudo, têm aparecido pessoas de fora da freguesia, curiosas para ver as estradas. Os trabalhadores das obras também ajudam a compensar, como nos foi referido. Também na “Tasquinha da Poncha”, os «homens das obras» têm sido uma ajuda ao negócio, porque vão tomar um café na hora do almoço, ou outra bebida no final do trabalho. Depois de um mês magro, os comerciantes esperam que a clientela regresse. A recuperação da estrada e, naquele lado em concreto, a abertura da ponte, que aconteceu no último dia 23 de Março, trouxe novo ânimo, porque veio permitir a passagem de carros pelos dois lados. Naquela zona, está também restabelecida a passagem de autocarros.
Teresa Gabriela Jesus vive numa casa acima da ponte. No dia do temporal e dias seguintes, acolheu na sua casa cerca de dez pessoas, para além da sua família. Diz que, com a ponte reconstruída, «está muito mais confortável» viver ali e tentar fazer uma vida normal. Aguardava, no dia da nossa reportagem, pelo restabelecimento da luz pública. Nas casas havia electricidade, mas nas ruas ainda não tinha possível recuperar, pelo menos na zona onde vive. «Mas as coisas estão muito melhores», sublinha.
Outra paragem da nossa reportagem foi na Ribeira da Tabua, cujo acesso está restabelecido. Contudo, e como é estreito e de dois sentidos, há pessoas com medo de conduzir por ali, como nos disse a proprietária de um café, que se queixava do negócio estar fraco. Mas, esclarece, a abertura da via foi muito positivo para aquele sítio, que voltou a estar «próximo» da Ribeira Brava.
Na descida da ribeira da Tabua, uma senhora aproveitava o calor que se fazia sentir para terminar as limpezas dos seus terrenos e de revolver a terra. É tempo de voltar a plantar semilhas, disse-nos. A vida continua.


Vinháticos e Encumeada recuperam clientes
Ocupação nas pousadas começa a crescer


A Pousada dos Vinháticos e a Pousada da Encumeada começam a sentir o regresso à normalidade. Na primeira, e apesar de a taxa de ocupação em Março ser, normalmente, de 70 por cento, na semana de iniciada no dia 22, segunda-feira, estava nos 50 por cento. As duas primeiras semanas após o temporal foram difíceis para esta pousada que se viu sem estrada de acesso automóvel. Por isso, houve cancelamentos de reservas. Um mês depois, «as reservas já começam a aparecer e estamos com uma ocupação de 50 por cento graças a promoções e a reservas de última hora», disse-nos o recepcionista. Os turistas, alemãs e franceses, principalmente, começam a regressar ao norte e demonstram curiosidade sobre o que aconteceu e como as pessoas estão a reagir e a sobreviver.
Na Pousada da Encumeada, estavam, na semana de 22 de Março, hospedadas 30 pessoas. Nesta altura do ano, o habitual são 50. «Pouco a pouco, estamos a voltar à normalidade», garantiram-nos.
Em São Vicente, os estabelecimentos na marginal estavam com algumas mesas ocupadas. E, segundo nos disseram num restaurante, aquele era um dia calmo. Aquele concelho tem recebido diversos visitantes, com a ajuda da estrada provisória na Serra d'Água e do bom tempo.
Na Ribeira Brava, outro lugar de passagem, «se não fosse pela ponte que ruiu, mas que também já abriu, não se dizia que tinha havido temporal», disse-nos um comerciante do centro da vila. Ali, esplanadas e a rua estavam com várias pessoas, entre as quais muitos turistas. A normalidade também se fazia sentir pelo grupo de homens que jogavam ao dominó nos bancos resguardados da marginal. O dia de sol assim o propiciava. O bar da praia da Ribeira Brava estava aberto, apesar de aquela zona não estar ainda totalmente recuperada do temporal. Na Ponta de Sol, turistas e residentes aproveitavam o calor para ocupar a esplanada da marginal ou, simplesmente, para estarem sentados nos bancos, a desfrutar do mar e do sol.


Vive «sozinha, com Deus e os bichinhos” mas no dia 20 de Fevereiro:
Casa de Felismina recebeu 28 «pessoas assustadas»


Felismina Correia Pita vive «com Deus e os meus bichinhos». E adora conversar. Não estranhou a presença do JM nas suas terras. Encontrou-nos quando ia dar de comer às suas «cabrinhas» e, como sente muitas dores nas costas e nos joelhos, «a ajuda veio a calhar» no transporte dos sacos. Fomos ao seu encontro com o objectivo de ouvir da sua boca, aquilo que várias pessoas já tinham comentado: uma senhora com uma casa cor-de-rosa na montanha acolheu 28 pessoas no dia do temporal. Antes, tínhamos falado com Maria Lurdes Gouveia, uma das pessoas que se abrigou na casa da vizinha, depois de ter visto as pedras a rolarem ribeira abaixo, atingindo a churrascaria da sua casa.
Subimos a encosta, com o cenário cinzento das pedras a ilustrar a ribeira e estrada, mas com o verde das nossas montanhas a persistir na paisagem.
Felismina Pita sentou-se num dos muros que protegiam os degraus do seu terreno. «A ribeira estava a descer lá de cima, as pessoas fugiram para aqui senão morriam. Eram cerca de 30 pessoas. Recebi até gente do Funchal, que estava na Serra d'Água». Lembra-se, por exemplo, de «uma família com um bebezinho de dois meses. Estavam todos molhadinhos, coitados». A roupa que tinha em casa foi distribuída pelas pessoas que iam chegando.
«As pessoas estavam muito assustadas. A ribeira estava a comer as casas todas. Nunca me lembro de coisa igual..», conta com uma mão no rosto. O grupo ficou de sábado para domingo. Como não tinha «comida para esta gente toda, os homens foram à lenha» e algumas pessoas foram às suas casas buscar coisas para cozinhar. «Ajudamo-nos uns aos outros», sublinhou. «Eu falo com esta gente toda daqui». Entretanto as pessoas que não conhecia, do Funchal, têm entrado em contacto com esta «heroína». Segundo nos contou, já lhe levaram «leite, mel e outras coisas» de oferta, como sinal de agradecimento.
Com um problema nas costas que a obriga a andar curvada, Felismina Pita explica que, quando era criança, «tinha ido deitar água ao inhame e caí de costas. Como tinha medo de ir para o hospital, disse ao meu pai que não tinha doído, mas doeu muito. Fiquei com a coluna encravada já em pequena». O médico diz-lhe para não pegar em peso. «Mas ando sempre com carga. Tenho de tratar dos meus bichinhos».
Com a casa resguardada da tragédia e até do cenário que não deixa esquecer o dia 20 de Fevereiro, Felismina Pita gosta de viver na montanha. «Mesmo depois do temporal, gosto de viver aqui. Não sinto medo de nada porque tenho ali um cão grande que ladra e que é boa companhia».
Depois de cerca de vinte minutos de conversa, despedimo-nos. Conversadora, lamentou-se: «ah, já vão? Fiquem mais um bocadinho». Não podíamos. O trabalho mandava-nos para outros lugares.


Albertina Silva está temporariamente numa casa da IHM
Recuperar a casa para receber familiares

Após ter vivido durante três semanas no RG3, no Funchal, Albertina Silva está actualmente a viver numa casa cedida pela empresa Investimentos Habitacionais da Madeira, no Caminho da Terra Grande, Serra D'Água. Encontrámo-la na sua própria casa, em limpezas. Apesar da maior parte das pedras ter sido já removida, um pedregulho estava ainda a bloquear a entrada principal. Perdeu muitos dos seus bens e, embora demonstre a sua gratidão pela ajuda que tem tido por parte do Governo, não sabe como vai ser regressar definitivamente ao seu lar. «O meu sítio era verde, agora é de pedra e dói olhar para isto», comenta. A ser acompanhada por uma psicóloga, Albertina Silva estava a ter a ajuda de familiares nesta fase de limpezas. Vive na casa com um filho e com o seu irmão, mas a habitação é da família. Com quatro quartos de dormir, cozinha, casa de banho e sala de jantar, a casa recebe os seus irmãos quando estes a visitam do continente. Por isso, quer recuperar a sua habitação, embora admita não se sentir com forças. No meio do terraço, vários objectos, desde roupas, mobílias e imagens religiosas. Olhando para as peças, questiona-se: «os meus santos ficaram todos intactos, porque não ficaram as minhas coisas?»




Jornal da Madeira

sábado, 27 de março de 2010

ANAM melhorou resultados em 2009

Dívida actual da concessionária dos aeroportos é de 206 milhões de euros
Data: 27-03-2010



A ANAM, empresa concessionária dos aeroportos da Madeira, registou no exercício de 2009 um resultado melhor do que no ano anterior. Guilhermino Rodrigues, presidente do Conselho de Administração da ANAM, disse ontem ao DIÁRIO que esses resultados foram fruto de uma gestão muito controlada e bem trabalhada ao nível dos custos, já que as receitas foram inferiores a 2008. No resumo anual o tráfego de passageiros decresceu 4,3%, uma percentagem inferior à média de 6,5% apurada nos aeroportos europeus. Os aeroportos da ANAM perderam cerca de 20% do tráfego do Reino Unido, o melhor mercado emissor da Região Autónoma, mas acabou por ganhar mais de 20% de passageiros desembarcados oriundos dos aeroportos nacionais, devido à entrada da EasyJet na rota Lisboa-Madeira em Outubro de 2008, assinalou Guilhermino Rodrigues.

O resultado do exercício de 2009 foi de 7,2 milhões de euros negativos, quando no ano anterior se tinha fixado em 10,3 milhões de euros negativos. Nas contas do ano passado, o presidente da ANAM assinala também o bom desempenho da empresa a nível financeiro, por duas razões que sublinhou como fundamentais: a baixa das taxas de juro e o facto de em 2008 a ANAM ter reduzido a sua dívida aos bancos em cerca de 25%, com o pagamento antecipado de 60 milhões de euros. Assim a dívida acumulada da empresa era no final de 2009 de 206 milhões de euros, quando antes do abatimento dos 60 milhões era de 280 milhões de euros. "Foi esse efeito conjugado de factores que contribuíram para o bom desempenho em 2009", sublinhou Guilhermino Rodrigues ao DIÁRIO.

Com perspectivas de privatização e com negociações em curso entre os accionistas, nomeadamente entre o Estado Português e a Região Autónoma da Madeira, o presidente da ANAM, afirma que a gestão da empresa vai continuar a pautar-se pela melhoria contínua das infra-estruturas e do seu desempenho, esperando no corrente ano, recuperar a quebra que hoje se verifica e que se deve apenas, em relação ao ano passado, aos acontecimentos de Fevereiro passado.

DN Madeira

quinta-feira, 25 de março de 2010

Deslocar redes para locais seguros

Temos cerca de 300 radioamadores que têm um papel fulcral em caso de catástrofe
Data: 25-03-2010






O temporal de 20 de Fevereiro foi um teste à capacidade de resposta dos vários serviços de telecomunicações. As falhas multiplicaram-se por várias redes, vários suportes e vários serviços. Até o 112 claudicou temporariamente.

A rede que melhor se aguentou foi a da 'Vodafone' porque estava suportada 'em cima' de uma rede de fibras ópticas da empresa 'Electricidade da Madeira' que passa essencialmente na rede de postes de média e alta tensão de toda a ilha. Nos primeiros momentos, a 'Vodafone' foi a única a ligar o norte da ilha ao sul e às comunidades madeirenses espalhadas pelo mundo.

O que falhou? O que é preciso melhorar? Desde logo não colocar redes em locais de risco.

O temporal é imprevisível e nenhuma rede pode gabar-se. Se desta vez resistiu esta, amanhã pode ser outra, consoante as causas, os locais e a dimensão da catástrofe. Não há imunidade total contra catástrofes.

Ao DIÁRIO, Nelson Melim, da ANACOM-Madeira (entidade licenciadora, reguladora e fiscalizadora dos vários serviços de telecomunicações) disse que, globalmente, os operadores de telecomunicações responderam positivamente à intempérie.

Compete à ANACOM a gestão do espectro radioeléctrico (à excepção da 'fatia' gerida pelos militares). Concretamente no temporal, disse que a ANACOM retira a lição de que todas as redes de telecomunicações podem ser melhoradas "com mais redundância". O que sugere é que se estudem novos locais de atravessamento de linhas de água por parte de fibra óptica. Por exemplo, que se aproveite toda a extensão das condutas da via rápida para se lançar uma rede alternativa/mais segura.

Não ignora que a Madeira é esplendorosa mas a sua orografia, com vales profundos e montanhas muito altas coloca inúmeros problemas de telecomunicações. A resposta tem de ser casuística e não se compadece com apenas uma rede hertziana que implicaria muitas estações para replicar o sinal.

Nelson Melim revela que, em caso de catástrofe, todos os meios são importantes, desde os rádio-amadores, o 'Global System for Mobile Communications' (GSM), o 'Multichannel Television Sound' (MTS) aos meios electrónicos, à rádio e à televisão. É claro que todos estes suportes tecnológicos têm infra-estruturas físicas no terreno e, a 20 de Fevereiro, as que atravessavam pontes que ruíram sofreram danos.

Só há duas maneiras de passar cabos de fibra óptica, ou por via aérea ou subterrânea. Esta última revela-se a melhor opção em termos de impacte visual mas tem a contingência de poder sofrer com água em excesso e com enxurradas.

Nelson Melim elogiou o trabalho meritório feito pela PT "a todos os níveis". A 'task force' com 200 homens e os meios vindos de Lisboa no dia seguinte são prova disso. E a opção de, quebrada a rede física, socorrer-se da hertziana (sem fios) revelou-se a mais adequada. Sobre a resposta do SICOSEDMA (ver peça na página ao lado), disse que a rede de comunicações, emergência e defesa ('Trunking' digital na faixa dos 300 mega-hertz), tem inúmeras possibilidades. Tal rede permite multi-utilizadores e comunicações móveis "com grande fiabilidade e inteligibilidade" e "o Serviço Regional de Protecção Civil deu uma excelente resposta".

Sobre o incremento, reforço, melhoria das comunicações militares na Região (anúncio feito na deslocação do ministro da defesa à Madeira no pós-temporal), Nelson Melim escusou-se a se intrometer nessa área embora reconheça que se os militares tiverem boas comunicações é toda a sociedade civil que ganha.

Sobre a necessidade de ponderar mais um cabo submarino que não apenas o da Praia Formosa (cordão umbilical que nos liga ao mundo a que estamos reféns), Nelson Melim disse que a actual 'rede CAM' (Continente, Açores, Madeira) é suficiente porque faz uma ligação "em anel" entre as três regiões.

A importância de ter em casa um rádio de pilhas

Em plena era digital, o temporal revelou a necessidade de coisas simples como ter em casa um rádio de pilhas. O que, embora a rádio seja um meio unidireccional, se revela fundamental em caso de falha de energia eléctrica.

É também importante as famílias terem alternativas de comunicação (rede fixa e cartões de telemóveis de várias redes) e mesmo coisas básicas como um 'walkie talkie' ou ter noções básicas de 'código morse'. E até serviços especiais tipo 'tele-alarme', outras linhas SOS, 'destino fixo' ou 'audioconferência', ou um simples cartão telefónico para cabines públicas.

É também importante os operadores terem várias alternativas de suporte (linhas analógicas, RDIS, fibra óptica, feixes hertzianos, ADSL, etc.).

Há que ter cuidado para não implantar antenas (de transmissão e retransmissão de sinal) em locais de risco. O temporal alertou também para o risco de serviços 'triple play' ou 'quadrupole play' associados à mesma plataforma (rede fixa+ internet +TV-Cabo). Para a necessidade de mais telefones satélite (opção cara mas crucial para serviços de socorro e emergência).

Compromisso da 'PT' com a Madeira dura todo o ano

A 'Portugal Telecom' (PT) 'atacou' a intempérie de 20 de Fevereiro com uma 'task force' de 200 técnicos e material vindo do continente no dia seguinte. Recorreu-se a feixes hertzianos para garantir a redundância dos suportes físicos. Em 24 horas 80% das comunicações da infra-estrutura base afectadas já estavam repostas e dois dias depois estava reposta a normalidade.

Segundo fonte oficial da PT, o investimento do grupo na sua rede, quer no seu reforço e modernização, quer na sua manutenção "é feito de forma permanente e criteriosa ao longo de todo o ano". Na Madeira fizeram-se investimentos no lançamento e implementação da rede de fibra óptica e oferta de TV inovadora com o 'Meo' ou o desenvolvimento, ao longo dos últimos 15 anos, da TMN.

"O compromisso da PT para com a Madeira, traduz-se não só no investimento em tecnologia e na rede de telecomunicações, mas também através do seu contributo para o desenvolvimento sócio-económico da região, com a recente abertura do novo Centro de Relacionamento com Clientes (com capacidade para criar até 200 postos de trabalho) ou com a inauguração do estúdio de Telepresença", revela.

Lições: 'Zon': Reforçar a redundância de suportes

O director-geral da 'Zon Madeira', Ricardo Cardoso considera que a empresa que conta com cerca de 30 mil clientes respondeu bem à intempérie de 20 de Fevereiro. Tirando a ruptura mais grave de cabos de fibra óptica (ponte do Campo da Barca) e uma ou outra situações pontuais, a resposta foi à altura e na noite da quarta-feira seguinte ao temporal todos os serviços estavam operacionais. Lembra que nas condutas subterrâneas, a 'Zon' já utiliza um cabo "muito bem isolado" que só mesmo em caso de dilúvio a água/inundações o danifica.

Se há lição a retirar ela prende-se com a necessidade de reforçar a redundância dos suportes físicos por forma a haver alternativas quando um deles falha. Sendo que nem é preciso um grande investimento financeiro para enveredar por aí. E, se necessário for, recorrer a redes de outros operadores. "Redundância de suportes, não só ao nível dos percursos como da tecnologia utilizada", disse.

Ricardo Cardoso disse que a 'Zon' tem os seus cabos no terreno mas vive também com a contingência de estar "em cima" da rede de fibra óptica da PT. Se falha a PT (cabo partido) falha a 'Zon' (rede alugada à PT). Ainda assim, a 'Zon' tem, ela própria, infra-estruturas no terreno (aéreas e subterrâneas) pelo que, em caso de ruptura, é tecnicamente mais fácil repor as ligações. Residualmente, nalgumas zonas, a 'Zon' também utiliza a via hertziana (torres com antenas de retransmissão). "Como existem menos, a probabilidade de elas sofrerem um acidente é menor", disse.

Sobre a rede de fibra óptica, a arquitectura da rede da 'Zon' "é mais fácil comparada com as redes convencionais de telecomunicações". E explica porquê. Porque com um só cabo distribui sinal e vários serviços para muitas casas. "É uma rede robusta em termos de arquitectura funcional", disse.

Ricardo Cardoso minimizou o facto de ter vários serviços acoplados (TV-Cabo, internet, telefone). "Se há ruptura falham todos mas quando repomos também são todos repostos ao mesmo tempo", rematou.

Temporal pôs a nu fragilidades do SICOSEDMA

O temporal pôs a nu as fragilidades do Sistema Integrado de Comunicações de Segurança, Emergência e Defesa da Madeira (SICOSEDMA). O sistema começou a operar em finais de 2006 e reuniu parceiros como o Serviço Regional de Protecção Civil e Bombeiros (SRPCB), a PSP, a Polícia Florestal e os Ministérios da Defesa e da Administração Interna. Trata-se de uma rede de comunicações de tecnologia digital partilhada que substituiu o sistema analógico entretanto desactivado. Foi testado em alguns simulacros de catástrofe como nos aeroportos da Madeira (Nov. 2007) e Porto Santo (Nov. 2006) e no túnel da Ribeira Brava (Fev. 2007) mas o grande teste real foi a 20 de Fevereiro último.

Mas a catástrofe também atingiu o SICOSEDMA sobretudo em parte do dia 20 e parte do dia 21 de Fevereiro. O sistema partilhado deixou de funcionar porque assenta(va) na rede de fibra óptica da PT e, como se sabe, parte desses cabos quebraram. Houve uma incapacidade de chegar informação ao 'cérebro' (MSO) do SICOSEDMA que funciona no Comando Operacional da Madeira. Passou então a funcionar apenas o sistema de comunicações locais entre agentes de protecção civil, sem a coordenação que o MSO permite. As corporações de bombeiros utilizaram então o Módulo Local de Comunicação entre si.

A esta distância, Luís Neri disse que não pode falar pelos outros utilizadores do SICOSEDMA mas que, da parte do SRPCB, retira-se a conclusão de que é preciso apostar na redundância de suportes. Ou seja, numa alternativa de comunicações (embora menos sofisticada do que o SICOSEDMA) mas que permita as comunicações quando este falhe ou haja congestionamento.

"O que tem de ser melhorado e equacionado por quem está a superintender o SICOSEDMA é a necessidade de uma redundância, um método alternativo de nós não ficarmos limitados. É uma questão que temos de ponderar, embora isso tenha custos e é preciso pensar se é ou não viável", disse.

Refira-se que o protocolo referente ao SICOSEDMA foi assinado com a Defesa, no Funchal, a 11 de Agosto de 2006. Posteriormente foi criada uma comissão tripartida de gestão e segurança. O SICOSEDMA é a materialização na Região da filosofia subjacente ao Sistema Integrado das Redes de Emergência e Segurança de Portugal (SIRESP).

A último reunião relativa ao SICOSEDMA foi um mês antes do temporal, com a vinda cá de Diniz da Costa e de Carlos Machado, representantes, respectivamente, das 'Forças Armadas' e gestor da unidade de missão para o SIRESP.


DN Madeira

quarta-feira, 24 de março de 2010

Pilotos garantem a Jardim que iam voar para a Madeira

Apesar da greve ter sido desconvocada ontem


Apesar da desconvocação da greve para a Páscoa, o Sindicato dos pilotos da aviação civil já tinha garantido ao presidente do Governo Regional que os voos da TAP de e para a Região Autónoma da Madeira iriam realizar-se.





A direcção do Sindicato dos pilotos da aviação civil já havia garantido ao presidente do Governo Regional que assegurava todos os voos da TAP de e para a Região Autónoma da Madeira nos dias em que os pilotos da companhia iriam fazer greve durante a Páscoa, concretamente entre 26 de Março e 1 de Abril próximos. O acordo conseguido ontem entre o sindicato e a administração da TAP acabou por evitar problemas maiores para outros destinos.
A garantia do sindicato a Alberto João Jardim havia sido dada por carta e em resposta a uma missiva que o governante madeirense dirigira ao seu presidente a propósito da intenção de partirem para greve. Sensibilizava para os prejuízos turísticos que poderiam resultar para a Madeira.
Na carta, o presidente da direcção do sindicato, Helder Raio Silva, acusava a recepção da missiva do presidente do Governo Regional e começa por informar que desde sempre foi uma preocupação do sindicato assegurar todos os voos de e para a Região Autónoma da Madeira.
A concluir, Helder Raio Silva não quis deixar de aproveitar a oportunidade para, de uma forma mais formal, endereçar a todos os madeirenses toda a solidariedade dos pilotos associados.
Segundo notícias veiculadas a propósito da anunciada greve, os pilotos reivindicavam entre outras coisas, receber metade do valor resultante do aumento de produtividade, calculada pelos próprios em 21 de milhões de euros.
Exigiam também um aumento da remuneração bruta dos comandantes de 7,03%, enquanto a TAP contrapunha com uma proposta de 6,61%. Uma das áreas de maior desacordo era o das ajudas de custo.
O sindicato exigia um aumento dos actuais 41 euros para 82 euros, enquanto a TAP oferecia 50 euros.
Ontem, em comunicado, o Sindicato confirmou que a greve foi desconvocada.





Jornal da Madeira

quinta-feira, 18 de março de 2010

Recuperação da Madeira poderá ser “case study” mundial

Jornalista inglesa diz que “nunca viu nada tão rápido e tão eficaz”
25-02-2010 (10h09)




A rapidez e a eficácia que a Madeira está a demonstrar na recuperação dos estragos causados pelo temporal do passado Sábado, nomeadamente no centro histórico do Funchal, está a ser exemplar e poderá ser um caso “case study” a nível mundial, disse ontem ao PressTUR o responsável de um dos operadores turísticos que vende programas de férias na ilha.
Esta ideia é corroborada por João Welsh, delegado na Madeira da APAVT - Associação Portuguesa das Agências de Viagens, que relata as impressões com que ficou a jornalista, de nacionalidade inglesa, que está a fazer a cobertura da situação na Madeira para a estação de televisão “Aljazeera” para uma cadeia de televisão internacional.
“Ela disse que nunca viu nada tão rápido e tão eficaz”, relatou João Welsh, sublinhando que a jornalista é a repórter que a “Aljazeera” desloca para todo o mundo onde sucedem acontecimentos como os vividos na Madeira.

PressTur

Túnel de Santa Catarina reabre hoje ao trânsito

Ligação da Calouste Gulbenkian à Rotunda Sá Carneiro







O túnel de Santa Catarina que liga a Avenida Calouste Gulbenkian à Rotunda de Sá Carneiro abre hoje ao trânsito, depois dos trabalhos de recuperação realizados nas últimas semanas.
Segundo o vice-presidente da Câmara Municipal do Funchal, Bruno Pereira, a abertura da infra-estrutura rodoviária perspectiva uma maior fluidez ao trânsito naquela zona, fortemente afectada pelo temporal de 20 de Fevereiro.
O túnel que passa por baixo do parque de Santa Catarina foi alvo de beneficiação ao nível do pavimento, recolocação de lancis e pinturas, pelo que a ligação descendente á Rotunda Sá Carneiro abre sem limitações ao trânsito.
«Isto significa que as duas faixas que normalmente são ascendentes no outro túnel voltarão à normalidade», sendo que a faixa mais à direita de quem sobe, irá ter à Rua Dr. Brito Câmara, enquanto a faixa da esquerda segue em frente para a Avenida Calouste Gulbenkian e depois para a Dr. Brito Câmara.
Mais demorada está a reabertura da estrada entre o Campo da Barca e a ponte do Mercado dos Lavradores, no final da Rua Dr. Fernão de Ornelas devido à renovação em curso da rede de saneamento básico.
«Estamos a proceder à colocação de saneamento básico na Rua Visconde do Anadia, entre o Campo da Barca e a Rua Dr. Fernão de Ornelas, sendo uma obra que irá decorrer durante mais duas semanas», confirmou, acrescentando que se trata de um adutor já antigo e que ficou fortemente danificado na sequência da intempérie «o que levou a esta intervenção urgente por parte da câmara».
Bruno Pereira revelou que nos parques de estacionamento do Dolce Vita, Anadia e Marina Shopping ainda prosseguem os trabalhos de limpeza.

Realojar definitivamente pode ser a melhor solução

Relativamente às zonas altas do Funchal, o processo está em fase de análise, visto a autarquia ter encomendado estudos técnicos para avaliar a questão da consolidação dos taludes nas zonas onde se verificaram derrocadas.
Segundo o vice-presidente da câmara em alguns casos será preferível alojar algumas famílias em novas habitações, obrigando a autarquia a uma atitude pragmática.
Bruno Pereira salientou que fazer a consolidação a cem por cento dos taludes é uma solução incomportável por parte da câmara. «Tem de haver algum pragmatismo nas soluções encontradas em termos de engenharia, correndo mesmo em sítios pontuais a possibilidade de realojar definitivamente essa família fora da zona afectada», realçou o autarca.
Tal como referiu «é mais interessante, mais prática e da gestão social mais correcta do que gastar um milhão ou milhão e meio para consolidar um talude».



Jornal da Madeira

Salvo dos escombros quase 30 dias depois


Um cão foi ontem resgatado com vida, em São Gonçalo, durante limpezas no local

Data: 18-03-2010



Uma situação singular para quem presenciou. Ontem de manhã, um grupo de trabalhadores de uma empresa especializada na área da construção civil encontrou, durante uma operação de limpeza na zona de São Gonçalo, um cão preso entre escombros, resultantes da tragédia do passado dia 20 de Fevereiro. Quase um mês depois, e para surpresa de todos, o animal encontrava-se bem, embora com as patas de trás partidas, já que estavam presas por pedras, impedindo, assim, que se soltasse e fugisse do local. Pelo que também constataram, ao longo destes dias, o 'cocker' preto foi ajudado por um outro cão que, fiel, lhe fazia companhia. Segundo o DIÁRIO apurou, quando o animal foi solto e levado pelos bombeiros - entretanto chamados - para a Sociedade Protectora dos Animais Domésticos (SPAD), o cão que o protegia correu atrás do carro.

"Foi pena não levarem os dois juntos, visto que pareciam ser grandes amigos", contou um trabalhador que se encontrava no local. Como o animal era de raça e se encontrava bem tratado, apesar das circunstâncias, tudo leva a crer que tivesse dono e que tenha sido apanhado pela enxurrada.

O cão foi encontrado ontem de manhã, por volta das 10 horas, quando um grupo de trabalhadores retomou as acções de limpeza perto do Palheiro Golf, em São Gonçalo. Depois das limpezas iniciais, os trabalhadores voltaram ontem ao local para continuarem os trabalhos.

O DIÁRIO tentou ainda apurar, junto da SPAD, o estado do animal em causa, mas foi-nos recusado qualquer acesso a informações por parte da direcção da instituição.


DN Madeira

segunda-feira, 15 de março de 2010

Inverno foi o mais chuvoso desde há 140 anos



Data: 15-03-2010

O inverno deste ano foi o mais chuvoso de sempre, desde que há registos, no Funchal ou seja desde há 140 anos, revelou o Instituto Nacional de Meteorologia.

Os dados são relativos a Dezembro, Janeiro e Fevereiro e indicam que "em termos locais, em algumas estações foi este inverno o mais chuvoso desde que existem registos de observações".

Na Madeira, o Inverno de 2009/2010 foi o mais chuvoso desde 1865, com um valor cerca de três vezes superior ao normal de 1971-2000.

Nesta ilha, Fevereiro foi o mês que apresentou um total de precipitação mais elevado e no Funchal cerca de sete vezes acima do valor médio para este mês, sendo assim o valor mais elevado desde o início dos registos, em 1865. O Porto Santo apresenta o 3.º inverno mais chuvoso desde 1940, especifica ainda o Instituto de Meteorologia.


DN Madeira

quinta-feira, 18 de fevereiro de 2010

Tributo ao Capitan Phil Harris da serie DeadLiest Catch do Discovery Chanel que morreu aos 53 anos

Tributo



A Noticia da morte no Canal FOXNews






Curiosidade: Cornelia Marie era o nome da esposa do Capitan Phil Harris


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Estado investe 1,65 euros por cada madeirense e 87 por cada açoriano, diz Pedro Coelho

"Um açoriano equivale a 50 madeirenses"

Data: 18-02-2010



Não se trata de uma convicção, mas de uma constatação do PSD-M, a propósito do dinheiro previsto no Orçamento de Estado para investimento directo nas duas regiões autónomas.

Foi à porta do Tribunal da Ponta do Sol, que o deputado Pedro Coelho deu conta da indignação dos social-democratas pela forma como a Região e os madeirenses são tratados no PIDDAC - investimentos do Estado - deste ano.

O deputado do PSD na ALM alerta para uma diminuição de 92% no montante previsto para a Madeira, de 2009 para 2010. Passa de 5,5 milhões para 427 mil euros. Já os Açores vão ser contemplados com 21,4 milhões de investimento durante este ano. Nas contas apresentadas por Pedro Coelho, o Estado investe na Madeira 1,63 euros por cada habitante. Já nos Açores são investidos 87 euros por açoriano, o que leva o PSD a concluir que "um açoriano equivale a 50 madeirenses".

Os social-democratas analisaram a proposta de PIDDAC e constataram que o Governo da República se propõe investir bastante mais no estrangeiro do que na Madeira. A título de exemplo, são referidos os 300 mil euros para hemodiálise em Cabo Verde e os 400 mil para as televisões dos PALOP.

Pedro Coelho diz que apenas 0,02% do PIDDAC é que serão investidos na Região, ficando por resolver situações como as dos tribunais da Ponta do Sol e de Santa Cruz ou as das esquadras da PSP do Porto Santo, de Santa Cruz e da Ponta do Sol.

O PSD conclui que o primeiro-ministro não considera os madeirenses como portugueses, mas também não os considera estrangeiros, tendo em conta dos 43 milhões de euros que o Estado português prevê investir fora do território nacional.


DN Madeira

sábado, 13 de fevereiro de 2010

Há 75 Cristianos Ronaldos


Seis foram registados na Madeira, incluindo o do futebolista

Data: 13-02-2010


Existem, em Portugal, 75 pessoas com o nome Cristiano Ronaldo, seis das quais naturais da Madeira. Segundo dados do Instituto dos Registos e do Notariado, para além do desportista em causa, dois dos referidos registados (na Região) nasceram em 2009, outros dois em 2005 e um em 2008.

A paixão pelo futebol dos pais e o talento do futebolista poderá explicar a escolha destes dois nomes próprios na hora de registar os filhos. Ainda assim, de acordo com a conservadora do Registo Civil do Funchal, Isabel Medeiros já houve uma maior tendência para colocar o nome de famosos nos filhos, em muitos casos por influência da televisão, sobretudo quando surgiram as novelas brasileiras em Portugal. Foi uma "moda", mas, segundo a conservadora, "está-se a voltar aos nomes mais portugueses".

Embora o sistema informático nas conservatórias não permita apurar os dados estatísticos por região, Isabel Medeiros sublinha que a tendência não é diferente daquela que se regista ao nível nacional. Em 2008, os vocábulos Maria e João lideraram o top de nomes atribuídos aos recém-nascidos. Outros nomes mais usuais nesse ano foram também Matilde, Leonor, Ana, Rodrigo, Beatriz, Diogo, Martim, entre outros.

De acordo com a legislação portuguesa, o nome completo deve compor-se, no máximo, de seis vocábulos gramaticais, simples ou compostos, dos quais só dois podem corresponder ao nome próprio e quatro a apelidos.

Mudança de nome só em casos específicos

De acordo com o Código do Registo Civil, o nome fixado no assento de nascimento só pode ser modificado mediante autorização do Conservador dos Registos Centrais, em processo especial instaurado pelo interessado para o efeito.

Segundo a conservadora-adjunta da Direcção-Geral dos Registos e Notariado, Filomena Maria Mocica, "as razões mais invocadas como justificativas para a alteração de nome próprio prendem-se com a falta de identificação pessoal/emocional com o vocábulo em causa e, principalmente, com a actual admissibilidade legal de nomes próprios estrangeiros sob a forma originária em determinadas situações".

No entanto, existem situações que resultaram de um engano na hora do registo. Foi o que aconteceu a Élvio Meneses. "Até agora não consegui perceber se foi o meu pai que disse mal ou se foi engano do funcionário da conservatória", disse.

O que é certo é que nos primeiros nove anos de vida teve como segundo nome próprio o vocábulo 'Pávio', em vez de Fábio, como pretendiam os pais. Um engano que foi corrigido quando teve que se matricular no 5.º ano e efectuar o Bilhete de identidade. Na altura, foi informado de que o nome não constava dos vocábulos admitidos, tendo sido rectificado na hora.

A entrada em vigor do acordo ortográfico levará a alterações na escrita dos nomes, já que, segundo Filomena Maria Mocico, será respeitada também a nível onomástico.


DN Madeira